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domingo, 10 de dezembro de 2023

Borboleta conhecida como Fogo-no-ar, labareda ou borboleta-flambeau, espécie de grande longevidade

  Borboleta conhecida popularmente como Fogo-no-ar, labareda, borboleta-flambeau ou Borboleta-júlia, entretanto seu nome científico é único, Dryas iulia(Fabricius, 1775). Pertence a família Nymphalidae.

   Essa espécie apresenta de maneira geral coloração dorsal vermelho-arruivado com asas marginadas de preto, pode atingir 80mm de envergadura, sendo os indivíduos machos maiores e mais claros do que as fêmeas.

   A borboleta-flambeau(Dryas iulia) habita matas secundárias, borda de florestas, clareiras, áreas de pastagens e jardins, onde pode ser vista visitando flores por exemplo das plantas Lantana sp. e Eupatorium, se alimentando de néctar e pólen(algo incomum para outras borboletas). Além disso, também inclui em sua dieta sais minerais que absorve do solo, de frutos, da urina e ou lágrimas de alguns animais como jacarés. Supõe-se que essa dieta rica em proteínas e sais minerais é o que proporciona a ela ter maior longevidade em média do que outras borboletas. 

   Após o acasalamento a fêmea oviposita em plantas do gênero Passiflora(maracujá), sendo os ovos de cor variando de amarelo a laranja. Destes surgem as lagartas(fase larval) que comem as folhas do maracujá, as quais passam por 5 estágios antes de empuparem(crisálida) e posteriormente do casulo sairá a fase alada...

 A borboleta-fogo-no-ar(Dryas iulia) é tipicamente neotropical(ocorrendo nas Américas) com distribuição confirmada desde o sul dos Estados Unidos até o norte do Uruguai e Argentina.  Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte só observei essa espécie até o momento apenas na Mesorregião Central Potiguar, na RPPN Refúgio Jamacaii em Equador.

Referências
FioCruz. Borboletas e Mariposas. Disponível em: https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/borboletas2.htm Acesso em 10 de dezembro de 2023.

Geraldo Salgado-Neto. LEPIDÓPTEROS DO BRASIL (Agenda de Campo). Disponível em: https://guiasdecampo.wordpress.com/2010/12/24/lepidopteros-do-brasil-agenda-de-campo-geraldo-salgado-neto Acesso em 10 de dezembro de 2023.

KERPEL, S. et al. Borboletas do Semiárido: conhecimento atual e contribuições do PPBio. Artrópodes do Semiárido: Biodiversidade e Conservação, n. 1999, p. 245–272, 2014.

Labareda, borboleta-flambeau ou borboleta-fogo-no-ar (Dryas iulia alcionea). biodiversity4all. Disponível em: https://www.biodiversity4all.org/taxa/50073-Dryas-iulia Acesso em 10 de dezembro de 2023.

Labareda, borboleta-flambeau ou borboleta-fogo-no-ar (Dryas iulia alcionea). Fauna Digital do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.ufrgs.br/faunadigitalrs/labareda-borboleta-flambeau-ou-borboleta-fogo-no-ar-dryas-iulia-alcionea/ Acesso em 10 de dezembro de 2023.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Borboleta Hamadryas februa (Hübner, 1823); Fauna do RN

   Borboleta conhecida popularmente como Borboleta-estaladeira, Assenta-pau-de-barriga-cinzenta ou Pardinha, entretanto seu nome científico é único, cientificamente ela é mundialmente conhecida como Hamadryas februa.
   De maneira geral seu corpo é cinza,apresentando asas anteriores salpicadas com coloração acinzentada, com cadeia de pequenas manchas escuras, enquanto que a parte inferior é branca salpicada de manchas marrons com branco. Não há dimorfismo sexual evidente, ou seja, externamente o macho é idêntico a fêmea. A envergadura de suas asas apresenta em média de 7 a 8,6cm de comprimento.
   Geralmente indivíduos adultos descansam em troncos de árvores de cabeça para baixo com suas asas abertas. Os ovos são colocados isoladamente em folhas ou sépalas da planta hospedeira; as lagartas são solitárias. Antes de escurecer adultos se reúnem em uma única árvore, em seguida, se dispersam para o poleiro em árvores próximas ou arbustos. Indivíduos adultos alimentam-se da resina que exsuda do tronco das árvores e nos frutos fermentados. Enquanto que na fase larval(a lagarta), essa espécie se alimenta das folhas de algumas espécies da família Euphorbiaceae, são as seguintes plantas que ela costuma utilizar como planta hospedeira: Dalechampia heteromorpha,Dalechampia scandens,Dalechampia tiliifolia,Dalechampia triphylla,Tragia volubilis  .
   Darwin, em 1859 observou estas borboletas no Rio de Janeiro, e as chamou de borboleta carijó, o estalido emitido ocorre somente durante o cortejo, através de um saco membranoso característico na base das asas anteriores (DOUBLEDAY, 1845), sendo esse o motivo pelo qual ela também é conhecida vulgarmente como Borboleta-estaladeira.
   Vive no interior de Florestas Subtropicais e nas bordas dessas, como também em áreas cultivadas com árvores ou arbustos. Hamadryas Februa é uma espécie de borboleta típica da América do Sul. Sua distribuição estende-se desde o México até a Colômbia e o Brasil. Ela também ocorre nas ilhas do Caribe. 
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa borboleta poucas vezes no interior de Florestas, mas principalmente em áreas mais abertas dessas e em áreas de sítios por exemplo com plantações de mangueiras e cajueiros.

Classificação Científica: 
Reino: Animalia; Filo: Arthropoda; Classe: Insecta; Ordem: LEPIDOPTERA; Subordem: DITRYSIA; Superfamília: Papilionoidea; Família: NYMPHALIDAE; Subfamília: Biblidinae; Tribo: AGERONIINI; Gênero: HAMADRYAS; Nome específico: februa


Referências
Hamadryas Februa Disponível em http://www.butterfliesandmoths.org/species/Hamadryas-februa Acessoe em 17 de agosto de 2014.

Hamadryas Februa Disponível em http://en.butterflycorner.net/Hamadryas-februa.462.0.html Acessoe em 17 de agosto de 2014.

sábado, 14 de setembro de 2024

A rara Borboleta asas-de-vidro Episcada hymenaea (Prittwitz, 1865) no Rio Grande do Norte

   Inseto conhecido popularmente como Borboleta asas-de-vidro ou Borboletinha-de-vidro, sendo seu nome científico Episcada hymenaea (Prittwitz, 1865). Ela pertence a família Nymphalidae, da qual também fazem parte por exemplo, a borboleta-estaladeira, a borboleta-esmeralda e a borboleta-zebra.
borboleta asas-de-vidro(Episcada hymenaea) documentada em floresta na serra de Luís Gomes, RN, Brasil. Ela foi observada no interior de mata densa nas proximidades de um riacho a cerca de 400 de altitude.

   A Borboleta asas-de-vidro(Episcada hymenaea) faz parte da subfamília Ithomiinae, na qual as suas lagartas(larvas) se alimentam de folhas principalmente de plantas da família Solanaceae, enquanto que na fase adulta(alada) consomem de maneira geral néctar de flores. Especificamente para espécie citada, as plantas-hospedeiras no qual as lagartas comem pertencem ao gênero Solanum(o mesmo da Jurubeba), tendo sido registrada seu desenvolvimento em Solanum diphyllum e Solanum compressum.
   A Borboletinha-de-vidro(Episcada hymenaea) geralmente é encontrada com maior frequência em mata primária, podendo ser considerada uma espécie bioindicadora. Ela habita principalmente ambientes florestais úmidos, mas pode ser encontrada também em florestas alteradas, tanto no interior de mata fechada como na borda. No Brasil tem sido documentada nos biomas Caatinga e Mata Atlântica, mas ocorre em outros países da América do Sul como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste potiguar(foto). 

Referências

Calor, A. R. & Bravo, F. 2014. Artrópodes do semiárido: conhecimento atual e desafios para os próximos anos. In: Bravo, F. & Calor, A. R. eds. Artrópodes do semiárido: biodiversidade e conservação. Feira de Santana, Printmídia.

Costa FAPL (2002) Borboletas Ithomiinae (Lepidoptera, Nymphalidae) da Reserva Biológicas D’Anta (Juiz de Fora, MG). Revista Brasileira de Zoologia, 4:143-149.

Quinteros, R., & Bustos, E.O. (2018). Una enorme congregación de Episcada hymenaea (Lepidoptera: Nymphalidae: Danainae) en las yungas del norte de Salta, Argentina. Acta Zoológica Lilloana.

sábado, 1 de agosto de 2026

A borboleta que repousa de asas abertas a 30°: conheça Panara jarbas

 

Borboleta Panara jarbas vista de cima com asas pretas abertas e faixas alaranjadas, repousando sobre uma folha verde.

Você já reparou que algumas borboletas pousam com as asas completamente abertas e o corpo levemente erguido, quase como se estivessem posando ao sol? Esse comportamento chama a atenção em Panara jarbas (Drury, 1782), uma borboleta exclusivamente brasileira(endêmica). Ela pertence à família Riodinidae, da qual também fazem parte, por exemplo, Aricoris campestris, Stalachtis phlegia e Nymphidium mantus.

Características principais

Panara jarbas é uma borboleta de porte médio, com envergadura de cerca de 44 mm. As asas apresentam coloração castanho-enegrecida. Na asa anterior, há uma larga faixa alaranjada que se estende da margem costal ao ângulo inferior. Na asa posterior, observa-se outra faixa alaranjada, mais estreita, posicionada próxima à extremidade do abdômen. As antenas, o tórax e o abdômen são predominantemente escuros, com pequenas estrias alaranjadas nas laterais do abdômen.

História natural

No litoral brasileiro, P. j. jarbas habita florestas subtropicais úmidas, tanto primárias quanto alteradas. Os machos costumam pousar, do final da manhã até o início da tarde, em clareiras iluminadas, pequenas áreas abertas e topos de morros. Nesses locais, permanecem sobre a face superior das folhas com as asas completamente abertas e o corpo elevado em aproximadamente 30° em relação à folha. As fêmeas são observadas com menor frequência e voam próximas ao solo, no interior da floresta.

Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

A distribuição conhecida de Panara jarbas estende-se pelo leste do Brasil, desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte, incluindo registros mais recentes para áreas do Semiárido da Bahia. A espécie também ocorre no interior até Goiás e, ao sul, no oeste de São Paulo e do Paraná, entre o nível do mar e cerca de 1.000 metros de altitude.

A subespécie nominal (P. j. jarbas) apresenta distribuição disjunta. Uma população ocorre na Serra da Carioca e na Serra do Mar, no oeste do estado do Rio de Janeiro, estendendo-se até o sudeste de Minas Gerais. Outra está presente na Zona da Mata, desde o litoral norte do Espírito Santo até o RN.

E você, já viu uma borboleta pousada assim, de asas bem abertas?

Conte nos comentários se você já encontrou essa espécie ou observou esse comportamento em outras borboletas da mata.

👉Se você gostou de conhecer essa borboleta, compartilhe este post para ajudar a divulgar espécies pouco conhecidas da nossa fauna. Aproveite também para seguir o Fauna e Flora do RN e descobrir outras curiosidades sobre a biodiversidade brasileira.

Referências

CALLAGHAN, C. J. A review of the genus Panara Doubleday, 1847 (Riodinidae) in southeast Brazil, with a description of two new subspecies. Journal of Research on the Lepidoptera, v. 34, p. 21–38, 1995-1997.

KERPEL, Solange Maria et al. Borboletas do Semiárido: conhecimento atual e contribuições do PPBio. In: BRAVO, Freddy; CALOR, Adolfo Ricardo (Org.). Conhecendo a fauna de invertebrados do Semiárido. Teresina: EDUFPI, 2014. cap. 19, p. 193–208.

LAMAS, G. (ed.). Atlas of Neotropical Lepidoptera. Checklist: Part 4A, Hesperioidea–Papilionoidea. Gainesville: Association for Tropical Lepidoptera/Scientific Publishers, 2004. 439 p.

terça-feira, 9 de março de 2010

Borboleta Anartia jatrophae (Linnaeus, 1763); Fauna do RN

   Essa belíssima borboleta é conhecida popularmente em algumas regiões, como Pavão branco, mas a ciência a nomeou como Anartia jatrophae (Linnaeus, 1763) . Ela ocorre nas Américas, sendo encontrada com facilidade em ambientes quentes e abertos, como campos ou parques, onde a água é abundante(Floridata,2001;Struttmann,2004). 
   Os machos dessa espécie patrulham áreas com abundância de plantas hospedeiras a procura de uma fêmea para acasalar. Eles são muito territorialistas e defendem essas áreas de outras espécies. Quando um macho encontra uma fêmea "disposta" a acasalar, ele deposita um espermatófaro para a fêmea durante a cópula. Depois do "namoro", a fêmea com os ovos fertilizados, procura uma planta da espécie Bacopa monnieri, para depositar esses ovos próximo ou na parte inferior das folhas dessa espécie. Esses ovos são pequenos e de cor verde. Depois de um tempo(entre 10-30 dias) surgirão deles, as larvas, que são lagartas, de cor preta com prata ou pontos brancos e apresentam espinhos ramificados. Elas vão se alimentar da planta hospedeira, até chegar o momento de se enclausurar, chegando a fase de crisálida. A crisálida é verde claro com pequenos pontos pretos. No interior desta, a "lagarta se transforma em borboleta adulta", e quando ela está inteiramente formada, as cores das asas já transparecem através da casca. Então, a crisálida começa a se abrir lentamente, e emerge a borboleta adulta.














   A parte superior da borboleta adulta é branca e contém uma mancha redonda preta com uma "luz marrom escuro" em forma de crescente acabamento na asa anterior. As asas anteriores possuem duas manchas semelhantes às da asa anterior. O primeiro par de pernas não são funcionais, dando a aparência de pernas 4 pernas(vê foto1) que é uma característica dos membros da família Nymphalidae, a qual ela faz parte. Não devemos esquecer que ao se alimentar de néctar, não apenas essa, mais muitos outros Lepidópteros fazem o trabalho de polinização, que é importantíssimo para a reprodução das plantas angiospermas.
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado com frequência a presença dessa espécie em todas as regiões do Estado, sendo assim, acredito que ela esteja entre as espécies de borboleta mais comuns do território potiguar e provavelmente entre as mais populares do Brasil, baseado na frequência com que as pessoas postam imagens dela nas redes sociais em diversos estados do país. As fotos que ilustram esse texto, são de espécimes registradas nos municípios de Monte Alegre, Natal e Nísia Floresta, respectivamente. Preserve a natureza!

REFERÊNCIA: 
Anartia jatrophae. Disponível em > animaldiversity.ummz.umich.edu/.../Anartia_jatrophae.html < Acesso em: 09/03/2010.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Conheça a borboleta que tem "joias falsas" nas asas e adora frutas fermentadas

 

Borboleta Paryphthimoides terrestris vista de perfil sobre uma folha verde, destacando as listras marrons e os ocelos (manchas em formato de olho) nas asas.

A borboleta da foto recebeu o nome científico de Paryphthimoides terrestris (Butler, 1867), pertencente à família Nymphalidae e à subfamília Satyrinae. Sua principal característica distintiva são as marcações metálicas irregulares entre os dois maiores ocelos da asa posterior, além da presença de uma única linha submarginal na região do canto interno da margem da asa posterior.

Quando adulta, Paryphthimoides terrestris alimenta-se principalmente do caldo(suco) de frutos maduros ou fermentados (espécie frugívora), enquanto na fase larval (lagarta) suas larvas consomem folhas de gramíneas e ciperáceas. Entre as suas principais plantas hospedeiras estão: Ichnanthus pallens, Lasiacis sloanei, Panicum pilosum, Panicum polygonatum, Paspalum decumbens, Setaria paniculifera, Tripsacum sp., Cyperus sp. e Scleria sp.

Essa borboleta habita florestas tropicais, formações secundárias abertas e ambientes de borda florestal. Trata-se de uma espécie neotropical com distribuição desde a América Central até o Brasil, ocorrendo em países como Nicarágua, Panamá, Trinidad, Guiana Francesa e Brasil. No Brasil, Paryphthimoides terrestris apresenta ampla distribuição geográfica, com registros em todas as regiões do país. A espécie ocorre principalmente em áreas de floresta tropical, formações secundárias abertas e ambientes de borda florestal, sendo mais frequentemente associada aos biomas Amazônia e Mata Atlântica.  

Durante minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie de borboleta apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente no extremo sul da Mata Atlântica potiguar. 

👉“E você, já encontrou essa borboleta por aí? Conta pra gente nos comentários! 
Se curte esse tipo de descoberta, segue o blog Fauna e Flora do RN pra não perder os próximos registros.”

Referências

BECCALONI, G. W. et al. Catálogo das plantas hospedeiras das borboletas neotropicais. Londres: S.E.A./Ribes/CYTED/Museu de História Natural/IVIC, 2008.

CASAGRANDE, M. M.; PIOVESAN, M.; ZACCA, T. Satyrini. In: Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. [S. l.]: PNUD, 2026. Disponível em: http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/150503. Acesso em: 27 abr. 2026.

SANTOS, L. N. dos; BRITO, M. R. M. de; KERPEL, S. M. Borboletas da RPPN Mata Estrela: guia de espécies. Coordenação de Márcio Zikán Cardoso. 1. ed. Natal: Ed. das Autoras, 2022.

SAVELA, Markku. Paryphthimoides Forster, 1964. Lepidoptera and some other life forms. [S. l.], 2023. Disponível em: https://ftp.funet.fi/index/Tree_of_life/insecta/lepidoptera/ditrysia/papilionoidea/nymphalidae/satyrinae/paryphthimoides/. Acesso em: 27 abr. 2026.

ZACCA, T. Revisão taxonômica dos gêneros neotropicais Paryphthimoides Forster, 1964 e Cissia Doubleday, 1848, com descrições de seis novos gêneros e 10 novas espécies de Euptychiina (Lepidoptera: Nymphalidae: Satyrinae). 2017. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas – Entomologia) – Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.

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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Borboleta-estaladeira Hamadryas amphinome (Linnaeus 1767); Fauna do RN

  Borboleta conhecida popularmente como Borboleta-estaladeira, visto que quando voam as asas dos machos produzem estalidos secos, Estaladeira-vermelha (a parte interna inferior de suas asas é de coloração vermelha),Borboleta-assenta-pau, mas seu nome científico é Hamadryas amphinome. O som é produzido durante o voo da borboleta a partir da vibração de um par de hastes espinhosas na ponta do abdômen contra cerdas no clasper anal. Apesar de só os indivíduos machos produzirem o som, ambos os sexos detectam o mesmo, através de suas asas cobertas de membranas que vibram em resposta ao som, estimulando as terminações nervosas. A finalidade do som ainda não é conhecida. Supõe-se, que eventualmente impeça os machos concorrentes de ocupar o mesmo território, ou poderia atuar como um gatilho para iniciar a primeira resposta de uma fêmea durante o namoro.
  Suas as asas são de cor preta aveludada com um brilho azul e um padrão de manchas azuis brilhantes. A cor azul produzida por difração de luz a partir de saliências prismáticas microscópicas na superfície das escalas da asa. A cor varia um pouco de acordo com a qualidade, intensidade e ângulo da luz, de modo que pode aparecer como o céu azul, turquesa ou mesmo esverdeada em matiz.

  Hamadryas amphinome é comumente vista em troncos de árvores ou arbustos a cerca de 2m de altura, adotando uma postura de cabeça para baixo, com as asas achatadas contra a casca. As borboletas vão se aquecer nesta posição por longos períodos para esperar companheiros em potencial. Tanto indivíduos machos como fêmeas passam a maior parte de seu tempo se aquecendo no alto de troncos de árvores, muitas vezes de 10 metros ou mais acima do solo. Curiosamente sentam-se lá por horas com as asas abertas, sempre viradas para baixo mantendo um olhar atento para potenciais companheiros e ou intrusos. Às vezes eles descem e se aquecem mais em baixo, a uma altura de apenas um par de metros, mas a presença da menor perturbação imediatamente voa de volta para o alto da árvore. Eles permanecem lá até que a ameaça desapareça, e, em seguida, descem o tronco da árvore saltando através de uma série de vôos curtos, deslocando-se a pequena distância de cada vez, até depois de meia hora ou assim eles terem retomado a sua posição original.
  Machos de H. amphinome defendem territórios de acasalamento. Os residentes são maiores e possuem asas mais desgastadas do que os intrusos. Os estalos figuram notavelmente durante as interações, porém sem um papel definido (Lourenço, Victor T.,2011).
  Após o acasalamento dos indivíduos adultos, a fêmea deposita seus ovos de cor branca, em cadeias de 5-10 em cima uns dos outros, com 30-100 ovos, pendurados em baixo de uma folha. As larvas(lagartas) que saem dos ovos, quando no ápice do seu crescimento são de cor negras, com marmoreio amarelo ao longo das costas, e têm espinhos pretos multi-ramificados, exceto para aqueles localizados no meio que são de cor laranja. Elas em grupos se alimentam de folhas da espécie vegetal  Dalechampia scandens (Euphorbiaceae).  A crisálida se parece muito com uma pequena folha murcha. Ela varia da cor verde a marrom escuro, e tem um par de chifres na cabeça e fica suspensa em uma folha ou caule, sofrendo transformações, a partir da qual se originará um indivíduo adulto alado.
  A borboleta-estaladeira(Hamadryas amphinome)  se mantém ativa desde o nascer ao pôr do sol, e raramente é vista longe de troncos de árvores ou arbustos. Ela se alimenta principalmente de frutas em decomposição.
  Hamadryas amphinome é encontrada em habitats de floresta tropical secundária ou perturbados, em altitudes entre cerca de 0-1500 metros. Também ocorre em florestas caducifólias secas ou úmidas, onde muitas vezes pode ser abundante.  Essa espécie encontra-se distribuída desde o México até o Peru.
  Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei essa espécie em vários municípios,como Parnamirim,Monte Alegre,São José de Mipibu,Nísia Floresta, na maioria das vezes em área de pomares, principalmente em troncos de mangueiras, às vezes juntamente com Hamadryas februa e Hamadryas feronia.

Classificação científica:  
Reino: Animalia; Filo: Arthropoda; Classe: Insecta; Ordem: Lepidoptera; Família: Nymphalidae; Gênero: Hamadryas Hübner 1806 ; Espécie: Hamadryas amphinome (Linnaeus 1767)

Referências
Victor Toni Lourenço. DEFESA DE TERRITORIOS DE ACASALAMENTO EM HAMADRYAS AMPHINOME LINNAEUS (LEPIDOPTERA; NYMPHALIDAE). X Congresso de Ecologia do Brasil, 16 a 22 de Setembro de 2011, São Lourenço – MG.

Hamadryas amphinome. Disponível em: http://www.learnaboutbutterflies.com/Amazon - Hamadryas amphinome.htm Acesso em 10 de maio de 2014.      
               

Hamadryas amphinome. Disponível em: http://eol.org/pages/166283/hierarchy_entries/55717355/overview Acesso em 10 de maio de 2014.  

domingo, 9 de outubro de 2022

A borboleta do maracujá Eueides isabella (Stoll, 1781)

borboleta do maracujá(Eueides isabella) pousada sobre folhas de urtiga, em Monte Alegre,RN.
borboleta do maracujá(Eueides isabella) pousada sobre folha de urtiga, em Monte Alegre, RN, Brasil.


   Borboleta conhecida como borboleta-do-maracujá, sendo seu nome científico Eueides isabella (Stoll, 1781). Ela pertence a família Nymphalidae e a subfamília Heliconiinae.

   Essa espécie tem ampla distribuída na Região Neotropical, sendo reconhecidas doze subspécies. 
No Brasil, ela é encontrada em borda de matas, ambientes abertos e alterados, incluindo plantações e jardins.

  Sabe-se que essa espécie deposita seus ovos em folhas de maracujás(Passiflora sp.) e que as lagartas(fase larval da espécie) se alimentam de suas folhas.

Referências
Antunes, Fabiano F. et al. Morfologia externa dos estágios imaturos de heliconíneos neotropicais: I. Eueides isabella dianasa (Hübner, 1806). Revista Brasileira de Entomologia [online]. 2002, v. 46, n. 4 [Acessado 9 Outubro 2022] , pp. 601-610. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0085-56262002000400016>. Epub 16 Set 2008. ISSN 1806-9665. https://doi.org/10.1590/S0085-56262002000400016.

Barros, Wagner Ricardo Santos e Lima, Iracilda Maria de MouraDesenvolvimento pré-imaginal de Eueides isabella dianasa (Hübner) (Lepidoptera, Nymphalidae, Heliconiinae) em folhas de Passiflora edulis L. (Passifloraceae). Revista Brasileira de Entomologia [online]. 2004, v. 48, n. 1 [Acessado 9 Outubro 2022] , pp. 69-75. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0085-56262004000100013>. Epub 07 Jun 2004. ISSN 1806-9665. https://doi.org/10.1590/S0085-56262004000100013.

Bento, A. J., Santos, J. M. dos, Goulart, H. F., & Santana, A. E. G. (2019). COMPORTAMENTO DE ACASALAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DO FEROMÔNIO SEXUAL E ANTIAFRODISÍACO DE Eueides isabella (LEPIDOPTERA: NYMPHALIADE). Caderno Verde De Agroecologia E Desenvolvimento Sustentável, 9(5), b-99. Recuperado de https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/CVADS/article/view/7277.

Funet. Eueides Hübner, 1816. Disponível em: https://ftp.funet.fi/index/Tree_of_life/insecta/lepidoptera/ditrysia/papilionoidea/nymphalidae/heliconiinae/eueides/ Acesso em 09/10/2022.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Borboleta 08 ou 80 Callicore sorana (Godart, 1824)

Callicore sorana na caatinga do RN
   Borboleta conhecida como 80 ou 08 dependendo da posição das asas em que é observada, entretanto seu nome científico é Callicore sorana (Godart, 1824). Ela pertence a família Nymphalidae, da qual também fazem parte por exemplo, a borboleta-esmeralda, a borboleta-zebra e a borboleta-estaladeira.
   Além do detalhe curioso numérico presente nas asas, outro detalhe que chama atenção nessa espécie é que nela a fêmea geralmente é considerada "mais bonita(mais colorida)" do que o macho, o que é algo incomum. Na fase larval(as lagartas) elas comem por exemplo, as folhas de Serjania sp., enquanto que adultos de C. sorana alimentam-se principalmente de frutos em decomposição(ex: goiaba e pinha). Quando ela pousa mantém as asas fechadas que as vezes ajuda a camufla-la. 
   No Brasil ela ocorre principalmente no domínio das Caatingas e também no Cerrado tanto no interior de matas como também nas bordas das mesmas. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências
Rocha,Wesley Silveira. Investigações sobre o par mimético Siderone galanthis e Callicore sorana (Lepidoptera, Nymphalidae) em áreas de cerrado sensu stricto do Brasil central. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Universidade de Brasília.

Queiroga, Marina Rocha de. Borboletas frugívoras (Lepidoptera: Nymphalidae) de um remanescente de caatinga, horto florestal olho d’água da bica, Cuité, Paraíba. Monografia apresentada ao curso de licenciatura em ciências biológicas da universidade federal de Campina Grande.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Borboleta-coruja(Caligo cf. beltrao); Fauna do Rio Grande do Norte.



   Essa espécie, em minhas excursões pelo território Potiguar, eu a vi nos municípios de Monte Alegre,Baía Formosa(Mata Estrela) e Goianinha,nessas ocasiões sempre no interior de Florestas.
A borboleta-coruja(Caligo beltrao), é uma das maiores espécies de borboleta do Brasil, podendo medir até 180mm de envergadura. Vive junto à beira de matas ou entre bananeiras. Voa próximo ao solo ao amanhecer e no crepúsculo passa o dia pousada em locais sombrios e úmidos. O ciclo de vida(do ovo ao adulto) dura cerca de 105 dias. A lagarta(fase larval) se alimenta de folhas de bananeira. É curioso notar que quando estar pousada,observar-se destacadamente nas asas posteriores duas manchas ocelares,uma em cada asa,que lembra olhos de coruja,daí o nome borboleta-coruja. Essa adaptação serve para enganar seus predadores. Preserve a natureza!

REFERÊNCIAS:
Petrobrás. Serco. Espécies da Fauna Brasileira. 1.ed. Rio de Janeiro,1982.
Disponível  em: >http://clubevaldenses.vilabol.uol.com.br/borboletas.htm < Acesso em: 08/03/2010.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Borboleta Eurema cf. elathea

Borboletas da espécie 'Eurema cf. elathea' se alimentando de néctar nas flores da coroa-de-frade(Melocactus sp.), município de Cerro Corá,RN,Brasil.
   Essa borboleta da espécie Eurema elathea(Cramer,1777) ocorre geralmente em bordas de matas,florestas secundárias, ambientes abertos, campos e áreas de monoculturas. Os indivíduos adultos alimentam-se de néctar presente em várias plantas, por exemplo das famílias Asteraceae, Fabaceae e Malvaceae. 

Quer saber mais? acesse:
Lenita J. Oliveira. Comportamento da borboleta Eurema elathea (Cramer) (Pieridae:Coliadinae). 1996. Disponível em: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/897792/comportamento-da-borboleta-eurema-elathea-cramer-pieridae-coliadinae Acesso em 03 de dezembro de 2017.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Borboleta Parides sp.

Borboleta da família Papilionidae
Borboleta(Parides sp.) fotografada no interior de Floresta Atlântica,Mata do Pilão, Espírito Santo,RN.
Borboleta pertencente a família Papilionidae e ao gênero Parides, sendo provavelmente da espécie Parides zacynthus(Fabricius, 1793). Conheça outros representantes da nossa fauna: https://faunaefloradorn.blogspot.com/search/label/fauna

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Como os polinizadores garantem o futuro de nossos ecossistemas e agricultura?

Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a Produção de Alimentos

Ilustração da polinização mostrando as partes da flor:estigma, óvario e óvulo.
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...

          A polinização consiste no transporte de grãos de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores, constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina na produção de frutos e sementes. Este processo representa um serviço ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016; Costanza et al. 2017). 

O valor econômico global dos serviços de polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016). Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados de 2018 (Freitas et al.,2023). 

A reprodução da maioria das espécies vegetais, tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas), lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves, quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007). O desaparecimento das abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas inteiros e ameaçando a subsistência humana.

A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um Espetáculo Natural

Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.

Quando percorremos as paisagens do Rio Grande do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas, beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar – ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da agricultura. 

O Rio Grande do Norte está inserido numa das regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação. 

Sabe-se que diversas espécies polinizadoras — ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).

beija-flores como aves polinizadoras da fauna potiguar
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores

No grupo das aves, os beija-flores são os principais agentes polinizadores. Entre eles, destacam-se em nossa fauna: Chionomesa fimbriata (beija-flor-de-garganta-verde), Chrysolampis mosquitos (beija-flor-vermelho), Eupetomena macroura (beija-flor-tesoura) e Chlorostilbon lucidus (besourinho-de-bico-vermelho), este último considerado o principal polinizador do coroa-de-frade (Melocactus zehntneri).

Entre os invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica), melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de interesse econômico.

Abelhas Apis desempenhando papel de polinizadores na fauna potiguar
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização

A abelha jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula, entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus), laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha (Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata), caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea), entre outras espécies.

abelhas nativas do brasil como polinizadores essenciais para a biodiversidade
Abelhas nativas participando da polinização

Além das abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores, sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae, além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.

besouros atuando como polinizadores na fauna do RN
besouros com potencial de polinização visitando flores 

Outro grupo relevante é o dos lepidópteros (borboletas e mariposas), que também contribuem para a polinização. Algumas espécies notáveis incluem: Heraclides thoas brasiliensis (borboleta caixão-de-defunto), Phoebis sennae (borboleta-amarela), Asciamonuste, Eurema elathea, Heliconius ethilla narcaea (borboleta maria-boba), Heliconius erato phyllis (borboleta castanha-vermelha) e Parides sp., entre outras.

borboletas e mariposas atuam como polinizadores e contribuem para a biodiversidade
Exemplos de Borboletas que ajudam a manter a biodiversidade ao transportar pólen entre flores

Por fim, vespas sociais e solitárias também são visitantes florais e potenciais polinizadores. Entre os marimbondos com esse papel, destacam-se Polistes canadensis (marimbondo-caboclo) e Polybia occidentalis occidentalis (marimbondo-fura-olho).

O Papel Fundamental dos Polinizadores: Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade

Os polinizadores desempenham um papel vital na manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto para a vida selvagem quanto para a dieta humana.

As contribuições ecológicas dos polinizadores vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para sobreviver.

Uma única espécie de abelha pode polinizar diversas espécies de vegetais
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.

Talvez mais importante ainda seja sua contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes, aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa função se torna ainda mais crítica.

Em termos de produção de alimentos, os polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente 35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento floral.

Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.

Os números da economia dos polinizadores são impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por abelhas.

Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.

Apicultura contribui para polinização de culturas agrícolas
Apicultura contribui para polinização de plantas da região

A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.

Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças Imediatas

Agora chegamos em ponto crítico e preocupante: ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de regiões temperadas.

As avaliações de conservação são urgentes não apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo. Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.

Infelizmente, as populações de polinizadores no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que dependem da polinização natural para suas colheitas.

desmatamento afeta aos animais polinizadores
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.

A urbanização, a expansão agrícola e o desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores. À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.

O uso de pesticidas, particularmente neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.

Abelha morta por excesso de pesticidas neonicotinóides
Abelha morta

As mudanças climáticas afetam significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores sem fontes de alimento quando emergem.

Além disso, o aumento das temperaturas está ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte. Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste brasileiro.

Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas, enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de habitat e exposição a pesticidas.

Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para Garantir o Futuro

O declínio das populações de polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.

Biodiversidade do Bioma Caatinga do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.

Além das ações legislativas, há uma forte ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local, contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo, programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas, contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.

Através desses esforços conjuntos de conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a longo prazo.

O desafio é grande, mas não impossível. Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado ao nosso.

Referências

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Referências de Imagens não autorais

  • Abelha no néctar da flor amarela Foto de Pixabay. Disponível em:

  • Joaninha sobre flor amarela Foto de József Szabó, disponível em:

  • Beija-flor voando sobre flor Foto de Richard Sagredo, disponível em:

  • Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:

  • Apicultor com abelhas Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:

  • Desmatamento – toco de árvore Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:

  • Abelhas mortas por pesticidas Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em: