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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

De Erva Daninha a Tesouro Medicinal: Os Segredos da planta erva-de-touro Tridax procumbens L


   A planta Tridax procumbens L. pertence à família Asteraceae sendo conhecida popularmente como erva-de-touro, margaridinha e olho-de-ovelha. Sua ampla dispersão e capacidade de adaptação fazem com que ela seja encontrada em diversas regiões do Brasil e do mundo.

Características da espécie

   A Tridax procumbens é uma espécie de porte herbáceo a qual pode atingir cerca de 20cm de altura, sendo anual ou bianual, apresentando caule na cor verde ou avermelhado. As folhas são opostas, curto-pecioladas, com formato ovalado ou losangular, margens serreadas e ambas as faces são pilosas. A inflorescência é do tipo capítulo isolado, sustentado por um longo eixo piloso. Suas flores podem ser masculinas, femininas ou hermafroditas. As masculinas se localizam na periferia do capítulo e apresentam lígulas brancas ou amarelas, podendo ser tridentadas, bidentadas ou inteiras. No centro, encontram-se as flores hermafroditas com corola amarela. Quando maduras, as brácteas protetoras se rompem, permitindo a dispersão dos frutos do tipo aquênio, que possuem um tufo de pelos sedosos. Sua propagação ocorre via sementes, e a polinização é realizada principalmente por abelhas, que buscam néctar e pólen.

Utilidades e Importância

   Embora muitas vezes seja considerada uma erva daninha devido ao seu alto potencial infestante em lavouras, a erva-de-touro(Tridax procumbens) possui grande valor medicinal e ecológico. Na medicina tradicional, seus extratos são utilizados como anticoagulante, antifúngico, repelente de insetos, expectorante, antidiarreico e cicatrizante. Além disso, estudos científicos indicam que possui efeitos hipotensores, hepatoprotetores, imunomoduladores, antibióticos, antioxidantes, anti-inflamatórios e antitumorais. A planta também fornece alimento para pequenos animais artrópodes(insetos) como abelhas, especialmente a abelha-européia (Apis mellifera), os quais desempenham papel relevante na polinização.

Distribuição geográfica e Ocorrência no Brasil

   A erva-de-touro(Tridax procumbens) é uma espécie originária da América Central, mas atualmente encontra-se distribuída em grande parte das regiões tropicais e subtropicais do planeta, incluindo todas as regiões do Brasil. Possui ocorrência confirmada nos estados das regiões Norte (Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Está presente em diferentes domínios fitogeográficos, como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar e Central Potiguar, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.

Referências

AGRAWAL, S.S., TALELE, G.S., SURANA, S.J. Antioxidant activity of fractions from Tridax procumbens. Journal of Pharmacy Research 2, 71–73,2009.

ALGARIRI, K., MENG, K.Y., ATANGWHO, I.J., ASMAWI, M.Z., SADIKUN, A., MURUGAIYAH, V., ISMAI, N., 2013. Hypoglycemic and anti-hyperglycemic study of Gynura procumbens leaf extracts. Asian Pacific Journal of Tropical Medicine 3, 358– 366, 2013.

GANDARA, A.; Barbosa, M.L. Tridax in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16365>. Acesso em: 15 fev. 2025.

KLEINERT AMP, Martínez CAM, Luz CLS et al. (2020) Plantas e pólen em áreas urbanas: uso no paisagismo amigável aos polinizadores. In: Kleinert AMP, Silva CI (eds) Rio Claro: CISE.

MOREIRA, Henrique José da Costa. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti. Bragança – São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.

POLICEGOUDRA, R.S., CHATTOPADHYAY, P., ARADHYA, S.M., SIVASWAMY, R., SINGH, L., VEE, V. Inhibitory effect of Tridax procumbens against human skin pathogens. Journal of Herbal Medicine 3, 1–17,2014.

domingo, 13 de outubro de 2024

Grão-de-galo(Cordia superba) uma espécie versátil e adaptável da flora brasileira


   Planta conhecida popularmente como acoará-muru, árvore-de-ranho, babosa branca, baba-de-boi, baba-de-boi-preta, carapiá, crista-de-galo, grão-de-galo, grão-de-porco, jangada, jangada-do-campo, jagoará-muru, louro, olho-de moça, pau-jangada, ramela-de-cachorro e tajaçu-caraplá. Entretanto seu nome científico é único, Cordia superba Cham.. Pertence a família Cordiaceae.

   Grão-de-galo(Cordia superba) é uma espécie de planta de porte arbustiva a arbórea sendo geralmente considerada de porte médio, podendo atingir 10 metros de altura, apresentando um tronco de até 30 centímetros de diâmetro. Suas folhas são simples e ásperas ao toque, enquanto suas flores brancas e perfumadas são um atrativo para diversos animais como por exemplo, abelhas. Floresce principalmente durante os meses de outubro a fevereiro, enquanto a frutificação ocorre geralmente nos meses de setembro a novembro.

   Grão-de-galo(C. superba) é uma espécie multifuncional, com diversas utilidades:
Ornamental: Devido à beleza de suas flores, tem potencial de ser utilizada em paisagismo urbano e rural.
Alimentar: Seus frutos servem de alimento para diversas espécies de aves e morcegos, contribuindo para a dispersão das sementes.
Medicinal: Estudos indicam que a planta possui propriedades medicinais, com propriedades imunomoduladoras.
Ambiental: A espécie desempenha um papel importante na recuperação de áreas degradadas e na conservação da biodiversidade. 

    É uma planta nativa e exclusivamente brasileira(endêmica), sendo confirmada em todas as regiões do Brasil e encontrada nos biomas Caatinga, Cerrado e na Mata Atlântica. Sua ampla distribuição geográfica indica uma grande capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas e de solo. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar e Agreste Potiguar, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.

Referências 
CARVALHO, P. E. R. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2010. v. 4, p. 79-85.

Cordia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Available at:<https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16530>. consulta.publica.uc.citacao.acesso.em12 out. 2024.

DIESEL, Katarine Maria Freire. Florestas urbanas em Natal, RN: florística, conectividade e viabilidade de um jardim botânico. 2018. 85f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, v. 1, ed. 5, 2008.

domingo, 7 de maio de 2023

Cana-do-brejo(Costus spiralis), uma erva de muitas utilidades na medicina popular


    Planta conhecida popularmente como cana-do-brejo, cana-de-macaco, cana-do-mato, cana-roxa, cana-roxa-do-brejo, canarana, jacuacanga, caatinga, ubacayá, ubacaia, paco-caatinga e periná. Entretanto seu nome científico é único, Costus spiralis (Jacq.) Roscoe. Ela pertence a família Costaceae.

  A cana-do-brejo(Costus spiralis) é uma espécie de porte predominantemente herbáceo com tamanho variando de 50cm a 2m de altura.  Ela apresenta colmo roliço, folhas alternas(com até 35cm de comprimento e 8cm de largura) de cor verde, inflorescências racemosas em forma de espiga com cerca de 40 flores vermelhas, cada uma em uma bráctea, frutos em cápsulas contendo algumas sementes e raízes rizomáticas(Araujo & Oliveira, 2007; Pimentel, 1994). Ela floresce quase o ano inteiro(varia de acordo com a região do país), sendo uma ótima fonte de néctar para animais como beija-flores que são seus principais polinizadores, mas também é visitada por alguns insetos.


    Na medicina popular á cana-do-brejo(Costus spiralis) é citada na literatura com usos como agente diurético, antimicrobiano,  antifúngico, antioxidante, agente na atividade anti-inflamatória citotóxica e imunomoduladora, além de ser relatado o uso dela no tratamento da diabetes, hipertensão arterial ou distúrbios do ritmo cardíaco principalmente por populações nativas da Amazônia.

   A cana-do-brejo(Costus spiralis) é uma espécie nativa(não é endêmica do Brasil) que vive em diversos tipos de vegetação como por exemplos na Floresta ciliar, Floresta Ombrófila, Restinga e Floresta de Terra Firme, ocorrendo em todas as regiões do Brasil  nos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. 

   Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente nas proximidades de riachos no município de Baía Formosa.

Agradeço a Nilce Bravo pela ajuda na identificação em nível de espécie.


Referências
André, T. Costaceae in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB110658>. Acesso em: 07 mai. 2023.

Araújo FP, Oliveira PE. Biologia floral de Costus spiralis (Jacq) Roscoe (Costaceae) e mecanismos para evitar a autopolinização. Rev. Bras. Bot. 2007; 30(1): 61-70. ISSN: 0100-8404.

Coelho-Ferreira, M. ; LAMEIRA, O. A. ; MEDEIROS, A. P. R. ; BARBOSA, R. K. C.. Costus spiralis - Canarana. In: Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimarães Vieira. (Org.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região norte. 53ed.Brasília: MMA, 2022, v. , p. 1041-1046.

Duarte RC, Andrade LA, Oliveira T. REVISÃO DA PLANTA COSTUS SPIRALIS (JACQ.) ROSCOE: Pluralidade em propriedades medicinais. Rev Fitos [Internet]. 9º de janeiro de 2018 [citado 7º de maio de 2023];11(2):231-8. Disponível em: https://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/486

Pimentel, A.A.M.P. Cultivo de plantas medicinais na Amazônia. Belém: FCAP, 1994. 114p.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Gravatá Bromelia arenaria Ule, uma espécie exclusivamente nordestina

Gravatá(Bromelia arenaria). Foto: Francisco V. Souza

  Planta conhecida popularmente como Gravatá ou Caraguatá-da-areia, porém seu nome científico é Bromelia arenaria Ule. Ela pertence a família Bromeliaceae. 

   Essa espécie apresenta porte herbáceo, brácteas florais oblongas e inflorescências róseas com pétalas roxas. B. arenaria assim como outras bromélias  é visitada por diversas espécies de animais, os quais uns buscam a mesma como fonte de alimento e outros como abrigo. Devido a beleza das suas flores é considerada como espécie ornamental.

  Gravatá(Bromelia arenaria) é nativa no domínio Caatinga e endêmica(ocorre exclusivamente aqui) do Brasil, tendo ocorrência confirmada apenas nas caatingas do Nordeste brasileiro. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado ela nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar. 

Agradecimento ao amigo Leonardo Jales Leitão que ajudou na identificação em nível de espécie.

Referências

Kiill, Lúcia Helena Piedade. Plantas ornamentais da Caatinga = Ornamental plants of the Caatinga / Lúcia Helena Piedade Kiill, Daniel Terao, Ivan André Alvarez. Brasília, DF : Embrapa, 2013.

Monteiro, R.F. Bromelia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16576>. Acesso em: 13 abr. 2022

Tomaz, Eduardo Calisto. Taxonomia e biogeografia de Bromeliaceae na distribuição norte da Caatinga e Mata Atlântica do Brasil. 2019. 222f. Dissertação (Mestrado em Sistemática e Evolução) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Bromélia-Cascavel Cryptanthus zonatus (Vis.) Vis., espécie ameaçada de extinção

   Planta da família Bromeliaceae(das bromélias), conhecida vulgarmente como Bromélia-cascavel, enquanto que cientificamente ela recebeu o nome de Cryptanthus zonatus (Vis.) Vis..

   Essa espécie apresenta porte herbáceo com folhas prostradas a arqueadas com variação de coloração, o que torna ela muito atrativa do ponto de vista ornamental, sendo coletada indiscriminadamente na natureza para comercialização. Sua floração geralmente ocorre entre os meses de março e abril, no qual as flores já foram observadas sendo visitadas por beija-flor(Phaetornis ruber) e principalmente por uma espécie de abelha(Eulaema nigrita).

    A Bromélia-Cascavel(Cryptanthus zonatus) é uma espécie nativa e endêmica do Brasil, ou seja, ocorre exclusivamente nesse país, estando restrita ao domínio da Mata Atlântica nordestina, tendo sido confirmada sua presença apenas nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. 

   Considerando a sua restrita área de distribuição, ao relativo pequeno número de suas subpopulações, a fragmentação e perda de habitat e sua extração ilegal para comercialização como ornamental, ela encontra-se ameaçada de extinção na categoria vulnerável(CNCFlora,2022).

   Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente de Natal até Baía Formosa, especificamente no Parque das dunas e na RPPN Mata Estrela.


Agradeço a Everton Hilo Souza pela ajuda na identificação em nível de espécie.

Referências

CNCFlora. Cryptanthus zonatus in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Cryptanthus zonatus>. Acesso em 16 janeiro 2022.

Débora Maria Cavalcanti Ferreira, Clarisse Palma-Silva, Jordana Néri, Maria Cláudia Melo Pacheco de Medeiros, Diego Sotero Pinangé, Ana Maria Benko-Iseppon, Rafael Batista Louzada, Population genetic structure and species delimitation in the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae), Botanical Journal of the Linnean Society, Volume 196, Issue 1, May 2021, Pages 123–140, https://doi.org/10.1093/botlinnean/boaa094

Diesel, Katarine Maria Freire. Florestas urbanas em Natal, RN: florística, conectividade e viabilidade de um jardim botânico. 2018. 85f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.

Maciel, J.R. 2020. Cryptanthus in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB6045>. Acesso em: 16 jan. 2022

Versieux, L.D., Magalhães, R., & Calvente, A. (2013). Extension of the Cryptanthus range in Northeastern Brazil with new findings in the phenotypic variation including changes in the trichome’s distribution, thus enhancing the understanding of the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae). Phytotaxa, 109, 54-60.

domingo, 1 de novembro de 2020

Aechmea muricata (Arruda) L.B.Sm. , uma bromélia nordestina ameaçada de extinção

   Aechmea muricata (Arruda) L.B.Sm. é o nome científico desta planta(foto), ela pertence a família Bromeliaceae, da qual também fazem parte por exemplo, a macambira-de-flecha e o cravo-do-mato.

   Aechmea muricata possui inflorescência subcilíndrica verde do tipo espiciforme("forma de espiga"), pedúnculo coberto por brácteas, onde destacam-se as flores tubulosas de cor lilás ou azul. De porte herbáceo ela é principalmente terrícola, mas também se apresenta como epífita em áreas de várzea, tanto em área aberta como sombreada. 

   A. muricata é endêmica do Nordeste do Brasil, ou seja, é encontrada apenas nessa região, ocorrendo geralmente em áreas arenosas da costa nordestina, fazendo parte da vegetação de restinga, inclusa no bioma ou domínio da Mata Atlântica. Atualmente essa espécie foi confirmada apenas para os estados de Alagas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Ela está ameaçada de extinção e aqui no Rio Grande do Norte a única população documentada encontra-se na RPPN Mata Estrela(Baía Formosa, RN), destacando a grande importância da manutenção dessa Reserva, na qual são encontradas outras espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.


Agradeço a Edweslley de Moura pela ajuda na identificação em nível de espécie.

Referências

Maciel, Jefferson Rodrigues Estudos taxonômicos, filogenéticos e biogeográficos em Aechmea (Bromeliaceae). Tese (doutorado) – Universidade Federal de Pernambuco. Centro de Biociências. Biologia Vegetal, Recife, 2017.

Magalhães, R., Versieux, L.M., & Calvente, A.M. 2014. Aechmea muricata (Arruda) L.B. Sm. (Bromeliaceae: Bromelioideae): a new record of a threatened species for Rio Grande do Norte, Northeastern Brazil. Checklist 10: 434-435.

Tomaz, Eduardo Calisto. Taxonomia e biogeografia de Bromeliaceae na distribuição norte da Caatinga e Mata Atlântica do Brasil. 2019. 222f. Dissertação (Mestrado em Sistemática e Evolução) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.

domingo, 20 de setembro de 2020

Coronha Vachellia farnesiana (L.) Wight & Arn., a planta das flores perfumadas

Nomenclatura e classificação científica


   Planta conhecida popularmente como coronha, corona, clorona, esponja, esponjeira, esponjinha, espinheiro, espinilho, acácia doce, aromas, aromita, arapiraca, vinhático-de-espinho, coroa-de-cristo  e corona-cristi. Porém seu nome científico válido é único, Vachellia farnesiana (L.) Wight & Arn.. Essa espécie pertence a família Fabaceae, da qual também fazem parte por exemplo, o Angico, a Sucupira e o Pau-brasil.

Aspectos biológicos da espécie Vachellia farnesiana


   Coronha(Vachellia farnesiana) é de porte geralmente arbustivo atingindo cerca de 3m de altura, com copa fechada, ramos cilíndricos e tortuosos revestidos por uma casca quase lisa e com lenticelas. Suas folhas são compostas bipinadas, com 12 a 23 pares de folíolos e tem estípulas que se transformam em espinhos. Tem flores pequenas amarelas ou alaranjadas que juntas formam inflorescência do tipo capítulo, estas são  muito aromáticas e tem cheiro forte adocicado. Floresce frequentemente de junho a setembro. O fruto dessa planta é do tipo legume indeiscente que possui bastante polpa carnosa-esponjosa entre as sementes.

Aspectos ecológicos da espécie Vachellia farnesiana


   Planta decídua( suas folhas caem em determinado período) e heliófita( adaptada a viver em ambiente exposto a luz), a  Coronha(V. farnesiana) é considerada espécie pioneira e típica de formações vegetais secundárias em ambientes secos e ou pedregosos. Ocorre mais frequentemente em pastagens, as margens de estradas e também é cultivada próxima a construções humanas devido ao cheiro forte de suas flores. Produz elevada quantidade de sementes anualmente.

Importância e usos da espécie Vachellia farnesiana


    A Coronha(V. farnesiana) apresenta valor ornamental devido a beleza das flores com cheiro adocicado que é útil para produção de perfume e também são melíferas, sendo visitadas por abelhas. A sua madeira é pesada, resistente e possui boa durabilidade o que torna ela muito indicada para "confecção de dormentes, moirões, esteios, eixos, rodas, rolos para moendas, construção civil, peças de resistência, cabos de instrumentos, bem como para lenha e carvão (LORENZI, 1998)". As folhas são forrageiras, mas também são indicadas na medicina popular para aplicação em ferimentos, enquanto que os frutos são indicados tradicionalmente para combater inflamações na pele e disenterias. Além disso, na medicina tradicional as raízes dessa planta são indicadas em tratamento alternativo da tuberculose.

Distribuição geográfica e ocorrência da espécie Vachellia farnesiana


   Coronha(V. farnesiana) é nativa com ampla distribuição neotropical, ocorrendo desde o México até o  Brasil, onde é encontrada em todas as regiões, principalmente no Nordeste, sendo confirmada nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e na Amazônia. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências

BRAGA, Renato. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII,1976. 

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1998. 2.ed. v.2.

PARROTTA, J. A. 1992. Acacia farnesiana (L.) Willd.–Aroma, huisache. Research Note SO-ITF-SM-49.U.S. Department of Agriculture, Forest Service,.Southern Forest Experiment Station, New Orleans. 6.

QUEIROZ, L. P. Leguminosas da caatinga. Universidade estadual de Feria de Santana: UEFS, 2009. 467p.

SILVA, Kelina B. ; Pinto, M. do S. de C. e Souza,N. A. de. Morfometria de frutos e diásporos de Acacia farnesiana (L.) Willd.. Revista Verde (Mossoró – RN - Brasil), v 9. , n. 2 , p. 76 - 82, abr-jun 2014.

VACHELLIA in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB114576>. Acesso em: 19 set. 2020.

domingo, 17 de maio de 2020

Louco Plumbago scandens L. uma planta nativa tóxica

   Planta conhecida popularmente como Louco, Louro, Folha-de-louro, Erva-do-diabo, Queimadura,  Jasmim azul das restingas, Caataia, Caápomonga ou Pega-pinto, entretanto seu nome científico é único, Plumbago scandens L.. Pertence a família Plumbaginaceae. A origem do nome popular Louco deve-se ao fato de que "os curandeiros aplicam  sinapismos das folhas na nuca dos insanos"(p. 323,Braga,1976).

  Essa espécie apresenta porte herbáceo até subarbustivo variando de 50 cm a 1,5 m de altura. Suas flores alvas são muito visitadas por borboletas e mariposas que são seus polinizadores. Ela é perene e encontrada em solos arenosos ou argilosos na restinga, caatinga, áreas alteradas, campinarana, capões e em trilhas na mata. 
   De acordo com a literatura na medicina popular(não recomendamos seu uso), Louco(Plumbago scandens) é citada como tendo propriedades  analgésicas e no tratamento de problemas estomacais, ressaca alcoólica e má digestão. No entanto ela é classificada como uma planta tóxica para bovinos e caprinos( o que sugere que deve ser para o homem também), sendo assim é necessário ter o cuidado de isolar esses animais em áreas onde não se encontre tal planta, evitando assim que os mesmos eventualmente possam ingeri-la. Além disso, extratos das folhas e raízes dessa planta apresentam certo grau de toxicidade, sendo empregadas tradicionalmente na destruição de verrugas.

   P. scandens apresenta ampla distribuição nas Américas, sendo uma espécie nativa encontrada no Brasil nos Domínios Fitogeográficos  da Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia. Ela ocorre nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Norte (Amazonas, Pará), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie em todas mesorregiões do estado, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.

Referências

Bezerra,Cícero Wanderlô Casimiro(2011). Plantas tóxicas do Nordeste e plantas tóxicas para ruminantes e equídeos da microrregião do Cariri Cearense. Dissertação (Mestrado). UFCG,Patos,PB.

Braga,Renato. Plantas do nordeste,especialmente do Ceará. Fortaleza:coleção mossoroense-volume XLII,1976. 

Carneiro,F. M.; Silva, M. J. P.; Borges ,L.L.; Albernaz , L. C. & Costa, J. D. P.. Tendências dos Estudos com Plantas Medicinais no Brasil. Revista Sapiência: sociedade, saberes e práticas educacionais – UEG/Câmpus de Iporá, v.3, n. 2, p.44-75 – jul/dez 2014.

Embrapa. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos.  Disponível em: http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/livros/plantastoxicas/20louco.html Acesso em 17 de maio de 2020.

Funez, L.A. Plumbaginaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB12940>. Acesso em: 17 mai. 2020

Moura, Edweslley Otaviano de(2017). Relações florísticas e ambientais no litoral semiárido do Rio Grande do Norte, Brasil. Dissertação (Mestrado). UFRN,Natal,RN. 

domingo, 1 de março de 2020

Catolé Syagrus cearensis Noblick, uma palmeira de muita utilidade

catolé coco babão

Catolé Syagrus cearensis Noblick: informações gerais.

   Planta conhecida popularmente como Catolé, Coco-catolé,Coco-babão ou Babão, entretanto seu nome científico é único, Syagrus cearensis Noblick. Essa espécie pertence a família Arecaceae, da qual também fazem parte por exemplo, a carnaúba e o coco-da-baía. S.cearensis é uma palmeira que forma touceiras(2 a 4 estipes),as vezes pode ocorrer apenas uma estipe, caule com porte de 4 a 11m de altura; ela apresenta frutos adocicados geralmente globosos e com mesocarpo fibro-carnoso. Geralmente pode florescer e em seguida frutificar durante o ano inteiro.

Usos e importância do Catolé(Syagrus cearensis)

   O Catolé(S. cearensis) apresenta importância econômica, social e ambiental, pois é utilizada pela indústria alimentícia e de cosméticos, de usos medicinal e artesanal pelas populações locais onde ocorre, como forragem para animais de criação, tem uso paisagístico e também serve de alimento para a fauna nativa, entre outras utilidades.
   O óleo extraído das amêndoas de S. cearensis é usado na produção de biodiesel, na culinária e também na produção de cosméticos como hidratantes para a pele. Seu uso através da medicina popular é indicado para tratar problemas estomacais, combater diarreia e como diurético. Partes dela como suas folhas são usadas por nativos na confecção de produtos artesanais, como: chapéus de palha, vassouras,abanadores,espanadores e bolsas, enquanto que o seu caule(estipe) é usada como banquetas de decoração.
Em períodos de grande estiagem na região semi-árida foi comprovada o uso de folhas do Catolé como forragem para animais como bovinos, caprinos e ovinos. Além disso, seus frutos e amêndoas são apreciados tanto pelo homem como pela fauna regional, incluindo aves e mamíferos nativos como por exemplo respectivamente da maracanã-verdadeira(Primolius maracana) e do mocó( Kerodon rupestris), além da fauna exótica introduzida como os bovinos. Dessa forma, fica evidente a necessidade do uso orientado e sustentável do Catolé(S. cearensis) pelas populações locais, pois estas frequentemente fazem uso extrativista da espécie supracitada.

Principais constituintes do fruto e da amêndoa do Catolé(Syagrus cearensis)


   Segundo Meireles(2017) o fruto do Catolé(S. cearensis) tem sabor adocicado, apresenta muita fibra, é bastante calórico e cerca de 70% de sua constituição média é formada por água. Também possui considerável concentração de compostos bioativos como carotenoides e flavonoides que são importantes para o bem-estar humano. As amêndoas possuem como constituintes principais os lipídios(maioria), carboidratos, proteínas e minerais como magnésio, manganês e cobre. Suas sementes oleaginosas apresentam grande concentração de lipídios muito maior até do que a soja e a canola, destacando-se em sua composição o ácido láurico que é bom para a saúde humana. A avaliação do óleo revelou que o mesmo tem qualidade nutricional viável e a presença de antioxidantes, confirmando seu potencial como óleo estável.

Ocorrência do Catolé(Syagrus cearensis)

   O Catolé(S. cearensis) é uma palmeira nativa e endêmica do Brasil com distribuição geográfica restrita a região Nordeste, tendo ocorrência confirmada até o momento para os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Ocorre nos biomas Caatinga e Mata Atlântica,nesta em regiões sazonalmente secas ou morros e serras, tecnicamente na Floresta Estacional Decidual e Floresta Ombrófila. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências
Larry R. Noblick; tradução Cláudia Elena Carneiro; revisão Francisco de Assis Ribeiro dos Santos. Guia para as palmeiras do nordeste do Brasil [recurso eletrônico]. Feira de Santana : UEFS Editora, 2019.

Lemos, Cleide Maria de Extração do óleo fixo do Syagrus cearensis Noblick e atividade inseticida sobre o Callosobruchus maculatus em feijão armazenado. Serra Talhada, 2019. Trabalho de Conclusão de Curso– Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Meireles, Bruno Raniere Lins de Albuquerque. Potencial nutricional e antioxidante do fruto do Catolé(Syagrus cearensis). Tese apresentada ao programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa,PB, 2017.

Neves,Abidã G. da Silva; Chagas ,Kyvia P.  Teixeira das; Sales,Raiane P. de; Costa ,Malcon do Prado; Fajardo ,Cristiane Gouvêa; Vieira ,Fábio de Almeida. Seleção de iniciadores moleculares ISSR para estudos de variabilidade genética da Syagrus cearensis Noblick.

Pichorim, M., França Câmara, T. P., Marques de Oliveira-Júnior, T., Valdenor de Oliveira, D., Galvão do Nascimento, E. P. and Mobley, J. A. 2014. A population of Blue-winged Macaw Primolius maracana in northeastern Brazil: recommendations for a local Conservation Action Plan. Tropical Conservation Science Vol.7 (3):488-507. Available online: www.tropicalconservationscience.org

Soares, K.P. Syagrus in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB34080>. Acesso em: 22 Fev. 2020.

Souto, Ana Carla Gonçalo. Das folhas às vassouras : o extrativismo do catolé (Syagrus cearensis Noblick) pela população tradicional de Monte Alegre, Pernambuco, Brasil. Recife. 2014.

sábado, 23 de novembro de 2019

Uruba Monotagma cf. plurispicatum (Körn.) K. Schum

Planta conhecida como Uruba ou Maranta, entretanto seu nome científico é Monotagma cf. plurispicatum (Körn.) K. Schum.
Espécie de porte herbáceo com até 1m de altura, caracteriza por apresentar "pecíolo e pulvino separados por um anel piloso,folhas com margens minutamente ciliadas, profilo da florescência unicarenado ou carena ausente e címulas com uma flor"(p. 263,Luna, N.K.M. et al.,2016).
Monotagma sp.
Pode ser encontrada no interior de florestas sobre solo siltoso e encharcado, apresentando ampla distribuição na região neotropical, ocorrendo na Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Guiana Francesa, Honduras, Nicarágua, Suriname,Peru e Brasil. Neste, ocorre nas corre nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Referências
Costa, Flávia R. C.; Fábio Penna Espinelli, Fernanda O. G. Figueiredo. Guia de marantáceas da Reserva Ducke e da Reserva Biológica do Uatumã. Manaus : INPA, 2008.

Fundação SOS Mata Atlântica/ Prefeitura Municipal de João Pessoa. PLANO MUNICIPAL DE CONSERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA. Disponível em https://www.sosma.org.br/wp-content/uploads/2014/04/pmma_joao_pessoa.pdf Acesso em 02 de nov. 2019.

Luna,Naédja Kaliére Marques de, Edlley Pessoa & Marccus Alves. Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Zingiberales. Rodriguésia 67(1): 261-273. 2016

Mariana Naomi Saka. Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Marantaceae. Rodriguésia 68, n.3 (Especial): 987-990. 2017.

domingo, 1 de setembro de 2019

Louro-preto Cordia glabrata (Mart.) A.DC.

   Planta conhecida popularmente como Louro-preto, Frei-Jorge,Freijó e Claraíba, entretanto seu nome científico é único, Cordia glabrata (Mart.) A.DC.. Pertence a família Boraginaceae.
    Louro-preto(C. glabrata) é uma espécie de porte arbustivo a arbóreo, atingindo altura de 4 a 10m, caule e ramos externamente acinzentados com casca sulcada, suas folhas são elípticas, ovais a orbiculares com tricomas simples, enquanto a inflorescência(com flores alvas que posteriormente ficam amarronzadas) é do tipo panícula terminal e o fruto é uma drupa com uma semente globosa. Pode florescer de junho a setembro, sendo suas flores visitadas por várias espécies de animais em busca néctar ou pólen, como por exemplo, abelhas, vespas, mariposas e também beija-flores. As suas sementes são dispersas pelo vento.
   Sua madeira é considerada moderadamente pesada e bem decorativa, sendo usada para diversos fins, como confecção de tábuas, janelas, portas, móveis, cabos de ferramenta entre outros. Além disso, devido beleza das suas flores é indicada para arborização.
  No Brasil ela é encontrada nos biomas Caatinga e Cerrado, apresentando distribuição nas seguintes regiões e respectivos estados: Norte (Pará, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na mesorregião Central Potiguar, sendo os últimos registros na Serra das Queimadas em Equador e também nos municípios de Cerro Corá e Parelhas.

Agradecimento ao amigo Leonardo Jales Leitão que ajudou na identificação em nível de espécie.


Referências

LORENZI, H. 2008. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 5a ed. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum de Estudos da Flora, v.1. 

MOULIN, J.C.; Rodrigues,B. P.; Oliveira, J. T. da S.; Rosa, R. A. & Oliveira,José G. L. de, 2016. Propriedades tecnológicas do lenho de louro-preto. Pesquisa Florestal Brasileira, v.36, n.88, p.415-421.

VIEIRA, D.D; Conceição,A. S.; Melo, José I. M.; Stapf,María N. S. de. A família Boraginaceae sensu lato na APA Serra Branca/Raso da Catarina, Bahia, Brasil. Rodriguésia vol.64 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2013.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Cravo-de-urubu Chresta martii (DC.) H.Rob.


   Planta conhecida popularmente como Cravo-de-urubu, sendo seu nome científico Chresta martii (DC.) H.Rob.. Ela pertence a família Asteraceae, da qual também fazem parte parte por exemplo, o girassol e a Tilesia baccata (L.f.) Pruski.
  Cravo-de-urubu(C. martii) é uma planta de porte subarbustivo que vive sobre afloramentos rochosos, sendo por isso considerada uma espécie rupícola.  Segundo a literatura é usado na medicina popular para tratar algumas doenças associadas ao trato gastrointestinal.
   É uma espécie nativa e endêmica do bioma Caatinga, tendo ocorrência confirmada apenas para os estados do nordeste(Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe) do Brasil e também em Minas Gerais. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na mesorregião Central Potiguar, sendo os últimos registros na Serra das Queimadas em Equador e também nos municípios de Parelhas,Carnaúba dos Dantas e Acari.

Referências
Franco,Eryvelton de Souza. Estudo do efeito gastroprotetor de extratos e de frações semipurificadas de Chresta martii (DC.) H. Rob. e identificação do seu composto majoritário. Tese. Recife,2014.

Organizador Rafaela Campostrini Forzza... et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil, volume 1. Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

sábado, 6 de julho de 2019

Homalolepis trichilioides (A.St.-Hil.) Devecchi & Pirani

    Planta da espécie Homalolepis trichilioides (A.St.-Hil.) Devecchi & Pirani, a qual pertence a família Simaroubaceae, a mesma da cajarana-de-macaco(Simaba ferruginea).
   Homalolepis trichilioides geralmente apresenta porte arbustivo com altura variando de 1 a 4m, bem ramificada com folhas discolores, ou seja, que possui faces de cores diferentes, sendo a  face adaxial verde-escura e abaxial verde mais claro, opaca; suas flores com pétalas esverdeadas possuem odor desagradável que atrai por exemplo vespas conhecidas como cavalo-do-cão; seu fruto quando maduro é de cor alaranjado.
   H. trichilioides é espécie nativa com ocorrência confirmada nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, apresentando distribuição no Brasil nas seguintes regiões e respectivos estados do país: Norte (Pará, Tocantins), Nordeste (Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais). Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, sendo as últimas vezes registradas nos tabuleiros dos municípios de Espírito Santo,Goianinha,Canguaretama, Baía Formosa,Macaíba,São Gonçalo do Amarante,Natal e Parnamirim.

Agradeço a Marcelo Devecchi pela ajuda na identificação em nível de espécie.

Referência
Devecchi, M.F.; Pirani, J.R.; Thomas, W.W. Simaroubaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB604275>. Acesso em: 30 Jun. 2019

domingo, 16 de junho de 2019

Baraúna Schinopsis brasiliensis Engl., uma das árvores mais alta da Caatinga

   Planta conhecida popularmente como baraúna, baúna, braúna, braúna-do-sertão, braúna-parda, quebracho, quebracho-colorado, quebracho-moro, coração-de-negro, maria-preta-da-mata, maria-preta-do-campo, ubirarana, pau-preto, ibiraúna, guaraúna e parova-preta. Entretanto seu nome científico aceito atualmente é único, Schinopsis brasiliensis Engl.. Ela pertence a família Anacardiaceae, da qual também fazem parte por exemplo, o Cajueiro( Anacardium occidentale), a Aroeira( Myracrodruon urundeuva) e o Imbu( Spondias tuberosa).
   A Baraúna(Schinopsis brasiliensis) apresenta porte arbóreo atingindo até 15m de altura, sendo umas das árvores mais altas do bioma Caatinga e seu diâmetro pode chegar a 60cm. Seu caule se apresenta com tronco reto e ramos(com espinhos de até 3,5cm) que gradativamente formam galhos espessos e bem distribuídos dando origem a uma copa subglobosa. A casca do tronco tem espessura de até 3cm apresentando fendas,constituindo assim pequenas placas quadradas. Suas folhas aromáticas(se maceradas) são do tipo compostas, apresentando cada uma de 7 a 17 folíolos e são mais longas que largas,pois tem de 3 a 4cm de comprimento por 2cm de largura.
Suas flores brancas e  aromáticas são pequenas(3 a 4mm), elas formam inflorescências do tipo panícula com tamanho de até 12cm de comprimento e aparecem no final da estação chuvosa. Já o fruto da Baraúna(S. brasiliensis) é classificado como seco e do tipo drupa alada com até 3,5cm de comprimento, sendo seu mesocarpo composto por uma massa esponjosa-farinácea, onde se encontra uma semente amarelada. A frutificação ocorre geralmente de agosto a setembro e a dispersão é feita pelo vento, ou seja, anemocórica.
   Essa espécie(S. brasiliensis) apresenta uma madeira bem dura e resistente à deterioração, sendo explorada para usos diversos, como mourões, postes, viamentos de casas de farinha (prensa), cabos para ferramentas, esquadrias, portais, soleiras, frechais, vigamentos e mão-de-pilão (Carvalho, 2009; Lorenzi, 2008). É considerada árvore ornamental, podendo ser usada em projetos de arborização e também é pioneira, podendo ser usada com intuito de ajudar na recuperação de áreas degradas. Suas flores são melíferas, inclusive são polinizadas por diferentes espécies de abelhas, enquanto suas folhas podem servir de alimento para caprinos e ovinos em condições específicas. Das cascas são extraídas tanino que é usada no curtimento de couro, enquanto que algumas substâncias presentes nas folhas apresentarem ação moluscicida e larvicida e outras moléculas extraídas da planta também demonstraram ação bactericida, além disso, a baraúna é  rica em bioflavonoides, importantes agentes antioxidantes.
  Espécie decídua(planta cujas folhas caem em certa época), heliófita(aquela que exige exposição total ao sol) e seletiva higrófila(planta de solos mais úmidos). A Baraúna(S. brasiliensis) é nativa(não endêmica do Brasil) típica dos biomas Caatinga e Cerrado, onde na região semiárida ela prefere ambientes de várzea, sendo frequente em solos calcários, mas pode ser encontrada até mesmo em afloramentos pedregosos. Essa espécie ocorre nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste(Minas Gerais). Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, observei essa espécie nas mesorregiões Central e do Alto Oeste potiguar, entre os municípios onde vi essa espécie, estão: Florânia, Acari, Currais Novos, Cerro Corá, Baraúna, Carnaúba dos Dantas e Equador.

Referências
BRAGA, R. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: Depto. Nacional de Obras Contra as Secas, 1960. 540 p.

CARDOSO, M.P.; LIMA, L.S.; DAVID, J.P.; MOREIRA, B.O.; SANTOS, E.O.; DAVID, J.M.; ALVES,C.Q. A New Biflavonoid from Schinopsis brasiliensis (Anacardiaceae). Journal of the
Brazilian Chemical Society, 26(7), 1527-1531, 2015.

CARVALHO, P.E.R. Braúna-do-sertão - Schinopsis brasiliensis. Colombo, Paraná: Embrapa Florestas. Comunicado Técnico, 222, 2009. 9p.

FLORA DO BRASIL. Anacardiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico
do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/FichaPublicaTaxonUC/FichaPublicaTaxonUC.do?id=FB4396>. Acesso em: 16 jun. 2019.

GUIMARÃES, P.G.; MOREIRA, I.S.; CAMPOS-FILHO, P.C.; FERRAZ, J.L.; NOVAES, Q.S.; BATISTA,R. Antibacterial activity of Schinopsis brasiliensis against phytopathogens of agricultural
interest. Revista Fitos, 9(3), 167-176, 2015.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, v. 1, ed. 5, 2008.

SANTOS, C.C.S. et al. Evaluation of the toxicity and molluscicidal and larvicidal activities of Schinopsis brasiliensis stem bark extract and its fractions. Revista Brasileira de Farmacognosia,24, 298-303, 2014.

domingo, 26 de maio de 2019

Bromélia Aechmea patentissima (Mart. ex Schult. & Schult.f.) Baker

  A espécie Aechmea patentissima pertence a família Bromeliaceae("bromélias"), da qual também faz parte por exemplo, a Macambira-de-flecha.
  A. patentissima apresenta porte herbáceo e se desenvolve tanto no substrato terrestre como também pode viver sobre outras plantas, ou seja pode ser epífita. 
  Essa bromélia é nativa e no Brasil ocorre apenas no bioma da Mata Atlântica, estando distribuída nas regiões Nordeste(Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe) e Sudeste(Espírito Santo, Rio de Janeiro) do país.
  Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte já observei essa espécie no Parque das dunas(Natal), na Mata do Pilão(Espírito Santo) e em um fragmento de mata atlântica de Baía Formosa.

Referência
Maciel, Jefferson Rodrigues. Estudos taxonômicos, filogenéticos e biogeográficos em Aechmea (Bromeliaceae). Tese (doutorado) – Universidade Federal de Pernambuco. Centro de Biociências. Biologia Vegetal, Recife, 2017.

domingo, 31 de março de 2019

Helicônia Heliconia psittacorum L.f. uma planta ornamental

Helicônia(Heliconia psittacorum) observada na Mata do Pilão,Espírito Santo,RN,Brasil.
   Planta conhecida popularmente como Helicônia, Helicônia-papagaio, Caetezinho, Planta-papagaio e Tracoá, entretanto seu nome científico é único, Heliconia psittacorum L.f..
  "Espécie de hábito musoide, delgada com 0,5 a 2,0 metros de altura. Apresenta inflorescência ereta, de 7,0 a 18,0 cm de comprimento, com raque reta e glabra. As brácteas, em número de 2 a 7 por inflorescência, uniformemente curvadas e com leve camada de cerosidade, distribuem-se em um mesmo plano. Estão inseridas em um ângulo de 10 a 65° em relação ao eixo da inflorescência, têm coloração rósea ou alaranjada e avermelhada na face externa, às vezes esverdeadas e avermelhadas ou púrpura na face interna em direção ao ápice. As flores são retas ou levemente curvadas, de 5 a 8 por bráctea, de coloração amarelada, alaranjada ou avermelhada, excepcionalmente branca, com manchas verde escura em forma de olho no ápice"(ANDERSSON,1981).
Helicônia(Heliconia psittacorum) observada em fragmento de Mata Atlântica,Baía Formosa,RN,Brasil.
   A Helicônia (Heliconia psittacorum) apresenta mais de cem variedades no Brasil, a maioria cultivada a pleno sol e em área sombreada de até 50%, sendo cultivada como planta ornamental de uso doméstico ou com fins comerciais como flor de corte. Essa espécie se cultivada em condições ideais pode começar a produzir a partir de um ano e com cerca de um ano e meio essa produção pode ser comercialmente viável. Ela floresce durante o ano inteiro, porém entre dezembro e maio geralmente a floração é mais acentuada. Tanto essa quanto seu crescimento são influenciados pela adubação e muito pela exposição a alta luminosidade.
    A Helicônia (H. psittacorum) é nativa e ocorre naturalmente em altitudes do nível do mar a 800 metros em locais úmidos e secos, em florestas, bordas de mata e restingas sendo encontrada nos biomas da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Ela apresenta ampla distribuição geográfica no Brasil, ocorrendo atualmente nas seguintes regiões e respectivos estados: Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais).

Referências
ANDERSSON, L. Revision of Heliconia sect. Heliconia (Musaceae). Nordic Journal of Botany, v. 1 (6), p. 759-786. 1981.

Organizador Rafaela Campostrini Forzza... et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil, volume 2. Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

Sabrina Aparecida Pinto. Heliconia psittacorum L. Propagação e adubação na fase inicial do cultivo. Dissertação. Universidade Federal de Viçosa,Minas Gerais,Brasil, 2007.

domingo, 17 de março de 2019

Maranta Goeppertia villosa (Lindl.) Borchs. & S.Suárez

Maranta(Goeppertia villosa) observada em fragmento de Mata Atlântica no município de Baía Formosa,RN,Brasil.
  Planta da família Marantaceae, ela é conhecida como Maranta sendo seu nome científico válido atualmente: Goeppertia villosa (Lindl.) Borchs. & S.Suárez. 
  Espécie nativa de porte herbáceo com altura variando de 0,7 a 1,5m, tendo sua ocorrência confirmada na América tropical e com distribuição geográfica no Brasil nas seguintes regiões: Norte(Acre, Roraima, Tocantins), Nordeste(Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e Centro-Oeste(Goiás, Mato Grosso), desenvolvendo-se no ambiente terrestre dos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica*(local onde observamos o espécime da foto).

Referência
Organizador Rafaela Campostrini Forzza... et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil, volume 1. Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Canafístula-brava Senna martiana (Benth.) H.S.Irwin & Barneby

  Planta conhecida popularmente como Canafístula-brava, Canafístula-de-lajedo e Caixão-de-canafístula, entretanto seu nome científico é único, Senna martiana (Benth.) H.S.Irwin & Barneby. Pertence a família Fabaceae.
  Canafístula-brava(Senna martiana) é uma espécie de porte arbustivo com altura variando de 1,5m a 4m, apresentando folhas com 9 a 22 pares de folíolos, estípulas alaranjadas com base secretora(nectários). Espécie de crescimento relativamente rápido com inflorescência de grande beleza sendo indicada como planta ornamental.
  Canafístula-de-lajedo(Senna martiana) é nativa e endêmica do bioma Caatinga, ocorrendo naturalmente apenas na região Nordeste do Brasil do Piauí a Bahia,  sendo comum em solo arenoso e em afloramentos rochosos(lajedos) em elevações inferiores a 500 m, podendo ser uma colonizadora de áreas degradadas (Queiroz 2009).

Referências
Queiroz, L.P. 2009. Leguminosas da Caatinga. Universidade Estadual de Feira de Santana/Royal Botanic Gardens, Kew/Associação Plantas do Nordeste, Feira de Santana.

MACEDO, E. M. S. Estudo Químico de Plantas do Nordeste com atividade antioxidante: Senna martiana Benth (I. e B). 2006. 149 f. Dissertação (Mestrado em Química Orgânica) - Centro de Ciências, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2006.

Maria Góis Miranda, Jéssica; Carvalho de Alencar Barbosa, Dilosa. Biometria, germinação e efeito do déficit hídrico no crescimento e trocas gasosas de Senna martiana (Benth.) Irwin & Barneby (Leg Caesalpinioideae). 2005. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2005.

Paulo Sérgio Monteiro Ferreira, Dilma Maria de Brito Melo Trovão e José Iranildo Miranda de Melo. Leguminosae na APA do Cariri, Estado da Paraíba, Brasil. Hoehnea 42(3): 531-547, 1 tab., 4 fig., 2015.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Cabacim-bravo Matelea ganglinosa (Vell.) Rapini

   Planta conhecida popularmente como Cabacim-bravo, enquanto seu nome científico é Matelea ganglinosa (Vell.) Rapini.. Pertence a família Apocynaceae. Espécie trepadeira que pode atingir 3m de altura, floresce geralmente de junho a setembro e frutifica de junho a novembro.
   Cabacim-bravo(Matelea ganglinosa) é nativa e endêmica do Brasil, sendo encontrada nos biomas da Mata Atlântica e Caatinga, ocorrendo nas seguintes regiões do país e respectivos estados: Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro).

Referência
Souza, Júnior , Jaerton Carvalho de. Apocynaceae Juss. Na Mata Atlântica do Rio Grande do Norte,Brasil. Natal,2016. Dissertação(Mestrado). UFRN.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Mangue-branco Laguncularia racemosa (L.) C.F.Gaertn.


   Planta conhecida popularmente como Mangue-branco, Mangue-manso,Mangue-verdadeiro, Mangue-de-sapateiro e Tinteiro, entretanto seu nome científico é único, Laguncularia racemosa (L.) C.F.Gaertn.. Ela pertence a família Combretaceae, sendo a única espécie do gênero Laguncularia que ocorre no Brasil. 
   Mangue-branco(Laguncularia racemosa) é uma espécie nativa que apresenta porte arbustivo ou arbóreo(raramente ultrapassa 10m de altura) com raízes adventícias e pneumatóforos(raízes respiratórias que afloram do sedimento).
   Suas folhas arredondadas são opostas e possuem um pecíolo vermelho contendo nectários extraflorais(par de glândulas arredondadas) em sua base que também apresentam glândulas para exclusão do excesso do sal, proporcionando grande tolerância à salinidade. As suas inflorescências são do tipo espigas com flores branco-esverdeadas sésseis. Segundo a literatura as folhas e ou caules de Mangue-branco(Laguncularia racemosa) são usadas na medicina popular para confecção de chás e infusões contra a disenteria, febre e escorbuto.
    Ela geralmente ocorre na região da interface entre o manguezal e a terra firme, com distribuição no litoral meridional da Flórida, México, América Central e na América do Sul desde o litoral do Equador ao Brasil. Neste, ocorre nos biomas da Mata Atlântica e Amazônia associada aos ecossistemas de restinga e manguezal, sendo confirmada nas seguintes regiões e estados brasileiros respectivamente: Norte (Amapá e Pará), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná e Santa Catarina). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie sempre no ecossistema de manguezal em toda costa potiguar, desde Baía Formosa até Grossos.

Referências

Organizadores Marcelo Antonio Amaro Pinheiro e Ana Carolina Biscalquini Talamoni. Educação Ambiental sobre Manguezais. São Vicente: Campus do Litoral Paulista – Instituto de Biociências, 2018.

Organizador Rafaela Campostrini Forzza... et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil, volume 1. Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

Renato Braga. Plantas do nordeste,especialmente do Ceará. Fortaleza:coleção mossoroense-volume XLII,1976.