quarta-feira, 6 de maio de 2026

Por que observar aves reduz ansiedade, melhora o cérebro e ainda ajuda o planeta? A ciência explica.

Biólogo e observador de aves fazendo registro de avifauna com binóculo em ambiente de mata.

Existe um momento que muita gente que passarinha (observa aves) descreve com clareza: aquele instante em que você está caminhando por um lugar qualquer, distraído pelos seus próprios pensamentos, e de repente um pássaro pousa a poucos metros de distância. Você congela. Esquece o celular, esquece as tarefas pendentes, é como se o tempo parasse. Por alguns instantes o mundo inteiro cabe naquela visão daquele ser alado. Você fica num tipo de êxtase.

Não é à toa que essa experiência está conquistando o mundo. A observação de aves ou birdwatching (passarinhar, como dizemos no Brasil), cresce vertiginosamente no mundo. Nos Estados Unidos, quase 100 milhões de pessoas se identificam como observadores de aves, segundo dados do U.S. Fish & Wildlife Service.

Mas por trás dessa febre global, a ciência tem buscado responder uma questão simples: o que acontece com as pessoas que param para observar aves?

A resposta é surpreendente o suficiente para você fechar as redes sociais e sair para observar aves hoje mesmo. Dúvida? Então, seguem os 5 principais motivos para observar aves:

1. Sua saúde mental vai agradecer com horas de validade!

Em 2022, pesquisadores do King's College London publicaram um estudo na revista Scientific Reports que acompanhou 1.292 participantes ao longo de mais de três anos, com 26.856 registros de avaliação de humor feitos em tempo real por um aplicativo. O resultado foi inequívoco: encontros cotidianos com aves estavam associados a melhorias duradouras no bem-estar mental.

Montagem fotográfica de biólogo observando aves e fotos em close de sanhaço e beija-flor

Mas o detalhe mais fascinante é a duração desse efeito. Ver ou ouvir aves melhorou o bem-estar das pessoas por até oito horas. E os benefícios foram observados tanto em pessoas com depressão quanto naquelas sem nenhum diagnóstico de saúde mental.

Outro estudo experimental piloto da Universidade Estadual da Carolina do Norte, publicado em 2024 no Journal of Environmental Psychology, testou observação de aves em 112 estudantes universitários que é considerado um grupo de alto risco para problemas de saúde mental. Os resultados confirmaram que o birdwatching reduz o sofrimento psicológico e pode aumentar o bem-estar subjetivo.

2. O seu cérebro muda fisicamente (para melhor) com birdwatching

Passarinhar não apenas faz você se sentir bem, ela pode reestruturar fisicamente o seu cérebro.

Um estudo publicado em fevereiro de 2026 no Journal of Neuroscience, conduzido pelo Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, comparou os cérebros de observadores experientes com os de iniciantes. Em comparação com os iniciantes, observadores experientes apresentaram estrutura cerebral mais compacta nas regiões associadas à atenção e à percepção visual, as áreas frontoparietal e cortical posterior. Quanto mais compacta a estrutura cerebral, melhor a capacidade de identificar aves. Em outras palavras, maior densidade nessas regiões indica uma comunicação mais eficiente entre os neurônios.

Ilustração digital de um cérebro humano com conexões neurais intensas representando a neuroplasticidade no birdwatching.

 É como se o cérebro dos passarinheiros experientes tivesse sido treinado não em uma academia, mas nos ambientes naturais onde eles passaram horas aguçando percepção, memória e atenção. Exames de imagem mostraram que os cérebros de observadores experientes eram mais densos em áreas associadas à memória de trabalho, consciência espacial e reconhecimento de objetos.

E você não precisa esperar anos para colher esses benefícios cognitivos. Birdwatching ativa um padrão cognitivo chamado "fascinação suave", um conceito da Teoria da Restauração da Atenção, desenvolvida pelos psicólogos ambientais Rachel e Stephen Kaplan. Ao contrário da atenção dirigida, que usamos no trabalho e nas telas, a fascinação suave permite que o cérebro descanse e se recupere sem que percamos o engajamento com o ambiente. É uma das poucas atividades modernas capazes de produzir esse estado, algo que o scroll infinito do celular nunca vai conseguir fazer.

3. Pássaros são o termômetro da natureza e reduzem sua ansiedade em 30% na cidade

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Exeter publicaram na revista BioScience um estudo que mediu características naturais em bairros urbanos. Cobertura de vegetação e abundância de pássaros no período da tarde estavam positivamente associadas a uma menor prevalência de depressão, ansiedade e estresse. Os resultados foram tão claros que os pesquisadores conseguiram quantificar o percentual mínimo de cobertura vegetal necessário para reduzir cada problema: 20% para depressão, 30% para ansiedade e 20% para estresse.

Mosaico de aves urbanas comuns como Rolinha,cambacica e Suiriri em fios e telhados

Além disso, pesquisadores explicam que a natureza melhora a concentração ao reduzir a fadiga mental, e reduz o estresse ao diminuir a pressão arterial e os níveis de hormônios associados ao estresse, como adrenalina, cortisol e noradrenalina. Assim, ao sair de casa para passarinhar, você entra em contato com ambientes naturais, ativando todos esses mecanismos de uma só vez.

4. Birdwatching cria comunidades reais e combate o isolamento urbano

A observação de aves é uma das formas mais eficazes de criar vínculos humanos genuínos.

Uma revisão abrangente da literatura científica, publicada em 2025 na revista Ecopsychology, identificou que passarinhar gera benefícios no nível comunitário, como a formação de grupos sociais com interesses comuns.

Grupo de pessoas de diferentes idades praticando observação de aves com binóculos na floresta

Esses grupos(clubes de observação e grupos de WhatsApp) funcionam como espaços de troca de informações (identificações de aves e saídas para passarinhar etc.), de pertencimento e de propósito compartilhado.

Para quem vive em cidades grandes, onde o isolamento social é uma epidemia silenciosa, isso tem um peso enorme. Não é pouca coisa pertencer a algo ainda mais quando esse algo te leva para fora da tela e para dentro do mundo real.

5. Você vira cientista cidadão e protege espécies de verdade!

Ao passarinhar, você pode contribuir ativamente com a ciência global de conservação ambiental.

Isso porque o fenômeno da ciência cidadã transformou a observação de aves em uma das maiores redes de coleta de dados ambientais do planeta. Plataformas como o eBird, do Cornell Lab of Ornithology, agregam milhões de registros feitos por observadores ao redor do mundo, dados que cientistas profissionais jamais conseguiriam coletar sozinhos.

Mão segurando smartphone exibindo o aplicativo eBird

E já existe evidência inicial de que a observação de aves(birdwatching) confere benefícios educacionais com aumento de contribuições à ciência cidadã e maior engajamento em ações conservacionistas, áreas cada vez mais importantes diante das mudanças climáticas e da destruição de habitats.

Em outras palavras: quando você registra um bem-te-vi no seu quintal ou um sabiá numa trilha, essa informação pode alimentar banco de dados científicos que ajudam a proteger espécies e ecossistemas. Você deixa de ser apenas um espectador e passa a ser um guardião.

Conclusão

A ciência mostra algo que nós, passarinheiros, sempre soubemos na prática: parar para observar aves é uma forma de desacelerar, de reparar o mundo ao nosso redor, de cuidar de si enquanto cuida da natureza.

Não é necessário ser especialista, ter equipamentos caros ou morar perto de uma reserva florestal. Estudos sugerem que passarinhar proporciona mais bem-estar e reduz mais o estresse do que um passeio qualquer na natureza.

E se você ainda está em dúvida, aqui vai um convite: amanhã quando acordar, antes de abrir qualquer aplicativo, vá até uma janela ou varanda e fique pelo menos 5 minutos só escutando e observando aves. 

👉Depois deixa nos comentários como foi a sua experiência...

Referências:

Andrews, J. G., Ammirati, R. J. & Andrews, C. J. M. (2025). Birding Benefits: A Review of Mental Health, Cognitive, Social, and Conservation Impacts. Ecopsychology. [SAGE Publications/Mary Ann Liebert].

Hammoud, R. et al. (2022). Smartphone-based ecological momentary assessment reveals mental health benefits of birdlife. Scientific Reports, Nature.

Kaplan, R. & Kaplan, S. (1989). The Experience of Nature: A Psychological Perspective. Cambridge University Press. (Fundamentos da Teoria da Restauração da Atenção - ART).

Peterson, M. N. et al. (2024). Birdwatching linked to increased psychological well-being on college campuses. Journal of Environmental Psychology.

Rotman Research Institute (2026). Structural brain changes in expert birdwatchers: The impact of long-term visual and auditory expertise. Journal of Neuroscience. (Reportado via NBC News/Psychology Today).

Shanahan, D. F. et al. (2017). Health benefits from nature experiences depend on dose. BioScience. [Oxford Academic].

University of Derby / BioRxiv (2024). Using nature-based citizen science initiatives to enhance nature connection and mental health: A large-scale analysis.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Conheça a borboleta que tem "joias falsas" nas asas e adora frutas fermentadas

 

Borboleta Paryphthimoides terrestris vista de perfil sobre uma folha verde, destacando as listras marrons e os ocelos (manchas em formato de olho) nas asas.

A borboleta da foto recebeu o nome científico de Paryphthimoides terrestris (Butler, 1867), pertencente à família Nymphalidae e à subfamília Satyrinae. Sua principal característica distintiva são as marcações metálicas irregulares entre os dois maiores ocelos da asa posterior, além da presença de uma única linha submarginal na região do canto interno da margem da asa posterior.

Quando adulta, Paryphthimoides terrestris alimenta-se principalmente do caldo(suco) de frutos maduros ou fermentados (espécie frugívora), enquanto na fase larval (lagarta) suas larvas consomem folhas de gramíneas e ciperáceas. Entre as suas principais plantas hospedeiras estão: Ichnanthus pallens, Lasiacis sloanei, Panicum pilosum, Panicum polygonatum, Paspalum decumbens, Setaria paniculifera, Tripsacum sp., Cyperus sp. e Scleria sp.

Essa borboleta habita florestas tropicais, formações secundárias abertas e ambientes de borda florestal. Trata-se de uma espécie neotropical com distribuição desde a América Central até o Brasil, ocorrendo em países como Nicarágua, Panamá, Trinidad, Guiana Francesa e Brasil. No Brasil, Paryphthimoides terrestris apresenta ampla distribuição geográfica, com registros em todas as regiões do país. A espécie ocorre principalmente em áreas de floresta tropical, formações secundárias abertas e ambientes de borda florestal, sendo mais frequentemente associada aos biomas Amazônia e Mata Atlântica.  

Durante minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie de borboleta apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente no extremo sul da Mata Atlântica potiguar. 

👉“E você, já encontrou essa borboleta por aí? Conta pra gente nos comentários! 
Se curte esse tipo de descoberta, segue o blog Fauna e Flora do RN pra não perder os próximos registros.”

Referências

BECCALONI, G. W. et al. Catálogo das plantas hospedeiras das borboletas neotropicais. Londres: S.E.A./Ribes/CYTED/Museu de História Natural/IVIC, 2008.

CASAGRANDE, M. M.; PIOVESAN, M.; ZACCA, T. Satyrini. In: Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. [S. l.]: PNUD, 2026. Disponível em: http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/150503. Acesso em: 27 abr. 2026.

SANTOS, L. N. dos; BRITO, M. R. M. de; KERPEL, S. M. Borboletas da RPPN Mata Estrela: guia de espécies. Coordenação de Márcio Zikán Cardoso. 1. ed. Natal: Ed. das Autoras, 2022.

SAVELA, Markku. Paryphthimoides Forster, 1964. Lepidoptera and some other life forms. [S. l.], 2023. Disponível em: https://ftp.funet.fi/index/Tree_of_life/insecta/lepidoptera/ditrysia/papilionoidea/nymphalidae/satyrinae/paryphthimoides/. Acesso em: 27 abr. 2026.

ZACCA, T. Revisão taxonômica dos gêneros neotropicais Paryphthimoides Forster, 1964 e Cissia Doubleday, 1848, com descrições de seis novos gêneros e 10 novas espécies de Euptychiina (Lepidoptera: Nymphalidae: Satyrinae). 2017. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas – Entomologia) – Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.

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terça-feira, 31 de março de 2026

Descubra o serra-pau gigante do RN: primo do maior besouro do mundo e uma raridade que poucos viram

 

Detalhes do besouro Ctenoscelis coeus, família Cerambycidae, encontrado na Mata Atlântica do Rio Grande do Norte. Fauna potiguar.

Besouro conhecido popularmente como serra-pau ou besouro-serrador, a espécie Ctenoscelis coeus (Perty, 1832) pertence à família Cerambycidae e à subfamília Prioninae. Esse grupo inclui espécies impressionantes, como Enoplocerus armillatus (Linnaeus, 1767), Mallodon spinibarbis (Linnaeus, 1758) e o famoso Titanus giganteus (Linnaeus, 1771), considerado o maior besouro do mundo.

O Serra-pau(Ctenoscelis coeus) chama atenção pelo porte robusto e, principalmente, pelas longas antenas que podem ser tão compridas quanto o corpo ou até ultrapassá-lo, especialmente nos machos. Essa é uma característica bastante comum entre os representantes da família Cerambycidae. O exemplar da foto tinha 10cm de comprimento total.

Besouro serra-pau Ctenoscelis coeus ao lado de uma caneta para comparação de tamanho. Registro de besouro gigante no Rio Grande do Norte.

Trata-se de uma espécie nativa, com registros nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia. Sua distribuição no Brasil abrange grande parte do território nacional, com ausência de registros na região Sul. Fora do país, também já foi registrada em áreas da América do Sul, como Guiana e Bolívia.

Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, registrei essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar e Agreste Potiguar, tanto em áreas de Mata Atlântica quanto em zonas de transição (ecótono) entre Mata Atlântica e Caatinga. Curiosamente, nas duas ocasiões em que encontrei esse besouro, os indivíduos já estavam mortos, embora com o corpo intacto.

Apesar de seu tamanho e imponência, quase nada ainda se sabe sobre a biologia de Ctenoscelis coeus (Perty, 1832).

👉“E você, já encontrou um serra-pau por aí? Conta pra gente nos comentários! 
Se curte esse tipo de descoberta, segue o blog Fauna e Flora do RN pra não perder os próximos registros.”

Referências

LIMA, A. da Costa. Insetos do Brasil: 9.º tomo, Coleópteros, 3.ª parte. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Agronomia, 1955. (Série Didática, n. 11). 1 arquivo PDF.

SOUTO, Glauber Henrique Borges de Oliveira; NETO, M. R.; SILVA, C. D. D. do. Check-list de Cerambycidae (Coleoptera, Insecta) para o Rio Grande do Norte, Brasil. Nature and Conservation, [S. l.], v. 18, n. 1, 2025. Disponível em: http://www.sustenere.inf.br. Acesso em: 31 mar. 2026.

MONNÉ, Marcela L.; MONNÉ, Miguel A. New species and new records of Cerambycidae (Insecta, Coleoptera) from RPPN Sanctuary of Caraça, Minas Gerais, Brazil. Zootaxa, [S. l.], v. 4319, n. 2, p. 201-262, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.11646/zootaxa.4319.2.1. Acesso em: 31 mar. 2026.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Rolinha-cascavel ou Fogo-apagou? Conheça a pequena ave que chocalha e encanta os campos

Introdução

Você já ouviu um “fogo-apagou” ecoando no campo seco ou no quintal de casa e ficou tentando descobrir de onde vinha aquele som?
A rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata (Lesson, 1831), família Columbidae), também conhecida como rolinha-cascavelinha(variação de rolinha-cascavel), rolinha-carijó, rola-pedrês, paruru e até “felix-cafofo”, é uma presença constante em áreas abertas do Brasil.

Rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata) pousada em galho seco, exibindo plumagem escamada característica.


Descrição morfológica(características principais)

Com cerca de 18 a 22 cm de comprimento total e peso variando de 48 a 60 gramas, essa rolinha chama atenção pela plumagem de aspecto escamado(bordas escuras das penas), sendo a coloração superior predominantemente cinza-arenosa e a parte inferior esbranquiçada. As rêmiges(penas responsáveis pelo voo) apresentam tonalidade rufescente(ferrugíneo), bem visível em voo, e os lados da cauda são brancos. A cauda é relativamente longa e pode ser aberta em leque. Não há dimorfismo sexual, ou seja, machos e fêmeas são semelhantes na aparência.

História natural e importância ecológica

Desloca-se em casais ou pequenos bandos e forrageia diretamente no solo. Sua alimentação é variada: consome sementes, pequenas frutas, insetos como formigas e até pequenos moluscos (Gastropoda: Pupilla). Entre os vegetais registrados em sua dieta estão gêneros como Cereus, Croton, Euphorbia, Melocactus, Passiflora, Portulaca e Sida dentre outros.

Rolinha-cascavelinha caminhando no solo pedregoso em busca de sementes e pequenos insetos.

Na cadeia alimentar, também ocupa o papel de presa, sendo predada por várias espécies como por exemplo, o caburé (Glaucidium brasilianum), o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e a cobra-bicuda.

Rolinha-fogo-apagou inclinada bebendo água em um riacho, com reflexo visível na superfície

Reprodução

O período reprodutivo dessa ave pode ocorrer quase o ano inteiro e o macho vocaliza durante o dia. Seu canto trissilábico, descrito como “u-gú-gú” ou “fogo-apagou”, é uma das marcas sonoras mais conhecidas da espécie, daí a origem do seu principal nome popular. Outro nome vulgar tem origem no som forte e vibrante das asas durante o voo que se assemelha ao “chocalho de uma cascavel”, característica que originou o nome “rolinha-cascavel”.

Na corte, o macho inclina o corpo horizontalmente diante da fêmea, ergue a cauda na vertical abrindo-a em leque e pode trocar carícias com o bico.

O ninho, construído pelo macho, apresenta a forma de uma pequena tigela feita de gravetos. A postura é de dois ovos brancos puros, medindo cerca de 22 x 17 mm e pesando em média 3,5 g. A incubação, realizada por ambos os adultos, dura cerca de 13 a 14 dias. Os filhotes deixam o ninho entre 12 e 15 dias após a eclosão. A espécie pode se reproduzir mais de uma vez ao ano.

Rolinha-fogo-apagou protegida em seu ninho construído sobre um cacto (Cereus jamacaru) com frutos vermelhos.

Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

Espécie de origem nativa, residente e independente de ambientes florestais densos, a rolinha-fogo-apagou vive em campo seco, cerrado, restinga, áreas abertas, bordas de mata e próximo a zonas urbanas.

Ela ocorre da Venezuela ao Paraguai e Argentina (Misiones), estando presente em quase todo o Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. Está presente em extensas áreas do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de ocupar porções significativas da região Norte. 

Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie tanto na Caatinga como na Mata Atlântica, nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Conclusão

Pequena e discreta à primeira vista, a rolinha-fogo-apagou revela sua presença pelo canto repetido que ecoa pelos campos e no ruído seco das asas que lembra o chocalho de uma cascavel. Nos ambientes abertos do Brasil, ela é uma lembrança constante de que até as espécies mais comuns guardam detalhes surpreendentes para quem observa com atenção.

Você já ouviu o canto “fogo-apagou” na sua cidade? Me diz aí nos comentários...

Se você gosta de conhecer mais sobre as espécies que vivem no Rio Grande do Norte e no Brasil, continue acompanhando o Fauna e Flora do RN e compartilhe este conteúdo com quem também aprecia a natureza ao nosso redor.

Referências

FAVRETTO, M. A. Aves do Brasil, vol. I: Rheiformes a Psittaciformes. Florianópolis: [s. n.], 2021. 596 p.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. 1. ed. Bahia: AO, 2006.

PERLO, Ber van. A Field Guide to the Birds of Brazil. Princeton: Princeton University Press, 2009.

PICHORIM, Mauro et al. Guia de Aves da Estação Ecológica do Seridó. Natal: Caule de Papiro, 2016.

PICHORIM, M. et al. Pristine semi-arid areas in northeastern Brazil remain mainly on slopes of mountain ranges: a case study based on bird community of Serra de Santana. Tropical Zoology, [s. l.], v. 29, p. 189–204, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1080/03946975.2016.1235426. Acesso em: 28 fev. 2026.

SAGOT-MARTIN, F. et al. An updated checklist of the birds of Rio Grande do Norte, Brazil, with comments on new, rare, and unconfirmed species. Bulletin of the British Ornithologists’ Club, [s. l.], v. 140, n. 3, p. 218-298, 2020.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. 863 p.

SIGRIST, Tomas. Guia de Campo Avis Brasilis: Avifauna Brasileira. 4. ed. Vinhedo: Avisbrasilis, 2014.

SILVA, J. M. C. et al. Aves da Caatinga: status, uso do hábitat e sensitividade. In: LEAL, I. R.; TABARELLI, M.; SILVA, J. M. C. (ed.). Ecologia e Conservação da Caatinga. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2003. 

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sábado, 31 de janeiro de 2026

Marimbondo-carijó: a vespa que come lagartas no seu quintal

Descubra a Polistes versicolor, a vespa predadora que controla pragas no Brasil e poliniza flores de forma totalmente natural e sem veneno!

Introdução

Quem nunca tomou um susto ao ver um marimbondo rondando o quintal ou o telhado?
O Marimbondo-carijó, Polistes versicolor (família Vespidae), é uma vespa social muito comum no Brasil e, apesar da fama de agressiva, tem um papel importante no controle de insetos que atacam plantações. 


Descrição morfológica (características principais)

P. versicolor apresenta coloração ferrugem a negro-amarronzada, com marcas amarelas bem evidentes no corpo e asas transparentes. A rainha é significativamente maior que os demais indivíduos da colônia e apresenta comportamento altamente agressivo. Quando ameaçadas, as vespas levantam as asas e adotam uma clara posição de alerta, típica da espécie.

História natural e comportamento

O marimbondo-carijó (Polistes versicolor) é uma vespa social de comportamento oportunista, cujas colônias são organizadas sob uma hierarquia rígida liderada por uma rainha dominante. O ciclo de vida dessas comunidades é sazonal, variando geralmente entre 3 e 10 meses. Como predadora ativa, a espécie foca intensamente na captura de larvas de insetos, demonstrando uma preferência por lagartas de Lepidoptera. Sua dieta é variada: ela combate desde as lagartas desfolhadoras do eucalipto e do girassol até espécies como a Heraclides anchysiades. Além disso, sua eficiência é comprovada em diferentes cenários, sendo observada caçando a lagarta Paracles fusca e espécie da família Saturniidae, esta foi em áreas de cultivo de mandioca na Mata Atlântica já modificada pela ação humana. Além da atividade caçadora, os adultos visitam flores regularmente em busca de néctar para suprir suas necessidades energéticas.

Importância ecológica

Apesar de sua fama de agressiva, a P. versicolor desempenha funções vitais para o equilíbrio dos ecossistemas. A espécie atua como um eficiente agente de controle biológico natural, sendo uma aliada estratégica na agricultura ao combater pragas em cultivos por exemplo de girassol, eucalipto e mandioca — inclusive em áreas antropizadas de Mata Atlântica. Estima-se que cada colônia pode capturar milhares de insetos por ano, ajudando a manter o equilíbrio do ambiente. Além disso, os adultos também visitam flores em busca de néctar e acabam polinizando plantas, especialmente da família Asteraceae.


Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

O Marimbondo-carijó, Polistes versicolor (Olivier, 1791), é uma vespa social nativa da América do Sul continental, amplamente distribuída no Brasil com ocorrência confirmada em todas as regiões do país. É relativamente comum em áreas urbanas, plantações e ambientes antrópicos, onde constrói ninhos de celulose, sem envoltório protetor. As colônias são frequentemente encontradas em edifícios abandonados ou em construção, demonstrando alta capacidade de adaptação a ambientes modificados.

Conclusão

Aquele susto inicial ao ver um marimbondo no telhado logo se transforma em admiração quando entendemos seu papel. Muito além da fama de perigosa, a Polistes versicolor entrega serviços ecológicos que beneficiam a todos nós, da agricultura ao jardim de casa. Valorizar essa pequena criatura é, em última análise, valorizar a saúde do ambiente em que vivemos.

👉Você já encontrou um ninho de Marimbondo-carijó em casa ou na zona rural? Como foi essa experiência?  

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Referências

BORGES, L. T. I. et al. Registro de predação de lagarta (Lepidoptera: Saturniidae) por vespa social Polistes versicolor (Olivier, 1792) (Hymenoptera: Vespidae). Entomology Beginners, v. 6, e093, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.12741/2675-9276.v6.e093.

ELISEI, T. Vespas sociais (Hymenoptera, Vespidae, Polistinae) do Estado da Paraíba: diversidade e estudo comportamental. 2017. 154 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017.

FILS-AIMÉ, F. Ocorrência, biologia, inimigos naturais e modelagem de Paracles fusca Walker, 1856 (Lepidoptera: Arctiidae) em batata yacon. 2025. 111 f. Dissertação (Mestrado em Produção Vegetal) – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2025.

HERMES, M. G.; SOMAVILLA, A. Polistini. In: Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. PNUD, 2026. Disponível em: http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/78513. Acesso em: 31 jan. 2026.

PREZOTO, F. et al. Prey captured and used in Polistes versicolor (Olivier) (Hymenoptera: Vespidae) nourishment. Neotropical Entomology, v. 35, n. 5, p. 707-709, 2006. DOI: 10.1590/S1519-566X2006000500021.

VIRGÍNIO, F.; MACIEL, T. T.; BARBOSA, B. C. Novas contribuições para o conhecimento de vespas sociais (Hymenoptera: Vespidae) para Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Entomotropica, v. 31, n. 26, p. 221-226, 2016.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Capivara no Rio Grande do Norte: registros e história natural do maior roedor do mundo

Presente em lagoas, açudes e áreas úmidas potiguares, a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) revela uma fascinante adaptação à vida semi-aquática e desempenha papel essencial na natureza.


🌿 Introdução

Você sabia que o maior roedor do planeta é um excelente nadador e vive em grupos familiares às margens dos rios brasileiros?
A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris, família Caviidae) é um dos animais mais emblemáticos da fauna sul-americana. Presente em todo o território nacional, inclusive no Rio Grande do Norte, ela representa a perfeita harmonia entre o ambiente aquático e o terrestre. Apesar de sua aparência dócil, esse gigante tranquilo possui adaptações surpreendentes e uma vida social complexa que desperta a curiosidade de cientistas e amantes da natureza.


🐾 Descrição morfológica

A capivara impressiona pelo tamanho: pesa entre 35 e 65 quilos e pode atingir 1,34 metro de comprimento, sendo o maior roedor existente no mundo. Seu corpo é robusto, de formato cilíndrico, coberto por pelagem densa e grossa, com coloração predominantemente castanho-avermelhado nas partes superiores, e tons amarelados ou amarronzados na região ventral.
Possui cabeça grande e orelhas curtas e arredondadas, olhos altos que permitem observar o ambiente enquanto o corpo permanece submerso e patas parcialmente palmadas, providas de membranas interdigitais que facilitam a locomoção na água. 

As patas dianteiras têm quatro dedos, enquanto as traseiras tem três. A cauda é vestigial, quase imperceptível, e a fêmea apresenta quatro pares de mamas, uma característica importante para a criação coletiva dos filhotes.

Essas adaptações anatômicas fazem da capivara uma verdadeira especialista em ambientes alagados — um roedor semi-aquático perfeitamente moldado à vida entre a terra e a água.


🌎 História natural e comportamento

As capivaras são herbívoras diurnas(mais ativa no final da tarde e início da noite), alimentando-se principalmente de gramíneas e vegetação aquática, como capim e aguapés. Sua dieta, no entanto, varia de acordo com a estação do ano e a disponibilidade de recursos. Durante os períodos de seca, grandes grupos podem se reunir ao redor das poucas fontes de água restantes, formando agregações de até cem indivíduos.

A vida social da espécie é intensa e bem organizada. Os grupos, geralmente compostos por 2 a 30 animais, são liderados por um macho dominante, responsável por proteger o território e as fêmeas, onde ele defende o acesso aos recursos. Esse sistema de acasalamento é poligínico, e as interações dentro do bando incluem vocalizações, banhos de lama e longos períodos de descanso coletivo ao sol.


A reprodução ocorre durante todo o ano, especialmente nas regiões tropicais. A gestação dura cerca de 120 dias a 5 meses, resultando em prole de 1 a 7 filhotes, com média de 3 a 4. Logo após o nascimento, os filhotes são precoces e já conseguem acompanhar o grupo em poucas horas, aprendendo rapidamente a nadar e pastar.
Estudos realizados no Pantanal e na Venezuela mostram que o pico de nascimentos acontece no período chuvoso, quando a vegetação está mais abundanteA expectativa de vida reprodutiva é curta em comparação a outros mamíferos, cerca de 5 anos, mas o sucesso reprodutivo é elevado graças à estrutura social coesa.

Um aspecto notável da capivara é sua notável tolerância a ambientes modificados pelo homem. É comum encontrar populações vivendo em áreas urbanas, como margens de rios canalizados e parques dentro de grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, grupos prosperam mesmo às margens dos poluídos rios Tietê e Pinheiros, mostrando a incrível capacidade de adaptação da espécie.


🌍 Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

A Hydrochoerus hydrochaeris apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em quase toda a América do Sul, do leste dos Andes até o Uruguai e Argentina, passando por Colômbia, Venezuela, Guianas, Peru, Bolívia, Paraguai e, claro, todo o Brasil.

No território brasileiro, está presente em todos os estados, incluindo o Rio Grande do Norte, sendo mais comum nas margens de rios, lagos, açudes e áreas úmidas de planície. Ela habita praticamente todos os biomas nacionais — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa — e pode ocupar até savana sazonalmente alagada, pântanos de mangue e áreas alagadas salobras.

Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado a capivara com maior frequência na faixa costeira, especialmente no litoral sul do RN, em áreas pantanosas, represas e lagos cercados por vegetação típica do bioma Mata Atlântica. Além desses registros litorâneos, também já encontrei evidências de sua presença ao redor de açude em áreas de ecótono-transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, na mesorregião Agreste Potiguar.   

Pegada de Capivara em solo úmido as margens de açude em área de transição entre Mata Atlântica e Caatinga Potiguar.

⚠️ Ameaças e grau de risco

A capivara não está ameaçada de extinção em nível mundial de acordo com a lista vermelha da IUCN, e também em nível nacional de acordo como o Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Em ambas as avaliações ela foi classificada na categoria “LC”-Menos Preocupante. Isso significa que não há evidências atuais de declínio populacional severo, embora a caça ainda represente a principal ameaça local em algumas regiões.

Historicamente, a espécie foi amplamente caçada por sua carne e couro, e entre 1976 e 1979, quase 80 mil peles foram exportadas apenas da Argentina. No Brasil, acredita-se que a pressão de caça diminuiu com o aumento de criadouros legalizados e manejo sustentável, mas a prática de abate ainda ocorre em áreas isoladas, o que deve contribuir para extinções locais.

Além disso, a perda de habitats úmidos — devido à drenagem, agricultura intensiva e urbanização — pode afetar populações locais, especialmente em regiões semiáridas. Mesmo assim, em várias localidades brasileiras há indícios de crescimento populacional, resultado da grande capacidade de adaptação e da ausência de predadores naturais em zonas urbanas.

Em alguns contextos, o aumento populacional gera conflitos com agricultores, pois bandos podem danificar plantações de milho e pastagens. Por isso, órgãos ambientais e pesquisadores estudam estratégias de manejo populacional e convivência, equilibrando conservação e controle.


🌿 Importância ecológica

A capivara exerce um papel ecológico fundamental nos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos. Como herbívora de grande porte, ela controla o crescimento da vegetação do entorno das áreas alagadas e da vegetação aquática, além de influenciar a distribuição de nutrientes nas margens de rios e lagoas. Seus excrementos enriquecem o solo, favorecendo o crescimento de plantas e contribuindo para a ciclagem de matéria orgânica. 

Fezes de capivara em trilha no interior da Mata Atlântica as margens de área alagada no Rio Grande do Norte. 

Além disso, é presa natural de grandes predadores, como as onças, a jaguatirica, a sucuri e a jiboia, sendo elo importante nas cadeias tróficas.

💡 Curiosidades sobre a capivara

·         A capivara mantém-se nas proximidades de corpos de água, pois ao sentir-se ameaçada, ela mergulha, ficando submersa por tempo suficiente para escapar.

·          Vive em grupos coesos, com forte comportamento social e cuidado coletivo dos filhotes.

·         Seu couro era tão valorizado que impulsionou uma intensa caça comercial nas décadas de 1970 e 1980.

·         No Brasil, pode ser vista até em parques urbanos, convivendo com humanos em harmonia surpreendente.


👉Você já avistou capivaras nas lagoas ou rios do Rio Grande do Norte? 
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A capivara é um exemplo de adaptação e equilíbrio na natureza. Símbolo de tranquilidade, ela mostra que a convivência entre fauna silvestre e áreas urbanas é possível — desde que haja respeito e preservação.

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Referências

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domingo, 26 de outubro de 2025

Graúna: o pássaro-preto de canto poderoso que encanta o Nordeste!

 Conheça a graúna, uma das aves mais emblemáticas do Nordeste brasileiro — dona de um canto forte e melodioso, beleza marcante e papel essencial na natureza.

🐦 Introdução

A graúna é um pássaro da família Icteridae, da qual também fazem parte, por exemplo, as espécies conhecidas como encontro-de-ouro, a polícia-inglesa-do-sul e vira-bosta, dentre outras. A palavra graúna deriva do tupi "guira-una" que quer dizer "ave-preta", referindo-se exatamente a sua plumagem negra e de brilho intenso. Pronto pra conhecer melhor alguns aspectos bio-ecológicos dessa espécie?


🪶 Aparência e comportamento

Com cerca de 25 centímetros de comprimento e pesando até 94 gramas, a graúna (Gnorimopsar chopi) é inconfundível. Seu corpo é coberto por penas negras com brilho de seda, o bico e os olhos também são pretos, dando a ela um ar elegante e misterioso.

Essas aves vivem sozinhas, em casais ou em pequenos grupos, mas fora do período reprodutivo podem formar bandos com mais de 100 indivíduos! Costumam se alimentar no solo, onde procuram insetos, sementes, frutas e até néctar de flores.


🌍 Onde encontrar

A graúna (G. chopi) está espalhada por grande parte da América do Sul, ocorrendo no Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e em praticamente todo o Brasil — desde o Rio Grande do Sul até o Pará, Mato Grosso e Rondônia.


No Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norteela é relativamente rara, possivelmente devido à captura ilegal e venda em feiras livres, já que é muito apreciada por criadores pelo seu canto marcante. Em algumas regiões, essas capturas têm causado uma redução drástica das populações locais, tornando a graúna uma presença cada vez mais difícil de ser observada livremente na natureza potiguar. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei essa espécie nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar, ou seja, principalmente no bioma Caatinga, as observações em áreas pertencentes ao bioma Mata Atlântica me parecem ter sido provenientes de soltura. Assim como o concriz, a graúna é uma ave nativa da fauna brasileira e também uma espécie semi-dependente de ambientes florestais.

Importante ressaltar que a captura, comercialização e criação de animais silvestres brasileiros, como a graúna, são práticas ilegais previstas na Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, que em seu artigo 29 proíbe essas ações sob pena de detenção e multa. Essa legislação visa proteger a fauna brasileira e coibir o tráfico de animais silvestres, que é uma das maiores ameaças às populações naturais dessas espécies. As únicas exceções de manejo da fauna brasileira são para profissionais autorizados, como biólogos e médicos veterinários, que realizam estudos como por exemplos levantamentos ou monitoramentos de fauna mediante prévia licença ou autorização concedida pelos órgãos ambientais competentes (como IBAMA ou órgãos estaduais). 


🌱 Importância ecológica

A graúna é uma ave onívora que tem papel fundamental na manutenção do equilíbrio ambiental, pois ao se alimentar de insetos, deve contribuir para o controle biológico de pragas agrícolas. Quando consome frutas e sementes, atua como potencial dispersora de plantas nativas, ajudando na regeneração da vegetação. Essas funções tornam a graúna uma aliada natural dos agricultores e do meio ambiente.


🔍 Curiosidades sobre a graúna

  • O canto da graúna é considerado um dos mais fortes e melodiosos do Brasil. Quando várias delas cantam juntas, o som é simplesmente impressionante.
  • Seus ninhos podem ser feitos em ocos de árvores, cupinzeiros, barrancos, ninhos abandonados ou até canos de PVC.
  • Os filhotes recebem cuidados tanto dos pais quanto de outros adultos ajudantes.
  • Entre seus predadores registrados destaca-se a cobra-cipó (Philodryas olfersii), que pode atacar ninhos.
  • Infelizmente, a graúna é muito capturada para o tráfico de aves, e muitas não sobrevivem devido aos maus-tratos.

👉 Você já viu a graúna ou ouviu o seu canto? Conte sua experiência nos comentários!


💚 Um símbolo da avifauna nordestina

Mais do que um pássaro de beleza marcante, a graúna representa a força e a harmonia dos ecossistemas brasileiros. Proteger essa espécie é também preservar o som e a vida dos nossos campos e matas.

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Referências

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PIACENTINI, V. Q. et al. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 23, n. 2, p. 91–298, 2015.

PICHORIM, M.; OLIVEIRA, D. V.; OLIVEIRA-JÚNIOR, T. M.; CÂMARA, T. P. F.; NASCIMENTO, E. P. G. Pristine semi-arid areas in northeastern Brazil remain mainly on slopes of mountain ranges: a case study based on bird community of Serra de Santana. Tropical Zoology, v. 29, p. 189–204, 2016. DOI: 10.1080/03946975.2016.1235426.

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SIGRIST, T. Avifauna Brasileira: The avis brasilis field guide to the birds of Brazil. 1. ed. São Paulo: Editora Avisbrasilis, 2009.

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