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sábado, 19 de julho de 2014

Jaritataca Conepatus semistriatus (Boddaert, 1785); Fauna do RN

Casal de Tacaca,fotografado em Malhada Grande,Equador,Rio Grande do Norte.
   Animal conhecido popularmente como tacaca, ticaca,Jaritataca, jaratataca, jatitataca,jirita, gambá, cangambá ou zorrilho, entretanto seu nome científico é único, Conepatus semistriatus. Pertence a ordem Carnivora e a família Mephitidae, que é composta pelos gêneros Conepatus, Mephitis, Mydaus e Spilogale. 
   A Tacaca(Conepatus semistriatus) é um mamífero de pequeno porte, com comprimento corporal variando de 30 a 52cm e a cauda entre 16 e 31cm. Os indivíduos pesam entre 1,4 e 4,0kg (Cavalcanti 2010). Possui cabeça arredondada, corpo compacto e patas dianteiras com garras longas e negras, focinho longo e sem pelo. A cauda é volumosa com coloração negra próxima à base e branca na porção distal. A coloração do corpo varia de preto a marrom escuro com uma lista branca saindo da cabeça, dividindo-se em duas, as quais seguem paralelas até a base da cauda. O padrão dessas listras pode variar entre indivíduos (Dragoo 2009). A fórmula dentária é I3/3,C1/1, PM2/3, M1/2, com 32 dentes no total (Emmons 1997, Cheida et al. 2011).
    Conepatus semistriatus apresenta pares de glândulas perianais que são responsáveis pela produção de uma substância volátil e fétida, utilizada para defesa,sendo esta uma característica marcante de Conepatus (Brazil 1924; Emmons e Feer 1997; Eisenberg e Redford 1999). Quando o animal encontra-se sob ameaça, eleva suas patas traseiras e a cauda, esguichando um líquido de cor amarelada sobre o predador. Esse líquido pode ser lançado a até 2 metros de distância e permanece ativo por muito tempo. O líquido causa ardor nas mucosas,tontura e enjôo. Isso pode então ser o fator principal para a baixa frequência de predação que a espécie sofre, pois animais que tiveram contato com esse líquido evitaram novo ataque (Brazil 1924). Seus predadores são outros carnívoros, como por exemplo, a onça-parda(Puma concolor) e o lobo-guará(Chrysocyon brachyurus), assim como aves de rapina.
   É uma espécie terrestre e predominantemente solitário podendo ser encontrado em pares apenas na época reprodutiva. A gestação dura aproximadamente 60 dias onde nascem de 4 a 5 filhotes (Dragoo 2009, Cheida et al. 2011). Possui padrão de atividade crepuscular ou noturno (Cavalcanti 2010, Cheida et al. 2011). Torna-se ativo logo após o pôr do sol e a fase da lua parece não influenciar o período de atividade (Dragoo 2009). Podem usar buracos cavados por outras espécies ou cavar a própria toca (Eisenberg & Redford 1999). Silveira (1999) observou o uso de buracos em cupinzeiros como abrigo diurno. Além disso, tocas de tatus e touceira de capim também foram registradas como abrigos para a espécie (Cavalcanti 2010). Ela é considerada onívora e generalista, alimentando-se principalmente de insetos e outros invertebrados, consumindo também pequenos vertebrados como roedores, e frutos. Alguns autores já registraram o consumo de carcaças e lixo(Silva 2008, Kasper et al. 2009, Cavalcanti 2010, Cheida et al. 2011).
Tacaca(Conepatus semitriatus),fotografado em Malhada Grande,Equador,Rio Grande do Norte.
    Jaritataca(Conepatus semistriatus) habita principalmente áreas de vegetações abertas como Cerrado,campos e Caatinga, evitando regiões de matas mais densas (Cheida et al. 2011). Embora possa utilizar matas mais fechadas como abrigo (Kasper et al. 2009). A espécie apresenta boa tolerância a ambientes perturbados (Cuarón et al. 2008, Dragoo 2009), além de serem registradas em áreas de agro-ecossistemas, como cana-de-açúcar e eucalipto (Dotta & Verdade 2007). 
   Conepatus semistriatus ocorre no sul do México, norte da Colômbia, Venezuela, Peru e Brasil. No território brasileiro pode ser encontrada do nordeste do país ao estado de São Paulo(Cuarón et al. 2008, Cheida et al. 2011), ocorrendo nos ambientes de Cerrado e Caatinga (Kasper et al. 2009). Atualmente a espécie tem sido registrada em ambientes alterados de Mata Atlântica, provavelmente devido ao aumento da fragmentação e desflorestamento (Kasper et al.2009). A espécie é amplamente distribuída no Brasil e relativamente abundante, porém pode ser bastante rara em alguns locais (G.N. Cavalcanti obs. pess.). Pode viver em regiões de até 4.100m de altitude (Emmons 1997). 
   A Tacaca(Conepatus semistriatus) é caçada para "subsistência", utilizada como alimento e/ou medicamento, na região da Caatinga. Além da caça existem outras ameaças as populações C. semistriatus de acordo com as diferentes regiões, como: atropelamentos em rodovias, os grandes incêndios, a fragmentação do habitat e possivelmente o uso de pesticidas na agricultura. Até o momento, a espécie C. semistriatus não consta na Lista Brasileira da Fauna Ameaçada de Extinção, mas é considerada de baixo risco ou de menor preocupação na Lista Vermelha Mundial da IUCN.
   Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte ainda não vi essa espécie em seu habitat, porém vários indícios confirmam a sua presença em nosso estado. Quando estive desbravando a Caatinga em Cerro Corá, acompanhado de guias nativos, de manhã cedo ao entrarmos em uma "casa de pedra",com blocos de rochas de variados tamanhos, sentimos um cheiro forte, bem diferente de tudo que já tinha sentido antes, segundo os guias locais, era o cheiro da "tacaca". Também conversei em outras expedições com guias nativos em Campo Redondo, Lajes, Luís Gomes, entre outros municípios potiguares e eles também relataram ainda a presença desse animal em nossas terras. Entretanto não encontrei registros recentes na literatura científica da espécie no Rio Grande do Norte. 

Referências
Gitana Nunes Cavalcanti. Biologia comportamental de Conepatus semistriatus (Carnivora, Mephitidae) em Cerrado do Brasil Central. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre da UFMG para a obtenção do título de Mestre. Belo Horizonte- MG, 2010.

Gitana Nunes Cavalcanti, Manoel Ludwig da Fontoura-Rodrigues, Flávio Henrique Guimarães Rodrigues & Lívia de Almeida Rodrigues. Avaliação do risco de extinção da Jaritataca Conepatus semistriatus (Boddaert, 1785) no Brasil. Icmbio. Avaliação do Estado de Conservação dos Carnívoros. Biodiversidade Brasileira, 3(1), 248-254, 2013.

REIS, dos R. R.; PERACCHI, A. L.; PEDRO, W. A.; LIMA, de I. P. Mamíferos do Brasil – Londrina, 2006.

Crédito das fotos do autor Jorge Dantas:
https://www.flickr.com/photos/poty2002/7636098160/in/faves-francisco_v_souza/
https://www.flickr.com/photos/poty2002/7636100248/in/faves-francisco_v_souza/
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4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ele é realmente é muito arisco e difícil de se visualiazar em nossa região(RN) mas já o vi em Lajes do Cabugi, próximo a serra do feiticeiro, ele é muito cobiçado por caçadores, pelo gosto de sua carne, segundo alguns, dizem que possui sabor adocicado devido a sua alimentação onívora, o que o torna ainda mais raro.Uma pena a caatinga potiguar não ser tão estudada e divulgada, temos uma fauna rica que vai desde animais como o tacaca ate grandes mamíferos como veado-catingueiro e a onça-parda, parabéns pelo blog

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    1. Olá João, fico feliz com sua participação no blog.
      É verdade, em nossas "caatingas" ainda ocorrem alguns mamíferos de médio e grande porte. Isso ficou evidente através de uma pesquisa recém concluída por pesquisadores da UFRN. Vídeo:
      http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/bom-dia-rn/videos/t/edicoes/v/estudo-mapeia-areas-para-preservar-vegetacao-e-animais-no-semiarido-do-rn/4487487/

      Sucesso e Paz!!!

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  3. Rapaz, vivendo e aprendendo. Eu acreditava que este bicho, só na América do Norte.

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