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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Jaçanã (Jacana jacana Linnaeus,1766); Fauna do RN.

       Ave conhecida popularmente como: Jaçanã, Nhaçanã, Nhançanã, Nhanjaçanã, Menininho-do-banhado, Aguapeaçoca, Narceja, Cafezinho, Ferrão, Japiaçó, Casaca-de couro, Japiaçoca, Marrequinha, Piaçó,Piaçoca,Pia-sol, Asa-de-seda em algumas localidades da região Sul do Brasil e em algumas regiões da África e da Austrália são conhecidas também como “Jesus bird”, porque parecem sempre estar caminhando sobre as águas,quando na verdade estão se deslocando sobre plantas aquáticas. Seu nome em inglês é Wattled Jacana. Entretanto para a ciência essa ave só tem um nome, Jacana jacana.
      A palavra Jaçanã é indígena, de origem tupi “ñaha´nã”, e segundo Pardal Capoeira Jaçanã significa “ave que possui as patas sob a forma de nadadeiras, como os patos” e a variação Jaçanan significa “de o que grita forte”. Essa espécie pertence à família Jacanidae que é representada pelas jaçanãs, composta por oito espécies de hábitos paludícolas que ocorrem desde a América, África e Ásia (Hayman  et al.  1986). Representantes fósseis desta família datam desde o Plioceno e Pleistoceno do Brasil até possivelmente do Oligoceno (30 milhões de anos) no Egito. Sua manifestação sonora forte e estridente é "wöt-wöt", que ela emite normalmente com as asas levantadas como sinal de alarme.
      A Jaçanã é uma ave aquática, apesar de não nadar,ela se locomove sobre plantas flutuantes como ninféias, aguapés, salvínias entre outras, em busca de alimentos, que são insetos, moluscos, pequenos peixes e sementes. Vivem aos casais ou em pequenos bandos nos banhados, margens de rios, brejos, lagos e açudes, ou seja, tem como habitat os ecossistemas aquáticos de água doce com plantas aquáticas como baronesas, aguapés (Eichhornis sp.),etc.  A Jaçanã possui morfologia e adaptações especiais para se locomover sobre esses ambientes: pernas compridas, dedos excessivamente longos e delicados; unhas elásticas e afiladas como agulha, sendo a do hálux encurvada para cima, medindo mais que o dobro dos dedos anteriores, auxiliando na distribuição do seu peso, permitindo que se movimente por sobre as plantas aquáticas com toda exuberância e rapidez necessária, diferenciando-se de outras espécies que dividem o mesmo território (PHELPSJUNIOR; SCHAUENSEE, 1979; SILVA,1971; ANTAS; CAVALCANTI; CRUZ, 1988;FERRES, 1992; SICK, 1997). 
     O tamanho dos adultos varia de 20 a 25 cm de comprimento, possui colorido vistoso, de plumagem negra na cabeça, no peito, abdômen e cauda, e um manto marrom-avermelhado no dorso, no flanco e sobre as asas; na cabeça, possui lobos membranosos frontais e laterais vermelho-vivo contrastando com o bico amarelado; as rêmiges são verdes amareladas de pontas negras, sendo exibido amiúde, e, no encontro, um esporão afiado, de cor amarelada, servindo como arma, à feição do Vanellus chilensis (Molina 1782) (OSBORNE; BOURNE, 1977; OLROG, 1984; ANTAS; CAVALCANTI; CRUZ, 1988; SICK, 1997). Assemelha-se à Jacana spinosa,  com a qual ocorre em simpatria na Costa Rica e Panamá, podendo formar híbridos (Jenni e Betts 1973); porém distingue-se por apresentar os lobos membranosos lateral, sendo o frontal, bipartido (Jenni e Betts 1973, Hayman et al. 1986).  Os filhotes são nidífugos, recobertos por uma plumagem de coloração castanha claro, com faixas escuras em seu dorso, sendo substituída, na fase juvenil (vê foto), por uma coloração clara, com faixas escura e branca amarelada, pelo restante do corpo, e com sobrancelhas brancas compridas e uma listra negra atrás dos olhos (FERREIRA, 1984; ANDRADE, 1993). Existe dimorfismo sexual, pois as fêmeas têm o porte maior e lobos membranosos mais vermelhos em relação aos machos (NUNES; PIRATELLI, 2005). As fêmeas adultas podem pesar cerca de 160 gramas enquanto que os machos pesam aproximadamente 70 gramas.


      Vive aos casais em pequenos lagos ou formam pequenos grupos quando ocorre em ambiente mais extenso. Nesta espécie, a exemplo do que ocorre em outros membros da família Jacanidae (Butchart et al. 1999a, Tarboton 1992, Mace 2000, Jenni e Betts 1991), a fêmea exibe comportamento poliândrico e reversão no papel sexual, na qual torna-se o sexo dominante e defende haréns com três a quatro machos, os quais assumem todo o cuidado parental (Osborne e Bourne 1977; Osborne 1982; Ferreira 1984; Emlen et al. 1989; Emlen e Wrege 2004a,b). Dessa forma, uma fêmea se acasala, normalmente, com 2 ou até 4 machos e defende um território. O ninho é feito pelo  macho sobre folhas de ninféias. Após a postura de quatro ovos castanho-amarelados, densamente manchados, o pai expulsa a fêmea dos arredores do ninho para incubá-los,mas se posteriormente outra fêmea aparecer destrói os ovos e o macho não reage por amnésia e no final acaba acasalando com a nova fêmea. Para protegerem o ninho, chegam a fingir estar com uma perna quebrada debatendo-se como se não pudessem voar (despistamento).  Os filhotes são nidífugos, andando entre as plantas e mergulhando logo após a eclosão. Fora da época de reprodução que normalmente ocorre de Novembro a Abril, associam-se em bandos para migrar. 
    Apesar de ser considerada uma espécie relativamente social, em alguns ambientes ou épocas do ano, defendem seus territórios contra outras jaçanãs voando diretamente ao encontro do intruso, emitindo seu peculiar chamado, como uma risada fina e longa. Ao pousarem, para intimidar o invasor, mantêm as asas abertas e esticadas para o alto, destacando as penas longas, amarelas, das asas e o esporão amarelo do encontro das asas. Através dessas atitudes, intimidam a ave invasora. Mas as vezes a invasora não desiste e consequentemente ocorre agressão corporal.
      A jaçanã (Jacana jacana Linnaeus,1766) tem ampla distribuição geográfica nas Américas, ocorrendo a partir das Guianas até a Venezuela, Colômbia, Brasil, Bolívia, Argentina, Equador, Peru e Chile (Meyer de Schauensee 1982).   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, visualizei a Jaçanã (Jacana jacana) nos seguintes municípios: Parnamirim,as margens de um riacho em 2012-2013, Macaíba, em um açude no ano de 2009 e 2013, Monte Alegre,na lagoa Barrenta em 2011 e 2012,Baía Formosa,na RPPN Mata Estrela na lagoa de Coca Cola em 2013, Felipe Guerra, em um rio em 2012.
 Seu estado de conservação atual é pouco preocupante.
     O Que podemos fazer para que a Jaçanã não entre na lista de animais ameaçados de extinção? Conscientizar a sociedade a respeito da sua importância ecológica nos ecossistemas de água doce, pois a Jaçanã através da predação de pequenos animais controla o crescimento populacional desses e serve de presa a animais maiores como, por exemplo, jacarés. Orientar assim, as pessoas para não caçarem essa ave assim como outros animais silvestres, não capturarem, manipularem ou matarem essa espécie (e as outras) a não ser que esteja autorizado por órgãos responsáveis por cuidarem dos nossos recursos naturais como, por exemplo, o IBAMA. Além disso, devemos ter o cuidado de proteger a “sua casa”, os ambientes de água doce, que também é o habitat de diversas outras espécies e são a nossa principal fonte de água potável e de onde retiramos alguns de nossos alimentos como, por exemplo, peixes e crustáceos.
      A Jaçanã é uma ave tão comum no Brasil que curiosamente é nome de praça em Belo Horizonte(MG)rua na cidade de Sarandi(PR), avenida e bairro na cidade de São Paulo(SP), onde ficou célebre na canção Trem das Onze de Adoniran Barbosa. Seus versos dizem: Não posso ficar nem mais um minuto com você / Sinto muito, amor, mas não pode ser. / Moro em Jaçanã... se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas / Só amanhã de manhã (...).
É nome de cidade no estado do Rio Grande do Norte, estando esta localizada na Microrregião da Borborema Potiguar distante 147 quilômetros da capital do estado. Também existe música a respeito da Jaçana, como por exemplo, “O Canto do Jaçanã” da autoria de Cascatinha & Inhana que começa assim:
Lá no meu sertão,
Bem distante,
Todos os dias de manhã,
Ouve-se o canto da Jaçanã.(...) e termina com seguintes estrofes:
Há uma lenda no meu sertão,
Que o canto da Jaçanã,
Traz saudades e paixão.

Quando eu ouço aquele refrão,
Os meus olhos choram de emoção,
É a saudade no meu coração.

Classificação Científica:
Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Aves; Ordem: Charadriiformes; Subordem: Scolopaci; Família: Jacanidae; Gênero: Jacana;
Espécie: Jacana jaçanã (Linnaeus, 1766).

Referências:

Nunes ,Alessandro Pacheco & Piratelli, Augusto. Comportamento da jaçanã (Jacana jacana Linnaeus, 1766) (Charadriiformes, Jacanidae) em uma lagoa urbana no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil  .  ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS N. 126 – JUL/AGO DE 2005 – PÁG. 17.

Santos, Thiago Moura& Leite, Gabriel Augusto& Monteiro, Alberto Resende. COMPORTAMENTO DE DEFESA DA JACANA JACANA (LINNAEUS, 1766) (CHARADRIIFORMES, JACANIDAE), EM ÁREA DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SÃO PAULO, BRASIL. Revista Univap, São José dos Campos-SP, v. 18, n. 31, jun.2012. ISSN 2237-1753.

Jaçanã. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br/jacana Acesso em: 18/12/2012.

Charadriiformes,Aves Aquáticas. Disponível em: http://www.uece.br/uece/zootecnologia/aves_aquaticas/charadriiformes.pdf Acesso em: 18/12/2012.

Jaçanã ou Cafezinho(Jacana jacana),família Jacanidae. Disponível em: http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/ave/jacana.html  Acesso em: 18/12/2012.



Capoeira, Pardal. Dicionário Tupi Guarani. Disponível em:http://www.cienciasdacapoeira.com.br/dicionario-tupi-guarani.html Acesso em: 18/12/2012. 


Aves na Música. Disponível em: http://www.ceo.org.br/musica/musica.htm Acesso em: 18/12/2012.

Jaçanã(Distrito de São Paulo). Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ja%C3%A7an%C3%A3_%28distrito_de_S%C3%A3o_Paulo%29  Acesso em: 18/12/2012.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mariposa Bruxa Ascalapha odorata (Linnaeus, 1758); Fauna do RN.

      As Mariposas são insetos alados (com asas) que fazem parte da ordem Lepidóptera (asas com escamas) assim como as borboletas, as quais na fase jovem são denominadas de lagartas. Elas geralmente apresentam cores opacas, são mais ativas durante a noite e pousam com as asas abertas, ou seja, paralelas ao corpo.
Mariposa Bruxa Ascalapha odorata fotografada sob uma pedra no município de Monte das Gameleiras,Rio Grande do Norte,Brasil.
     A Mariposa das fotos é conhecida popularmente como Bruxa ou Bruxa preta, mais que ao contrário do que muita gente pensa ela não faz mal a ninguém, sendo o seu nome científico Ascalapha odorata. Essa espécie faz parte da superfamília Noctuoidea e da família Erebidae.   
     Os machos apresentam uma envergadura das asas de 9 a 16 cm, enquanto que as fêmeas são um pouco menores alcançando 12 cm e a lagarta (fase larval) alcança até 7 cm de comprimento. Asas marrom escuro, cruzadas por uma série de linhas ondulantes de faixas claras e escuras alternadas, muitas vezes apresentando linhas de cor azul iridescente sobre as asas. Nas fêmeas o contraste é mais acentuado do que nos machos.

     As fêmeas apresentam uma faixa de cor azul iridescente e branca no meio de ambos os pares de asas, enquanto que os machos não apresentam.
Mariposa Bruxa Ascalapha odorata(fêmea) fotografada na RPPN Mata Estrela  no município de Baía Formosa,Rio Grande do Norte,Brasil.
     Tem como habitat as florestas tropicais e subtropicais sendo encontradas principalmente associada a árvores da família Fabaceae(Leguminosae), muitas vezes encontrada também no interior de casas e prédios durante o dia. Indivíduos adultos alimentam-se de frutos maduros, especialmente bananas, e as lagartas se alimentam de folhas de árvores da família Fabaceae (Leguminosae), sendo os principais gêneros de plantas dessa família utilizadas como fonte de alimento, os seguintes: Acacia, Ebenopsis Albizia, Cassia, (Pithecellobium), Gymnocladus, Prosopis, Robinia, Samanea. Sua distribuição se estende do Brasil ao sul dos Estados Unidos, ocorrendo do México ao Sul das Américas. É uma espécie comum em S. Flórida e no Caribe, assim como estar estabelecida no Havaí. Também já foi registrada no continente Africano.
     Essa mariposa empreende uma migração para o norte durante o final da primavera e no verão, passando pela América Central e entrando no extremo norte de sua distribuição. Durante esta temporada indivíduos adultos e massas de larvas podem ser encontradas a partir do Texas a Flórida.  Muitas vezes voa grandes distâncias em apenas algumas noites, se escondendo durante o dia, onde quer que possa encontrar sombra densa frequentemente no interior das casas.
Mariposa Bruxa Ascalapha odorata(fêmea) fotografada na parede de uma residência no município de Parnamirim,Rio Grande do Norte,Brasil.
     É considerada um prenúncio de morte no folclore mexicano e Caribenho. Em muitas culturas, uma dessas mariposas que voam para a casa é considerada má sorte: por exemplo, no México, quando há alguém doente em uma casa e esta mariposa entra, acredita-se que a pessoa doente vai morrer, apesar de uma variação do mesmo tema ( na parte inferior do Vale do Rio Grande,Texas) é que a morte só ocorre se a mariposa voa e visitar todos os quatro cantos da própria casa (na Mesoamérica, desde a época pré-hispânica, até o presente momento, as mariposas têm sido associadas com a morte e o número quatro ). 
     Em algumas partes do México, as pessoas brincam dizendo que se uma voar sobre a cabeça de alguém, a pessoa vai perder seu cabelo. No Havaí, a mitologia em relação à Bruxa Preta, embora associada à morte, tem uma conotação mais feliz, em que, se um ente querido acaba de morrer, a mariposa é uma encarnação da alma da pessoa que volta  para dizer adeus.
      Não compre animais silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando o tráfico de animais silvestres que é a terceira atividade clandestina que mais movimenta dinheiro ilícito.

REFERÊNCIAS:

Species Ascalapha odorata - Black Witch. Disponível em: http://bugguide.net/node/view/23779  Acesso em: 12/12/2012.

Ascalapha odorata. From Wikipedia, the free encyclopedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Ascalapha_odorata  Acesso em: 12/12/2012.

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