sábado, 28 de fevereiro de 2026

Rolinha-cascavel ou Fogo-apagou? Conheça a pequena ave que chocalha e encanta os campos

Introdução

Você já ouviu um “fogo-apagou” ecoando no campo seco ou no quintal de casa e ficou tentando descobrir de onde vinha aquele som?
A rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata (Lesson, 1831), família Columbidae), também conhecida como rolinha-cascavelinha(variação de rolinha-cascavel), rolinha-carijó, rola-pedrês, paruru e até “felix-cafofo”, é uma presença constante em áreas abertas do Brasil.

Rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata) pousada em galho seco, exibindo plumagem escamada característica.


Descrição morfológica(características principais)

Com cerca de 18 a 22 cm de comprimento total e peso variando de 48 a 60 gramas, essa rolinha chama atenção pela plumagem de aspecto escamado(bordas escuras das penas), sendo a coloração superior predominantemente cinza-arenosa e a parte inferior esbranquiçada. As rêmiges(penas responsáveis pelo voo) apresentam tonalidade rufescente(ferrugíneo), bem visível em voo, e os lados da cauda são brancos. A cauda é relativamente longa e pode ser aberta em leque. Não há dimorfismo sexual, ou seja, machos e fêmeas são semelhantes na aparência.

História natural e importância ecológica

Desloca-se em casais ou pequenos bandos e forrageia diretamente no solo. Sua alimentação é variada: consome sementes, pequenas frutas, insetos como formigas e até pequenos moluscos (Gastropoda: Pupilla). Entre os vegetais registrados em sua dieta estão gêneros como Cereus, Croton, Euphorbia, Melocactus, Passiflora, Portulaca e Sida dentre outros.

Rolinha-cascavelinha caminhando no solo pedregoso em busca de sementes e pequenos insetos.

Na cadeia alimentar, também ocupa o papel de presa, sendo predada por várias espécies como por exemplo, o caburé (Glaucidium brasilianum), o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e a cobra-bicuda.

Rolinha-fogo-apagou inclinada bebendo água em um riacho, com reflexo visível na superfície

Reprodução

O período reprodutivo dessa ave pode ocorrer quase o ano inteiro e o macho vocaliza durante o dia. Seu canto trissilábico, descrito como “u-gú-gú” ou “fogo-apagou”, é uma das marcas sonoras mais conhecidas da espécie, daí a origem do seu principal nome popular. Outro nome vulgar tem origem no som forte e vibrante das asas durante o voo que se assemelha ao “chocalho de uma cascavel”, característica que originou o nome “rolinha-cascavel”.

Na corte, o macho inclina o corpo horizontalmente diante da fêmea, ergue a cauda na vertical abrindo-a em leque e pode trocar carícias com o bico.

O ninho, construído pelo macho, apresenta a forma de uma pequena tigela feita de gravetos. A postura é de dois ovos brancos puros, medindo cerca de 22 x 17 mm e pesando em média 3,5 g. A incubação, realizada por ambos os adultos, dura cerca de 13 a 14 dias. Os filhotes deixam o ninho entre 12 e 15 dias após a eclosão. A espécie pode se reproduzir mais de uma vez ao ano.

Rolinha-fogo-apagou protegida em seu ninho construído sobre um cacto (Cereus jamacaru) com frutos vermelhos.

Habitat, ocorrência e distribuição geográfica

Espécie de origem nativa, residente e independente de ambientes florestais densos, a rolinha-fogo-apagou vive em campo seco, cerrado, restinga, áreas abertas, bordas de mata e próximo a zonas urbanas.

Ela ocorre da Venezuela ao Paraguai e Argentina (Misiones), estando presente em quase todo o Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. Está presente em extensas áreas do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de ocupar porções significativas da região Norte. 

Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie tanto na Caatinga como na Mata Atlântica, nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Conclusão

Pequena e discreta à primeira vista, a rolinha-fogo-apagou revela sua presença pelo canto repetido que ecoa pelos campos e no ruído seco das asas que lembra o chocalho de uma cascavel. Nos ambientes abertos do Brasil, ela é uma lembrança constante de que até as espécies mais comuns guardam detalhes surpreendentes para quem observa com atenção.

Você já ouviu o canto “fogo-apagou” na sua cidade? Me diz aí nos comentários...

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Referências

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SIGRIST, Tomas. Guia de Campo Avis Brasilis: Avifauna Brasileira. 4. ed. Vinhedo: Avisbrasilis, 2014.

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