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Aqui compartilho meus registros da fauna e flora do Rio Grande do Norte, resultado de trilhas e expedições pelos diferentes biomas do estado, transformando essa vivência em conhecimento aplicado à educação ambiental.
Abelha indígena sem ferrão(meliponíneo) conhecida popularmente como Jandaíra, entretanto seu nome científico é Melipona subnitida Ducke (1910). Inseto social nativo da região Nordeste do Brasil, a Jandaíra(Melipona subnitida) pertence a superfamília Apoidea, família Apidae, subfamília Meliponinae e a tribo Meliponini, de onde deriva o nome "meliponíneos", que são as abelhas caracterizadas por apresentarem um ferrão atrofiado que não serve para defesa; daí surgiu a expressão "abelha sem ferrão" (Keer et al., 1996).
De maneira geral as abelhas do gênero Melipona, como a Jandaíra apresentam alto nível de organização social com sobreposição de castas, tendo cada grupo de abelhas responsabilidade por um tipo de atividade dentro da colmeia,sendo a rainha responsável pela postura dos ovos e pela organização social do ninho,os zangões têm como função principal realizar a fecundação da rainha virgem, as abelhas operárias são encarregadas pela maioria das atividades, o que depende, dentre outros fatores, da idade e das necessidades da colmeia(Nogueira-Neto, 1997;Villas-Bôas, 2012). A determinação da casta é genético-alimentar (Kerr et al., 1950; Kerr et al., 1966).
Suas células de cria são de tamanhos iguais, ou seja, as células da rainha, machos e fêmeas são indiferenciadas. "Seus ninhos são dispostos em placas concêntricas empilhadas na vertical, compostas de favos circulares constituídas por cerume (mistura de cera com resina vegetal), organizados basicamente em células de cria e potes de alimentos. Os potes de alimento são, em sua maioria, construídos na forma ovoide, armazenando separadamente mel e pólen. A entrada é quase sempre no centro, construída basicamente de geoprópolis (argila e resinas vegetais), barro ou cera, apresentando-se de diversas formas conforme a espécie de abelha(Nogueira-Neto,1997; Villas-Bôas, 2012)." Elas constroem seus ninhos geralmente no interior de cavidades(ocos) de árvores nativas típicas do Bioma Caatinga, utilizando principalmente a Imburana(Commiphora leptophloeos) e a Catingueira(Caesalpinia bracteosa) para moradia.
"O ciclo de vida das Melipona gira em torno de seis dias para ovo, 12 dias para larva e 24 dias para pupa, totalizando 42 dias até a emergência do adulto (Bruening, 2006). As abelha operárias e os zangões alcançam uma expectativa de vida por volta de 90 dias, e as rainhas, entre quatro e cinco anos(Bruening, 2006). Como insetos da ordem Hymenoptera, o sistema de determinação do sexo nos meliponíneos é haplodiploide, sendo que a maior parte das espécies apresenta fêmeas com células diploide, com 2n = 18 (oriundas de ovos fecundados), e os machos apresentam células haploide, com n = 9 (oriundos de ovos não fecundados).(Tavares et al., 2010; Francini et al., 2011; Tavares et al., 2012)."
Como essas abelhas dependem diretamente das árvores para viver são sensíveis a alterações no meio ambiente, como a destruição da vegetação, o uso de agrotóxicos e o extrativismo dos meleiros, tornando-as ameaçadas com o avanço do desmatamento nas Caatingas, gerando outros impactos negativos como por exemplo a diminuição da produção agrícola que envolvam plantas polinizadas por elas, sendo elas responsáveis pela maior parte da polinização das plantas nativas. Além disso, a abelha Jandaíra em especial, tem como principais produtos de interesse comercial o mel, que tem alto valor comercial e de ótima qualidade (sabor, cheiro, cor, nutricional, terapêutico, etc.), sendo bastante apreciado pelas populações nativas (Vilela & Pereira, 2002).
Sendo assim, percebe-se que a Apicultura e Meliponicultura são atividades sustentáveis, já que envolve os aspectos sociais,econômicos e ambientais, através do envolvimento da população nativa, os criadores das abelhas que aumentam sua renda familiar com a venda de produtos gerados por elas, em especial o mel, e contribuem para o reflorestamento por meio do plantio de árvores nativas onde as abelhas nidificam, além da polinização das plantas também realizadas por elas, contribuindo assim para a conservação das abelhas e da manutenção do Bioma Caatinga, respectivamente.
Ainda pode ser encontrada em habitat natural nas Caatingas do Semi-árido nordestino nos estados do Rio Grande do Norte,Pernambuco,Paraíba e Ceará. No entanto é cada vez mais raro encontrar colônias silvestres desta espécie na natureza, por causa de um conjunto de fatores, como o extrativismo predatório, o desmatamento e a expansão da abelha africanizada.
Daniel Santiago Pereira, Paulo
Roberto Menezes, Valdemar Belchior Filho, Adalberto Hipólito de Sousa, Patrício
Borges Maracajá. ABELHAS INDÍGENAS CRIADAS NO RIO GRANDE DO NORTE. Acta
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Daniel Santiago Pereira, Priscila
Vanúbia Queiroz Medeiros, Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra, Adalberto
Hipólito de Sousa, Paulo Roberto Menezes. ABELHAS NATIVAS ENCONTRADAS EM
MELIPONÁRIOS NO OESTE POTIGUAR-RN E PROPOSIÇÕES DE SEU DESAPARECIMENTO NA
NATUREZA. Revista Verde (Mossoró – RN – Brasil) v.1, n.2, p. 54-65
julho/dezembro de 2006
Geice Ribeiro da Silva, Fábia de
Mello Pereira, Bruno de Almeida Souza, Maria Teresa do Rego Lopes,José Elivalto
Guimarães Campelo, Fábio Mendonça Diniz. Aspectos
bioecológicos e genético-comportamentais envolvidos na conservação da abelha
Jandaíra, Melipona subnitida Ducke (Apidae, Meliponini), e o uso de ferramentas
moleculares nos estudos de diversidade. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.81, n.3, p. 299-308, 2014.
A abelha Apis mellifera (Linnaeus, 1758) é um inseto hymenoptera pertencente a família Apidae. É a única espécie dessa família no Brasil, sendo exótica introduzida nesse país em 1839 pelo Padre Antonio Carneiro, em colônias vindas do Porto, em Portugal com o objetivo principal de proporcionar a produção do mel para o consumo humano.
Com a introdução da abelha africana Apis mellifera scutellata no país em 1956 e a perca do controle de alguns enxames desta, houve o cruzamento dela com as subespécies européias: a italiana Apis mellifera ligustica,a alemã Apis mellifera mellifera e e a austríaca Apis mellifera carnica que foram introduzidas no Brasil no século XIX. A partir desses cruzamentos iniciais surgiram as populações polí-hibridas conhecidas como africanizadas, devido ao predomínio de características da subespécie africana(Kerr, 1967).
Alimentam-se de água, néctar e pólen das flores de diversas espécies de plantas(alimento coletado pelas operárias), sendo considerada por isso generalista em relação a sua dieta e útil como polinizadora de diversas espécies cultivadas, tais como melão, maçã, café, etc. Mas também forrageiam em busca de nutrientes em outras fontes alimentares, como: caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de açúcar, goma de mandioca, vagem de algaroba, farelo de soja, entre outros.
É uma espécie eussocial ou seja apresentam por exemplo, a cooperação na construção do ninho, divisão do trabalho e 3 castas de indivíduos: rainha(fêmea reprodutiva, função exclusiva de colocar ovos), operárias(fêmeas que não se reproduzem) e zangões(macho que tem apenas a função principal de fecundar a fêmea). Todas essas castas passam por 4 fases (ovo/ larva/ pupa/ adulto) para atingir a forma adulta. As operárias atingem aproximadamente 1cm de comprimento, enquanto que as rainhas(uma por comunidade) e os zangões são um pouco maiores. São consideradas insetos peçonhentos, pois as fêmeas possuem o ferrão, órgão de defesa encontrado no final do abdome que tem associado uma pequena bolsa com veneno sendo acionado através de músculos quando necessário, sendo consideradas muito agressivas quando molestadas.
"Elas constroem seus ninhos preferencialmente em cavidades grandes, como ocos de árvores, cupinzeiros abandonados e cavidades em estruturas construídas pelo homem, como postes e telhados. Podem, também, fazer ninhos expostos sob galhos de árvores ou em saliências externas em troncos, paredões de pedra, etc. Suas células são organizadas em favos verticais e são usadas tanto para postura de ovos, quanto para armazenamento de alimento (mel e pólen). Armazenam grandes quantidades de mel, que é utilizado comercialmente (PIRES,V. C et al.,2014)." Suas colmeias podem ter mais de 50.000 indivíduos.
Apresenta ampla distribuição geográfica devido a sua introdução em várias partes do mundo, ocorrendo em todos os estados brasileiros tanto em ecossistemas naturais como em ecossistemas urbanos ou antropizados, entretanto é menos frequente em ambientes bem preservados. Habita as florestas tropicais, savanas, deserto, regiões litorâneas e montanhosas.
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado com muita frequência colmeias dessa abelha em ambientes antropizados e em áreas com vegetação secundária de transição entre Mata Atlântica e Caatinga no interior do estado, principalmente na mesorregião Agreste do estado. Ainda é comum em municípios interioranos a cultura da retirada do mel de maneira artesanal fazendo uso da fumaça para "forçar o abandono do ninho por parte das abelhas" facilitando a extração do mel dos favos produzidos pelas abelhas. Entretanto, o risco dessas pessoas que realizam essa atividade rudimentar é grande, pois as abelhas se defendem tentando ferroar aqueles que estão gerando aquela fumaça, e se estiver alguém alérgico envolvido poderá sofre graves consequências se não procurar atendimento médico. Entretanto é importante lembrar que a atividade de remoção de enxames de abelhas deve ser feita por pessoas especializadas, que realizam a retirada delas de áreas de risco para as populações do entorno, e geralmente fazem o translocamento para áreas propícias onde as abelhas possam viver naturalmente.
Dica de leitura: O Fenômeno das Abelhas do autor Jürg Tautz. Uma leitura obrigatória para todos aqueles que desejam compreender a fascinante biologia das abelhas, seu papel crucial no meio ambiente e a importância de sua preservação para o futuro da humanidade. Adquira com desconto especial no link: https://amzn.to/3xMmxdK
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Planta conhecida popularmente como Chanana,Xanana, Flor-do-guaruja, Onze-horas, Boa-noite, entretanto seu nome científico é único, Turnera subulata Sm. Pertence a família Turneraceae, a mesma da espécie Piriqueta guianensis. Espécie herbácea que pode atingir cerca de 1m de altura, apresenta folhas simples e alternas, flores solitárias com pétalas de maneira geral branco-amareladas com base castanha-escura; fruto do tipo cápsula. Floresce e frutifica durante o ano inteiro. Em 17 de janeiro de 2002, a "Xanana" tornou-se oficialmente a flor símbolo da cidade do Natal através da lei municipal número 05350/2. "No mundo agitado em que vivemos, poucas pessoas param para apreciar a beleza da flor da chanana que surge em todos os cantos."
Importância da chanana(Turnera subulata)
A chanana(Turnera subulata) apresenta por exemplo importância ornamental, ecológica e médica. Como floresce o ano inteiro possui grande valor ornamental, sendo portanto incentivada seu cultivo em jardins atraindo diversos animais, principalmente abelhas nativas e algumas borboletas, destacando-se assim a importância ambiental através das relações ecológicas. De acordo com a medicina popular a chanana é citada na literatura no tratamento de inflamações em geral, tumores, febre, amenorréias e dismenorréias.
Visitantes florais da chanana(Turnera subulata)
As flores da chanana(Turnera subulata) atraem vários animais do grupo dos insetos, principalmente abelhas e borboletas, mas também besouros.
Alguns exemplos de abelhas nativas "sem ferrão" que visitam as flores dessa espécie são: mosquito(Plebeia flavocinta), arapuá(Trigona spinipes), amarela(Frieseomelitta doederleinii),Centris aenea, Centris flavifrons, Centris leprieuri, Eulaema nigrita, as abelhas solitárias das espécies Protomeliturga turnerae e Psaenythia variabilis. Já foi registrado inclusive machos de abelhas solitárias dormindo dentro da flor. A abelha africanizada(Apis mellifera) também visita a Chanana.
Além das abelhas, podemos citar algumas espécies de borboletas que visitam as pétalas da chanana, a saber: Urbanus sp., Nisoniades macarius e Euptoieta hegesia.
Ocorrência e distribuição geográfica dechanana(Turnera subulata)
A chanana(Turnera subulata) é espécie nativa e perene típica de áreas abertas, sendo frequente por exemplo nas margens de estradas, terrenos baldios e também como invasora de culturas. Apresenta distribuição geográfica neotropical, sendo encontrada na América Central, Caribe e América do Sul. No Brasil ocorre nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, sendo encontrada nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie em todas mesorregiões do estado, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.
Referências
Barbosa, Danila de Araújo; Silva,Kiriaki Nurit; Agra, Maria
de Fátima. Estudo farmacobotânico
comparativo de folhas de Turnera chamaedrifolia Cambess. e Turnera
subulata Sm. (Turneraceae). Rev. bras.
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Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas: visitadas por
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2012.
Gouveia, A.L.A.; Silva, T.R.P.M.; Silva, N.M.B; Magnata,
S.S.L.P. Análise da atividade cicatrizante da Turnera subulata. Resumos Expandidos do I CONICBIO / II CONABIO /
VI SIMCBIO (v.2) Universidade Católica de Pernambuco - Recife - PE - Brasil -
11 a 14 de novembro de 2013.
Mesquita, Norma Ferreira. Uso medicinal de plantas
espontâneas presentes em área de cultivo agrícola. Trabalho de conclusão de
curso. Chapadinha-MA,2018.
Oliveira ,Gleison Soares de & Santos ,Carlos Alberto
Garcia. Visitantes florais de Turnera
subulata SM. (Passifloraceae) no município de Cuité, Paraíba. EDUCAÇÃO
CIÊNCIA E SAÚDE, v. 3, n. 2, Jul a Dez de 2016.
Organizadores Reinaldo Farias
Paiva de Lucena, Camila Marques de Lucena, Thamires Kelly Nunes Carvalho,
Ezequiel Costa Ferreira. Plantas e animais medicinais da Paraíba: um olhar da
etnobiologia e etnoecologia. Cabedelo, PB: Editora IESP, 2018.
Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a
Produção de Alimentos
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...
A polinização consiste no transporte de grãos
de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores,
constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina naprodução de frutos e sementes. Este processo representa um serviço
ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e
culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios
para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade
genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as
funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado
de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de
conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016;
Costanza et al. 2017).
O valor econômico global dos serviços de
polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção
alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre
US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016).
Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía
diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados
de 2018 (Freitas et al.,2023).
A reprodução da maioria das espécies vegetais,
tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por
animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente
insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas),
lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem
vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves,
quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre
todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior
relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais
culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007).
O desaparecimento das
abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem
polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas
inteiros e ameaçando a subsistência humana.
A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um
Espetáculo Natural
Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.
Quando percorremos as paisagens do Rio Grande
do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata
Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos
polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas,
beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação
ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso
durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar
– ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da
agricultura.
O Rio Grande do Norte está inserido numa das
regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas
vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são
verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles
transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras
potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats
é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes
necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em
proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza
terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente
fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da
Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por
espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando
recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação.
Sabe-se que diversas espécies polinizadoras —
ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os
vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o
morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas
como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus
gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris
vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do
xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores
Entre os
invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com
destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha
papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium
occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica),
melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de
interesse econômico.
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização
A abelha
jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium
guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já
a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea
americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula,
entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de
abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus),
laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e
tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha
(Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata),
caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua
na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema
nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o
maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea),
entre outras espécies.
Abelhas nativas participando da polinização
Além das
abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores,
sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente
visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e
Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de
cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das
famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae,
além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como
polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em
ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.
besouros com potencial de polinização visitando flores
O Papel Fundamental dos Polinizadores:
Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade
Os polinizadores desempenham um papel vital na
manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela
reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para
sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A
presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na
produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto
para a vida selvagem quanto para a dieta humana.
As contribuições ecológicas dos polinizadores
vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do
ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a
sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores
para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas
de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas
de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter
efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que
polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para
sobreviver.
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.
Talvez mais importante ainda seja sua
contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes
garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes,
aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e
resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa
função se torna ainda mais crítica.
Em termos de produção de alimentos, os
polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente
35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes
essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos
mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de
abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos
de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não
está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso
deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento
floral.
Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.
Os números da economia dos polinizadores são
impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda
não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no
Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa
Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma
parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por
abelhas.
Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.
Apicultura contribui para polinização de plantas da região
A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.
Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças
Imediatas
Agora chegamos em ponto crítico e preocupante:
ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas
significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no
RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de
regiões temperadas.
As avaliações de conservação são urgentes não
apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua
de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que
nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as
plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo.
Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio
ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.
Infelizmente, as populações de polinizadores
no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O
declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem
consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que
dependem da polinização natural para suas colheitas.
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.
A urbanização, a expansão agrícola e o
desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores.
À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais
ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as
populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a
disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a
diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.
O uso de pesticidas, particularmente
neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses
produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a
capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas
pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais
suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.
Abelha morta
As mudanças climáticas afetam
significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados
de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da
floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que
impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem
florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores
sem fontes de alimento quando emergem.
Além disso, o aumento das temperaturas está
ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as
populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte.
Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste
brasileiro.
Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças
nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por
exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas,
enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os
recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos
causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para
polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de
habitat e exposição a pesticidas.
Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para
Garantir o Futuro
O declínio das populações de
polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando
a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a
Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível
criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de
pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos
polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de
lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e
específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais
e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem
ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover
práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.
Além das ações legislativas, há uma forte
ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a
criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra
das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para
polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o
desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A
implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a
participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local,
contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na
sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo,
programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos
polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam
oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o
monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o
ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas,
contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas
espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.
Através desses esforços conjuntos de
conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de
coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A
proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma
questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a
longo prazo.
O desafio é grande, mas não impossível.
Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas
adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da
sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e
precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado
ao nosso.
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What Are Pollinator-Friendly Farming Practices? - Future Food Solutions.
Referências de Imagens não autorais
Abelha no néctar da flor amarela
Foto de Pixabay. Disponível em:
Joaninha sobre flor amarela
Foto de József Szabó, disponível em:
Beija-flor voando sobre flor
Foto de Richard Sagredo, disponível em:
Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:
Apicultor com abelhas
Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:
Desmatamento – toco de árvore
Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:
Abelhas mortas por pesticidas
Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em:
Planta conhecida popularmente como Palma-do-campo, entretanto seu nome científico é Chamaecrista duckeana (P.Bezerra & Afr.Fern.) H.S.Irwin &Barneby.
Espécie subarbustiva que pode atingir até 1 m de altura. Seu caule é uma haste pilosa,com casca estriada, verde e lisa; sua folha é composta, alterna e membranácea e a inflorescência é do tipo racemo axilar, com 4 flores apresentando 3 estames. Floresce durante a estação chuvosa,sendo suas
flores de tamanho médio, amarelas com manchas avermelhadas e possuem
anteras poricidas. O pólen é único recurso disponível para os visitantes florais.
Somente algumas espécies de abelhas adaptadas à realização de vibração coletam pólen
de anteras poricidas. Seus principais visitantes florais são as abelhas sem
ferrão do gênero Melipona, as abelhas do gênero Xylocopa (mamangavas-de-toco) e
as abelhas do gênero Bombus (mamangavas-de-chão). Sendo assim, essa planta é muito importante para
a manutenção e conservação das abelhas nativas e pode ser utilizada em jardins de flora
melífera. Essa espécie possui fruto do tipo legume com 5–6 cm de comprimento que tem de 18 a 22 sementes, subquadrangulares; plúmula diferenciada em eófilos. Sua ocorrência está restrita ao Bioma Caatinga,sendo uma espécie endêmica da região nordeste (Souza; Bortoluzzi, 2013).
Esse registro fotográfico foi feito durante uma trilha na Serra do Cuó, em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte, em 29 de junho de 2013. Nessa área a vegetação típica é a Caatinga, o espécime da foto foi registrada em afloramento rochoso no alto da Serra.
Referências
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas: visitadas por abelhas na Caatinga.
1. ed. Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.
Elisabeth CórdulaI& Marli Pires MorimI& Marccus Alves.
Morfologia de frutos e sementes de Fabaceae ocorrentes em uma área prioritária
para a conservação da Caatinga em Pernambuco, Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S217578602014000200012&script=sci_arttext Acesso em 26 de novembro de 2014.
Abelha conhecida popularmente como Arapuá, Irapuá, Arapuã, Enrola-cabelo, Torce-cabelo, Abelha-de-cachorro, Xupé-pequeno, entretanto seu nome científico é único,Trigona spinipes (Fabricius, 1793). Pertence a família Apidae e a subfamília dos meliponíneos, sendo portanto uma abelha social sem ferrão.
T. spinipes apresenta cor predominantemente negra reluzente e atinge cerca de 8 mm de comprimento. Essa espécie forma colônia composta por operárias,zangões e rainhas(apenas uma se reproduz), sendo constituída por até 10.000 indivíduos, ás vezes até mais. Apesar de não ter ferrão, são consideradas agressivas, podendo se defender se enroscando no cabelo ou pelos de intrusos ou predadores,penetrar em orifícios(ouvido e narinas) e também atacam outras espécies de abelhas sem ferrão quando tentam invadir a colmeia destas procurando alimento. Além disso, podem causar danos a algumas culturas de plantas frutíferas devido ao hábito de cortar flores e folhas que servem de matéria prima na construção de seus ninhos e ainda podem furar botões florais prejudicando a floração e consequentemente a frutificação. Entretanto participam do processo de polinização de várias espécies vegetais importantes para a alimentação humana, como abóbora (Curcubita moschata), caju (Anacardium occidentale), girassol (Helianthus annuus), laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus), pitanga (Eugenia uniflora), tamarindo (Tamarindus indica), entre outras.
Constroem ninhos externos em galhos de arbustos ou árvores, sendo de formato globoso ou ovalado marrom com cerca de 50cm de diâmetro. Utiliza como matéria prima para confeção destes uma mistura de resina vegetal, outras partes vegetais, excrementos e barro. A entrada do ninho é relativamente grande e oval e em seu interior armazenam mel que do ponto de vista humano não é de boa qualidade, mas mesmo assim ainda há quem se interesse por ele, acreditando que o mesmo apresenta propriedades medicinais.
Ela ocorre em grande parte do território brasileiro desde o Ceará até o Rio Grande do Sul e também tem registros da mesma no Paraguai e Província de Missiones (Argentina).
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie de abelha em todas as mesorregiões potiguares, sendo encontrada principalmente no interior de fragmentos florestais.
Referências
Co-editor: Ministério do Meio Ambiente – Brasil. Guia Ilustrado de Abelhas Polinizadoras no Brasil. São Paulo, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2014.
Nogueira-Neto, Paulo. Vida e Criação de Abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Editora Nogueirapis, 1997.
Oilton J. D. Macieira; Edson A. Proni.Influência
da temperatura na taxa respiratória de abelhas forrageiras Trigona
spinipes (Fabricius) (Hymenoptera, Apidae, Meliponinae) durante períodos
de verão e inverno.
Viviane C. Pires ... [et al.]. Abelhas
em áreas de cultivo de algodoeiro no Brasil. Brasília, DF : Embrapa, 2014.
Planta conhecida popularmente como Poaia-rasteira,Poaia-da-praia, Poaia-rósea,Asa-de-pato, Ipeca-mirim ou simplesmente Poaia. Entretanto para a ciência seu nome científico é único, ela foi denominada Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. Pertence a família Rubiaceae,da qual também fazem parte por exemplo o Café Coffea arabica L. e o genipapo Genipa americana L.
Erva de pequeno porte,rasteira,anual,que se desenvolve em áreas abertas com solos arenosos, formando tapetes sobre o solo,o que constitui grandes populações. Ocorre em todo Brasil, podendo ser encontrada inclusive em áreas com lavouras e pastagens e em áreas ocupadas com fruticultura, a exemplo dos cultivos de goiaba. Sendo registrada nos seguintes Biomas brasileiros:Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Floresce na estação chuvosa e sua propagação ocorre por meio de sementes.
Suas flores tubulares, com pétalas de cor lilás produzem néctar que atraem uma imensa variedade de insetos como vespas, moscas,besouros, borboletas e abelhas. Essa planta desempenha um papel fundamental na manutenção e na conservação das espécies de abelhas nativas,mas também fornece alimento para as abelhas introduzidas como as abelhas europeias. É utilizada na medicina popular e tem seu valor ornamental, sendo excepcionalmente cultivada. Hospedeira da mosca-branca Bemisia tabaci raça B, que transmite begomoviroses para as culturas do tomate e repolho.
Apresenta caule prostrado com ramos ascendentes, recoberto por pilosidade branca e densa, coloração verde e contorno quadrangular com os ângulos em linha acentuada, em tom avermelhado. Folhas simples,opostas cruzadas, pubescentes, curtamente pecioladas ou sésseis e providas de estípulas interpeciolares ramificadas em pelos avermelhados. Limbo carnoso em formato lanceolado, com as margens inteiras. Inflorescência terminal do tipo glomérulo, assentado sobre 4 brácteas foliáceas e anisofilas, ou seja,diferentes entre si no tamanho. Flores sésseis com cálice de 6 sépalas soldadas, corola com 6 pétalas brancas ou róseas também soldadas, formando um tubo que se alarga em direção ao ápice. Androceu com estames de filetes e anteras brancas e gineceu com um estilete contendo no ápice 3 estigmas globosos, também de coloração branca. Fruto do tipo esquizocarpo com 3 cocas. Diferencia-se das demais espécies do gênero pelo tamanho da flor, como revela o próprio epíteto específico.
Referências
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas : visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. -- Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.
Moreira, Henrique José da Costa&Bragança,Horlandezan Belirdes Nippes. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
Det.: J. Jardim, set.2013