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sábado, 3 de janeiro de 2015

Abelha Jandaíra Melipona subnitida Ducke (1910); Fauna do RN


   Abelha indígena sem ferrão(meliponíneo) conhecida popularmente como Jandaíra, entretanto seu nome científico é Melipona subnitida Ducke (1910). Inseto social nativo da região Nordeste do Brasil, a Jandaíra(Melipona subnitida) pertence a superfamília Apoidea, família Apidae, subfamília Meliponinae e a tribo Meliponini, de onde deriva o nome "meliponíneos", que são as abelhas  caracterizadas por apresentarem um ferrão atrofiado que não serve para defesa; daí surgiu a expressão "abelha sem ferrão" (Keer et al., 1996).
   De maneira geral as abelhas do gênero Melipona, como a Jandaíra apresentam alto nível de organização social  com sobreposição de castas, tendo cada grupo de abelhas responsabilidade por um tipo de atividade dentro da colmeia,sendo a rainha responsável pela postura dos ovos e pela organização social do ninho,os zangões têm como função principal realizar a fecundação da rainha virgem, as abelhas operárias são encarregadas pela maioria das atividades, o que depende, dentre outros fatores, da idade e das necessidades da colmeia(Nogueira-Neto, 1997;Villas-Bôas, 2012). A determinação da casta é genético-alimentar (Kerr et al., 1950; Kerr et al., 1966).
   Suas células de cria são de tamanhos iguais, ou seja, as células da rainha, machos e fêmeas são indiferenciadas. "Seus ninhos são dispostos em placas concêntricas empilhadas na vertical, compostas de favos circulares constituídas por cerume (mistura de cera com resina vegetal), organizados basicamente em células de cria e potes de alimentos. Os potes de alimento são, em sua maioria, construídos na forma ovoide, armazenando separadamente mel e pólen. A entrada é quase sempre no centro, construída basicamente de geoprópolis (argila e resinas vegetais), barro ou cera, apresentando-se de diversas formas conforme a espécie de abelha(Nogueira-Neto,1997; Villas-Bôas, 2012)." Elas constroem seus ninhos geralmente no interior de cavidades(ocos) de árvores nativas típicas do Bioma Caatinga, utilizando principalmente a Imburana(Commiphora leptophloeos) e a  Catingueira(Caesalpinia bracteosa)  para moradia.
   "O ciclo de vida das Melipona gira em torno de seis dias para ovo, 12 dias para larva e 24 dias para pupa, totalizando 42 dias até a emergência do adulto (Bruening, 2006). As abelha operárias e os zangões alcançam uma expectativa de vida por volta de 90 dias, e as rainhas, entre quatro e cinco anos(Bruening, 2006). Como insetos da ordem Hymenoptera, o sistema de determinação do sexo nos meliponíneos é haplodiploide, sendo que a maior parte das espécies apresenta fêmeas com células diploide, com 2n = 18 (oriundas de ovos fecundados), e os machos apresentam células haploide, com n = 9 (oriundos de ovos não fecundados).(Tavares et al., 2010; Francini et al., 2011; Tavares et al., 2012)."
   Como essas abelhas dependem diretamente das árvores para viver são sensíveis a alterações no meio ambiente, como a destruição da vegetação, o uso de agrotóxicos e o extrativismo dos meleiros, tornando-as ameaçadas  com o avanço do desmatamento nas Caatingas, gerando outros impactos negativos como por exemplo a diminuição da produção agrícola que envolvam plantas polinizadas por elas, sendo elas responsáveis pela maior parte da polinização das plantas nativas. Além disso, a abelha Jandaíra em especial, tem como principais produtos de interesse comercial o mel, que tem alto valor comercial e de ótima qualidade (sabor, cheiro, cor, nutricional, terapêutico, etc.), sendo bastante apreciado pelas populações nativas (Vilela & Pereira, 2002).
   Sendo assim, percebe-se que a Apicultura e Meliponicultura são atividades sustentáveis, já que envolve os aspectos sociais,econômicos e ambientais, através do envolvimento da população nativa, os criadores das abelhas que aumentam sua renda familiar com a venda de produtos gerados por elas, em especial o mel, e contribuem para o reflorestamento por meio do plantio de árvores nativas onde as abelhas nidificam, além da polinização das plantas também realizadas por elas, contribuindo assim para a conservação das abelhas e da manutenção do Bioma Caatinga, respectivamente.
   Ainda pode ser encontrada em habitat natural nas Caatingas do Semi-árido nordestino nos estados do Rio Grande do Norte,Pernambuco,Paraíba e Ceará. No entanto é cada vez mais raro encontrar colônias silvestres desta espécie na natureza, por causa de um conjunto de fatores, como o extrativismo predatório, o desmatamento e a expansão da abelha africanizada.

Referências

Crédito da foto: Jerônimo Villas-boas/ISPN. hospedada em:  http://www.cerratinga.org.br/abelhas-nativas/

Daniel Santiago Pereira, Paulo Roberto Menezes, Valdemar Belchior Filho, Adalberto Hipólito de Sousa, Patrício Borges Maracajá. ABELHAS INDÍGENAS CRIADAS NO RIO GRANDE DO NORTE. Acta Veterinaria Brasilica, v.5, n.1, p.81-91, 2011.

Daniel Santiago Pereira, Priscila Vanúbia Queiroz Medeiros, Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra, Adalberto Hipólito de Sousa, Paulo Roberto Menezes. ABELHAS NATIVAS ENCONTRADAS EM MELIPONÁRIOS NO OESTE POTIGUAR-RN E PROPOSIÇÕES DE SEU DESAPARECIMENTO NA NATUREZA. Revista Verde (Mossoró – RN – Brasil) v.1, n.2, p. 54-65 julho/dezembro de 2006

Geice Ribeiro da Silva, Fábia de Mello Pereira, Bruno de Almeida Souza, Maria Teresa do Rego Lopes,José Elivalto Guimarães Campelo, Fábio Mendonça Diniz. Aspectos bioecológicos e genético-comportamentais envolvidos na conservação da abelha Jandaíra, Melipona subnitida Ducke (Apidae, Meliponini), e o uso de ferramentas moleculares nos estudos de diversidade. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.81, n.3, p. 299-308, 2014.

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