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domingo, 19 de junho de 2022

Aspilia martii Baker, espécie nativa do Brasil

  Planta de porte herbáceo a subarbustivo pertencente a família Asteraceae e ao gênero Aspilia. Seu nome científico válido atualmente é Aspilia martii Baker.

  Sua floração amarela e sua frutificação já foram registradas no período de agosto a março.

  Essa espécie é nativa e exclusivamente brasileira-endêmica do Brasil. É predominantemente nordestina, tendo sido confirmada sua ocorrência em quase todos os estados da região Nordeste, sendo encontrada nos biomas da Caatinga, parte do Cerrado e Mata Atlântica(restinga). Além disso, foi registrada no estado do Espírito Santo, região Sudeste do país. 

  Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, observei essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar e Central Potiguar.

Referências

Alves, M., & Roque, N. (2016). Flora of Bahia: Asteraceae – Tribe Heliantheae. SITIENTIBUS série Ciências Biológicas, 16. https://doi.org/10.13102/scb1127.

Santos, J.U.M.D. Aspilia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB15970>. Acesso em: 19 jun. 2022

SiBBr. Registo de ocorrência: HUFRN:62. Espécime de Aspilia martii registrado por 1983-12-30. Disponível em: https://ala-hub.sibbr.gov.br/ala-hub/occurrences/15a7ddfc-64aa-49a5-8222-5fac103b189a?lang=pt_BR Acesso em: 19 de jun. 2022.

sábado, 28 de maio de 2022

Cobra-do-Capim(Erythrolamprus poecilogyrus), serpente não peçonhenta que ocorre em todo Brasil

   Serpente conhecida popularmente como Casco-de-Burro, Cobra-Corredeira, Cobra-d’água, Cobra-de-Caçote, Cobra-de-Caçote-Amarela, Cobra-de-Capim, Cobra-de-Jardim, Cobra-de-Lixo, Cobra-do-Capim, Cobra-do-Lixo, Cobra-Lisa, Cobra-Verde, Cobra-Verde-Argentina, Cobra-Verde-do-Capim, Coral-Falsa, Falsa-Coral, Jararaca-falsa, Jaracuçu-de-papo-amarelo, Jararaquinha-do-campo, Jararaquinha, Parelheira, Peça-Nova e Rainha. Entretanto seu nome científico é único, Erythrolamprus poecilogyrus (Wied, 1825).

   A Cobra-do-Capim(Erythrolamprus poecilogyrus) é considerada uma "serpente não peçonhenta" relativamente pequena, podendo atingir 90cm de comprimento total. Ela possui variação na sua coloração de acordo com a idade e região de ocorrência. O seu corpo e cauda são relativamente finos, sua cabeça é distinta do corpo e seus olhos possuem pupila redonda(caracterizando que é mais ativa durante o dia). De fato ela é considerada uma espécie principalmente diurna, mas há registro de atividade noturna também.  

    Essa serpente também conhecida como Casco-de-Burro(Erythrolamprus poecilogyrus) é terrestre, ademais possui hábitos semi-aquáticos e se alimenta principalmente de anuros(sapos, rãs e pererecas), além disso, inclui em sua dieta répteis(lagartos, anfisbênias), invertebrados, pequenos peixes e mamíferos. Quanto a reprodução de Erythrolamprus poecilogyrus sabe-se que ela  é ovípara(põe 8 a 12 ovos). As fêmeas são maiores que os machos.

  A Cobra-do-Capim(Erythrolamprus poecilogyrus) tem  ampla distribuição na América do Sul, onde tem ocorrência confirmada na Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Brasil, Guiana e Venezuela.  No Brasil, ela está presente em todos os biomas ou domínios morfoclimáticos, sendo a mesma encontrada em diferentes ambientes como áreas abertas, florestas, campos, pastagens, matas ciliares ou secas e áreas urbanizadas, sendo geralmente observada na vegetação rasteira. 

   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado ela nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar, mas essa serpente deve ter ocorrência em todas mesorregiões do RN e neste ocorre nos dois biomas locais(Caatinga e Mata Atlântica).

Referências

FARIAS , Raimundo Erasmo Souza. Taxocenose de serpentes em ambientes aquáticos de áreas de altitude em Roraima (squamata: serpentes). 2016. 163 f.. Dissertação( Biologia de Água Doce e Pesca Interior) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus,2016 .

FREITAS, Marco Antonio de . Serpentes Brasileiras. Malha de sapo Publicações e Consultoria Ambiental / Proquigel/CIA/BA, 2003. v. 1. 160p .

GUEDES, Thaís Barreto . Serpentes da Caatinga: diversidade, história natural, biogeografia e conservação. - São José do Rio Preto : [s.n.],2012.

GUEDES T.B., Nogueira C. & Marques O.A.V. (2014) Diversity, natural history, and geographic distribution of snakes in the Caatinga, Northeastern Brazil. Zootaxa, 3863: 1–93.

GONALEZ, R. C. ; Abegg,A. D. ; Mendes, D. M. de M.; Silva, M. B. da ; Machado-Filho, P.R.; Mario-da-Rosa ,C.; Passos, D. C.; Ribeiro, M.V.; Benício, R. A. ; Oliveira, J. C. F.. LISTA DOS NOMES POPULARES DOS RÉPTEIS NO BRASIL – PRIMEIRA VERSÃO. Herpetologia Brasileira vol. 9 no . 2 - Listas de Anfibios e Répteis.

Hugo Andrade et al.. Diet review of Erythrolamprus poecilogyrus (Wied-Neuwied, 1825) (Serpentes: Dipsadidae), and first record of Dermatonotus muelleri (Boettger, 1885) (Anura: Microhylidae) as a prey item in Sergipe State, northeastern Brazil. Herpetology Notes, volume 13: 1065-1068 (2020) (published online on 22 December 2020).

NOGUEIRA CC et al. (2019): Atlas of Brazilian Snakes: Verified Point-Locality Maps to Mitigate the Wallacean Shortfall in a Megadiverse Snake Fauna. South American Journal of Herpetology 14: 1−274.

RÊGO, Bruno de Paiva. Diversidade, Composição e aspectos da Ecologia de Taxocenose de Serpentes em Área Serrana de Caatinga no Nordeste do Brasil. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Gravatá Bromelia arenaria Ule, uma espécie exclusivamente nordestina

Gravatá(Bromelia arenaria). Foto: Francisco V. Souza

  Planta conhecida popularmente como Gravatá ou Caraguatá-da-areia, porém seu nome científico é Bromelia arenaria Ule. Ela pertence a família Bromeliaceae. 

   Essa espécie apresenta porte herbáceo, brácteas florais oblongas e inflorescências róseas com pétalas roxas. B. arenaria assim como outras bromélias  é visitada por diversas espécies de animais, os quais uns buscam a mesma como fonte de alimento e outros como abrigo. Devido a beleza das suas flores é considerada como espécie ornamental.

  Gravatá(Bromelia arenaria) é nativa no domínio Caatinga e endêmica(ocorre exclusivamente aqui) do Brasil, tendo ocorrência confirmada apenas nas caatingas do Nordeste brasileiro. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado ela nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar. 

Referências

Kiill, Lúcia Helena Piedade. Plantas ornamentais da Caatinga = Ornamental plants of the Caatinga / Lúcia Helena Piedade Kiill, Daniel Terao, Ivan André Alvarez. Brasília, DF : Embrapa, 2013.

Monteiro, R.F. Bromelia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16576>. Acesso em: 13 abr. 2022

Tomaz, Eduardo Calisto. Taxonomia e biogeografia de Bromeliaceae na distribuição norte da Caatinga e Mata Atlântica do Brasil. 2019. 222f. Dissertação (Mestrado em Sistemática e Evolução) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Aranha Odo sp.

Aranha da família Xenoctenidae, pertencente ao gênero Odo Keyserling, 1887. 
Esse espécime foi fotografado ativamente durante a noite em área inserida no domínio Caatinga. 
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado ela nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar. 
Aranha Odo sp.. ID: Paulo André Goldoni. Foto: Francisco V. de Souza.


domingo, 16 de janeiro de 2022

Bromélia-Cascavel Cryptanthus zonatus (Vis.) Vis., espécie ameaçada de extinção

   Planta da família Bromeliaceae(das bromélias), conhecida vulgarmente como Bromélia-cascavel, enquanto que cientificamente ela recebeu o nome de Cryptanthus zonatus (Vis.) Vis..

   Essa espécie apresenta porte herbáceo com folhas prostradas a arqueadas com variação de coloração, o que torna ela muito atrativa do ponto de vista ornamental, sendo coletada indiscriminadamente na natureza para comercialização. Sua floração geralmente ocorre entre os meses de março e abril, no qual as flores já foram observadas sendo visitadas por beija-flor(Phaetornis ruber) e principalmente por uma espécie de abelha(Eulaema nigrita).

    A Bromélia-Cascavel(Cryptanthus zonatus) é uma espécie nativa e endêmica do Brasil, ou seja, ocorre exclusivamente nesse país, estando restrita ao domínio da Mata Atlântica nordestina, tendo sido confirmada sua presença apenas nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. 

   Considerando a sua restrita área de distribuição, ao relativo pequeno número de suas subpopulações, a fragmentação e perda de habitat e sua extração ilegal para comercialização como ornamental, ela encontra-se ameaçada de extinção na categoria vulnerável(CNCFlora,2022).

   Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente de Natal até Baía Formosa, especificamente no Parque das dunas e na RPPN Mata Estrela.

Referências

CNCFlora. Cryptanthus zonatus in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Cryptanthus zonatus>. Acesso em 16 janeiro 2022.

Débora Maria Cavalcanti Ferreira, Clarisse Palma-Silva, Jordana Néri, Maria Cláudia Melo Pacheco de Medeiros, Diego Sotero Pinangé, Ana Maria Benko-Iseppon, Rafael Batista Louzada, Population genetic structure and species delimitation in the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae), Botanical Journal of the Linnean Society, Volume 196, Issue 1, May 2021, Pages 123–140, https://doi.org/10.1093/botlinnean/boaa094

Diesel, Katarine Maria Freire. Florestas urbanas em Natal, RN: florística, conectividade e viabilidade de um jardim botânico. 2018. 85f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.

Maciel, J.R. 2020. Cryptanthus in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB6045>. Acesso em: 16 jan. 2022

Versieux, L.D., Magalhães, R., & Calvente, A. (2013). Extension of the Cryptanthus range in Northeastern Brazil with new findings in the phenotypic variation including changes in the trichome’s distribution, thus enhancing the understanding of the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae). Phytotaxa, 109, 54-60.

domingo, 28 de novembro de 2021

Piolho-de-Cobra Vanzosaura multiscutata (Amaral, 1933), lagarto inofensivo para o ser humano

   Lagarto conhecido popularmente como Piolho-de-Cobra, Calango-do-Rabo-Vermelho, Calanguinho-do-Rabo-Vermelho, Lagarto-de-Rabo-Vermelho e Lagartinho, entretanto seu nome científico é único, Vanzosaura multiscutata (Amaral, 1933).

   O Piolho-de-Cobra(Vanzosaura multiscutata) é uma espécie de pequeno porte, apresentando dimorfismo sexual, sendo as fêmeas em média levemente maior do que os machos, estes possuem a cabeça significativamente maior e os membros mais longos do que nas fêmeas. De maneira geral, apresentam padrão de coloração bem polimórfico. 

   Essa espécie vive em ambiente aberto, sendo encontrada em grande diversidade de habitats, incluindo a serrapilheira sobre o solo arenoso(na qual se enterram facilmente)  e também sobre solos rochosos expostos. Nesses microhabitats encontra seu alimento que incluem pequenos animais artrópodes, como baratas, cupins, formigas, grilhos, besouros e aranhas.  Apresenta reprodução contínua com oviposição durante o ano inteiro, na qual a fêmea produz várias ninhadas em média com dois ovos cada.

  Piolho-de-Cobra(V. multiscutata) apresenta ampla distribuição no domínio da Caatinga do Nordeste brasileiro, e em áreas de contato com a restinga, além da confirmação de uma população em área de Cerrado na Bahia, possivelmente uma área de transição.

  Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar. Ela atualmente não está ameaçada de extinção em nível global(IUCN) e também em nível nacional(ICMBio,2018).

Referências

COLLI, G.R., Fenker, J., Tedeschi, L., Bataus, Y.S.L., Uhlig, V.M., Silveira, A.L., da Rocha, C., Nogueira, C. de C., Werneck, F., de Moura, G.J.B., Winck, G., Kiefer, M., de Freitas, M.A., Ribeiro Junior, M.A., Hoogmoed, M.S., Tinôco, M.S.T., Valadão, R., Cardoso Vieira, R., Perez Maciel, R., Gomes Faria, R., Recoder, R., Ávila, R., Torquato da Silva, S., de Barcelos Ribeiro, S. & Avila-Pires, T.C.S. 2019. Vanzosaura multiscutata. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T59092521A59092527. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-1.RLTS.T59092521A59092527.pt. Downloaded on 28 November 2021.

GONALEZ, R. C. ; Abegg,A. D. ; Mendes, D. M. de M.; Silva, M. B. da ; Machado-Filho, P.R.; Mario-da-Rosa ,C.;  Passos, D. C.; Ribeiro, M.V.; Benício, R. A. ; Oliveira, J. C. F.. LISTA DOS NOMES POPULARES DOS RÉPTEIS NO BRASIL – PRIMEIRA VERSÃO. Herpetologia Brasileira vol. 9 no . 2 - Listas de Anfibios e Répteis.

ICMBio -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

LIMA, Ana Maria Cristina Malta Araújo. Ecologia comparativa das espécies do gênero Vanzosaura (Squamata: Gymnophthalmidae) da Caatinga e do Cerrado. 2014. 71 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Monitoramento Ambiental) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014.

RECODER, R.S., F.P. Werneck, M. Teixeira, G.R. Colli, J.W. Sites e M.T. Rodrigues. 2014. Geographic variation and systematic review of the lizard genus Vanzosaura (Squamata, Gymnophthalmidae), with the description of a new species. Zoological Journal of the Linnean Society 171:206-225.

RIBEIRO, Matheus Meira. Ecologia e história natural de lagartos Gymnophthalmidae em área serrana do semiárido brasileiro. 2015. 57f. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2015.

domingo, 3 de outubro de 2021

Barbatimão-branco Abarema filamentosa (Benth.) Pittier

   Planta da família Fabaceae, sendo seu nome popular Barbatimão-branco e seu nome científico Abarema filamentosa (Benth.) Pittier.

   Essa espécie é de porte arbustivo ou arbóreo, podendo em alguns ambientes atingir tamanho máximo de 10m de altura. Suas flores formam inflorescências do tipo racemo, as quais são visitadas por alguns animais como por exemplo, abelhas. Ela possui potencial como espécie ornamental, medicinal e melífera.

  Barbatimão-branco(Abarema filamentosa) é nativa e ocorre exclusivamente no Brasil(espécie endêmica do país), sendo encontrada na restinga e floresta ombrófila mista no bioma ou domínio fitogeográfico Mata Atlântica. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente de Natal até Baía Formosa.

Referências 
José Marcos de Castro Nunes e Mara Rojane Barros de Matos. Litoral norte da Bahia: caracterização ambiental, biodiversidade e conservação. Salvador: EDUFBA, 2017.

MELO, Marceu de. Classificação de dunas em áreas urbanas a partir do valor de relevância de suas funções ambientais - estudo empírico em Natal/RN. 2020. 180f. Tese (Doutorado em Geografia) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020.

Morim, M.P.; Iganci, J.R.V.; Guerra, E. 2020. Abarema in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB17975>. Acesso em: 03 out. 2021.

domingo, 15 de agosto de 2021

Maria-fita(Coryphospingus pileatus), espécie frequente em nossas Caatingas

Nomenclatura e taxonomia

Nome vernacular(CBRO,2021): tico-tico-rei-cinza.
Outros nomes populares: Maria-fita, Primavera, Abre-fecha, Tico-tico-rei, Galinho-da-serra, Cravina, Galo-de-campina-dos-mirins.
Nome científico: Coryphospingus pileatus (Wied, 1821).
Família: Thraupidae.

Quais as principais características da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Essa espécie apresenta dimorfismo sexual, onde de maneira geral o macho apresenta coloração da plumagem dorsal acinzentada, enquanto que na fêmea ela é pardo-acinzentada. Além disso, o macho possui um topete vermelho(visto apenas quando excitado) de base preta, esta é uma faixa  negra no alto da cabeça, que se destaca quando o topete não está em evidência.


Qual o tamanho e peso da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Espécie relativamente pequena, podendo atingir cerca de 13,5 cm de comprimento e peso de aproximadamente 15 gramas. 

A Maria-fita(Coryphospingus pileatus) alimenta-se de que?
Ela é considerada uma espécie granívora, ou seja, alimenta-se principalmente de sementes(encontradas na planta ou no solo), porém eventualmente inclui pequenos artrópodes(ex.: insetos) em sua dieta.

Onde vive a Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Espécie residente, semi-dependente de ambientes florestais, sendo encontrada geralmente em bosques abertos e matas secas nas regiões áridas. No Brasil, vive na borda de diferentes formações vegetais como caatinga, cerrado e restinga, além de áreas abertas com vegetação arbustiva e também em ambientes alterados, sendo assim considerada como espécie de baixa sensitividade aos distúrbios humanos.

Como é o ninho e os hábitos reprodutivos da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Seu ninho é semi-esférico forrado com material vegetal macio, no qual a fêmea da espécie põe de 3 a 5 ovos que são incubados por cerca de 13 dias, em seguida nascem os filhotes.
Qual a distribuição geográfica da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Essa ave neotropical tem ocorrência confirmada no Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Venezuela. Em território brasileiro, ela ocorre principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, mas já há registro dela também no Sudeste do país.

Qual o status de conservação da Maria-fita(Coryphospingus pileatus) em nível global(IUCN) e nacional(ICMbio)?
Maria-fita(Coryphospingus pileatus) não está ameaçada de extinção em nível mundial de acordo com a lista vermelha da IUCN(2018), e também em nível nacional de acordo como o Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Em ambas as avaliações ela foi classificada na categoria “LC”-Menos Preocupante (IUCN,2018; ICMBio,2018), onde sua população apresenta certa estabilidade na área de sua distribuição. 

Quais seriam as principais ameaças a conservação da Maria-fita(Coryphospingus pileatus) em nível regional?
Maria-fita(Coryphospingus pileatus) é considerada uma espécie semi-dependente de ambientes florestais, sendo assim, de certa forma ela é afetada pelo avanço do desmatamento das áreas florestais onde vive. Além disso, ela é capturada e comercializada de maneira ilegal como animal de estimação, ou seja, suas populações principalmente na região do Nordeste Brasileiro, sofrem o impacto da cultura de criação em gaiolas.

Em quais unidades de conservação(federal e estadual) no Rio Grande do Norte a Maria-fita(Coryphospingus pileatus) já foi registrada(documentada)? Onde observei essa espécie no estado?
O Tico-tico-rei já foi confirmado no Parque Nacional da Furna Feia(localizado nos municípios de Baraúna e Mossoró, RN), na Estação Ecológica do Seridó(Serra Negra do Norte), na Floresta Nacional de Açu(Assú, RN), no Parque Ecológico Pico do Cabugi(observação pessoal), no Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves(por Mauro Pichorim), na Área de Proteção Ambiental Piquiri-Una(observação pessoal), na Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraíra(observação pessoal). Além desses registros, há confirmação dessa espécie também na RPPN Fazenda Salobro(Jucurutu, RN), na futura RPPN Refúgio Jamacaii(Equador, RN; observação pessoal). 
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências
Adriano Rodrigues Lagos ... [et al.] . Guia de aves: da área de influência da Usina Hidrelétrica de Batalha. Rio de Janeiro : FURNAS, 2018.

BirdLife International. 2018. Coryphospingus pileatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T22723047A132021233. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T22723047A132021233.en. Downloaded on 08 August 2021.

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas-CECAV/RN vinculado ao ICMbio. PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO FEDERAL PARQUE NACIONAL DA FURNA FEIA. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.gpme.org.br/bd/proposta-de-criacao-de-unidade-de-conservacao-federal-parque-nacional-da-furna-feia/ Acesso em 15 de ago. 2021.

GOP, F. Sagot-Martin. Preliminar FloNa de Açu, Assú, RN. Táxeus | Listas de espécies. 18/12/2008. Disponível em: https://www.taxeus.com.br/lista/147 

GOP, F. Sagot-Martin. Preliminar aves RPPN S. de Britto, Jucurutu, RN. Táxeus | Listas de espécies. 06/01/2009. Disponível em:https://www.taxeus.com.br/lista/148 

ICMBio -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

LIMA MdC, Mariano EF, Brito WJB, Souza JG, Carreiro AN. 2019. Anatomia e morfometria cranianas de Coryphospingus pileatus (Wied, 1821) (Passeriformes: Thraupidae). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Nat 14: 245–53.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

PACHECO, J.F.; Silveira, L.F.; Aleixo, A.; Agne, C.E.; Bencke, G.A.; Bravo, G.A; Brito, G.R.R.; Cohn-Haft, M.; Maurício, G.N.; Naka, L.N.; Olmos, F.; Posso, S.; Lees, A.C.; Figueiredo, L.F.A.; Carrano, E.; Guedes, R.C.; Cesari, E.; Franz, I.; Schunck, F. & Piacentini, V.Q. 2021. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee – second edition. Ornithology Research, 29(2). https://doi.org/10.1007/s43388-021-00058-x 

PICHORIM, Mauro et al. Guia de Aves da Estação Ecológica do Seridó. Natal: Caule de Papiro, 2016.

PICHORIM M, Oliveira DV, Oliveira-Júnior TM, Câmara TPF, Nascimento EPG (2016) Pristine semi-arid areas in northeastern Brazil remain mainly on slopes of mountain ranges: a case study based on bird community of Serra de Santana. Trop Zool 29:189–204. https://doi.org/10.1080/03946975.2016.1235426

POLICARPO, I. da S. Uso de aves silvestres no Brasil: aspectos entomológicos e conservação. 2013. 67f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2013.

SAGOT-MARTIN, F.; Lima, R.D.; Pacheco, J.F.; Irusta, J.B.; Pichorim, M. & Hassett, D.M. 2020. An updated checklist of the birds of Rio Grande do Norte, Brazil, with comments on new, rare, and unconfirmed species. Bulletin of the British Ornithologists’ Club, 140(3): 218-298.
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SILVA, M. da et al. Aves de treze áreas de caatinga no Rio Grande do Norte, Brasil,. Revista Brasileira de Ornitologia. n.20, p.312-328, 2012.

SILVA, J.M.C.; SOUZA, M.A.; BIEBER, A.G.D. & CARLOS, C.J. 2003. Aves da Caatinga: status, uso do hábitat e sensitividade. In: LEAL, I.R; TABARELLI, M. & SILVA, J.M.C. (eds.). Ecologia e Conservação da Caatinga: Recife, Ed. Universitária da UFPE.

SOUZA, Francisco V. & DANTAS,J.; Aves em Equador,RN, Brasil. 11 e 12 de maio de 2019.  Disponível em: https://www.taxeus.com.br/lista/13520 Acesso em 15 de ago. de 2021.

sábado, 10 de julho de 2021

Rabo-de-calango Kallstroemia sp. tribuloides (Mart.) Steud.

  Planta que pertence a família Zygophyllaceae e ao gênero Kallstroemia, sendo possivelmente da espécie Kallstroemia tribuloides (Mart.) Steud..  Ela é conhecida popularmente como Rabo-de-calango, Abrolho-terrestre e Tribulo.

   Rabo-de-calango(Kallstroemia tribuloides) é uma planta de porte herbáceo, considerado erva anual/perene. Esta apresenta folhas compostas paripinadas com 4 a 6 pares de folíolos. Suas flores são compostas por 5 pétalas amarelas ou alaranjadas, as quais são muito visitadas por abelhas que buscam nelas o néctar e pólen, principalmente a abelha africanizada(Apis melifera).

    Ela não é endêmica(exclusiva) do Brasil, mas é considerada nativa e neste país tem registro confirmado apenas na Região Nordeste, ocorrendo no domínio fitogeográfico ou bioma Caatinga, sendo frequentemente encontrada em áreas alteradas como próximo a rodovias, áreas de pasto, de cultivo de frutas e em lavouras. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, observei essa espécie na mesorregião Agreste Potiguar, em área de vagem, próximo ao rio trairi. 

Referências

Lucena, D.S.; Lucena, M.F.A.; Sousa, J.M.; Silva, R.F.L.; Souza, P.F. Flora vascular de um inselbergue na mesorregião do sertão paraibano, nordeste do Brasil. Scientia Plena, v. 11, n. 01, p. 02-11, 2015.

Maria Iracema Bezerra Loiola et al. (Orgs.). Diversidade de angiospermas do Ceará. Herbário Prisco Bezerra: 80 anos de história [recurso eletrônico]. E-Book: PDF- Sobral: Edições UVA, 2020. 

Moreira, Henrique José da Costa & Bragança, Horlandezan Belirdes Nippes.  Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.

Ribeiro, R.S. 2020. Zygophyllaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB26183>. Acesso em: 27 jun. 2021.

domingo, 13 de junho de 2021

Borboleta Anthanassa cf. hermas Hewitson, 1864

  Essa borboleta faz parte da família Nymphalidae, pertencendo a mesma ao gênero Anthanassa (Scudder, 1875), que incluem diversas espécies nativas no continente americano. O exemplar da foto é da espécie Anthanassa hermas Hewitson, 1864. Ela foi fotografada no interior de mata na comunidade/Sítio Timbaúba, município de Monte Alegre, RN.

Referências
Anthanassa hermas Hewitson, 1864 in GBIF Secretariat (2021). GBIF Backbone Taxonomy. Checklist dataset https://doi.org/10.15468/39omei accessed via GBIF.org on 2021-06-13.
Nymphalidae. Disponível em: https://www.butterfliesofamerica.com/L/Nymphalidae.htm Acesso em: 13 de jun. de 2021.