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sábado, 3 de janeiro de 2015

Abelha Jandaíra Melipona subnitida Ducke (1910); Fauna do RN


   Abelha indígena sem ferrão(meliponíneo) conhecida popularmente como Jandaíra, entretanto seu nome científico é Melipona subnitida Ducke (1910). Inseto social nativo da região Nordeste do Brasil, a Jandaíra(Melipona subnitida) pertence a superfamília Apoidea, família Apidae, subfamília Meliponinae e a tribo Meliponini, de onde deriva o nome "meliponíneos", que são as abelhas  caracterizadas por apresentarem um ferrão atrofiado que não serve para defesa; daí surgiu a expressão "abelha sem ferrão" (Keer et al., 1996).
   De maneira geral as abelhas do gênero Melipona, como a Jandaíra apresentam alto nível de organização social  com sobreposição de castas, tendo cada grupo de abelhas responsabilidade por um tipo de atividade dentro da colmeia,sendo a rainha responsável pela postura dos ovos e pela organização social do ninho,os zangões têm como função principal realizar a fecundação da rainha virgem, as abelhas operárias são encarregadas pela maioria das atividades, o que depende, dentre outros fatores, da idade e das necessidades da colmeia(Nogueira-Neto, 1997;Villas-Bôas, 2012). A determinação da casta é genético-alimentar (Kerr et al., 1950; Kerr et al., 1966).
   Suas células de cria são de tamanhos iguais, ou seja, as células da rainha, machos e fêmeas são indiferenciadas. "Seus ninhos são dispostos em placas concêntricas empilhadas na vertical, compostas de favos circulares constituídas por cerume (mistura de cera com resina vegetal), organizados basicamente em células de cria e potes de alimentos. Os potes de alimento são, em sua maioria, construídos na forma ovoide, armazenando separadamente mel e pólen. A entrada é quase sempre no centro, construída basicamente de geoprópolis (argila e resinas vegetais), barro ou cera, apresentando-se de diversas formas conforme a espécie de abelha(Nogueira-Neto,1997; Villas-Bôas, 2012)." Elas constroem seus ninhos geralmente no interior de cavidades(ocos) de árvores nativas típicas do Bioma Caatinga, utilizando principalmente a Imburana(Commiphora leptophloeos) e a  Catingueira(Caesalpinia bracteosa)  para moradia.
   "O ciclo de vida das Melipona gira em torno de seis dias para ovo, 12 dias para larva e 24 dias para pupa, totalizando 42 dias até a emergência do adulto (Bruening, 2006). As abelha operárias e os zangões alcançam uma expectativa de vida por volta de 90 dias, e as rainhas, entre quatro e cinco anos(Bruening, 2006). Como insetos da ordem Hymenoptera, o sistema de determinação do sexo nos meliponíneos é haplodiploide, sendo que a maior parte das espécies apresenta fêmeas com células diploide, com 2n = 18 (oriundas de ovos fecundados), e os machos apresentam células haploide, com n = 9 (oriundos de ovos não fecundados).(Tavares et al., 2010; Francini et al., 2011; Tavares et al., 2012)."
   Como essas abelhas dependem diretamente das árvores para viver são sensíveis a alterações no meio ambiente, como a destruição da vegetação, o uso de agrotóxicos e o extrativismo dos meleiros, tornando-as ameaçadas  com o avanço do desmatamento nas Caatingas, gerando outros impactos negativos como por exemplo a diminuição da produção agrícola que envolvam plantas polinizadas por elas, sendo elas responsáveis pela maior parte da polinização das plantas nativas. Além disso, a abelha Jandaíra em especial, tem como principais produtos de interesse comercial o mel, que tem alto valor comercial e de ótima qualidade (sabor, cheiro, cor, nutricional, terapêutico, etc.), sendo bastante apreciado pelas populações nativas (Vilela & Pereira, 2002).
   Sendo assim, percebe-se que a Apicultura e Meliponicultura são atividades sustentáveis, já que envolve os aspectos sociais,econômicos e ambientais, através do envolvimento da população nativa, os criadores das abelhas que aumentam sua renda familiar com a venda de produtos gerados por elas, em especial o mel, e contribuem para o reflorestamento por meio do plantio de árvores nativas onde as abelhas nidificam, além da polinização das plantas também realizadas por elas, contribuindo assim para a conservação das abelhas e da manutenção do Bioma Caatinga, respectivamente.
   Ainda pode ser encontrada em habitat natural nas Caatingas do Semi-árido nordestino nos estados do Rio Grande do Norte,Pernambuco,Paraíba e Ceará. No entanto é cada vez mais raro encontrar colônias silvestres desta espécie na natureza, por causa de um conjunto de fatores, como o extrativismo predatório, o desmatamento e a expansão da abelha africanizada.

Referências

Crédito da foto: Jerônimo Villas-boas/ISPN. hospedada em:  http://www.cerratinga.org.br/abelhas-nativas/

Daniel Santiago Pereira, Paulo Roberto Menezes, Valdemar Belchior Filho, Adalberto Hipólito de Sousa, Patrício Borges Maracajá. ABELHAS INDÍGENAS CRIADAS NO RIO GRANDE DO NORTE. Acta Veterinaria Brasilica, v.5, n.1, p.81-91, 2011.

Daniel Santiago Pereira, Priscila Vanúbia Queiroz Medeiros, Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra, Adalberto Hipólito de Sousa, Paulo Roberto Menezes. ABELHAS NATIVAS ENCONTRADAS EM MELIPONÁRIOS NO OESTE POTIGUAR-RN E PROPOSIÇÕES DE SEU DESAPARECIMENTO NA NATUREZA. Revista Verde (Mossoró – RN – Brasil) v.1, n.2, p. 54-65 julho/dezembro de 2006

Geice Ribeiro da Silva, Fábia de Mello Pereira, Bruno de Almeida Souza, Maria Teresa do Rego Lopes,José Elivalto Guimarães Campelo, Fábio Mendonça Diniz. Aspectos bioecológicos e genético-comportamentais envolvidos na conservação da abelha Jandaíra, Melipona subnitida Ducke (Apidae, Meliponini), e o uso de ferramentas moleculares nos estudos de diversidade. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.81, n.3, p. 299-308, 2014.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Abelha Apis mellifera Linnaeus, 1758

 
   A abelha Apis mellifera (Linnaeus, 1758) é um inseto hymenoptera pertencente a família Apidae. É a única espécie dessa família no Brasil, sendo exótica introduzida nesse país em 1839 pelo Padre Antonio Carneiro, em colônias vindas do Porto, em Portugal com o objetivo principal de proporcionar a produção do mel para o consumo humano.
   Com a introdução da abelha africana Apis mellifera scutellata no país em 1956 e a perca do controle de alguns enxames desta, houve o cruzamento dela com as subespécies européias:  a italiana Apis mellifera ligustica,a alemã Apis mellifera mellifera e  e a austríaca Apis mellifera carnica que foram introduzidas no Brasil no século XIX. A partir desses cruzamentos iniciais surgiram as populações polí-hibridas conhecidas como africanizadas, devido ao predomínio de características da subespécie africana(Kerr, 1967). 
   Alimentam-se de água, néctar e pólen das flores de diversas espécies de plantas(alimento coletado pelas operárias), sendo considerada por isso generalista em relação a sua dieta e útil como polinizadora de diversas espécies cultivadas, tais como melão, maçã, café, etc. Mas também forrageiam em busca de nutrientes em outras fontes alimentares, como: caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de açúcar, goma de mandioca, vagem de algaroba, farelo de soja, entre outros.
   É uma espécie eussocial ou seja apresentam por exemplo, a cooperação na construção do ninho, divisão do trabalho e 3 castas de indivíduos: rainha(fêmea reprodutiva, função exclusiva de colocar ovos), operárias(fêmeas que não se reproduzem) e zangões(macho que tem apenas a função principal de fecundar a fêmea).  Todas essas castas passam por 4 fases (ovo/  larva/ pupa/ adulto) para atingir a forma adulta. As operárias atingem aproximadamente 1cm de comprimento, enquanto que as rainhas(uma por comunidade) e os zangões são um pouco maiores. São consideradas insetos peçonhentos, pois as fêmeas possuem o ferrão, órgão de defesa encontrado no final do abdome que tem associado uma pequena bolsa com veneno sendo acionado através de músculos quando necessário, sendo consideradas muito agressivas quando molestadas.
    "Elas constroem seus ninhos preferencialmente em cavidades grandes, como ocos de árvores, cupinzeiros abandonados e cavidades em estruturas construídas pelo homem, como postes e telhados. Podem, também, fazer ninhos expostos sob galhos de árvores ou em saliências externas em troncos, paredões de pedra, etc. Suas células são organizadas em favos verticais e são usadas tanto para postura de ovos, quanto para armazenamento de alimento (mel e pólen). Armazenam grandes quantidades de mel, que é utilizado comercialmente (PIRES,V. C et al.,2014)." Suas colmeias podem ter mais de 50.000 indivíduos.
     Apresenta ampla distribuição geográfica devido a sua introdução em várias partes do mundo, ocorrendo em todos os estados brasileiros tanto em ecossistemas naturais como em ecossistemas urbanos ou antropizados, entretanto é menos frequente em ambientes bem preservados. Habita as florestas tropicais, savanas, deserto, regiões litorâneas e montanhosas.
    Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado com muita frequência colmeias dessa abelha em ambientes antropizados e em áreas com vegetação secundária de transição entre Mata Atlântica e Caatinga no interior do estado, principalmente na mesorregião Agreste do estado. Ainda é comum em municípios interioranos a cultura da retirada do mel de maneira artesanal fazendo uso da fumaça para "forçar o abandono do ninho por parte das abelhas" facilitando a extração do mel dos favos produzidos pelas abelhas. Entretanto, o risco dessas pessoas que realizam essa atividade rudimentar é grande, pois as abelhas se defendem tentando ferroar aqueles que estão gerando aquela fumaça, e se estiver alguém alérgico  envolvido poderá sofre graves consequências se não procurar atendimento médico. Entretanto é importante lembrar que a atividade de remoção de enxames de abelhas deve ser feita por pessoas especializadas, que realizam a retirada delas de áreas de risco para as populações do entorno, e geralmente fazem o translocamento para áreas propícias onde as abelhas possam viver naturalmente.

    Dica de leitura: O Fenômeno das Abelhas do autor Jürg TautzUma leitura obrigatória para todos aqueles que desejam compreender a fascinante biologia das abelhas, seu papel crucial no meio ambiente e a importância de sua preservação para o futuro da humanidade. Adquira com desconto especial no link: https://amzn.to/3xMmxdK 

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BIBLIOGRAFIA
Juliana Mistroni RAMOS e Naiara Cristina de CARVALHO. ESTUDO MORFOLÓGICO E BIOLÓGICO DAS FASES DE DESENVOLVIMENTO DE Apis mellifera. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/h4KxXMNL19aDCab_2013-4-26-15-37-3.pdf Acesso em 28 de agosto de 2015.

Luiz Carlos MINUSSI, Isabel ALVES-DOS-SANTOS. ABELHAS NATIVAS VERSUS Apis mellifera LINNAEUS, ESPÉCIE EXÓTICA (Hymenoptera: Apidae) Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/viewFile/6806/4498 Acesso em 28 de agosto de 2015.
Nogueira-Neto, Paulo. Vida e Criação de Abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Editora Nogueirapis, 1997.

Viviane C. Pires [et al.]. Abelhas em áreas de cultivo de algodoeiro no Brasil. Brasília, DF : Embrapa, 2014.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Chanana(Turnera subulata) a flor símbolo da cidade do Natal

Flor-do-guaruja, Onze-horas, Boa-noite Turnera subulata

Xanana- flor símbolo da cidade do Natal.

 Planta conhecida popularmente como Chanana,Xanana, Flor-do-guaruja, Onze-horas, Boa-noite, entretanto seu nome científico é único, Turnera subulata Sm. Pertence a família Turneraceae, a mesma da espécie Piriqueta guianensis. Espécie herbácea que pode atingir cerca de 1m de altura, apresenta folhas simples e alternas, flores solitárias com pétalas de maneira geral branco-amareladas com base castanha-escura; fruto do tipo cápsula. Floresce e frutifica durante o ano inteiro. Em 17 de janeiro de 2002, a "Xanana" tornou-se oficialmente a flor símbolo da cidade do Natal através da lei municipal número 05350/2. "No mundo agitado em que vivemos, poucas pessoas param para apreciar a beleza da flor da chanana que surge em todos os cantos."

Importância da chanana(Turnera subulata) 

   A chanana(Turnera subulata) apresenta por exemplo importância ornamental, ecológica e médica. Como floresce o ano inteiro possui grande valor ornamental, sendo portanto incentivada seu cultivo em jardins atraindo diversos animais, principalmente abelhas nativas e algumas borboletas, destacando-se assim a importância ambiental através das relações ecológicas. De acordo com a medicina popular a chanana é citada na literatura no tratamento de inflamações em geral, tumores, febre, amenorréias e dismenorréias.

Visitantes florais da chanana(Turnera subulata) 

  As flores da chanana(Turnera subulata) atraem vários animais do grupo dos insetos, principalmente abelhas e borboletas, mas também besouros.
chanana visitada por inseto
Esperança na flor da chanana

Alguns exemplos de abelhas nativas "sem ferrão" que visitam as flores dessa espécie são: mosquito(Plebeia flavocinta), arapuá(Trigona spinipes), amarela(Frieseomelitta doederleinii),Centris aenea, Centris flavifrons, Centris leprieuri, Eulaema nigrita, as abelhas solitárias das espécies Protomeliturga turnerae e Psaenythia variabilis. Já foi registrado inclusive machos de abelhas solitárias dormindo dentro da flor. A abelha africanizada(Apis melliferatambém visita a Chanana.
Turnera subulata com abelha arupuá
Além das abelhas, podemos citar algumas espécies de borboletas que visitam as pétalas da chanana, a saber: Urbanus sp.Nisoniades macarius e Euptoieta hegesia.
Turnera subulata e borboleta Euptoieta hegesia

Ocorrência e distribuição geográfica de chanana(Turnera subulata) 

   A chanana(Turnera subulata) é espécie nativa e perene típica de áreas abertas, sendo frequente por exemplo nas margens de estradas, terrenos baldios e também como invasora de culturas. Apresenta distribuição geográfica neotropical, sendo encontrada na América Central, Caribe e América do Sul. No Brasil ocorre nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, sendo encontrada nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie em todas mesorregiões do estado, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.

Referências
Barbosa, Danila de Araújo; Silva,Kiriaki Nurit; Agra, Maria de Fátima.  Estudo farmacobotânico comparativo de folhas de Turnera chamaedrifolia Cambess. e Turnera subulata Sm. (Turneraceae). Rev. bras. farmacogn. vol.17 no.3 João Pessoa July/Sept. 2007.

Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas: visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.

Gouveia, A.L.A.; Silva, T.R.P.M.; Silva, N.M.B; Magnata, S.S.L.P. Análise da atividade cicatrizante da Turnera subulata. Resumos Expandidos do I CONICBIO / II CONABIO / VI SIMCBIO (v.2) Universidade Católica de Pernambuco - Recife - PE - Brasil - 11 a 14 de novembro de 2013. 

Mesquita, Norma Ferreira. Uso medicinal de plantas espontâneas presentes em área de cultivo agrícola. Trabalho de conclusão de curso. Chapadinha-MA,2018.

Oliveira ,Gleison Soares de & Santos ,Carlos Alberto Garcia. Visitantes florais de Turnera subulata SM. (Passifloraceae) no município de Cuité, Paraíba. EDUCAÇÃO CIÊNCIA E SAÚDE, v. 3, n. 2, Jul a Dez de 2016.

Organizadores Reinaldo Farias Paiva de Lucena, Camila Marques de Lucena, Thamires Kelly Nunes Carvalho, Ezequiel Costa Ferreira. Plantas e animais medicinais da Paraíba: um olhar da etnobiologia e etnoecologia. Cabedelo, PB: Editora IESP, 2018.

Turnera in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB21354>. Acesso em: 17 Jan. 2020.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Como os polinizadores garantem o futuro de nossos ecossistemas e agricultura?

Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a Produção de Alimentos

Ilustração da polinização mostrando as partes da flor:estigma, óvario e óvulo.
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...

          A polinização consiste no transporte de grãos de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores, constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina na produção de frutos e sementes. Este processo representa um serviço ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016; Costanza et al. 2017). 

O valor econômico global dos serviços de polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016). Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados de 2018 (Freitas et al.,2023). 

A reprodução da maioria das espécies vegetais, tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas), lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves, quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007). O desaparecimento das abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas inteiros e ameaçando a subsistência humana.

A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um Espetáculo Natural

Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.

Quando percorremos as paisagens do Rio Grande do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas, beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar – ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da agricultura. 

O Rio Grande do Norte está inserido numa das regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação. 

Sabe-se que diversas espécies polinizadoras — ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).

beija-flores como aves polinizadoras da fauna potiguar
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores

No grupo das aves, os beija-flores são os principais agentes polinizadores. Entre eles, destacam-se em nossa fauna: Chionomesa fimbriata (beija-flor-de-garganta-verde), Chrysolampis mosquitos (beija-flor-vermelho), Eupetomena macroura (beija-flor-tesoura)Chlorostilbon lucidus (besourinho-de-bico-vermelho), este último considerado o principal polinizador do coroa-de-frade (Melocactus zehntneri).

Entre os invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica), melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de interesse econômico.

Abelhas Apis desempenhando papel de polinizadores na fauna potiguar
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização

A abelha jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula, entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus), laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha (Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata), caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea), entre outras espécies.

abelhas nativas do brasil como polinizadores essenciais para a biodiversidade
Abelhas nativas participando da polinização

Além das abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores, sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae, além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.

besouros atuando como polinizadores na fauna do RN
besouros com potencial de polinização visitando flores 

Outro grupo relevante é o dos lepidópteros (borboletas e mariposas), que também contribuem para a polinização. Algumas espécies notáveis incluem: Heraclides thoas brasiliensis (borboleta caixão-de-defunto)Phoebis sennae (borboleta-amarela)AsciamonusteEurema elatheaHeliconius ethilla narcaea (borboleta maria-boba)Heliconius erato phyllis (borboleta castanha-vermelha)Parides sp., entre outras.

borboletas e mariposas atuam como polinizadores e contribuem para a biodiversidade
Exemplos de Borboletas que ajudam a manter a biodiversidade ao transportar pólen entre flores

Por fim, vespas sociais e solitárias também são visitantes florais e potenciais polinizadores. Entre os marimbondos com esse papel, destacam-se Polistes canadensis (marimbondo-caboclo)Polybia occidentalis occidentalis (marimbondo-fura-olho).

O Papel Fundamental dos Polinizadores: Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade

Os polinizadores desempenham um papel vital na manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto para a vida selvagem quanto para a dieta humana.

As contribuições ecológicas dos polinizadores vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para sobreviver.

Uma única espécie de abelha pode polinizar diversas espécies de vegetais
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.

Talvez mais importante ainda seja sua contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes, aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa função se torna ainda mais crítica.

Em termos de produção de alimentos, os polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente 35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento floral.

Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.

Os números da economia dos polinizadores são impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por abelhas.

Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.

Apicultura contribui para polinização de culturas agrícolas
Apicultura contribui para polinização de plantas da região

A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.

Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças Imediatas

Agora chegamos em ponto crítico e preocupante: ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de regiões temperadas.

As avaliações de conservação são urgentes não apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo. Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.

Infelizmente, as populações de polinizadores no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que dependem da polinização natural para suas colheitas.

desmatamento afeta aos animais polinizadores
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.

A urbanização, a expansão agrícola e o desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores. À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.

O uso de pesticidas, particularmente neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.

Abelha morta por excesso de pesticidas neonicotinóides
Abelha morta

As mudanças climáticas afetam significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores sem fontes de alimento quando emergem.

Além disso, o aumento das temperaturas está ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte. Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste brasileiro.

Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas, enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de habitat e exposição a pesticidas.

Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para Garantir o Futuro

O declínio das populações de polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.

Biodiversidade do Bioma Caatinga do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.

Além das ações legislativas, há uma forte ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local, contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo, programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas, contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.

Através desses esforços conjuntos de conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a longo prazo.

O desafio é grande, mas não impossível. Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado ao nosso.

Referências

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  Co-editor: Ministério do Meio Ambiente – Brasil. Guia Ilustrado de Abelhas Polinizadoras no Brasil. São Paulo, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2014.

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  FERREIRA RAMOS, Rodrigo; BELLÉ, Cristiano; DAHMER, Jonas; PINHEIRO, Mardiore. The role of pollinators in agriculture. Revista Cultivar. Disponível em: The role of pollinators in agriculture - Revista Cultivar

  FRITSCHER, Justin. Farmers Can ‘Bee’ a Friend to Pollinators. NRCS. Disponível em: Farmers Can ‘Bee’ a Friend to Pollinators | Farmers.gov

 FREITAS, L. et al. Intensificação da polinização como oportunidade para agricultura sustentável no Brasil. Sinbiose/CNPq, 2023. Disponível em: http://www.sinbiose.cnpq.br

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  JAFFÉ, R. et al. Bees for Development: Brazilian Survey Reveals How to Optimize Stingless Beekeeping. PLoS ONE, v. 10, n. 3, e0121157, 2015. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0121157

  KLEIN, A.-M.; VAISSIERE, B. E.; CANE, J. H. et al. Importance of pollinators in changing landscapes for world crops. Proc R Soc B Biol Sci, v. 274, p. 303–313, 2007. doi: 10.1098/rspb.2006.3721

  MAIA, Artur Campos Dália; CARVALHO, Airton Torres; PAULINO-NETO, Hipólito Ferreira; SCHLINDWEIN, Clemens. Besouros (Insecta, Coleoptera) como polinizadores no Brasil: perspectivas no uso sustentado e conservação na polinização. Polinizadores no Brasil. Universidade de São Paulo. Disponível em: http://myrtus.uspnet.usp.br/statuspolin/7.html. . Acesso em: 13 ago. 2025.

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  SILVA, J. M.; SOUZA, R. A.; PEREIRA, L. F. et al. Pollination services in tropical agroecosystems: A review of ecological drivers and management strategies. Journal of Applied Entomology, v. 148, n. 5, p. 321–334, 2023. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1617138123001942. . Acesso em: 13 ago. 2025.

  SUSTAINABLE AGRICULTURE NETWORK. The Importance of Pollinators in Sustainable Agriculture. Disponível em: The Importance of Pollinators in Sustainable Agriculture

  U.S. FISH & WILDLIFE SERVICE. Pollinators benefit agriculture. Disponível em: Pollinators benefit agriculture | U.S. Fish & Wildlife Service

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  VANCOUVER BEE PROJECT. Saving America's Pollinators Act of 2023: A Bold Step to Protect Bees and Other Pollinators. Disponível em: Saving America's Pollinators Act of 2023: A Bold Step to Protect Bees and Other Pollinators — Vancouver Bee Project

 WILLOWS, M. et al. Relatório temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil. BPBES/REBIPP, 1ª ed., São Carlos, SP: Editora Cubo, 2019. 184 p.

  WILL. What Are Pollinator-Friendly Farming Practices? Future Food Solutions. Disponível em: What Are Pollinator-Friendly Farming Practices? - Future Food Solutions.

Referências de Imagens não autorais

  • Abelha no néctar da flor amarela Foto de Pixabay. Disponível em:

  • Joaninha sobre flor amarela Foto de József Szabó, disponível em:

  • Beija-flor voando sobre flor Foto de Richard Sagredo, disponível em:

  • Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:

  • Apicultor com abelhas Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:

  • Desmatamento – toco de árvore Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:

  • Abelhas mortas por pesticidas Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em:

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Palma do Campo Chamaecrista duckeana; Flora do RN

   Planta conhecida popularmente como Palma-do-campo, entretanto seu nome científico é Chamaecrista duckeana (P.Bezerra & Afr.Fern.) H.S.Irwin &Barneby.
   Espécie subarbustiva que pode atingir até 1 m de altura. Seu caule é uma haste pilosa,com casca estriada, verde e lisa; sua folha é composta, alterna e membranácea e a inflorescência é do tipo racemo axilar, com 4 flores apresentando 3 estames. Floresce durante a estação chuvosa,sendo suas flores de tamanho médio, amarelas com manchas avermelhadas e possuem anteras poricidas. O pólen é único recurso disponível para os visitantes florais. Somente algumas espécies de abelhas adaptadas à realização de vibração coletam pólen de anteras poricidas. Seus principais visitantes florais são as abelhas sem ferrão do gênero Melipona, as abelhas do gênero Xylocopa (mamangavas-de-toco) e as abelhas do gênero Bombus (mamangavas-de-chão). Sendo assim, essa planta é muito importante para a manutenção e conservação das abelhas nativas e pode ser utilizada em jardins de flora melífera. Essa espécie possui fruto do tipo legume com 5–6 cm de comprimento que tem de 18 a 22 sementes, subquadrangulares; plúmula diferenciada em eófilos. Sua ocorrência está restrita ao Bioma Caatinga,sendo uma espécie endêmica da região nordeste (Souza; Bortoluzzi, 2013).
   Esse registro fotográfico foi feito durante uma trilha na Serra do Cuó, em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte, em 29 de junho de 2013. Nessa área a vegetação típica é a Caatinga, o espécime da foto foi registrada em afloramento rochoso no alto da Serra.

Referências

Camila Maia-Silva...[et al.].  Guia de plantas: visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.

Chamaecrista duckeana. Disponível em: http://biogeo.inct.florabrasil.net/oc/176937 Acesso em 26 de novembro de 2014.

Det.: J. Jardim, set.2013.

Elisabeth CórdulaI& Marli Pires MorimI& Marccus Alves. Morfologia de frutos e sementes de Fabaceae ocorrentes em uma área prioritária para a conservação da Caatinga em Pernambuco, Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S217578602014000200012&script=sci_arttext Acesso em 26 de novembro de 2014.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Abelha Arapuá Trigona spinipes (Fabricius, 1793)

  Abelha conhecida popularmente como Arapuá, Irapuá, Arapuã, Enrola-cabelo, Torce-cabelo, Abelha-de-cachorro, Xupé-pequeno, entretanto seu nome científico é único,Trigona spinipes (Fabricius, 1793). Pertence a família Apidae e a subfamília dos meliponíneos, sendo portanto uma abelha social sem ferrão. 
   T. spinipes apresenta cor predominantemente negra reluzente e atinge cerca de 8 mm de comprimento. Essa espécie forma colônia composta por operárias,zangões e rainhas(apenas uma se reproduz), sendo constituída por até 10.000 indivíduos, ás vezes até mais. Apesar de não ter ferrão, são consideradas agressivas, podendo se defender se enroscando no cabelo ou pelos de intrusos ou predadores,penetrar em orifícios(ouvido e narinas) e também atacam outras espécies de abelhas sem ferrão quando tentam invadir a colmeia destas procurando alimento. Além disso, podem causar danos a algumas culturas de plantas frutíferas devido ao hábito de cortar flores e folhas que servem de matéria prima na construção de seus ninhos e ainda podem furar botões florais prejudicando a floração e consequentemente a frutificação. Entretanto participam do processo de polinização de várias espécies vegetais importantes para a alimentação humana, como abóbora (Curcubita moschata), caju (Anacardium occidentale), girassol (Helianthus annuus), laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus), pitanga (Eugenia uniflora), tamarindo (Tamarindus indica), entre outras.
    Constroem ninhos externos em galhos de arbustos ou árvores, sendo de formato globoso ou ovalado marrom com cerca de 50cm de diâmetro. Utiliza como matéria prima para confeção destes uma mistura de resina vegetal, outras partes vegetais, excrementos e barro. A entrada do ninho é relativamente grande e oval e em seu interior armazenam mel que do ponto de vista humano não é de boa qualidade, mas mesmo assim ainda há quem se interesse por ele, acreditando que o mesmo apresenta propriedades medicinais.
    Ela ocorre em grande parte do território brasileiro desde o Ceará até o Rio Grande do Sul e também tem registros da mesma no Paraguai e Província de Missiones (Argentina). 
     Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie de abelha em todas as mesorregiões potiguares, sendo encontrada principalmente no interior de fragmentos florestais.

Referências

Co-editor: Ministério do Meio Ambiente – Brasil. Guia Ilustrado de Abelhas Polinizadoras no Brasil. São Paulo, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2014.

Nogueira-Neto, Paulo. Vida e Criação de Abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Editora Nogueirapis, 1997.

Oilton J. D. Macieira; Edson A. Proni. Influência da temperatura na taxa respiratória de abelhas forrageiras Trigona spinipes (Fabricius) (Hymenoptera, Apidae, Meliponinae) durante períodos de verão e inverno.

Viviane C. Pires ... [et al.]. Abelhas em áreas de cultivo de algodoeiro no Brasil. Brasília, DF : Embrapa, 2014.    

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Poaia-rasteira Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. ; Flora do RN

   Planta conhecida popularmente como Poaia-rasteira,Poaia-da-praia, Poaia-rósea,Asa-de-pato, Ipeca-mirim ou simplesmente Poaia. Entretanto para a ciência seu nome científico é único, ela foi denominada Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. Pertence a família Rubiaceae,da qual também fazem parte por exemplo o Café Coffea arabica L. e o genipapo Genipa americana L.
   Erva de pequeno porte,rasteira,anual,que se desenvolve em áreas abertas com solos arenosos, formando tapetes sobre o solo,o que constitui grandes populações. Ocorre em todo Brasil, podendo ser encontrada inclusive em áreas com lavouras e pastagens e em áreas ocupadas com fruticultura, a exemplo dos cultivos de goiaba. Sendo registrada nos seguintes Biomas brasileiros:Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Floresce na estação chuvosa e sua propagação ocorre por meio de sementes.
   Suas flores tubulares, com pétalas de cor lilás produzem néctar que atraem uma imensa variedade de insetos como vespas, moscas,besouros, borboletas e abelhas. Essa planta desempenha um papel fundamental na manutenção e na conservação das espécies de abelhas nativas,mas também fornece alimento para as abelhas introduzidas como as abelhas europeias. É utilizada na medicina popular e tem seu valor ornamental, sendo excepcionalmente cultivada. Hospedeira da mosca-branca Bemisia tabaci raça B, que transmite begomoviroses para as culturas do tomate e repolho. 
    Apresenta caule prostrado com ramos ascendentes, recoberto por pilosidade branca e densa, coloração verde e contorno quadrangular com os ângulos em linha acentuada, em tom avermelhado. Folhas simples,opostas cruzadas, pubescentes, curtamente pecioladas ou sésseis e providas de estípulas interpeciolares ramificadas em pelos avermelhados. Limbo carnoso em formato lanceolado, com as margens inteiras. Inflorescência terminal do tipo glomérulo, assentado sobre 4 brácteas foliáceas e anisofilas, ou seja,diferentes entre si no tamanho. Flores sésseis com cálice de 6 sépalas soldadas, corola com 6 pétalas brancas ou róseas também soldadas, formando um tubo que se alarga em direção ao ápice. Androceu com estames de filetes e anteras brancas e gineceu com um estilete contendo no ápice 3 estigmas globosos, também de coloração branca. Fruto do tipo esquizocarpo com 3 cocas. Diferencia-se das demais espécies do gênero pelo tamanho da flor, como revela o próprio epíteto específico.

Referências
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas : visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. -- Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.
Moreira, Henrique José da Costa&Bragança,Horlandezan Belirdes Nippes. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
Det.: J. Jardim, set.2013