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Aqui compartilho meus registros da fauna e flora do Rio Grande do Norte, resultado de trilhas e expedições pelos diferentes biomas do estado, transformando essa vivência em conhecimento aplicado à educação ambiental.
Besouro conhecido popularmente como serra-pau ou besouro-serrador, a espécie Ctenoscelis coeus (Perty, 1832) pertence à família Cerambycidae e à subfamília Prioninae. Esse grupo inclui espécies impressionantes, como Enoplocerus armillatus (Linnaeus, 1767), Mallodon spinibarbis (Linnaeus, 1758) e o famoso Titanus giganteus (Linnaeus, 1771), considerado o maior besouro do mundo.
O Serra-pau(Ctenoscelis coeus) chama atenção pelo porte robusto e, principalmente, pelas longas antenas que podem ser tão compridas quanto o corpo ou até ultrapassá-lo, especialmente nos machos. Essa é uma característica bastante comum entre os representantes da família Cerambycidae. O exemplar da foto tinha 10cm de comprimento total.
Trata-se de uma espécie nativa, com registros nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia. Sua distribuição no Brasil abrange grande parte do território nacional, com ausência de registros na região Sul. Fora do país, também já foi registrada em áreas da América do Sul, como Guiana e Bolívia.
Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, registrei essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar e Agreste Potiguar, tanto em áreas de Mata Atlântica quanto em zonas de transição (ecótono) entre Mata Atlântica e Caatinga. Curiosamente, nas duas ocasiões em que encontrei esse besouro, os indivíduos já estavam mortos, embora com o corpo intacto.
Apesar de seu tamanho e imponência, quase nada ainda se sabe sobre a biologia de Ctenoscelis coeus (Perty, 1832).
👉“E você, já encontrou um serra-pau por aí? Conta pra gente nos comentários!
Se curte esse tipo de descoberta, segue o blog Fauna e Flora do RN pra não perder os próximos registros.”
Referências
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MONNÉ, Marcela L.; MONNÉ, Miguel A. New species and new records of Cerambycidae (Insecta, Coleoptera) from RPPN Sanctuary of Caraça, Minas Gerais, Brazil. Zootaxa, [S. l.], v. 4319, n. 2, p. 201-262, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.11646/zootaxa.4319.2.1. Acesso em: 31 mar. 2026.
Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a
Produção de Alimentos
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...
A polinização consiste no transporte de grãos
de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores,
constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina naprodução de frutos e sementes. Este processo representa um serviço
ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e
culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios
para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade
genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as
funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado
de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de
conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016;
Costanza et al. 2017).
O valor econômico global dos serviços de
polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção
alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre
US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016).
Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía
diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados
de 2018 (Freitas et al.,2023).
A reprodução da maioria das espécies vegetais,
tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por
animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente
insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas),
lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem
vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves,
quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre
todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior
relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais
culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007).
O desaparecimento das
abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem
polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas
inteiros e ameaçando a subsistência humana.
A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um
Espetáculo Natural
Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.
Quando percorremos as paisagens do Rio Grande
do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata
Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos
polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas,
beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação
ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso
durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar
– ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da
agricultura.
O Rio Grande do Norte está inserido numa das
regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas
vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são
verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles
transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras
potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats
é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes
necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em
proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza
terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente
fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da
Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por
espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando
recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação.
Sabe-se que diversas espécies polinizadoras —
ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os
vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o
morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas
como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus
gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris
vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do
xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores
Entre os
invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com
destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha
papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium
occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica),
melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de
interesse econômico.
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização
A abelha
jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium
guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já
a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea
americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula,
entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de
abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus),
laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e
tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha
(Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata),
caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua
na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema
nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o
maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea),
entre outras espécies.
Abelhas nativas participando da polinização
Além das
abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores,
sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente
visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e
Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de
cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das
famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae,
além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como
polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em
ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.
besouros com potencial de polinização visitando flores
O Papel Fundamental dos Polinizadores:
Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade
Os polinizadores desempenham um papel vital na
manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela
reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para
sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A
presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na
produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto
para a vida selvagem quanto para a dieta humana.
As contribuições ecológicas dos polinizadores
vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do
ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a
sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores
para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas
de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas
de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter
efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que
polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para
sobreviver.
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.
Talvez mais importante ainda seja sua
contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes
garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes,
aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e
resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa
função se torna ainda mais crítica.
Em termos de produção de alimentos, os
polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente
35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes
essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos
mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de
abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos
de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não
está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso
deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento
floral.
Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.
Os números da economia dos polinizadores são
impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda
não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no
Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa
Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma
parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por
abelhas.
Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.
Apicultura contribui para polinização de plantas da região
A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.
Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças
Imediatas
Agora chegamos em ponto crítico e preocupante:
ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas
significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no
RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de
regiões temperadas.
As avaliações de conservação são urgentes não
apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua
de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que
nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as
plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo.
Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio
ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.
Infelizmente, as populações de polinizadores
no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O
declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem
consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que
dependem da polinização natural para suas colheitas.
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.
A urbanização, a expansão agrícola e o
desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores.
À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais
ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as
populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a
disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a
diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.
O uso de pesticidas, particularmente
neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses
produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a
capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas
pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais
suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.
Abelha morta
As mudanças climáticas afetam
significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados
de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da
floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que
impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem
florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores
sem fontes de alimento quando emergem.
Além disso, o aumento das temperaturas está
ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as
populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte.
Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste
brasileiro.
Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças
nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por
exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas,
enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os
recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos
causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para
polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de
habitat e exposição a pesticidas.
Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para
Garantir o Futuro
O declínio das populações de
polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando
a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a
Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível
criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de
pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos
polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de
lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e
específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais
e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem
ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover
práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.
Além das ações legislativas, há uma forte
ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a
criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra
das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para
polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o
desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A
implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a
participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local,
contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na
sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo,
programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos
polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam
oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o
monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o
ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas,
contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas
espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.
Através desses esforços conjuntos de
conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de
coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A
proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma
questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a
longo prazo.
O desafio é grande, mas não impossível.
Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas
adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da
sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e
precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado
ao nosso.
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Foto de Pixabay. Disponível em:
Joaninha sobre flor amarela
Foto de József Szabó, disponível em:
Beija-flor voando sobre flor
Foto de Richard Sagredo, disponível em:
Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:
Apicultor com abelhas
Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:
Desmatamento – toco de árvore
Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:
Abelhas mortas por pesticidas
Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em: