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sábado, 17 de outubro de 2026

Você conhece o marimbondo-arco-íris? Descubra os segredos dessa vespa

 Introdução

Vespa social pertencente à família Vespidae e à subfamília Polistinae conhecida como marimbondo-arco-íris, marimbondo ou vespa-de-papel, entretanto seu nome científico é único, Polistes billardieri Fabricius, 1804.

Vista de cima de um ninho de vespas Polistes billardieri (marimbondo-arco-íris) em um favo exposto e aberto, feito de material cinzento semelhante a papel. Cerca de seis vespas adultas com corpos pretos e faixas amarelas reluzentes estão pousadas sobre o favo, vigiando as células hexagonais que contêm larvas e ovos visíveis

Descrição morfológica

Com até 20 mm de comprimento, o marimbondo-arco-íris(P. billardieri) chama atenção pelo contraste de cores. O corpo é castanho, marcado por faixas amarelas reluzentes, suas antenas são alaranjadas, e a espécie apresenta variação de coloração entre os indivíduos, o que justifica o apelido de “arco-íris”. Essa diversidade de tons é uma das marcas mais fáceis de notar a olho nu.

História natural e importância ecológica

A vespa-de-papel (P. billardieri) é uma vespa social, ou seja, vive em colônias organizadas. Seu hábito mais característico é a construção de ninhos de papel, feitos de fibras de celulose mastigadas e misturadas com saliva. Esses ninhos não têm envelope externo, de modo que os favos ficam expostos, e são fixados ao substrato por um único pedestal (também chamado de haste ou pedicelo).

De olhar atento e voo ágil, a espécie desempenha um papel importante no equilíbrio ecológico. Atua como potencial polinizadora e, ao mesmo tempo, no controle natural de outros insetos.

Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

No Brasil, a espécie já foi registrada em Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e São Paulo. Fora do país, ocorre em Trinidad, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Peru, Bolívia e Paraguai. Trata-se, portanto, de uma espécie com ampla distribuição pela América do Sul, presente em diferentes regiões brasileiras, do Nordeste ao Sul.

Curiosamente durante minhas expedições pelo RN, até o presente só observei essa espécie na mesorregião Leste Potiguar, no munícipio de Baía Formosa.

E você, já cruzou com ela?

Já encontrou um ninho de papel pendurado por um fiozinho em alguma parede, galho ou beiral perto da sua casa? Conte nos comentários onde foi e como eram as cores do marimbondo!

Conclusão

Por trás da fama de “bicho bravo”, o marimbondo-arco-íris é um pequeno arquiteto e um aliado silencioso do equilíbrio da natureza: constrói com papel que ele mesmo fabrica e ajuda a manter outros insetos sob controle. Observar de longe, com respeito, é a melhor forma de admirar esse artista alado. Se você gostou, siga o blog Fauna e Flora do RN, compartilhe este post com quem gosta de natureza e deixe seu comentário com sugestões das próximas espécies!

Referências

ANDENA, Sergio Ricardo; NOLL, Fernando Barbosa. Building a key for Neotropical social wasp genera (Hymenoptera: Vespidae: Polistinae). Sociobiology, v. 59, n. 3, p. 705–716, 2012.

BARBOSA, Bruno Corrêa; DETONI, Mateus; SOUSA, Vinícius; PREZOTO, Fábio. Nest architecture and colony dynamics of Neotropical paper wasps. Insects, v. 12, n. 4, p. 320–338, 2021.

BRITO, Samanta; OLIVEIRA, Marcio L.; CARPENTER, James M.; SOMAVILLA, Alexandre. The genus Polistes Latreille, 1802 (Hymenoptera: Vespidae) of Brazil: morphological diagnoses, identification key, and geographical distribution. Zootaxa, v. 5496, n. 4, p. 451–524, 2024. DOI: https://doi.org/10.11646/zootaxa.5496.4.3.

FABRICIUS, Johann Christian. Systema Piezatorum secundum ordines, genera, species adiectis synonymis, locis, observationibus, descriptionibus. Brunsvigae: Carolum Reichard, 1804.

HUNT, James H. The Evolution of Social Wasps. New York: Oxford University Press, 2007. 272 p.

RICHARDS, Owain Westmacott. The Social Wasps of the Americas Excluding the Vespinae. London: British Museum (Natural History), 1978. 580 p.

VIRGÍNIO, Francisco; MACIEL, Tatiane Tagliatti; BARBOSA, Bruno Corrêa. Novas contribuições para o conhecimento de vespas sociais (Hymenoptera: Vespidae) para Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Entomotropica, v. 31, n. 26, p. 221–226, 2016.

WENZEL, John W. A generic key to the nests of hornets, yellowjackets, and paper wasps worldwide (Vespidae: Vespinae, Polistinae). Journal of the Kansas Entomological Society, v. 71, n. 4, p. 201–216, 1998.


domingo, 23 de junho de 2019

Enxu ou vespa do mel Brachygastra lecheguana (Latreille 1824)

    Vespa social conhecida popularmente como Enxu,Marimbondo-do-pasto,Marimbondo-do-campo,vespa do mel ou Lixiguana, entretanto seu nome científico é único,Brachygastra lecheguana (Latreille 1824). Pertence a subfamília Polistinae, da qual também fazem parte por exemplo, o marimbondo-caboclo(Polistes canadensis), marimbondo fura-olho(Polybia occidentalis), marimbondo-tatu(Synoeca surinama) e o marimbondo-chapéu(Apoica sp.).
   É uma espécie de vespa relativamente pequena de coloração predominante negra, destacando mancha amarela no tórax e bandas(manchas) amarelas intercaladas por pretas no final do abdome. Seu ninho apresenta forma globular e geralmente é construído na vegetação rasteira ou herbácea. Nesse ninho é onde elas vivem, cuidam das crias e também onde armazenam néctar, o que ao ser visto parece mel, por isso é conhecido vulgarmente como vespa-do-mel. Porém ha relatos de intoxicação por ingestão dessa substância chamada popularmente de "mel".
   B. lecheguana é importante no controle biológico de diversas outras espécies, atuando como predadora de " insetos pragas" da horticultura, predando por exemplo, a Traça-do-tomateiro(Tuta absoluta), o bicho-mineiro-do-cafeeiro(Leucoptera coffeella) e pragas do algodoeiro. Além disso, B. lecheguana atua como potencial polinizadora de várias plantas como por exemplo, juazeiro(Ziziphus joazeiro),quixabeira(Sideroxylon obtusifolium) e canola(Brassica napus).
   Brachygastra lecheguana é considerada uma espécie muito agressiva quando se sente ameaçada ou é agredida, logo trabalhadores do campo,trilheiros ou outras pessoas que realizam atividades em ambientes naturais, devem ter atenção dobrada ao se deslocar em áreas abertas com vegetação herbácea nas regiões onde ela ocorre. No Brasil a espécie ocorre nos seguintes estados: AM, AP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, RN,RO, RS, SC e SP. Durante as minhas expedições pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Agreste e Central Potiguar.
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Referências
Carpenter, J.M. &O.M. Marques. 2001. Contribuição ao estudo dos vespídeos do Brasil (Insecta, Hymenoptera, Vespoidea, Vespidae). Publicações Digitais 2: 1–147.

Francisco Virgínio, Tatiane Tagliatti Maciel e Bruno Corrêa Barbosa. Novas contribuições para o conhecimento de vespas sociais (Hymenoptera: Vespidae) para Estado do Rio Grande do Norte, Brasil.

FORTES, Alice; Fortes, Elenice, FERNANDES, Lêda G.. Avaliação de diferentes atrativos na coleta de vespas (Hymenoptera: Vespidae) em área de produção de hortaliças. Cadernos de Agroecologia – ISSN 2236-7934 – Anais do VI CLAA, X CBA e V SEMDF – Vol. 13, N° 1, Jul. 2018.

Nelson Wanderley Perioto. Rogéria Inês Rosa Lara e Eduardo Fernando dos Santos. ESTUDO REVELA PRESENÇA DE NOVOS INIMIGOS NATURAIS DE PRAGAS DA CAFEICULTURA – II. VESPAS PREDADORAS. Pesquisa & Tecnologia, vol. 8, n. 2, Jul-Dez 2011.

Oliveira, Rosana Halinski de. POLINIZADORES DE CANOLA: PERSPECTIVAS PARA O MANEJO SUSTENTÁVEL DE INSETOS, PRODUTIVIDADE DE GRÃOS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Disponível em :http://tede2.pucrs.br/tede2/bitstream/tede/7667/2/TES_ROSANA_HALINSKI_DE_OLIVEIRA_COMPLETO.pdf

Tarcila de Lima Nadia , Isabel Cristina Machado e Ariadna Valentina Lopes. Partilha de Polinizadores e Sucesso Reprodutivo de Spondias tuberosa e Ziziphus joazeiro, Espécies Endêmicas da Caatinga. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5, supl. 1, p. 357-359, jul. 2007.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Marimbondo-chapéu( Apoica sp.) a única vespa social ativa a noite

    Vespa da subfamília Polistinae que pertence ao gênero Apoica sendo conhecida popularmente como Marimbondo-chapéu, exatamente porque seu ninho parece um chapéu. 
   Essas vespas sociais são as únicas ativas durante a noite, daí a presença de olhos muito grande nas espécies do gênero Apoica. Elas ocorrem nas Américas do Sul e Central, com distribuição estendendo-se do México a Argentina, sendo que no Brasil ocorrem as 8 espécies do citado gênero.

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Referências
Carpenter, J.M. &O.M. Marques. 2001. Contribuição ao estudo dos vespídeos do Brasil (Insecta, Hymenoptera, Vespoidea, Vespidae). Publicações Digitais 2: 1–147.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Abelha Apis mellifera Linnaeus, 1758

 
   A abelha Apis mellifera (Linnaeus, 1758) é um inseto hymenoptera pertencente a família Apidae. É a única espécie dessa família no Brasil, sendo exótica introduzida nesse país em 1839 pelo Padre Antonio Carneiro, em colônias vindas do Porto, em Portugal com o objetivo principal de proporcionar a produção do mel para o consumo humano.
   Com a introdução da abelha africana Apis mellifera scutellata no país em 1956 e a perca do controle de alguns enxames desta, houve o cruzamento dela com as subespécies européias:  a italiana Apis mellifera ligustica,a alemã Apis mellifera mellifera e  e a austríaca Apis mellifera carnica que foram introduzidas no Brasil no século XIX. A partir desses cruzamentos iniciais surgiram as populações polí-hibridas conhecidas como africanizadas, devido ao predomínio de características da subespécie africana(Kerr, 1967). 
   Alimentam-se de água, néctar e pólen das flores de diversas espécies de plantas(alimento coletado pelas operárias), sendo considerada por isso generalista em relação a sua dieta e útil como polinizadora de diversas espécies cultivadas, tais como melão, maçã, café, etc. Mas também forrageiam em busca de nutrientes em outras fontes alimentares, como: caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de açúcar, goma de mandioca, vagem de algaroba, farelo de soja, entre outros.
   É uma espécie eussocial ou seja apresentam por exemplo, a cooperação na construção do ninho, divisão do trabalho e 3 castas de indivíduos: rainha(fêmea reprodutiva, função exclusiva de colocar ovos), operárias(fêmeas que não se reproduzem) e zangões(macho que tem apenas a função principal de fecundar a fêmea).  Todas essas castas passam por 4 fases (ovo/  larva/ pupa/ adulto) para atingir a forma adulta. As operárias atingem aproximadamente 1cm de comprimento, enquanto que as rainhas(uma por comunidade) e os zangões são um pouco maiores. São consideradas insetos peçonhentos, pois as fêmeas possuem o ferrão, órgão de defesa encontrado no final do abdome que tem associado uma pequena bolsa com veneno sendo acionado através de músculos quando necessário, sendo consideradas muito agressivas quando molestadas.
    "Elas constroem seus ninhos preferencialmente em cavidades grandes, como ocos de árvores, cupinzeiros abandonados e cavidades em estruturas construídas pelo homem, como postes e telhados. Podem, também, fazer ninhos expostos sob galhos de árvores ou em saliências externas em troncos, paredões de pedra, etc. Suas células são organizadas em favos verticais e são usadas tanto para postura de ovos, quanto para armazenamento de alimento (mel e pólen). Armazenam grandes quantidades de mel, que é utilizado comercialmente (PIRES,V. C et al.,2014)." Suas colmeias podem ter mais de 50.000 indivíduos.
     Apresenta ampla distribuição geográfica devido a sua introdução em várias partes do mundo, ocorrendo em todos os estados brasileiros tanto em ecossistemas naturais como em ecossistemas urbanos ou antropizados, entretanto é menos frequente em ambientes bem preservados. Habita as florestas tropicais, savanas, deserto, regiões litorâneas e montanhosas.
    Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado com muita frequência colmeias dessa abelha em ambientes antropizados e em áreas com vegetação secundária de transição entre Mata Atlântica e Caatinga no interior do estado, principalmente na mesorregião Agreste do estado. Ainda é comum em municípios interioranos a cultura da retirada do mel de maneira artesanal fazendo uso da fumaça para "forçar o abandono do ninho por parte das abelhas" facilitando a extração do mel dos favos produzidos pelas abelhas. Entretanto, o risco dessas pessoas que realizam essa atividade rudimentar é grande, pois as abelhas se defendem tentando ferroar aqueles que estão gerando aquela fumaça, e se estiver alguém alérgico  envolvido poderá sofre graves consequências se não procurar atendimento médico. Entretanto é importante lembrar que a atividade de remoção de enxames de abelhas deve ser feita por pessoas especializadas, que realizam a retirada delas de áreas de risco para as populações do entorno, e geralmente fazem o translocamento para áreas propícias onde as abelhas possam viver naturalmente.

    Dica de leitura: O Fenômeno das Abelhas do autor Jürg Tautz. Uma leitura obrigatória para todos aqueles que desejam compreender a fascinante biologia das abelhas, seu papel crucial no meio ambiente e a importância de sua preservação para o futuro da humanidade. Adquira com desconto especial no link: https://amzn.to/3xMmxdK 

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BIBLIOGRAFIA
Juliana Mistroni RAMOS e Naiara Cristina de CARVALHO. ESTUDO MORFOLÓGICO E BIOLÓGICO DAS FASES DE DESENVOLVIMENTO DE Apis mellifera. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/h4KxXMNL19aDCab_2013-4-26-15-37-3.pdf Acesso em 28 de agosto de 2015.

Luiz Carlos MINUSSI, Isabel ALVES-DOS-SANTOS. ABELHAS NATIVAS VERSUS Apis mellifera LINNAEUS, ESPÉCIE EXÓTICA (Hymenoptera: Apidae) Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/viewFile/6806/4498 Acesso em 28 de agosto de 2015.
Nogueira-Neto, Paulo. Vida e Criação de Abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Editora Nogueirapis, 1997.

Viviane C. Pires [et al.]. Abelhas em áreas de cultivo de algodoeiro no Brasil. Brasília, DF : Embrapa, 2014.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Marimbondo Caboclo Polistes canadensis (Linnaeus, 1758); Fauna do RN

   Vespa social conhecida popularmente como Marimbondo Caboclo,Marimbondo vermelho ou Vespa Cabocla, entretanto seu nome científico é Polistes canadensis (Linnaeus, 1758). Essa espécie parece com outra do mesmo gênero, Polistes lanio lanio que também é vermelha,mas apresenta marcas amarelas no 1° tergito gastral,enquanto que P. canadensis é toda vermelha,maior e mais escura. Pertence a subfamília Polistinae, da qual também fazem parte por exemplo, o marimbondo fura-olho(Polybia occidentalis), Marimbondo-tatu(Synoeca surinama), Marimbondo-chapéu(Apoica sp.) e Enxu(Brachygastra lecheguana).
   Vespas do gênero Polistes (Latreille, 1802) geralmente constroem ninhos em árvores ou arbustos, entretanto algumas espécies como P. canadensis (Linnaeus, 1758) o fazem em locais abrigados como cavidades ou ainda em edificações humanas, onde ficam expostos, o que permite a observação de todos os indivíduos do grupo. "Utilizam fibra vegetal na construção e o ninho não possui o invólucro para proteção. O pedicelo é curto e resinoso, podendo ser de posição central ou lateral, sendo revestido de substâncias repelentes de formigas. Os representantes deste gênero constroem ninhos pequenos (poucas dezenas de células de cria), com formato variado (de uma coluna de células cria) (Wenzel 1998; Carpenter & Marques 2001). Jeanne (1979) sugeriu que um dos motivos que P. canadensis constrói favos múltiplos, seria pelo custo do não reaproveitamento da célula para uma segunda ou terceira geração e que estaria intimamente ligada à adaptação aos parasitóides encontrados por ele neste estudo (Trigonalidae, Chalcididae e Icheneumonidae). Como as células do favo ficam vazias na emergência da primeira geração, o número de mecônio cresce, tornando o favo mais exposto, aumentando assim o risco de infestação por parasitóides. Uma forte correlação aconteceu entre a presença de parasitóides em favos de P. canadensis e insucesso da colônia na reutilização dos favos, sugerindo então que a dominante reutiliza as células normalmente em todos os favos, enquanto ela estiver livre da infestação de parasitóides. Uma vez detectado a presença destes, a fêmea não reutiliza mais estas células, usando somente as novas. Se o favo foi parcialmente reutilizado, provavelmente a dominante percebeu a presença do parasitóide".
    Apresenta sobreposição de gerações, cuidados com a prole, divisão reprodutiva de trabalho, e trofalaxia entre adultos. O fluxo na atividade forrageadora varia de acordo com a idade da colônia, a idade das operárias, com a estação do ano ou com o número de indivíduos da prole ou ainda de todos os fatores em conjunto(Giannotti,Guimarães,Junior, & Torres,2010). 
   De maneira geral as vespas adultas alimentam-se de líquido do corpo de animais que elas matam, exudatos de insetos, sucos de frutos maduros(frutos de cactos, mangas, etc), outras substâncias açucaradas, conteúdos celulares, água e néctar, enquanto que as larvas são alimentadas no início de com os mesmos alimentos do adulto, mas posteriormente na maior parte do tempo da fase larval elas comem pequenos insetos macerados trazidos pelos adultos. Vespas do gênero Polistes são excelentes predadores de pragas agrícolas, principalmente lagartas de Lepidoptera (SOUZA et al., 2013) sendo sugerida a utilização dessas no controle biológico de pragas. 
   Esse Inseto faz parte do grande grupo "Hymenoptera" junto com as abelhas e formigas. É uma espécie peçonhenta que se ameaçada em seu território, defende-se se deslocando em direção ao intruso e picando-o, inoculando a peçonha. A ferroada é bem dolorosa, e dependendo da quantidade de picadas e da sensibilidade do indivíduo que sofreu o acidente deve-se procurar atendimento médico, principalmente se a pessoa manifestar "reações alérgicas", sendo nesse caso o quadro clínico geralmente detectado através da presença de edema de glote e broncospasmo acompanhado de choque anafilático, mas na dúvida procure atendimento médico.  Entretanto tenha consciência de que essa vespa assim como outras espécies desempenham um papel na manutenção do "equilíbrio da natureza", atuando principalmente como polinizadoras de plantas como Carnaúba, Coco, Cajueiro e muitas outras, além de serem predadoras de algumas espécies de lagartas que são consideradas pragas na agricultura, e se alimentarem de outros insetos, como também serve de comida para outros animais no extenso ciclo de vida e morte das teias alimentares. 
   Polistes canadensis (Linnaeus, 1758) possui ampla distribuição geográfica só não ocorrendo em regiões frias do mundo. É uma espécie comum na região Nordeste do Brasil, tendo registros oficiais de sua ocorrência nos seguintes estado brasileiros: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.
   Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado o 'Marimbondo Caboclo( Polistes canadensis) em praticamente todo o território potiguar, sendo provavelmente a espécie de vespa mais comum do RN. Tenho visto essa espécie com frequência em construções humanas abandonadas, em sítios, em mangueiras e cajueiros, em grutas e cavernas, em bordas de matas principalmente se alimentando de néctar, participando assim do processo de reprodução de muitas espécies de plantas através da polinização.
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Referências


Acidentes por artrópodes peçonhentos. Disponível em: http://www.cevap.org.br/Cont_Default.aspx?cont=EMEA  Acesso em: 25 de janeiro de 2015.


Alexandre Somavilla, Marcio L. de Oliveira & Orlando T. Silveira. Guia de identificação dos ninhos de vespas sociais (Hymenoptera,Vespidae, Polistinae) na Reserva Ducke, Manaus, Amazonas, Brasil.

Gisele Bortoluzzi, Viviana de O. Torres, Silvana S. da Silva, William F. Antonialli Junior e Edilberto Giannotti. PRODUTIVIDADE DAS COLÔNIAS DE Polistes canadensis canadensis L, 1758 (HYMENOPTERA, VESPIDAE).


James M Carpenter e Oton Meira Marques. Contribuição ao estudo dos Vespídeos do Brasil(Insecta, Hymnoptera,Vespoidea, Vespidae). 2001.
Viviana de O. TorresI; William F. Antonialli-JuniorII; Edilberto Giannotti. Divisão de trabalho em colônias da vespa social neotropical Polistes canadensis canadensis Linnaeus (Hymenoptera, Vespidae) Rev. Bras. entomol. vol.53 no.4 São Paulo Dec. 2009.

Organizadores Freddy Bravo e Adolfo Calor. Artrópodes do Semiárido: biodiversidade e conservação. Feira de Santana: Printmídia, 2014.