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domingo, 25 de janeiro de 2015

Marimbondo Caboclo Polistes canadensis (Linnaeus, 1758); Fauna do RN

   Vespa social conhecida popularmente como Marimbondo Caboclo,Marimbondo vermelho ou Vespa Cabocla, entretanto seu nome científico é Polistes canadensis (Linnaeus, 1758). Essa espécie parece com outra do mesmo gênero, Polistes lanio lanio que também é vermelha,mas apresenta marcas amarelas no 1° tergito gastral,enquanto que P. canadensis é toda vermelha,maior e mais escura.
   Vespas do gênero Polistes (Latreille, 1802) geralmente constroem ninhos em árvores ou arbustos, entretanto algumas espécies como P. canadensis (Linnaeus, 1758) o fazem em locais abrigados como cavidades ou ainda em edificações humanas, onde ficam expostos, o que permite a observação de todos os indivíduos do grupo. "Utilizam fibra vegetal na construção e o ninho não possui o invólucro para proteção. O pedicelo é curto e resinoso, podendo ser de posição central ou lateral, sendo revestido de substâncias repelentes de formigas. Os representantes deste gênero constroem ninhos pequenos (poucas dezenas de células de cria), com formato variado (de uma coluna de células cria) (Wenzel 1998; Carpenter & Marques 2001). Jeanne (1979) sugeriu que um dos motivos que P. canadensis constrói favos múltiplos, seria pelo custo do não reaproveitamento da célula para uma segunda ou terceira geração e que estaria intimamente ligada à adaptação aos parasitóides encontrados por ele neste estudo (Trigonalidae, Chalcididae e Icheneumonidae). Como as células do favo ficam vazias na emergência da primeira geração, o número de mecônio cresce, tornando o favo mais exposto, aumentando assim o risco de infestação por parasitóides. Uma forte correlação aconteceu entre a presença de parasitóides em favos de P. canadensis e insucesso da colônia na reutilização dos favos, sugerindo então que a dominante reutiliza as células normalmente em todos os favos, enquanto ela estiver livre da infestação de parasitóides. Uma vez detectado a presença destes, a fêmea não reutiliza mais estas células, usando somente as novas. Se o favo foi parcialmente reutilizado, provavelmente a dominante percebeu a presença do parasitóide".
    Apresenta sobreposição de gerações, cuidados com a prole, divisão reprodutiva de trabalho, e trofalaxia entre adultos. O fluxo na atividade forrageadora varia de acordo com a idade da colônia, a idade das operárias, com a estação do ano ou com o número de indivíduos da prole ou ainda de todos os fatores em conjunto(Giannotti,Guimarães,Junior, & Torres,2010). 
   De maneira geral as vespas adultas alimentam-se de líquido do corpo de animais que elas matam, exudatos de insetos, sucos de frutos maduros(frutos de cactos,mangas,etc), outras substâncias açucaradas, conteúdos celulares, água e néctar, enquanto que as larvas são alimentadas no início de com os mesmos alimentos do adulto, mas posteriormente na maior parte do tempo da fase larval elas comem pequenos insetos macerados trazidos pelos adultos. Vespas do gênero Polistes são excelentes predadores de pragas agrícolas, principalmente lagartas de Lepidoptera (SOUZA et al., 2013) sendo sugerida a utilização dessas no controle biológico de pragas. 
   Esse Inseto faz parte do grande grupo "Hymenoptera" junto com as abelhas e formigas. É uma espécie peçonhenta que se ameaçada em seu território, defende-se se deslocando em direção ao intruso e picando-o, inoculando a peçonha. A ferroada é bem dolorosa, e dependendo da quantidade de picadas e da sensibilidade do indivíduo que sofreu o acidente deve-se procurar atendimento médico, principalmente se a pessoa manifestar "reações alérgicas", sendo nesse caso o quadro clínico geralmente detectado através da presença de edema de glote e broncospasmo acompanhado de choque anafilático, mas na dúvida procure atendimento médico.  Entretanto tenha consciência de que essa vespa assim como outras espécies desempenham um papel na manutenção do "equilíbrio da natureza", atuando principalmente como polinizadoras de plantas como Carnaúba,Coco,Cajueiro e muitas outras, além de serem predadoras de algumas espécies de lagartas que são consideradas pragas na agricultura, e se alimentarem de outros insetos, como também serve de comida para outros animais no extenso ciclo de vida e morte das teias alimentares. 
   Polistes canadensis (Linnaeus, 1758) possui ampla distribuição geográfica só não ocorrendo em regiões frias do mundo. É uma espécie comum na região Nordeste do Brasil, tendo registros oficiais de sua ocorrência nos seguintes estado brasileiros: Ceará,Rio Grande do Norte,Paraíba,Pernambuco e Bahia.
   Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado o 'Marimbondo Caboclo( Polistes canadensis) em praticamente todo o território potiguar, sendo provavelmente a espécie de vespa mais comum do RN. Tenho visto essa espécie com frequência em construções humanas abandonadas,em sítios, em mangueiras e cajueiros, em grutas e cavernas, em bordas de matas principalmente se alimentando de néctar, participando assim do processo de reprodução de muitas espécies de plantas através da polinização.

Referências


Acidentes por artrópodes peçonhentos. Disponível em: http://www.cevap.org.br/Cont_Default.aspx?cont=EMEA  Acesso em: 25 de janeiro de 2015.


Alexandre Somavilla, Marcio L. de Oliveira & Orlando T. Silveira. Guia de identificação dos ninhos de vespas sociais (Hymenoptera,Vespidae, Polistinae) na Reserva Ducke, Manaus, Amazonas, Brasil.

Gisele Bortoluzzi, Viviana de O. Torres, Silvana S. da Silva, William F. Antonialli Junior e Edilberto Giannotti. PRODUTIVIDADE DAS COLÔNIAS DE Polistes canadensis canadensis L, 1758 (HYMENOPTERA, VESPIDAE).


James M Carpenter e Oton Meira Marques. Contribuição ao estudo dos Vespídeos do Brasil(Insecta, Hymnoptera,Vespoidea, Vespidae). 2001.

Viviana de O. TorresI; William F. Antonialli-JuniorII; Edilberto Giannotti. Divisão de trabalho em colônias da vespa social neotropical Polistes canadensis canadensis Linnaeus (Hymenoptera, Vespidae) Rev. Bras. entomol. vol.53 no.4 São Paulo Dec. 2009.

Organizadores Freddy Bravo e Adolfo Calor. Artrópodes do Semiárido: biodiversidade e conservação. Feira de Santana: Printmídia, 2014.
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2 comentários:

  1. Ótimo texto. Queria saber mais sobre as plantas que eles polinizam.

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  2. Ótimo texto. Queria saber mais sobre as plantas que eles polinizam.

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