Bem-vindo!
Aqui compartilho meus registros da fauna e flora do Rio Grande do Norte, resultado de trilhas e expedições pelos diferentes biomas do estado, transformando essa vivência em conhecimento aplicado à educação ambiental.
Borboleta conhecida popularmente como Fogo-no-ar, labareda, borboleta-flambeau ou Borboleta-júlia, entretanto seu nome científico é único, Dryas iulia(Fabricius, 1775). Pertence a família Nymphalidae.
Essa espécie apresenta de maneira geral coloração dorsal vermelho-arruivado com asas
marginadas de preto, pode atingir 80mm de envergadura, sendo os indivíduos machos maiores e mais claros do que as fêmeas.
A borboleta-flambeau(Dryas iulia) habita matas secundárias, borda de florestas, clareiras, áreas de pastagens e jardins, onde pode ser vista visitando flores por exemplo das plantas Lantana sp. e Eupatorium, se alimentando de néctar e pólen(algo incomum para outras borboletas). Além disso, também inclui em sua dieta sais minerais que absorve do solo, de frutos, da urina e ou lágrimas de alguns animais como jacarés. Supõe-se que essa dieta rica em proteínas e sais minerais é o que proporciona a ela ter maior longevidade em média do que outras borboletas.
Após o acasalamento a fêmea oviposita em plantas do gênero Passiflora(maracujá), sendo os ovos de cor variando de amarelo a laranja. Destes surgem as lagartas(fase larval) que comem as folhas do maracujá, as quais passam por 5 estágios antes de empuparem(crisálida) e posteriormente do casulo sairá a fase alada...
A borboleta-fogo-no-ar(Dryas iulia) é tipicamente neotropical(ocorrendo nas Américas) com distribuição confirmada desde o sul dos Estados Unidos até o norte do Uruguai e Argentina. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte só observei essa espécie até o momento apenas na Mesorregião Central Potiguar, na RPPN Refúgio Jamacaii em Equador.
KERPEL, S. et al. Borboletas do Semiárido: conhecimento atual e contribuições do PPBio. Artrópodes do Semiárido: Biodiversidade e Conservação, n. 1999, p. 245–272, 2014.
Borboleta conhecida popularmente como Borboleta-estaladeira, Assenta-pau-de-barriga-cinzenta ou Pardinha, entretanto seu nome científico é único, cientificamente ela é mundialmente conhecida como Hamadryas februa.
De maneira geral seu corpo é cinza,apresentando asas anteriores salpicadas com coloração acinzentada, com cadeia de pequenas manchas escuras, enquanto que a parte inferior é branca salpicada de manchas marrons com branco. Não há dimorfismo sexual evidente, ou seja, externamente o macho é idêntico a fêmea. A envergadura de suas asas apresenta em média de 7 a 8,6cm de comprimento.
Geralmente indivíduos adultos descansam em troncos de árvores de cabeça para baixo com suas asas abertas. Os ovos são colocados isoladamente em folhas ou sépalas da planta hospedeira; as lagartas são solitárias. Antes de escurecer adultos se reúnem em uma única árvore, em seguida, se dispersam para o poleiro em árvores próximas ou arbustos. Indivíduos adultos alimentam-se da resina que exsuda do tronco das árvores e nos frutos fermentados. Enquanto que na fase larval(a lagarta), essa espécie se alimenta das folhas de algumas espécies da família Euphorbiaceae, são as seguintes plantas que ela costuma utilizar como planta hospedeira: Dalechampia heteromorpha,Dalechampia scandens,Dalechampia tiliifolia,Dalechampia triphylla,Tragia volubilis .
Darwin, em 1859 observou estas borboletas no Rio de Janeiro, e as chamou de borboleta carijó, o estalido emitido ocorre somente durante o cortejo, através de um saco membranoso característico na base das asas anteriores (DOUBLEDAY, 1845), sendo esse o motivo pelo qual ela também é conhecida vulgarmente como Borboleta-estaladeira.
Vive no interior de Florestas Subtropicais e nas bordas dessas, como também em áreas cultivadas com árvores ou arbustos. Hamadryas Februa é uma espécie de borboleta típica da América do Sul. Sua distribuição estende-se desde o México até a Colômbia e o Brasil. Ela também ocorre nas ilhas do Caribe.
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa borboleta poucas vezes no interior de Florestas, mas principalmente em áreas mais abertas dessas e em áreas de sítios por exemplo com plantações de mangueiras e cajueiros.
Inseto conhecido popularmente como Borboleta asas-de-vidro ou Borboletinha-de-vidro, sendo seu nome científico Episcada hymenaea (Prittwitz, 1865). Ela pertence a família Nymphalidae, da qual também fazem parte por exemplo, a borboleta-estaladeira, a borboleta-esmeralda e a borboleta-zebra.
borboleta asas-de-vidro(Episcada hymenaea) documentada em floresta na serra de Luís Gomes, RN, Brasil. Ela foi observada no interior de mata densa nas proximidades de um riacho a cerca de 400 de altitude.
A Borboleta asas-de-vidro(Episcada hymenaea) faz parte da subfamília Ithomiinae, na qual as suas lagartas(larvas) se alimentam de folhas principalmente de plantas da família Solanaceae, enquanto que na fase adulta(alada) consomem de maneira geral néctar de flores. Especificamente para espécie citada, as plantas-hospedeiras no qual as lagartas comem pertencem ao gênero Solanum(o mesmo da Jurubeba), tendo sido registrada seu desenvolvimento em Solanum diphyllum e Solanum compressum.
A Borboletinha-de-vidro(Episcada hymenaea) geralmente é encontrada com maior frequência em mata primária, podendo ser considerada uma espécie bioindicadora. Ela habita principalmente ambientes florestais úmidos, mas pode ser encontrada também em florestas alteradas, tanto no interior de mata fechada como na borda. No Brasil tem sido documentada nos biomas Caatinga e Mata Atlântica, mas ocorre em outros países da América do Sul como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste potiguar(foto).
Referências
Calor, A. R. & Bravo, F. 2014. Artrópodes do semiárido: conhecimento atual e desafios para os próximos anos. In: Bravo, F. & Calor, A. R. eds. Artrópodes do semiárido: biodiversidade e conservação. Feira de Santana, Printmídia.
Costa FAPL (2002) Borboletas Ithomiinae (Lepidoptera, Nymphalidae) da Reserva Biológicas D’Anta (Juiz de Fora, MG). Revista Brasileira de Zoologia, 4:143-149.
Quinteros, R., & Bustos, E.O. (2018). Una enorme congregación de Episcada hymenaea (Lepidoptera: Nymphalidae: Danainae) en las yungas del norte de Salta, Argentina. Acta Zoológica Lilloana.
Você
já reparou que algumas borboletas pousam com as asas completamente abertas e o
corpo levemente erguido, quase como se estivessem posando ao sol? Esse
comportamento chama a atenção em Panara jarbas (Drury, 1782), uma
borboleta exclusivamente brasileira(endêmica). Ela pertence à família Riodinidae,
da qual também fazem parte, por exemplo, Aricoris campestris, Stalachtis phlegia e Nymphidium mantus.
Características
principais
Panara
jarbas é uma borboleta de porte médio, com envergadura de cerca de 44 mm. As
asas apresentam coloração castanho-enegrecida. Na asa anterior, há uma larga
faixa alaranjada que se estende da margem costal ao ângulo inferior. Na asa
posterior, observa-se outra faixa alaranjada, mais estreita, posicionada
próxima à extremidade do abdômen. As antenas, o tórax e o abdômen são
predominantemente escuros, com pequenas estrias alaranjadas nas laterais do
abdômen.
História
natural
No
litoral brasileiro, P. j. jarbas habita florestas subtropicais úmidas,
tanto primárias quanto alteradas. Os machos costumam pousar, do final da manhã
até o início da tarde, em clareiras iluminadas, pequenas áreas abertas e topos
de morros. Nesses locais, permanecem sobre a face superior das folhas com as
asas completamente abertas e o corpo elevado em aproximadamente 30° em relação
à folha. As fêmeas são observadas com menor frequência e voam próximas ao solo,
no interior da floresta.
Habitat,
ocorrência e distribuição geográfica
A
distribuição conhecida de Panara jarbas estende-se pelo leste do Brasil,
desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte, incluindo registros mais
recentes para áreas do Semiárido da Bahia. A espécie também ocorre no interior
até Goiás e, ao sul, no oeste de São Paulo e do Paraná, entre o nível do mar e
cerca de 1.000 metros de altitude.
A
subespécie nominal (P. j. jarbas) apresenta distribuição disjunta. Uma
população ocorre na Serra da Carioca e na Serra do Mar, no oeste do estado do
Rio de Janeiro, estendendo-se até o sudeste de Minas Gerais. Outra está
presente na Zona da Mata, desde o litoral norte do Espírito Santo até o RN.
E
você, já viu uma borboleta pousada assim, de asas bem abertas?
Conte
nos comentários se você já encontrou essa espécie ou observou esse
comportamento em outras borboletas da mata.
👉Se
você gostou de conhecer essa borboleta, compartilhe este post para
ajudar a divulgar espécies pouco conhecidas da nossa fauna. Aproveite também
para seguir o Fauna e Flora do RN e descobrir outras curiosidades sobre
a biodiversidade brasileira.
Referências
CALLAGHAN, C. J. A review of the genus Panara Doubleday, 1847 (Riodinidae) in southeast Brazil, with a description of two new subspecies. Journal of Research on the Lepidoptera, v. 34, p. 21–38, 1995-1997.
KERPEL, Solange Maria et al. Borboletas do Semiárido: conhecimento atual e contribuições do PPBio. In: BRAVO, Freddy; CALOR, Adolfo Ricardo (Org.). Conhecendo a fauna de invertebrados do Semiárido. Teresina: EDUFPI, 2014. cap. 19, p. 193–208.
LAMAS, G. (ed.). Atlas of Neotropical Lepidoptera. Checklist: Part 4A, Hesperioidea–Papilionoidea. Gainesville: Association for Tropical Lepidoptera/Scientific Publishers, 2004. 439 p.
Essa belíssima borboleta é conhecida popularmente em algumas regiões, como Pavão branco, mas a ciência a nomeou como Anartia jatrophae (Linnaeus, 1763) . Ela ocorre nas Américas, sendo encontrada com facilidade em ambientes quentes e abertos, como campos ou parques, onde a água é abundante(Floridata,2001;Struttmann,2004).
Os machos dessa espécie patrulham áreas com abundância de plantas hospedeiras a procura de uma fêmea para acasalar. Eles são muito territorialistas e defendem essas áreas de outras espécies. Quando um macho encontra uma fêmea "disposta" a acasalar, ele deposita um espermatófaro para a fêmea durante a cópula. Depois do "namoro", a fêmea com os ovos fertilizados, procura uma planta da espécie Bacopa monnieri, para depositar esses ovos próximo ou na parte inferior das folhas dessa espécie. Esses ovos são pequenos e de cor verde. Depois de um tempo(entre 10-30 dias) surgirão deles, as larvas, que são lagartas, de cor preta com prata ou pontos brancos e apresentam espinhos ramificados. Elas vão se alimentar da planta hospedeira, até chegar o momento de se enclausurar, chegando a fase de crisálida. A crisálida é verde claro com pequenos pontos pretos. No interior desta, a "lagarta se transforma em borboleta adulta", e quando ela está inteiramente formada, as cores das asas já transparecem através da casca. Então, a crisálida começa a se abrir lentamente, e emerge a borboleta adulta.
A parte superior da borboleta adulta é branca e contém uma mancha redonda preta com uma "luz marrom escuro" em forma de crescente acabamento na asa anterior. As asas anteriores possuem duas manchas semelhantes às da asa anterior. O primeiro par de pernas não são funcionais, dando a aparência de pernas 4 pernas(vê foto1) que é uma característica dos membros da família Nymphalidae, a qual ela faz parte. Não devemos esquecer que ao se alimentar de néctar, não apenas essa, mais muitos outros Lepidópteros fazem o trabalho de polinização, que é importantíssimo para a reprodução das plantas angiospermas. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado com frequência a presença dessa espécie em todas as regiões do Estado, sendo assim, acredito que ela esteja entre as espécies de borboleta mais comuns do território potiguar e provavelmente entre as mais populares do Brasil, baseado na frequência com que as pessoas postam imagens dela nas redes sociais em diversos estados do país. As fotos que ilustram esse texto, são de espécimes registradas nos municípios de Monte Alegre, Natal e Nísia Floresta, respectivamente. Preserve a natureza!
REFERÊNCIA:
Anartia jatrophae. Disponível em > animaldiversity.ummz.umich.edu/.../Anartia_jatrophae.html
< Acesso em: 09/03/2010.
A
borboleta da foto recebeu o nome científico de Paryphthimoides terrestris
(Butler, 1867), pertencente à família Nymphalidae e à subfamília Satyrinae. Sua
principal característica distintiva são as marcações metálicas irregulares
entre os dois maiores ocelos da asa posterior, além da presença de uma única
linha submarginal na região do canto interno da margem da asa posterior.
Quando
adulta, Paryphthimoides terrestris alimenta-se principalmente do caldo(suco)
de frutos maduros ou fermentados (espécie frugívora), enquanto na fase larval
(lagarta) suas larvas consomem folhas de gramíneas e ciperáceas. Entre as suas principais
plantas hospedeiras estão: Ichnanthus pallens, Lasiacis sloanei, Panicum
pilosum, Panicum polygonatum, Paspalum decumbens, Setaria
paniculifera, Tripsacum sp., Cyperus sp. e Scleria sp.
Essa
borboleta habita florestas tropicais, formações secundárias abertas e ambientes
de borda florestal. Trata-se de uma espécie neotropical com distribuição desde
a América Central até o Brasil, ocorrendo em países como Nicarágua, Panamá,
Trinidad, Guiana Francesa e Brasil. No Brasil, Paryphthimoides
terrestris apresenta ampla distribuição geográfica, com registros em
todas as regiões do país. A espécie ocorre principalmente em áreas de floresta
tropical, formações secundárias abertas e ambientes de borda florestal,
sendo mais frequentemente associada aos biomas Amazônia e Mata
Atlântica.
Durante minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie de borboleta apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente no extremo sul da Mata Atlântica potiguar.
👉“E você, já encontrou essa borboleta por aí? Conta pra gente nos comentários! Se curte esse tipo de descoberta, segue o blog Fauna e Flora do RN pra não perder os próximos registros.”
Referências
BECCALONI, G. W. et al. Catálogo das plantas
hospedeiras das borboletas neotropicais. Londres: S.E.A./Ribes/CYTED/Museu
de História Natural/IVIC, 2008.
CASAGRANDE, M. M.; PIOVESAN, M.; ZACCA, T. Satyrini.
In: Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. [S. l.]: PNUD, 2026.
Disponível em: http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/150503. Acesso em:
27 abr. 2026.
SANTOS, L. N. dos; BRITO, M. R. M. de; KERPEL, S. M. Borboletas
da RPPN Mata Estrela: guia de espécies. Coordenação de Márcio Zikán
Cardoso. 1. ed. Natal: Ed. das Autoras, 2022.
SAVELA,
Markku. Paryphthimoides Forster, 1964. Lepidoptera and some other
life forms. [S. l.], 2023. Disponível em:
https://ftp.funet.fi/index/Tree_of_life/insecta/lepidoptera/ditrysia/papilionoidea/nymphalidae/satyrinae/paryphthimoides/.
Acesso em: 27 abr. 2026.
ZACCA, T. Revisão taxonômica dos gêneros
neotropicais Paryphthimoides Forster, 1964 e Cissia Doubleday,
1848, com descrições de seis novos gêneros e 10 novas espécies de Euptychiina
(Lepidoptera: Nymphalidae: Satyrinae). 2017. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Entomologia) – Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal
do Paraná, Curitiba, 2017.
Borboleta conhecida popularmente
como Borboleta-estaladeira, visto que quando voam as asas dos machos produzem
estalidos secos, Estaladeira-vermelha (a parte interna inferior de suas asas
é de coloração vermelha),Borboleta-assenta-pau, mas seu nome científico é
Hamadryas amphinome. O som é produzido durante o voo da borboleta a partir da
vibração de um par de hastes espinhosas na ponta do abdômen contra cerdas no
clasper anal. Apesar de só os indivíduos machos produzirem o som, ambos os
sexos detectam o mesmo, através de suas asas cobertas de membranas que vibram
em resposta ao som, estimulando as terminações nervosas. A finalidade do som ainda
não é conhecida. Supõe-se, que eventualmente impeça os machos concorrentes de
ocupar o mesmo território, ou poderia atuar como um gatilho para iniciar a
primeira resposta de uma fêmea durante o namoro.
Suas as asas são de cor preta
aveludada com um brilho azul e um padrão de manchas azuis brilhantes. A cor
azul produzida por difração de luz a partir de saliências prismáticas
microscópicas na superfície das escalas da asa. A cor varia um pouco de acordo
com a qualidade, intensidade e ângulo da luz, de modo que pode aparecer como o
céu azul, turquesa ou mesmo esverdeada em matiz.
Hamadryas amphinome é comumente
vista em troncos de árvores ou arbustos a cerca de 2m de altura, adotando uma
postura de cabeça para baixo, com as asas achatadas contra a casca. As
borboletas vão se aquecer nesta posição por longos períodos para esperar
companheiros em potencial. Tanto indivíduos machos como fêmeas passam a
maior parte de seu tempo se aquecendo no alto de troncos de árvores, muitas
vezes de 10 metros ou mais acima do solo. Curiosamente sentam-se lá por horas
com as asas abertas, sempre viradas para baixo mantendo um olhar atento para
potenciais companheiros e ou intrusos. Às vezes eles descem e se aquecem mais em
baixo, a uma altura de apenas um par de metros, mas a presença da menor perturbação
imediatamente voa de volta para o alto da árvore. Eles permanecem lá até que a
ameaça desapareça, e, em seguida, descem o tronco da árvore saltando através de
uma série de vôos curtos, deslocando-se a pequena distância de cada vez, até
depois de meia hora ou assim eles terem retomado a sua posição original.
Machos de H. amphinome defendem
territórios de acasalamento. Os residentes são maiores e possuem asas mais
desgastadas do que os intrusos. Os estalos figuram notavelmente durante as
interações, porém sem um papel definido (Lourenço, Victor T.,2011).
Após o acasalamento dos
indivíduos adultos, a fêmea deposita seus ovos de cor branca, em cadeias de 5-10 em cima uns
dos outros, com 30-100 ovos, pendurados em baixo de uma folha. As larvas(lagartas) que saem dos ovos,
quando no ápice do seu crescimento são de cor negras, com marmoreio amarelo ao
longo das costas, e têm espinhos pretos multi-ramificados, exceto para aqueles
localizados no meio que são de cor laranja. Elas em grupos se alimentam de
folhas da espécie vegetal Dalechampia scandens
(Euphorbiaceae). A crisálida se parece muito com uma pequena folha
murcha. Ela varia da cor verde a marrom escuro, e tem um par de chifres na
cabeçae fica suspensa em uma folha ou caule,
sofrendo transformações, a partir da qual se originará um indivíduo adulto
alado.
A borboleta-estaladeira(Hamadryas amphinome) se mantém ativa desde o nascer ao pôr do sol,
e raramente é vista longe de troncos de árvores ou arbustos. Ela se
alimenta principalmente de frutas em decomposição.
Hamadryas amphinome é encontrada
em habitats de floresta tropical secundária ou perturbados, em altitudes entre
cerca de 0-1500 metros. Também ocorre em florestas caducifólias secas ou
úmidas, onde muitas vezes pode ser abundante. Essa espécie encontra-se distribuída
desde o México até o Peru.
Durante minhas excursões pelo
estado do Rio Grande do Norte, observei essa espécie em vários municípios,como Parnamirim,Monte Alegre,São José de Mipibu,Nísia Floresta, na
maioria das vezes em área de pomares, principalmente em troncos de mangueiras, às
vezes juntamente com Hamadryas februa e Hamadryas feronia.
Victor Toni Lourenço. DEFESA DE TERRITORIOS DE ACASALAMENTO EM HAMADRYAS
AMPHINOME LINNAEUS (LEPIDOPTERA; NYMPHALIDAE). X Congresso de Ecologia do
Brasil, 16 a 22 de Setembro de 2011, São Lourenço – MG.
borboleta do maracujá(Eueides isabella) pousada sobre folha de urtiga, em Monte Alegre, RN, Brasil.
Borboleta conhecida como borboleta-do-maracujá, sendo seu nome científico Eueides isabella (Stoll, 1781). Ela pertence a família Nymphalidae e a subfamília Heliconiinae.
Essa espécie tem ampla distribuída na Região Neotropical, sendo reconhecidas doze subspécies.
No Brasil, ela é encontrada em borda de matas, ambientes abertos e alterados, incluindo plantações e jardins.
Sabe-se que essa espécie deposita seus ovos em folhas de maracujás(Passiflora sp.) e que as lagartas(fase larval da espécie) se alimentam de suas folhas.
Referências
Antunes, Fabiano F. et al. Morfologia externa dos estágios imaturos de heliconíneos neotropicais: I. Eueides isabella dianasa (Hübner, 1806). Revista Brasileira de Entomologia [online]. 2002, v. 46, n. 4 [Acessado 9 Outubro 2022] , pp. 601-610. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0085-56262002000400016>. Epub 16 Set 2008. ISSN 1806-9665. https://doi.org/10.1590/S0085-56262002000400016.
Barros, Wagner Ricardo Santos e Lima, Iracilda Maria de MouraDesenvolvimento pré-imaginal de Eueides isabella dianasa (Hübner) (Lepidoptera, Nymphalidae, Heliconiinae) em folhas de Passiflora edulis L. (Passifloraceae). Revista Brasileira de Entomologia [online]. 2004, v. 48, n. 1 [Acessado 9 Outubro 2022] , pp. 69-75. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0085-56262004000100013>. Epub 07 Jun 2004. ISSN 1806-9665. https://doi.org/10.1590/S0085-56262004000100013.
Bento, A. J., Santos, J. M. dos, Goulart, H. F., & Santana, A. E. G. (2019). COMPORTAMENTO DE ACASALAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DO FEROMÔNIO SEXUAL E ANTIAFRODISÍACO DE Eueides isabella (LEPIDOPTERA: NYMPHALIADE). Caderno Verde De Agroecologia E Desenvolvimento Sustentável, 9(5), b-99. Recuperado de https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/CVADS/article/view/7277.
Funet. Eueides Hübner, 1816. Disponível em: https://ftp.funet.fi/index/Tree_of_life/insecta/lepidoptera/ditrysia/papilionoidea/nymphalidae/heliconiinae/eueides/ Acesso em 09/10/2022.
Borboleta conhecida como 80 ou 08 dependendo da posição das asas em que é observada, entretanto seu nome científico é Callicore sorana (Godart, 1824). Ela pertence a família Nymphalidae, da qual também fazem parte por exemplo, a borboleta-esmeralda, a borboleta-zebra e a borboleta-estaladeira.
Além do detalhe curioso numérico presente nas asas, outro detalhe que chama atenção nessa espécie é que nela a fêmea geralmente é considerada "mais bonita(mais colorida)" do que o macho, o que é algo incomum. Na fase larval(as lagartas) elas comem por exemplo, as folhas de Serjania sp., enquanto que adultos de C. sorana alimentam-se principalmente de frutos em decomposição(ex: goiaba e pinha). Quando ela pousa mantém as asas fechadas que as vezes ajuda a camufla-la.
No Brasil ela ocorre principalmente no domínio das Caatingas e também no Cerrado tanto no interior de matas como também nas bordas das mesmas. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste Potiguar.
Referências
Rocha,Wesley Silveira. Investigações
sobre o par mimético Siderone galanthis e Callicore sorana (Lepidoptera, Nymphalidae)
em áreas de cerrado sensu stricto do Brasil central. Dissertação apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Universidade de Brasília.
Queiroga, Marina Rocha de. Borboletas
frugívoras (Lepidoptera: Nymphalidae) de um remanescente de caatinga, horto florestal
olho d’água da bica, Cuité, Paraíba. Monografia apresentada ao curso de
licenciatura em ciências biológicas da universidade federal de Campina Grande.
Essa espécie, em minhas excursões pelo território Potiguar, eu a vi nos municípios de Monte Alegre,Baía Formosa(Mata Estrela) e Goianinha,nessas ocasiões sempre no interior de Florestas.
A borboleta-coruja(Caligo beltrao), é uma das maiores espécies de borboleta do Brasil, podendo medir até 180mm de envergadura. Vive junto à beira de matas ou entre bananeiras. Voa próximo ao solo ao amanhecer e no crepúsculo passa o dia pousada em locais sombrios e úmidos. O ciclo de vida(do ovo ao adulto) dura cerca de 105 dias. A lagarta(fase larval) se alimenta de folhas de bananeira. É curioso notar que quando estar pousada,observar-se destacadamente nas asas posteriores duas manchas ocelares,uma em cada asa,que lembra olhos de coruja,daí o nome borboleta-coruja. Essa adaptação serve para enganar seus predadores. Preserve a natureza!
REFERÊNCIAS:
Petrobrás. Serco.Espécies da Fauna Brasileira. 1.ed. Rio de Janeiro,1982.
Borboletas da espécie 'Eurema cf. elathea' se alimentando de néctar nas flores da coroa-de-frade(Melocactus sp.), município de Cerro Corá,RN,Brasil.
Essa borboleta da espécie Eurema elathea(Cramer,1777) ocorre geralmente em bordas de matas,florestas secundárias, ambientes abertos, campos e áreas de monoculturas. Os indivíduos adultos alimentam-se de néctar presente em várias plantas, por exemplo das famílias Asteraceae, Fabaceae e Malvaceae.
Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a
Produção de Alimentos
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...
A polinização consiste no transporte de grãos
de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores,
constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina naprodução de frutos e sementes. Este processo representa um serviço
ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e
culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios
para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade
genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as
funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado
de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de
conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016;
Costanza et al. 2017).
O valor econômico global dos serviços de
polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção
alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre
US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016).
Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía
diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados
de 2018 (Freitas et al.,2023).
A reprodução da maioria das espécies vegetais,
tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por
animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente
insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas),
lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem
vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves,
quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre
todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior
relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais
culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007).
O desaparecimento das
abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem
polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas
inteiros e ameaçando a subsistência humana.
A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um
Espetáculo Natural
Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.
Quando percorremos as paisagens do Rio Grande
do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata
Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos
polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas,
beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação
ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso
durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar
– ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da
agricultura.
O Rio Grande do Norte está inserido numa das
regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas
vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são
verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles
transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras
potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats
é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes
necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em
proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza
terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente
fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da
Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por
espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando
recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação.
Sabe-se que diversas espécies polinizadoras —
ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os
vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o
morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas
como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus
gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris
vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do
xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores
Entre os
invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com
destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha
papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium
occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica),
melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de
interesse econômico.
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização
A abelha
jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium
guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já
a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea
americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula,
entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de
abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus),
laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e
tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha
(Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata),
caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua
na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema
nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o
maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea),
entre outras espécies.
Abelhas nativas participando da polinização
Além das
abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores,
sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente
visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e
Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de
cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das
famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae,
além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como
polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em
ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.
besouros com potencial de polinização visitando flores
O Papel Fundamental dos Polinizadores:
Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade
Os polinizadores desempenham um papel vital na
manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela
reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para
sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A
presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na
produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto
para a vida selvagem quanto para a dieta humana.
As contribuições ecológicas dos polinizadores
vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do
ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a
sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores
para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas
de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas
de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter
efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que
polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para
sobreviver.
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.
Talvez mais importante ainda seja sua
contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes
garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes,
aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e
resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa
função se torna ainda mais crítica.
Em termos de produção de alimentos, os
polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente
35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes
essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos
mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de
abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos
de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não
está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso
deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento
floral.
Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.
Os números da economia dos polinizadores são
impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda
não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no
Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa
Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma
parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por
abelhas.
Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.
Apicultura contribui para polinização de plantas da região
A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.
Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças
Imediatas
Agora chegamos em ponto crítico e preocupante:
ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas
significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no
RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de
regiões temperadas.
As avaliações de conservação são urgentes não
apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua
de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que
nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as
plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo.
Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio
ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.
Infelizmente, as populações de polinizadores
no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O
declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem
consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que
dependem da polinização natural para suas colheitas.
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.
A urbanização, a expansão agrícola e o
desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores.
À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais
ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as
populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a
disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a
diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.
O uso de pesticidas, particularmente
neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses
produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a
capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas
pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais
suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.
Abelha morta
As mudanças climáticas afetam
significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados
de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da
floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que
impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem
florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores
sem fontes de alimento quando emergem.
Além disso, o aumento das temperaturas está
ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as
populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte.
Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste
brasileiro.
Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças
nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por
exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas,
enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os
recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos
causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para
polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de
habitat e exposição a pesticidas.
Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para
Garantir o Futuro
O declínio das populações de
polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando
a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a
Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível
criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de
pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos
polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de
lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e
específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais
e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem
ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover
práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.
Além das ações legislativas, há uma forte
ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a
criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra
das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para
polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o
desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A
implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a
participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local,
contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na
sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo,
programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos
polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam
oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o
monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o
ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas,
contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas
espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.
Através desses esforços conjuntos de
conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de
coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A
proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma
questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a
longo prazo.
O desafio é grande, mas não impossível.
Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas
adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da
sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e
precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado
ao nosso.
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Referências de Imagens não autorais
Abelha no néctar da flor amarela
Foto de Pixabay. Disponível em:
Joaninha sobre flor amarela
Foto de József Szabó, disponível em:
Beija-flor voando sobre flor
Foto de Richard Sagredo, disponível em:
Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:
Apicultor com abelhas
Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:
Desmatamento – toco de árvore
Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:
Abelhas mortas por pesticidas
Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em: