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domingo, 27 de outubro de 2013

Xiquexique Pilocereus gounellei (A. Weber ex K.Schum.) Bly. ex Rowl); Flora do RN

    Planta conhecida popularmente como Xiquexique,Sodoro e Alastrado mas que cientificamente foi denominada como Pilosocereus gounellei. Essa espécie pertence a família Cactaceae, a mesma a qual fazem parte o mandacaru,facheiro e coroa-de-frade. Cacto que atinge até 3,75 m de altura e o diâmetro da copa variando de 1,45 a 3,27m,possui caule colunar e os ramos laterais com dez arestas,com aréolas acizentadas, revestidas por muitos espinhos fortes que podem atingir de 16 cm cada. Os ramos jovens e a base das flores trazem tufos de pelos brancos junto aos espinhos. Suas flores são brancas,tubulosas com comprimento variando de 8cm a 17cm, abrindo-se principalmente a noite e são visitadas por morcegos e abelhas os seus polinizadores. Os frutos são bagas arredondadas com cerca de 5 cm cada, achatadas, de cor vermelho escuro a rosa - pálido, que se abrem presas à planta, expondo a polpa de um belíssimo tom de rosa onde se alojam centenas de minúsculas sementes pretas. Os frutos são bastante consumidos por insetos, como marimbondos, e por aves. 
    Segundo Gomes (1977) esta cactácea desenvolve-se nas áreas mais secas da região semi-árida do Nordeste, em solos rasos, encima de rochas e se multiplica regularmente, cobrindo extensas áreas da caatinga. Espécie endêmica das Caatingas,sendo raro nos agrestes com distribuição principalmente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Durante as secas prolongadas assim como o mandacaru o Xiquexique se torna o único recurso alimentar para os animais ruminantes, quando é oferecido após a retirada dos espinhos. Sendo por isso considerado uma espécie importante como reserva estratégica para os sistemas pecuários do semi-árido. A parte aérea da planta é cortada pelos agricultores e queimada para eliminação dos espinhos, sendo ofertada posteriormente para os animais. Em muitas comunidades os agricultores fazem a queima das plantas em pé e os animais consomem diretamente no campo. Esta prática têm causado sérios danos ao bioma caatinga, visto que, a plantas queimadas por inteiro, morrem e a cada época seca, o xiquexique corre o risco de extinção.   
    O sertanejo durante as grandes secas em situações extremas se alimenta de farinha extraída dos cladódios, das hastes mais novas assada, e se hidrata(mastigando a parte interna) com estas naturalmente, combatendo a sede. Na medicina popular o Xiquexique é empregado no tratamento de inflamações e hidropsia. Curiosamente várias comunidades no interior da região Nordeste do Brasil tem o nome Xiquexique, inclusive existe um município no estado da Bahia com esse nome.


Referências
Alan de Araújo Roque, Maria Iracema Bezerra Loiola& Jomar Gomes Jardim. PLANTS of the CAATINGA of Seridó,RPPN Stoessel de Britto, Seridó Region, Rio Grande do Norte, BRASIL.

CAMACHO, Ramiro Gustavo Valera. O Conhecimento da Caatinga potiguar e o desafio do desenvolvimento sustentável. Ciência Sempre Revista da FAPERN. Natal, n.12, p.53, ano 5,abr./ jun., 2009. 

Castro, Antonio Sérgio & Arnóbio Cavalcante. Flores da caatinga. Campina Grande: Instituto Nacional do Semiárido, 2010. Pg: 108.

Cavalcanti,Nilton de Brito & Resende,Geraldo Milanez. Utilização do xiquexique (Pilocereus gounellei (A. Weber ex K.Schum.) Bly. ex Rowl) na alimentação dos animais.

Det.: J. Jardim, set.2013

Renato Braga. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII, 1996. Pg: 481-482.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Epidendrum cinnabarinum Salzm. ex Lindl; Flora do RN

   Planta denominada cientificamente como Epidendrum cinnabarinum,que pertence a família Orquidaceae. Foi descoberta pelo pesquisador Philipp Salzmann no estado da Bahia,sendo o epíteto latino cinnabarinum(significa vermelho de cinábrio) sugerido por ele em alusão a coloração vermelha das suas flores, enquanto que o gênero Epidendrum deriva da latinização de duas palavras gregas: επί (epi), que significa "sobre", "em cima de"; e δένδρον (dendron), que significa "árvore"; referindo-se à maneira como vivem as espécies deste gênero, geralmente sobre árvores(epífita). Erva que pode crescer na terra (terrestres), sobre árvores (Epífitas) e nas rochas (rupícolas) no bioma Mata Atlântica na vegetação de restinga em ambiente aberto com solo arenoso, no bioma Caatinga em vegetação de altitude, podendo ser encontrada desde o nível do mar até 1000 metros onde receba intensa luminosidade. orquídea nativa porém não é endêmica do Brasil,ocorrendo desde a Venezuela até o Brasil, onde possui distribuição geográfica relativamente ampla, sendo encontrada nas regiões Norte (Pará, Amazonas), Nordeste (Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe) e Centro-Oeste (Mato Grosso).

    E.cinnabarinum tem caule ereto, cilíndrico com 5 a 7cm de comprimento; folhas distribuídas pelo caule, flores com variação de cores desde vermelhas(principalmente),rosas até lilás que se desenvolvem no final de uma haste com até 180cm de comprimento formando inflorescências terminais. Floresce de maio a setembro. Vegetativamente é muito similar ao E. secundum Jacq., mas suas flores são vermelhas e maiores,margens dos lobos laterais do labelo fortemente recortadas ou franjadas.
    Ainda não estar na Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção elaborada a pedido do Ministério do Meio Ambiente em 2008. Entretanto infelizmente a destruição acelerada de seu habitat e a coleta predatória são ameaças cada vez mais frequentes as populações dessa espécie e de outras orquídeas no Rio Grande do Norte.
 Informações Técnicas da Espécie Epidendrum cinnabarinum Salzm.
“Terrestres. Caule 5-7 cm compr., ereto, cilíndrico. Folhas 3-5, 4-6 x 1,2-1,8 cm, distribuídas pelo caule, oblongas, sésseis, coriáceas, ápice obtuso.Inflorescência 19-35,5 cm compr., racemo, terminal,laxa, raque 1,7-4,2 cm compr., exposta; brácteas florais 0,1-0,7 cm compr., deltóides a lanceoladas,coriáceas, ápice agudo. Flores 7-21, monóclinas,pediceladas, não ressupinadas, vermelhas a vermelho-alaranjadas; sépala dorsal 1,7 x 0,4-0,5 cm, oblonga,ápice agudo, sépalas laterais 1,7-1,8 x 0,5 cm,oblongas, ápice agudo; pétalas 1,9 x 0,5-0,6 cm, elípticas,ápice agudo, labelo 2-2,2 x 1,1-1,2 cm, vermelho,centro amarelo, trilobado, lobos laterais 0,5 x 1 cm, fortemente recortado ou franjado, lobo mediano 0,5-0,6 x 0,2-0,3 cm, deltóide, ápice emarginado, calos no disco, margem inteira; coluna 1,4-1,5 cm compr., face inferior inteiramente adnata à base do labelo, polínias 4, inteiriças. Ovário pedicelado 1,4- 2,1 cm compr. Fruto não observado. Material examinado: Areia Branca, 6/I/2009, K. Mendes et al. 314 (ASE, RB, UFP).”

Referências
Barros, F. de, Vinhos, F., Rodrigues, V.T., Barberena, F.F.V.A., Fraga, C.N. 2010. Orchidaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB011529).
Edlley Max Pessoa, Marccus Alves. ORCHIDACEAE JUSS. NA SERRA DE ITABAIANA, SERGIPE, BRASIL. Revista Caatinga, Mossoró, v. 24, n. 4, p. 102-114, out.-dez., 2011
Cláudia Araújo Bastos; Cássio van den Berg. A família Orchidaceae no município de Morro do Chapéu, Bahia, Brasil Orchidaceae in Morro do Chapéu, Bahia, Brazil.
Det.: J. Jardim, set.2013.
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