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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sabiá-barranco Turdus leucomelas Vieillot, 1818; Fauna do RN

   Ave conhecida popularmente como Sabiá-barranco,Sabiá-branco,Sabiá-barranqueira, Sabiá-de-cabeça-cinza, Sabiá-fogueteiro, Sabiá-pardo,Capoeirão ou Caraxué. Entretanto seu nome científico é único, ele se foi denominado pelos cientistas como Turdus leucomelas Vieillot, 1818. Qual o significado do seu nome? A primeira palavra de seu nome científico, o gênero Turdus é de origem latina e significa Tordo, enquanto que o segundo nome, o termo específico leucomelas é formado por duas palavras de origem grega, leukos que significa branco e melas que significa preto, sugerindo uma mistura não literal de branco com preto, ou seja, cinza. Sendo assim seu nome significa "Tordo cinzento". Esse pássaro pertence a família Turdidae, na qual se encontram as aves conhecidas vulgarmente como Sabiás.
   Adulto pesa aproximadamente 60g, mede cerca de 22 a 23 centímetros, sendo de asa 108 mm,de cauda 90 mm, de bico 15 mm e tarso 30 mm (fêmea). Apresenta cabeça de cor cinzento-oliváceo, sem a mácula negra à frente dos olhos. Seu bico é acinzentado escuro. A plumagem nas costas apresenta-se acinzentada variando para amarronzada nas asas, peito acinzentado, com a garganta esbranquiçada om estrias pardas pouco contrastantes. A parte inferior da cauda é clara. "O juvenil com o dorso pintalgado de bolas amarronzadas, sem a garganta branca bem delimitada. Pontos marrons no peito e barriga. Não apresenta dimorfismo sexual, sendo sua diferenciação feita apenas pelo canto, que é característica dos machos."
 Alimenta-se de uma grande variedade de frutos,minhocas,artrópodes(principalmente insetos) como gafanhotos,grilos,larvas de moscas, lagartixa(vertebrado). Quando os filhotes ainda são pequenos, alimentam-se basicamente de insetos e minhocas; quando estão com cerca de uma semana de vida, os pais começam a oferecer-lhes frutas. Os insetos, larvas e minhocas são apanhados no solo, em locais sombreados. O sabiá procura o alimento com o bico, escavando o solo até encontrá-lo. Quando encontra uma minhoca, o sabiá usa o bico para matá-la às bicadas. O sabiá pode capturar várias minhocas, armazená-las no bico e depois voar para o ninho para alimentar os filhotes (LIMA,2006). Costuma capturar também cupins alados em revoadas.
   Com cerca de um ano de vida atinge a maturidade sexual, se reproduzindo entre os meses de agosto a dezembro. A fêmea é quem constrói o ninho na forma de tigela confeccionado com barro(em alguns locais esse material não é usado), raízes e folhas na parte externa. Geralmente é feito em galhos ou forquilhas, em construções(como alpendres e varandas de casas), barrancos ou cercas-vivas, com 1,5 a 2,5 metros do chão. A fêmea incuba de 2 a 4 ovos verde-azulados com salpicos pardos, que medem 28 por 20 milímetros durante 12 a 13 dias, com os filhotes saindo do ninho entre 14 a 17 dias. A fêmea retira ou engole os sacos fecais dos filhotes nidícolas [T. Sigrist - Avifauna Brasileira, pg 253]. Ela geralmente reutiliza o ninho por muitas vezes, reformando o ninho do ano anterior e pode ter até quatro ninhadas por temporada. Diante de todas essas funções exercidas pela fêmea cabe ao macho a responsabilidade de alimentar a mãe e os filhotes.
   É considerada a Sabiá mais comum do Brasil, sendo encontrada nos Biomas de Mata Atlântica e Cerrado em ambientes naturais como: matas ciliares,matas de galeria,matas secas,coqueirais,cerradões e tabuleiros. Mas também vive em áreas urbanas bem arborizadas, pomares,jardins e cafezais. Seu canto pode ser ouvido na época de acasalamento que ocorre na primavera, é contínuo, maravilhoso e múltiplo, composto de motivos relativamente simples, uma a duas vezes repetidos, p. ex., "tchrüíd, tchrüíd glüo tjülõ, tjülõ, tjülõ tírüd, tírüd", etc. Durante o resto do ano sua "voz" se limita a vocalizações de alerta, principalmente no final da tarde quando disputam os melhores poleiros para dormirem.(Sick, Helmut.,2001).
   Sua Distribuição estende-se das Guianas e Venezuela à Bolívia, Argentina,Paraguai e Brasil. Ocorre em todo território brasileiro, desde as regiões meridionais e central, e ao norte do Baixo Amazonas. Também é encontrado no Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro (mais comum nas serras).
   Aqui no estado do Rio Grande do Norte tenho observado constantemente essa espécie na cidade do Natal durante várias visitas ao Parque das Dunas e no Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
   Atualmente segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) seu estado de conservação é pouco preocupante.
   Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.


Referências

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p.

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

SANTIAGO, R. G. Sabia-pardo ( Turdus leucomelas ) Guia Interativo de Aves Urbanas, 20 feb. 2007. Disponível em: http://www.ib.unicamp.br/lte/giau/visualizarMaterial.php?idMaterial=425 Acesso em 11 de outubro de 2014.

SESC - Guia de Aves do Pantanal - Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/265.htm Acesso em 11 de outubro de 2014.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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