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domingo, 8 de junho de 2014

Quipá Tacinga inamoena (K. Schum.) N.P. Taylor & Stuppy; Flora do RN

 Planta conhecida popularmente como Quipá,Gogóia,Cumbeba,Palmatória,Palmatória Miúda, entretanto seu nome científico aceito atualmente é Tacinga inamoena,sendo seu sinônimo científico Opuntia inamoena. Pertence a família Cactaceae, ou seja, é um cacto, sendo, portanto parente dos representantes famosos dessa família, como o mandacaru, facheiro, xique-xique e coroa-de-frade.
    Apresenta espinhos muito pequenos que estão agrupados em tufos, sendo muito irritantes (inamoena quer dizer não amigável). Suas flores são de cor laranja-escuro que, podem ser vistas durante o dia. Seus frutos redondos (4,0 cm) variam do amarelo ao laranja fosco, têm polpa carnosa.  Ao manipular os frutos deve-se ter cuidado, pois também apresenta pequenos espinhos. Os frutos e caules são de grande utilidade na época de seca, na alimentação dos animais e humana em situações de escassez. Porém, se o gado come a planta sem a retirada dos espinhos, sofre sérios danos em seu tubo digestivo, pois os espinhos pequenos penetram nas mucosas da boca e do esôfago, o que incomoda ao bem estar dos animais.
      Dos frutos podem ser feitos doces e geléias. As características químicas, forma, cheiro e sabor do Quipá são similares às dos frutos da Palma forrageira (Opuntia ficus-indica), usualmente consumidos in natura e industrializados. O fruto do Quipá, dado seu potencial nutricional ao conter cálcio, magnésio, fósforo e potássio pode ser explorado como alternativa alimentar e ou como fonte de renda complementar para a agricultura familiar. Na medicina tradicional a planta é utilizada para asma, inflamações e no combate a vermes.
     Espécie endêmica brasileira e nativa da região Nordeste do país, distribuída em quase todo o semi-árido. Cresce sobre litossolos ou regossolos, ou em certos casos, latossolos empobrecidos. Prefere a luz intensa, mas tolera a meia sombra (Gamarra Rojas et al., 2004; Taylor e Zappi, 2004; Andrade Lima, 1989; Britton e Rose, 1937).  Ela cresce em altitudes entre 0 e 1550 m de altitude.  No momento  as pesquisas demonstram que é uma espécie vegetal generalizada e comum. Durante todas as minhas excursões ao interior do estado do Rio Grande do Norte, nas regiões semi-áridas tenho observado com facilidade a presença dessa planta.
DESCRIÇÃO TAXONÔMICA DA ESPÉCIE:
“Planta arbustiva de 20 a 100cm de porte,  possui o caule formado por artículos elípticos a obovais, 8,0-9,0cm de comprimento x 4,5-5,5cm de largura x 1,0-1,2cm de espessura os quais se dispõem irregularmente, porém num conjunto elegante. Todo o corpo vegetativo da planta tem cor verde, levemente acinzentada. Sobre os artículos distribuem-se as aréolas em malha disposta  em alinhamento diagonal com o seu maior eixo. Aréolas mínimas (1,0mm de diâmetro)  destituídas de espinhos, porém providas de abundantes gloquídeos de reduzidas  dimensões, agressivos pela facilidade com que se desprendem e pela irritação que produzem ao penetrarem na pele, de onde dificilmente são removidos (Taylor e Zappi, 2004; Andrade Lima, 1989). 
O fruto do quipá é do tipo baga ovóide a subgloboso, 3,0-4,0 x 2,4-3,5cm de diâmetro longitudinal e transversal respectivamente, variando do amarelo ao laranja fosco, com porção basal avermelhada ou toda vermelha, fosca; câmara seminífera ocupando quase todo o espaço interno, preenchido por massa carnosa, cor de pêssego clara, constituída pelos funículos das sementes (polpa). Estas são abundantes e submersas na massa carnosa dos funículos, lenticulares, castanho-claro, de bordo mais claro; envolvidas pelo arilóide fibro-carnoso (Andrade Lima, 1989).”
Referências
Amanda C. D. Souza& Alice Calvente.  A FAMÍLIA CACTACEAE JUSS. NO RIO GRANDE DO NORTE. 64º Congresso Nacional de Botânica Belo Horizonte, 10-15 de Novembro de 2013.
Andréa Carla Mendonça de Souza.  Características físicas, físico-químicas, químicas e  nutricionais de quipá (Tacinga inamoena).  Dissertação apresentada ao colegiado do  Programa de Pós-Graduação em Nutrição do  Centro de Ciências da Saúde da  Universidade Federal de Pernambuco, para obtenção do grau de Mestre em Nutrição. Recife, 2005.
Antonio Sérgio. Flores da caatinga = Caatinga flowers / Antonio Sérgio Castro, Arnóbio Cavalcante. Campina Grande: Instituto Nacional do Semiárido, 2010.
Renato Braga. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII, 1996. Pg: 247-248.

Taylor, NP, Zappi, D., Machado, M. & Braun, P. 2013 inamoena. Tacinga. In:. IUCN 2013 IUCN Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. Versão 2.013,2. www.iucnredlist.org Transferido em 01 de junho de 2014.
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