Bem-vindo!
Aqui compartilho meus registros da fauna e flora do Rio Grande do Norte, resultado de trilhas e expedições pelos diferentes biomas do estado, transformando essa vivência em conhecimento aplicado à educação ambiental.
O Besourinho-da-Mata: Um dos menores beija-flores do Brasil cabe na palma da sua mão
Andando na mata você
já ouviu o “zumbido de uma abelha” passar rápido pelo seu ouvido e, ao olhar,
percebeu que era na verdade uma ave? Pois esse truque da natureza é exatamente
o que faz o beija-flor conhecido como besourinho-da-mata ou rabo-branco-rubro.
Seu nome científico é Phaethornis ruber (Linnaeus, 1758), e ele pertence
à família Trochilidae, da qual também fazem parte por exemplos, o beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) e besourinho-de-bico-vermelho( Chlorostilbon lucidus ).
Com
apenas 7,5 a 9 cm de comprimento e peso máximo registrado de 2,4 g, o rabo-branco-rubro.(Phaethornis ruber )ostenta o título de menor espécie do gêneroPhaethornis . A
cauda é relativamente curta, com as retrizes centrais pouco prolongadas
(diferente do prolongamento mais típico de outras espécies do gênero). Possui
pontas ferrugíneas claras nas retrizes (não brancas, como muitas espécies do
gênero). O uropígio e as partes inferiores apresentam coloração ferrugínea
viva, marcante e inconfundível.
P. ruber apresenta
dimorfismo sexual perceptível na cauda. Os machos adultos diferenciam-se das
fêmeas e dos indivíduos juvenis por possuírem a cauda mais curta e retrizes
quase totalmente desprovidas de marginações latero-apicais ferrugíneas. Os
machos também exibem uma faixa preta marcante ao longo do peito ao contrário da
fêmea que possui de forma bem sutil ou é ausente.
História
natural
A
dieta do besourinho-da-mata(P. ruber) é predominantemente nectarívora, mas ele não
dispensa uma proteína como fonte extra incluindo pequenas aranhas e insetos em
seu cardápio. Ele forrageia no estilo trapline, percorrendo rotas relativamente
fixas entre flores conhecidas, geralmente a baixa altura, deslocando-se sempre
sozinho. Quando voa, emite um zumbido agudo, semelhante ao de uma grande abelha
mangangava(que vulgarmente muitos leigos chamam de besouro, daí a origem do
nome popular besourinho-da-mata).
A
reprodução é um espetáculo à parte. Os machos se juntam em lek, onde vocalizam
incansavelmente e executam um comportamento rítmico de subir e descer a cauda.
O ritual de corte vai além: o macho realiza um voo do tipo pêndulo horizontal,
lento e silencioso, pouco acima e à frente da fêmea pousada. Em cada extremo do
pêndulo, vira o corpo para fora, mantendo a cauda levantada diante da visão da
fêmea.
O
ninho, construído pela fêmea, tem a sua estrutura no formato de cone invertido,
exibindo um revestimento interno de paina e uma camada externa de folhas secas,
musgos e liquens, aderidos a uma folha
pendente através de fios de teia de aranha. Já foi registrado um ninho suspenso
sob uma folha de helicônia. Naquele são postos dois ovos, com incubação de 17
dias. Os filhotes permanecem no ninho por 18 a 22 dias após a eclosão. Os
filhotes emplumados, curiosamente, têm coloração tão parecida com a do próprio
ninho que praticamente desaparecem dentro dele. A reprodução pode ocorrer ao
longo de quase todo o ano, variando conforme a região.
Apesar
do tamanho diminuto, são aves destemidas: quando alguém se aproxima do ninho, o
besourinho-da-mata chega bem perto, sem demonstrar muito receio. Geralmente mantem
um poleiro fixo no interior da mata, de onde cantam com frequência, sendo seu
canto descrito como um "si-sí-sí-sísisisisisi" repetido.
Habitat,
ocorrência e distribuição geográfica
O besourinho-da-mata(P. ruber) é uma espécie residente no Brasil, que demonstra uma
plasticidade ecológica considerável, habitando desde formações florestais
densas até áreas abertas e antropizadas. Seu nicho ecológico abrange
predominantemente o interior e as bordas de florestas úmidas e semidecíduas,
estendendo-se para ecótonos e formações do bioma Cerrado, tais como matas de
galeria, matas ciliares e savanas arborizadas.
Em
termos de distribuição geográfica, a espécie está presente desde as Guianas e
Venezuela até a Bolívia, ocorrendo em todo o Brasil com exceção da região Sul.
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, registrei essa espécie apenas na mesorregião Leste Potiguar, no bioma Mata Atlântica.
Considerações
finais
Tão
pequeno que quase some entre as folhas, o besourinho-da-mata poliniza,
equilibra e anima os ambientes por onde passa e depende diretamente da
manutenção de fragmentos florestais para continuar fazendo isso.
Você já viu esse beija-flor durante suas trilhas ou
expedições? Conta nos comentários.
Se
este post despertou sua curiosidade sobre a fauna do RN, compartilhe com alguém
que ainda não conhece esse minúsculo prodígio das nossas florestas. Siga o blog
“Fauna e Flora do RN” e nos ajude a mostrar que a biodiversidade potiguar é riquíssima.
Referências
FAVRETTO, M. A. Aves do
Brasil, vol I: Rheiformes a Psittaciformes. Florianópolis, 2021. 596 p. :
il.
LIMA, L. M. Aves da
Mata Atlântica: riqueza, composição, status, endemismos e conservação.
2013. 513 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2013.
LIMA, Pedro Cerqueira. Aves
do litoral norte da Bahia. 1. ed. Bahia: AO, 2006.
PERLO, Ber van. A Field
Guide to the Birds of Brazil. Princeton: Princeton University Press, 2009.
PIACENTINI, V. Q. et al.
Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological
Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro
de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 23, n.
2, p. 91–298, 2015.
SAGOT-MARTIN, F. et al. An
updated checklist of the birds of Rio Grande do Norte, Brazil, with comments on
new, rare, and unconfirmed species. Bulletin of the British Ornithologists’
Club, v. 140, n. 3, p. 218-298, 2020.
SICK, H. Ornitologia brasileira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. 862 p.
SIGRIST, T. Avifauna
Brasileira: The avis brasilis field guide to the birds of Brazil. 1. ed.
São Paulo: Editora Avisbrasilis, 2009.
Polinização: Um Serviço da Natureza Essencial para a Vida no Planeta e a
Produção de Alimentos
O polinizador transporta o pólen até o estigma da flor, onde germina e permite a fecundação no ovário...
A polinização consiste no transporte de grãos
de pólen dos órgãos reprodutivos masculinos para os femininos das flores,
constituindo um mecanismo fundamental para a reprodução vegetal que culmina naprodução de frutos e sementes. Este processo representa um serviço
ecossistêmico multifacetado, abrangendo funções regulatórias, de provisão e
culturais, caracterizando-se como uma interação ecológica de amplos benefícios
para a humanidade. Estes incluem a preservação e promoção da diversidade
genética em populações vegetais nativas, sustentando a biodiversidade e as
funções ecossistêmicas, a garantia de fornecimento sustentável e diversificado
de produtos como frutos, sementes, mel e derivados, além da valorização de
conhecimentos tradicionais e aspectos culturais associados (IPBES 2016;
Costanza et al. 2017).
O valor econômico global dos serviços de
polinização evidencia sua importância estratégica, especialmente na produção
alimentar. Estimativas apontam que esse serviço ecossistêmico movimenta entre
US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões anualmente em escala mundial (IPBES 2016).
Enquanto no Brasil estima-se que o serviço de polinização contribuía
diretamente com cerca de R$ 43 bilhões por ano em valor agregado conforme dados
de 2018 (Freitas et al.,2023).
A reprodução da maioria das espécies vegetais,
tanto cultivadas quanto silvestres, depende da polinização zoófila(por
animal). Os principais agentes polinizadores são predominantemente
insetos, incluindo abelhas, coleópteros(besouros), dípteros(moscas),
lepidópteros (borboletas e mariposas) e vespas. Porém também existem
vários animais vertebrados que atuam como polinizadores, como algumas aves,
quirópteros (morcegos), mamíferos terrestres e répteis como lagartos. Dentre
todos os animais as abelhas destacam-se como o grupo de polinizadores de maior
relevância agrícola, isso porque elas visitam mais de 90% das 107 principais
culturas agrícolas mundiais já catalogadas cientificamente (Klein et al. 2007).
O desaparecimento das
abelhas seria um golpe profundo na biodiversidade e na segurança alimentar. Sem
polinização, muitas plantas deixariam de se reproduzir, afetando ecossistemas
inteiros e ameaçando a subsistência humana.
A variedade de Polinizadores no Rio Grande do Norte: Mais do que um
Espetáculo Natural
Diversidade de polinizadores: abelhas, besouros, aves, morcegos e muito mais.
Quando percorremos as paisagens do Rio Grande
do Norte, desde as áreas mais áridas da Caatinga até os remanescentes de Mata
Atlântica, é impossível não se impressionar com a intensa atividade dos
polinizadores. Abelhas nativas zumbem entre as flores de diversas plantas,
beija-flores voam velozes de flor em flor , borboletas dançam sobre a vegetação
ripária em busca de néctar, e muitos morcegos desempenham seu papel silencioso
durante a noite. Esta diversidade de interações não é apenas bela de se observar
– ela é fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas e da
agricultura.
O Rio Grande do Norte está inserido numa das
regiões mais biodiversas do planeta, os Neotrópicos, mas essa riqueza muitas
vezes passa despercebida. Os polinizadores do Rio Grande do Norte são
verdadeiros "viajantes" entre diferentes mundos vegetais. Eles
transitam por pelo menos seis tipos distintos de vegetação em terras
potiguares, cada um oferecendo recursos únicos. Essa mobilidade entre habitats
é crucial – muitas espécies dependem de plantas específicas para diferentes
necessidades: algumas fornecem néctar de alta qualidade, outras pólen rico em
proteínas, e algumas ainda servem como locais de nidificação. A natureza
terrestre e semi-arborícola de muitos polinizadores locais é particularmente
fascinante. Eles conseguem explorar desde o chão da Caatinga até o dossel da
Mata Atlântica, aproveitando microhabitats que passariam despercebidos por
espécies menos versáteis. Cada grupo ocupa nichos específicos, aproveitando
recursos florais em diferentes horários e alturas da vegetação.
Sabe-se que diversas espécies polinizadoras —
ou com potencial para tal — ocorrem em território potiguar. Entre os
vertebrados, destacam-se os morcegos e as aves. Dentre os quirópteros, o
morcego-beija-flor (Glossophaga soricina) atua na polinização de plantas
como a pata-de-vaca (Bauhinia sp.) e o xique-xique (Pilosocereus
gounellei). Outras espécies relevantes de morcegos polinizadores incluem Lonchophylla mordax e Xeronycteris
vieirai, esta última endêmica da Caatinga, associada à polinização do
xique-xique (Pilosocereus gounellei) e do mandacaru (Cereus jamacaru).
beija-flor-de-garganta-verde e beija-flor-de-barriga-branca visitando flores
Entre os
invertebrados, o Rio Grande do Norte abriga uma diversidade magnífica, com
destaque especial para as abelhas. A espécie Apis mellifera desempenha
papel fundamental na polinização de culturas agrícolas como caju (Anacardium
occidentale), café (Coffea arabica), maçã (Malus domestica),
melão (Cucumis melo) e soja (Glycine max), entre outras de
interesse econômico.
abelhas exóticas( A. mellifera) coletando pólen e possivelmente participando da polinização
A abelha
jandaíra (Melipona subnitida) também poliniza o caju, além de goiaba (Psidium
guajava), pimentão (Capsicum annuum), catanduva(Pityrocarpa moniliformis), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), marmeleiro e jucá. Já
a uruçu (Melipona scutellaris) está associada à polinização do abacate (Persea
americana), pimentão, pitanga (Eugenia uniflora) e canafístula,
entre outras espécies. A arapuá (Trigona spinipes) visita flores de
abóbora (Cucurbita moschata), caju, girassol (Helianthus annuus),
laranja (Citrus sinensis), melancia (Citrullus lanatus) e
tamarindo (Tamarindus indica), entre muitas outras. A mamangava-pardinha
(Centris aenea) é polinizadora da acerola (Malpighia emarginata),
caju, goiaba e tamarindo. A mamangava-de-toco (Xylocopa grisescens) atua
na polinização do maracujá-amarelo (Passiflora edulis), enquanto Eulaema
nigrita visita o maracujá-doce (Passiflora alata), o
maracujá-amarelo, urucum (Bixa orellana) e pau-d’arco (Tabebuia aurea),
entre outras espécies.
Abelhas nativas participando da polinização
Além das
abelhas, os besouros ocupam posição de destaque entre os insetos polinizadores,
sendo o quarto grupo mais relevante nesse papel e o segundo mais frequente
visitante de flores em regiões tropicais, conforme apontado por Bawa (1990) e
Ollerton (2017). Estima-se que estejam diretamente envolvidos na reprodução de
cerca de 2.000 espécies de angiospermas. No Brasil, pequenos besouros das
famílias Chrysomelidae, Curculionidae, Nitidulidae e Staphylinidae,
além de escarabeídeos da tribo Cyclocephalini, atuam como
polinizadores especializados de palmeiras, anonáceas e aráceas, tanto em
ecossistemas naturais quanto em áreas agrícolas.
besouros com potencial de polinização visitando flores
O Papel Fundamental dos Polinizadores:
Ecologia, Agricultura e Sustentabilidade
Os polinizadores desempenham um papel vital na
manutenção da saúde e estabilidade dos ecossistemas. Eles são responsáveis pela
reprodução de mais de 75% das plantas com flores, o que é essencial para
sustentar a biodiversidade e apoiar os sistemas de produção de alimentos. A
presença de polinizadores facilita a reprodução das plantas, resultando na
produção de frutos, sementes e outros materiais vegetais que são cruciais tanto
para a vida selvagem quanto para a dieta humana.
As contribuições ecológicas dos polinizadores
vão além da mera reprodução; eles melhoram significativamente a saúde do
ecossistema. Ao facilitar a reprodução das plantas, os polinizadores ajudam a
sustentar habitats para várias espécies, que dependem de plantas com flores
para alimentação e abrigo. Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas
de espécies vegetais diferentes, que por sua vez alimentam e abrigam centenas
de outras espécies animais. O declínio das populações de polinizadores pode ter
efeitos em cascata em ecossistemas inteiros, afetando não apenas as plantas que
polinizam, mas também as inúmeras espécies que dependem dessas plantas para
sobreviver.
Uma única espécie de abelha pode polinizar dezenas de plantas.
Talvez mais importante ainda seja sua
contribuição para a diversidade genética das plantas. Polinizadores eficazes
garantem que as plantas troquem material genético entre populações distantes,
aumentando a variabilidade e a capacidade de adaptação às mudanças ambientais e
resistência a “pragas”. Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, essa
função se torna ainda mais crítica.
Em termos de produção de alimentos, os
polinizadores são parte integrante das práticas agrícolas, pois aproximadamente
35% das culturas alimentares do mundo, incluindo frutas, vegetais e nozes
essenciais, dependem de polinizadores para uma reprodução bem-sucedida. Estudos
mostram resultados impressionantes em propriedades que investem na presença de
abelhas nativas. Culturas como soja e algodão mostram aumentos significativos
de produtividade quando há polinizadores eficientes trabalhando. A diferença não
está apenas na quantidade de frutos produzidos, mas também na qualidade – isso
deve-se ao aumento da polinização cruzada e redução na taxa de abortamento
floral.
Práticas agrícolas sustentáveis têm se mostrado essenciais para a preservação dos polinizadores, ao mesmo tempo em que mantêm a produtividade dos sistemas agrícolas. Estratégias como o cultivo de plantas floríferas e a conservação de áreas naturais favorecem a presença desses agentes ecológicos, promovendo benefícios como controle biológico de pragas, melhoria da fertilidade do solo e valorização comercial dos produtos agrícolas.
Os números da economia dos polinizadores são
impressionantes. Embora os dados específicos para o Rio Grande do Norte ainda
não sejam contabilizados, sabemos que o valor dos serviços de polinização no
Brasil chega a bilhões de reais anuais. No Sul do país, estados como Santa
Catarina registraram R$ 40,9 bilhões em produção agrícola em 2020, com uma
parcela significativa dependente dos serviços de polinização realizados por
abelhas.
Nesse contexto, a apicultura vem ganhando destaque não apenas pela produção de mel, mas também pelo papel que desempenha na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Apicultores que investem em manejo responsável — como a apicultura migratória — e mantêm boas redes de colaboração conseguem colônias mais saudáveis, maior produtividade e oportunidades comerciais vantajosas. Além disso, essas práticas contribuem diretamente para a conservação ambiental e fortalecem a economia rural.
Apicultura contribui para polinização de plantas da região
A atividade apícola, portanto, representa uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável. Ao garantir a polinização das lavouras e oferecer produtos de valor agregado, apicultores experientes impulsionam a renda familiar e promovem a saúde dos ecossistemas. A adoção de técnicas adequadas de manejo e conservação não apenas melhora os resultados financeiros, como também assegura a continuidade dos serviços ecológicos fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.
Os Desafios da Conservação: O Conhecimento Que Falta e as Ameaças
Imediatas
Agora chegamos em ponto crítico e preocupante:
ainda sabemos muito pouco sobre nossos polinizadores. Existem algumas lacunas
significativas de conhecimento sobre sua distribuição e papéis ecológicos no
RN, especialmente quando comparamos com o que sabemos sobre polinizadores de
regiões temperadas.
As avaliações de conservação são urgentes não
apenas por uma questão acadêmica, mas por necessidade prática. A perda contínua
de habitats devido às atividades humanas acontece muito mais rapidamente do que
nossa capacidade de estudar e entender essas espécies e suas relações com as
plantas. É como tentar catalogar uma biblioteca enquanto ela está pegando fogo.
Logo, se faz necessário ações imediatas de conservação para manter o equilíbrio
ecológico e garantir a sobrevivência das populações de polinizadores.
Infelizmente, as populações de polinizadores
no Rio Grande do Norte e em nível global enfrentam pressões crescentes. O
declínio dessas espécies não é apenas uma questão ambiental abstrata – tem
consequências econômicas diretas, especialmente para pequenos agricultores que
dependem da polinização natural para suas colheitas.
Desmatamento resulta em perda de habitat para polinizadores.
A urbanização, a expansão agrícola e o
desmatamento resultaram em considerável perda de habitat para os polinizadores.
À medida que os ambientes naturais são substituídos por estruturas artificiais
ou monoculturas, os habitats restantes tornam-se fragmentados, isolando as
populações de polinizadores. Essa fragmentação não apenas reduz a
disponibilidade de alimentos e locais de nidificação, mas também diminui a
diversidade genética, tornando essas populações mais vulneráveis à extinção.
O uso de pesticidas, particularmente
neonicotinóides, representa uma grande ameaça para os polinizadores. Esses
produtos químicos podem ser tóxicos, mesmo em doses subletais, prejudicando a
capacidade de forrageamento, navegação e reprodução. A exposição a pesticidas
pode enfraquecer o sistema imunológico dos polinizadores, tornando-os mais
suscetíveis a doenças e contribuindo ainda mais para seu declínio.
Abelha morta
As mudanças climáticas afetam
significativamente as populações de polinizadores por meio de padrões alterados
de temperatura e precipitação. Essas mudanças podem interromper o momento da
floração e a atividade dos polinizadores, criando incompatibilidades que
impedem a polinização bem-sucedida. Por exemplo, algumas plantas podem
florescer mais cedo devido a temperaturas mais altas, deixando os polinizadores
sem fontes de alimento quando emergem.
Além disso, o aumento das temperaturas está
ligado ao declínio de espécies específicas, como as abelhas, que viram as
populações diminuírem em quase 50% desde a década de 1970 na América do Norte.
Se não tomarmos medidas urgentes, poderemos ver cenários similares no Nordeste
brasileiro.
Espécies invasoras, incluindo pragas e doenças
nocivas, representam riscos significativos para os polinizadores nativos. Por
exemplo, o ácaro Varroa é conhecido por devastar as populações de abelhas,
enquanto outras espécies não nativas podem superar a flora local, reduzindo os
recursos disponíveis para os polinizadores. Além disso, os organismos
causadores de doenças podem se espalhar das espécies invasoras para
polinizadores nativos, exacerbando os estressores existentes, como perda de
habitat e exposição a pesticidas.
Caminhos para a Conservação: Ação Urgente e Soluções Inovadoras para
Garantir o Futuro
O declínio das populações de
polinizadores representa uma ameaça a diversos serviços ecossistêmicos, levando
a várias iniciativas voltadas para sua preservação. A aprovação de leis como a
Lei de Salvamento dos Polinizadores da América de 2023 mostra que é possível
criar marcos regulatórios eficazes. Essa legislação visa suspender o uso de
pesticidas neonicotinóides nocivos e estabelecer conselhos de proteção aos
polinizadores. No Brasil, embora existam iniciativas regulatórias e projetos de
lei em alguns estados, ainda carecemos de uma legislação nacional robusta e
específica voltada à proteção dos polinizadores. As partes interessadas locais
e os formuladores de políticas públicas no estado do Rio Grande do Norte devem
ser incentivadas a adotar medidas legislativas semelhantes para promover
práticas sustentáveis que protejam também os polinizadores.
Paisagem com vista parcial da vegetação de Caatinga e Serra Sr. João em Cerro Corá(RN), área que faz parte do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras.
Além das ações legislativas, há uma forte
ênfase na restauração e gestão de habitats. Os conservacionistas defendem a
criação de áreas protegidas, o que de fato é essencial, como o proposto Refúgio de Vida Silvestre Serra
das Araras(no caso do RN), que visa salvaguardar habitats críticos para
polinizadores, outros animais ameaçados de extinção e promover o
desenvolvimento sustentável. Mas a conservação daqueles não pode se limitar exclusivamente às áreas de unidades de conservação – precisa ser integrada na paisagem produtiva. A
implementação de práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores exige a
participação do poder público e privado em parceria com a comunidade local,
contribuindo para a construção de planos de ação alicerçados na
sustentabilidade e conservação das espécies polinizadoras. Por exemplo,
programas que reconhecem e certificam fazendas por suas práticas amigáveis aos
polinizadores não apenas beneficiam o meio ambiente, mas também criam
oportunidades de mercado para produtores conscientes. Outrossim, o
monitoramento das populações de polinizadores e suas interações com o
ecossistema será essencial para avaliar a eficácia das práticas implementadas,
contribuindo para tomada de futuras decisões em relação ao manejo daquelas
espécies e das culturas agrícolas por elas polinizadas.
Através desses esforços conjuntos de
conservação, o Rio Grande do Norte tem potencial para se tornar um modelo de
coexistência entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. A
proteção das espécies polinizadoras não é apenas uma questão ambiental – é uma
questão de segurança alimentar, estabilidade econômica e sustentabilidade a
longo prazo.
O desafio é grande, mas não impossível.
Precisamos de mais pesquisa, mais conscientização, mais políticas públicas
adequadas e, principalmente, mais ação coordenada entre todos os setores da
sociedade. Os polinizadores do Rio Grande do Norte e do mundo merecem – e
precisam – do nosso melhor esforço. Afinal, seu futuro está diretamente ligado
ao nosso.
Referências
AMARILDO SEZERINO, André.
Agriculture and pollinators: sustainable interaction that promotes economic
growth. Revista Cultivar. Disponível em: Agriculture and pollinators:
sustainable interaction that promotes economic growth - Revista Cultivar
CASTILHOS, Dayson;
BERGAMO, Genevile Carife; FONSECA, Vera Lúcia Imperatriz; BELCHIOR FILHO,
Valdemar. Apiculture in Rio Grande do Norte, Brazil: a four-year follow-up
survey. Latin American Journal of Business Management, Taubaté, v. 7, n. 1, p.
96–116, jan./jun. 2016.
Clemson
Cooperative Extension. The Importance of Pollinators. Disponível em: The
Importance of Pollinators | College of Agriculture, Forestry and Life Sciences
| Clemson University, South Carolina
Co-editor:
Ministério do Meio Ambiente – Brasil. Guia Ilustrado de Abelhas Polinizadoras
no Brasil. São Paulo, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São
Paulo, 2014.
COSTANZA, R.; DE
GROOT, R.; BRAAT, L. et al. Twenty years of ecosystem services: How far have we
come and how far do we still need to go? Ecosyst Serv, v. 28, p. 1–16, 2017.
doi: 10.1016/j.ecoser.2017.09.008
EcoServants. The
Role of Pollinators in Ecosystems and Why They Need Our Protection. Disponível
em: The Role of Pollinators in Ecosystems and Why They Need Our Protection |
EcoServants®
FERREIRA RAMOS,
Rodrigo; BELLÉ, Cristiano; DAHMER, Jonas; PINHEIRO, Mardiore. The role of
pollinators in agriculture. Revista Cultivar. Disponível em: The role of
pollinators in agriculture - Revista Cultivar
FRITSCHER,
Justin. Farmers Can ‘Bee’ a Friend to Pollinators. NRCS. Disponível em: Farmers
Can ‘Bee’ a Friend to Pollinators | Farmers.gov
FREITAS, L. et
al. Intensificação da polinização como oportunidade para agricultura
sustentável no Brasil. Sinbiose/CNPq, 2023. Disponível em: http://www.sinbiose.cnpq.br
FRIENDLY
ENVIRONMENTS & ANTHONY. A Simple Guide to Making Sure Your Farm Is
Pollinator-Friendly. Disponível em: A Simple Guide to Making Sure Your Farm Is
Pollinator-Friendly
HAYDEN, Anne.
Creating Pollinator-Friendly Farms: Simple Practices for Success. Founder, The
Informed Farmer Consultancy. Disponível em: Creating Pollinator-Friendly Farms:
Simple Practices for Success
IPBES. The
assessment report of the Intergovernmental Science-Policy Platform on
Biodiversity and Ecosystem Services on pollinators, pollination and food
production. POTTS, S. G.; IMPERATRIZ-FONSECA, V. L.; NGO, H. T. (eds). Bonn:
IPBES Secretariat, 2016. 552p.
JAFFÉ, R. et al.
Bees for Development: Brazilian Survey Reveals How to Optimize Stingless
Beekeeping. PLoS ONE, v. 10, n. 3, e0121157, 2015.
https://doi.org/10.1371/journal.pone.0121157
KLEIN, A.-M.;
VAISSIERE, B. E.; CANE, J. H. et al. Importance of pollinators in changing
landscapes for world crops. Proc R Soc B Biol Sci, v. 274, p. 303–313, 2007.
doi: 10.1098/rspb.2006.3721
MAIA, Artur
Campos Dália; CARVALHO, Airton Torres; PAULINO-NETO, Hipólito Ferreira;
SCHLINDWEIN, Clemens. Besouros (Insecta, Coleoptera) como polinizadores no
Brasil: perspectivas no uso sustentado e conservação na polinização.
Polinizadores no Brasil. Universidade de São Paulo. Disponível em:
http://myrtus.uspnet.usp.br/statuspolin/7.html. . Acesso em: 13 ago. 2025.
NATIONAL
ACADEMIES OF SCIENCES. Causes of Pollinator Declines and Potential Threats.
Status of Pollinators in North America. Washington, DC: The National Academies
Press, 2007. https://doi.org/10.17226/11761..
NATIONAL
ENVIRONMENTAL EDUCATION FOUNDATION (NEEF). Biodiversity Conservation Grantees
Nurture Pollinators and Empower Communities. Disponível em: 2023 Biodiversity
Conservation Grantees Nurture Pollinators and Empower Communities | The National
Environmental Education Foundation (NEEF)
NATIONAL
GEOGRAPHIC BRASIL. Morcegos do Nordeste: expedição mapeia colônias de espécies
endêmicas do sertão potiguar. Publicado em 16 fev. 2023. Disponível em:
https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/02/morcegos-do-nordeste-expedicao-mapeia-colonias-de-especies-endemicas-do-sertao-potiguar.
. Acesso em: 12 ago. 2025.
SANTIAGO,
Rachel. The Importance of Pollinators and Why They’re in Decline. Conservation
Institute. Disponível em: The Importance of Pollinators and Why They’re in
Decline | Conservation Institute
SILVA, A. P.;
JORGE, J.; FREITAS, B. M. Visitantes florais e potenciais polinizadores de
bromélia rupícola (Pitcairnioideae) no semiárido brasileiro. Neotropical
Biology and Conservation, v. 13, n. 2, p. 101–110, abr./jun. 2018. DOI:
10.4013/nbc.2018.132.02
SILVA, J. M.;
SOUZA, R. A.; PEREIRA, L. F. et al. Pollination services in tropical
agroecosystems: A review of ecological drivers and management strategies.
Journal of Applied Entomology, v. 148, n. 5, p. 321–334, 2023. Disponível em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1617138123001942. .
Acesso em: 13 ago. 2025.
SUSTAINABLE
AGRICULTURE NETWORK. The Importance of Pollinators in Sustainable Agriculture.
Disponível em: The Importance of Pollinators in Sustainable Agriculture
U.S. FISH &
WILDLIFE SERVICE. Pollinators benefit agriculture. Disponível em: Pollinators
benefit agriculture | U.S. Fish & Wildlife Service
U.S. FISH &
WILDLIFE SERVICE. Threats to pollinators. Disponível em: Threats to pollinators
| U.S. Fish & Wildlife Service
VANCOUVER BEE
PROJECT. Saving America's Pollinators Act of 2023: A Bold Step to Protect Bees
and Other Pollinators. Disponível em: Saving America's Pollinators Act of 2023:
A Bold Step to Protect Bees and Other Pollinators — Vancouver Bee Project
WILLOWS, M. et al.
Relatório temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no
Brasil. BPBES/REBIPP, 1ª ed., São Carlos, SP: Editora Cubo, 2019. 184 p.
WILL. What Are
Pollinator-Friendly Farming Practices? Future Food Solutions. Disponível em:
What Are Pollinator-Friendly Farming Practices? - Future Food Solutions.
Referências de Imagens não autorais
Abelha no néctar da flor amarela
Foto de Pixabay. Disponível em:
Joaninha sobre flor amarela
Foto de József Szabó, disponível em:
Beija-flor voando sobre flor
Foto de Richard Sagredo, disponível em:
Morcego Foto de Birger Strahl, disponível em:
Apicultor com abelhas
Imagem de Michael Strobel por Pixabay. Disponível em:
Desmatamento – toco de árvore
Imagem de Hans por Pixabay. Disponível em:
Abelhas mortas por pesticidas
Imagem de rostichep por Pixabay. Disponível em:
A planta Tridax procumbens L. pertence à família Asteraceae sendo conhecida popularmente como erva-de-touro, margaridinha e olho-de-ovelha. Sua ampla dispersão e capacidade de adaptação fazem com que ela seja encontrada em diversas regiões do Brasil e do mundo.
Características da espécie
A Tridax procumbens é uma espécie de porte herbáceo a qual pode atingir cerca de 20cm de altura, sendo anual ou bianual, apresentando caule na cor verde ou avermelhado. As folhas são opostas, curto-pecioladas, com formato ovalado ou losangular, margens serreadas e ambas as faces são pilosas. A inflorescência é do tipo capítulo isolado, sustentado por um longo eixo piloso. Suas flores podem ser masculinas, femininas ou hermafroditas. As masculinas se localizam na periferia do capítulo e apresentam lígulas brancas ou amarelas, podendo ser tridentadas, bidentadas ou inteiras. No centro, encontram-se as flores hermafroditas com corola amarela. Quando maduras, as brácteas protetoras se rompem, permitindo a dispersão dos frutos do tipo aquênio, que possuem um tufo de pelos sedosos. Sua propagação ocorre via sementes, e a polinização é realizada principalmente por abelhas, que buscam néctar e pólen.
Utilidades e Importância
Embora muitas vezes seja considerada uma erva daninha devido ao seu alto potencial infestante em lavouras, a erva-de-touro(Tridax procumbens) possui grande valor medicinal e ecológico. Na medicina tradicional, seus extratos são utilizados como anticoagulante, antifúngico, repelente de insetos, expectorante, antidiarreico e cicatrizante. Além disso, estudos científicos indicam que possui efeitos hipotensores, hepatoprotetores, imunomoduladores, antibióticos, antioxidantes, anti-inflamatórios e antitumorais. A planta também fornece alimento para pequenos animais artrópodes(insetos) como abelhas, especialmente a abelha-européia (Apis mellifera), os quais desempenham papel relevante na polinização.
Distribuição geográfica e Ocorrência no Brasil
A erva-de-touro(Tridax procumbens) é uma espécie originária da América Central, mas atualmente encontra-se distribuída em grande parte das regiões tropicais e subtropicais do planeta, incluindo todas as regiões do Brasil. Possui ocorrência confirmada nos estados das regiões Norte (Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Está presente em diferentes domínios fitogeográficos, como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar e Central Potiguar, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.
Referências
AGRAWAL, S.S., TALELE, G.S., SURANA, S.J. Antioxidant activity of fractions from
Tridax procumbens. Journal of Pharmacy Research 2, 71–73,2009.
ALGARIRI, K., MENG, K.Y., ATANGWHO, I.J., ASMAWI, M.Z., SADIKUN, A.,
MURUGAIYAH, V., ISMAI, N., 2013. Hypoglycemic and anti-hyperglycemic study of
Gynura procumbens leaf extracts. Asian Pacific Journal of Tropical Medicine 3, 358–
366, 2013.
GANDARA, A.; Barbosa, M.L. Tridax in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16365>. Acesso em: 15 fev. 2025.
KLEINERT AMP, Martínez CAM, Luz CLS et al. (2020) Plantas e pólen em áreas urbanas: uso no paisagismo amigável aos polinizadores. In: Kleinert AMP, Silva CI (eds) Rio Claro: CISE.
MOREIRA, Henrique José da Costa. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti. Bragança – São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
POLICEGOUDRA, R.S., CHATTOPADHYAY, P., ARADHYA, S.M., SIVASWAMY,
R., SINGH, L., VEE, V. Inhibitory effect of Tridax procumbens against human skin
pathogens. Journal of Herbal Medicine 3, 1–17,2014.
Planta da família Bromeliaceae(das bromélias), conhecida vulgarmente como Bromélia-cascavel, enquanto que cientificamente ela recebeu o nome de Cryptanthus zonatus (Vis.) Vis..
Essa espécie apresenta porte herbáceo com folhas prostradas a arqueadas com variação de coloração, o que torna ela muito atrativa do ponto de vista ornamental, sendo coletada indiscriminadamente na natureza para comercialização. Sua floração geralmente ocorre entre os meses de março e abril, no qual as flores já foram observadas sendo visitadas por beija-flor(Phaetornis ruber) e principalmente por uma espécie de abelha(Eulaema nigrita).
A Bromélia-Cascavel(Cryptanthus zonatus) é uma espécie nativa e endêmica do Brasil, ou seja, ocorre exclusivamente nesse país, estando restrita ao domínio da Mata Atlântica nordestina, tendo sido confirmada sua presença apenas nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Considerando a sua restrita área de distribuição, ao relativo pequeno número de suas subpopulações, a fragmentação e perda de habitat e sua extração ilegal para comercialização como ornamental, ela encontra-se ameaçada de extinção na categoria vulnerável(CNCFlora,2022).
Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente de Natal até Baía Formosa, especificamente no Parque das dunas e na RPPN Mata Estrela.
Agradeço a Everton Hilo Souza pela ajuda na identificação em nível de espécie.
Referências
CNCFlora. Cryptanthus zonatus in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Cryptanthus zonatus>. Acesso em 16 janeiro 2022.
Débora Maria Cavalcanti Ferreira, Clarisse Palma-Silva, Jordana Néri, Maria Cláudia Melo Pacheco de Medeiros, Diego Sotero Pinangé, Ana Maria Benko-Iseppon, Rafael Batista Louzada, Population genetic structure and species delimitation in the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae), Botanical Journal of the Linnean Society, Volume 196, Issue 1, May 2021, Pages 123–140, https://doi.org/10.1093/botlinnean/boaa094
Diesel, Katarine Maria Freire. Florestas urbanas em Natal, RN: florística, conectividade e viabilidade de um jardim botânico. 2018. 85f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.
Versieux, L.D., Magalhães, R., & Calvente, A. (2013). Extension of the Cryptanthus range in Northeastern Brazil with new findings in the phenotypic variation including changes in the trichome’s distribution, thus enhancing the understanding of the Cryptanthus zonatus complex (Bromeliaceae). Phytotaxa, 109, 54-60.
Planta que pertence a família Zygophyllaceae e ao gênero Kallstroemia, sendo possivelmente da espécie Kallstroemia tribuloides (Mart.) Steud.. Ela é conhecida popularmente como Rabo-de-calango, Abrolho-terrestre e Tribulo.
Rabo-de-calango(Kallstroemia tribuloides) é uma planta de porte herbáceo, considerado erva anual/perene. Esta apresenta folhas compostas paripinadas com 4 a 6 pares de folíolos. Suas flores são compostas por 5 pétalas amarelas ou alaranjadas, as quais são muito visitadas por abelhas que buscam nelas o néctar e pólen, principalmente a abelha africanizada(Apis melifera).
Ela não é endêmica(exclusiva) do Brasil, mas é considerada nativa e neste país tem registro confirmado apenas na Região Nordeste, ocorrendo no domínio fitogeográfico ou bioma Caatinga, sendo frequentemente encontrada em áreas alteradas como próximo a rodovias, áreas de pasto, de cultivo de frutas e em lavouras. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, observei essa espécie na mesorregião Agreste Potiguar, em área de vagem, próximo ao rio trairi.
Referências
Lucena, D.S.; Lucena, M.F.A.; Sousa, J.M.; Silva, R.F.L.; Souza, P.F. Flora vascular de um inselbergue na mesorregião do sertão paraibano, nordeste do Brasil. Scientia Plena, v. 11, n. 01, p. 02-11, 2015.
Maria Iracema Bezerra Loiola et al. (Orgs.). Diversidade de angiospermas do Ceará. Herbário Prisco
Bezerra: 80 anos de história [recurso eletrônico]. E-Book: PDF- Sobral:
Edições UVA, 2020.
Moreira, Henrique José da Costa & Bragança, Horlandezan Belirdes Nippes. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
Planta conhecida popularmente como Chanana,Xanana, Flor-do-guaruja, Onze-horas, Boa-noite, entretanto seu nome científico é único, Turnera subulata Sm. Pertence a família Turneraceae, a mesma da espécie Piriqueta guianensis. Espécie herbácea que pode atingir cerca de 1m de altura, apresenta folhas simples e alternas, flores solitárias com pétalas de maneira geral branco-amareladas com base castanha-escura; fruto do tipo cápsula. Floresce e frutifica durante o ano inteiro. Em 17 de janeiro de 2002, a "Xanana" tornou-se oficialmente a flor símbolo da cidade do Natal através da lei municipal número 05350/2. "No mundo agitado em que vivemos, poucas pessoas param para apreciar a beleza da flor da chanana que surge em todos os cantos."
Importância da chanana(Turnera subulata)
A chanana(Turnera subulata) apresenta por exemplo importância ornamental, ecológica e médica. Como floresce o ano inteiro possui grande valor ornamental, sendo portanto incentivada seu cultivo em jardins atraindo diversos animais, principalmente abelhas nativas e algumas borboletas, destacando-se assim a importância ambiental através das relações ecológicas. De acordo com a medicina popular a chanana é citada na literatura no tratamento de inflamações em geral, tumores, febre, amenorréias e dismenorréias.
Visitantes florais da chanana(Turnera subulata)
As flores da chanana(Turnera subulata) atraem vários animais do grupo dos insetos, principalmente abelhas e borboletas, mas também besouros.
Alguns exemplos de abelhas nativas "sem ferrão" que visitam as flores dessa espécie são: mosquito(Plebeia flavocinta), arapuá(Trigona spinipes), amarela(Frieseomelitta doederleinii),Centris aenea, Centris flavifrons, Centris leprieuri, Eulaema nigrita, as abelhas solitárias das espécies Protomeliturga turnerae e Psaenythia variabilis. Já foi registrado inclusive machos de abelhas solitárias dormindo dentro da flor. A abelha africanizada(Apis mellifera) também visita a Chanana.
Além das abelhas, podemos citar algumas espécies de borboletas que visitam as pétalas da chanana, a saber: Urbanus sp., Nisoniades macarius e Euptoieta hegesia.
Ocorrência e distribuição geográfica dechanana(Turnera subulata)
A chanana(Turnera subulata) é espécie nativa e perene típica de áreas abertas, sendo frequente por exemplo nas margens de estradas, terrenos baldios e também como invasora de culturas. Apresenta distribuição geográfica neotropical, sendo encontrada na América Central, Caribe e América do Sul. No Brasil ocorre nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, sendo encontrada nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie em todas mesorregiões do estado, ou seja, tanto no domínio da Mata Atlântica como na Caatinga potiguar.
Referências
Barbosa, Danila de Araújo; Silva,Kiriaki Nurit; Agra, Maria
de Fátima. Estudo farmacobotânico
comparativo de folhas de Turnera chamaedrifolia Cambess. e Turnera
subulata Sm. (Turneraceae). Rev. bras.
farmacogn. vol.17 no.3 João Pessoa July/Sept. 2007.
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas: visitadas por
abelhas na Caatinga. 1. ed. Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão,
2012.
Gouveia, A.L.A.; Silva, T.R.P.M.; Silva, N.M.B; Magnata,
S.S.L.P. Análise da atividade cicatrizante da Turnera subulata. Resumos Expandidos do I CONICBIO / II CONABIO /
VI SIMCBIO (v.2) Universidade Católica de Pernambuco - Recife - PE - Brasil -
11 a 14 de novembro de 2013.
Mesquita, Norma Ferreira. Uso medicinal de plantas
espontâneas presentes em área de cultivo agrícola. Trabalho de conclusão de
curso. Chapadinha-MA,2018.
Oliveira ,Gleison Soares de & Santos ,Carlos Alberto
Garcia. Visitantes florais de Turnera
subulata SM. (Passifloraceae) no município de Cuité, Paraíba. EDUCAÇÃO
CIÊNCIA E SAÚDE, v. 3, n. 2, Jul a Dez de 2016.
Organizadores Reinaldo Farias
Paiva de Lucena, Camila Marques de Lucena, Thamires Kelly Nunes Carvalho,
Ezequiel Costa Ferreira. Plantas e animais medicinais da Paraíba: um olhar da
etnobiologia e etnoecologia. Cabedelo, PB: Editora IESP, 2018.