sábado, 31 de janeiro de 2026

Marimbondo-carijó: a vespa que come lagartas no seu quintal

Descubra a Polistes versicolor, a vespa predadora que controla pragas no Brasil e poliniza flores de forma totalmente natural e sem veneno!

Introdução

Quem nunca tomou um susto ao ver um marimbondo rondando o quintal ou o telhado?
O Marimbondo-carijó, Polistes versicolor (família Vespidae), é uma vespa social muito comum no Brasil e, apesar da fama de agressiva, tem um papel importante no controle de insetos que atacam plantações. 


Descrição morfológica (características principais)

P. versicolor apresenta coloração ferrugem a negro-amarronzada, com marcas amarelas bem evidentes no corpo e asas transparentes. A rainha é significativamente maior que os demais indivíduos da colônia e apresenta comportamento altamente agressivo. Quando ameaçadas, as vespas levantam as asas e adotam uma clara posição de alerta, típica da espécie.

História natural e comportamento

O marimbondo-carijó (Polistes versicolor) é uma vespa social de comportamento oportunista, cujas colônias são organizadas sob uma hierarquia rígida liderada por uma rainha dominante. O ciclo de vida dessas comunidades é sazonal, variando geralmente entre 3 e 10 meses. Como predadora ativa, a espécie foca intensamente na captura de larvas de insetos, demonstrando uma preferência por lagartas de Lepidoptera. Sua dieta é variada: ela combate desde as lagartas desfolhadoras do eucalipto e do girassol até espécies como a Heraclides anchysiades. Além disso, sua eficiência é comprovada em diferentes cenários, sendo observada caçando a lagarta Paracles fusca e espécie da família Saturniidae, esta foi em áreas de cultivo de mandioca na Mata Atlântica já modificada pela ação humana. Além da atividade caçadora, os adultos visitam flores regularmente em busca de néctar para suprir suas necessidades energéticas.

Importância ecológica

Apesar de sua fama de agressiva, a P. versicolor desempenha funções vitais para o equilíbrio dos ecossistemas. A espécie atua como um eficiente agente de controle biológico natural, sendo uma aliada estratégica na agricultura ao combater pragas em cultivos por exemplo de girassol, eucalipto e mandioca — inclusive em áreas antropizadas de Mata Atlântica. Estima-se que cada colônia pode capturar milhares de insetos por ano, ajudando a manter o equilíbrio do ambiente. Além disso, os adultos também visitam flores em busca de néctar e acabam polinizando plantas, especialmente da família Asteraceae.


Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

O Marimbondo-carijó, Polistes versicolor (Olivier, 1791), é uma vespa social nativa da América do Sul continental, amplamente distribuída no Brasil com ocorrência confirmada em todas as regiões do país. É relativamente comum em áreas urbanas, plantações e ambientes antrópicos, onde constrói ninhos de celulose, sem envoltório protetor. As colônias são frequentemente encontradas em edifícios abandonados ou em construção, demonstrando alta capacidade de adaptação a ambientes modificados.

Conclusão

Aquele susto inicial ao ver um marimbondo no telhado logo se transforma em admiração quando entendemos seu papel. Muito além da fama de perigosa, a Polistes versicolor entrega serviços ecológicos que beneficiam a todos nós, da agricultura ao jardim de casa. Valorizar essa pequena criatura é, em última análise, valorizar a saúde do ambiente em que vivemos.

👉Você já encontrou um ninho de Marimbondo-carijó em casa ou na zona rural? Como foi essa experiência?  

👉Se você gosta de conteúdos sobre nossa fauna brasileira e ecologia aplicada, curta, compartilhe e acompanhe para mais posts como este! 

Referências

BORGES, L. T. I. et al. Registro de predação de lagarta (Lepidoptera: Saturniidae) por vespa social Polistes versicolor (Olivier, 1792) (Hymenoptera: Vespidae). Entomology Beginners, v. 6, e093, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.12741/2675-9276.v6.e093.

ELISEI, T. Vespas sociais (Hymenoptera, Vespidae, Polistinae) do Estado da Paraíba: diversidade e estudo comportamental. 2017. 154 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017.

FILS-AIMÉ, F. Ocorrência, biologia, inimigos naturais e modelagem de Paracles fusca Walker, 1856 (Lepidoptera: Arctiidae) em batata yacon. 2025. 111 f. Dissertação (Mestrado em Produção Vegetal) – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2025.

HERMES, M. G.; SOMAVILLA, A. Polistini. In: Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. PNUD, 2026. Disponível em: http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/78513. Acesso em: 31 jan. 2026.

PREZOTO, F. et al. Prey captured and used in Polistes versicolor (Olivier) (Hymenoptera: Vespidae) nourishment. Neotropical Entomology, v. 35, n. 5, p. 707-709, 2006. DOI: 10.1590/S1519-566X2006000500021.

VIRGÍNIO, F.; MACIEL, T. T.; BARBOSA, B. C. Novas contribuições para o conhecimento de vespas sociais (Hymenoptera: Vespidae) para Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Entomotropica, v. 31, n. 26, p. 221-226, 2016.

#Vespa-do-papel-amarela #PolistesVersicolor #VespasSociais #InsetosDoBrasil #ControleBiológico #Ecologia #Entomologia #DivulgaçãoCientífica #FaunaBrasileira #NaturezaUrbana #Biodiversidade
#FaunaEFloraDoRN