Introdução
Você já ouviu um “fogo-apagou”
ecoando no campo seco ou no quintal de casa e ficou tentando descobrir de onde
vinha aquele som?
A rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata (Lesson, 1831), família
Columbidae), também conhecida como rolinha-cascavelinha(variação de rolinha-cascavel),
rolinha-carijó, rola-pedrês, paruru e até “felix-cafofo”, é uma presença
constante em áreas abertas do Brasil.
Descrição morfológica(características
principais)
Com cerca de 18 a 22 cm de
comprimento total e peso variando de 48 a 60 gramas, essa rolinha chama atenção
pela plumagem de aspecto escamado(bordas escuras das penas), sendo a coloração
superior predominantemente cinza-arenosa e a parte inferior esbranquiçada. As
rêmiges(penas responsáveis pelo voo) apresentam tonalidade rufescente(ferrugíneo),
bem visível em voo, e os lados da cauda são brancos. A cauda é relativamente
longa e pode ser aberta em leque. Não há dimorfismo sexual, ou seja, machos e
fêmeas são semelhantes na aparência.
História natural e importância
ecológica
Desloca-se em casais ou pequenos
bandos e forrageia diretamente no solo. Sua alimentação é variada: consome
sementes, pequenas frutas, insetos como formigas e até pequenos moluscos
(Gastropoda: Pupilla). Entre os vegetais registrados em sua dieta estão
gêneros como Cereus, Croton, Euphorbia, Melocactus,
Passiflora, Portulaca e Sida dentre outros.
Na cadeia alimentar, também ocupa
o papel de presa, sendo predada por várias espécies como por exemplo, o caburé
(Glaucidium brasilianum), o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e
a cobra-bicuda.
Reprodução
O período reprodutivo dessa ave
pode ocorrer quase o ano inteiro e o macho vocaliza durante o dia. Seu canto
trissilábico, descrito como “u-gú-gú” ou “fogo-apagou”, é uma das marcas
sonoras mais conhecidas da espécie, daí a origem do seu principal nome popular.
Outro nome vulgar tem origem no som forte e vibrante das asas durante o voo que
se assemelha ao “chocalho de uma cascavel”, característica que originou o nome
“rolinha-cascavel”.
Na corte, o macho inclina o corpo
horizontalmente diante da fêmea, ergue a cauda na vertical abrindo-a em leque e
pode trocar carícias com o bico.
O ninho, construído pelo macho, apresenta
a forma de uma pequena tigela feita de gravetos. A postura é de dois ovos
brancos puros, medindo cerca de 22 x 17 mm e pesando em média 3,5 g. A
incubação, realizada por ambos os adultos, dura cerca de 13 a 14 dias. Os
filhotes deixam o ninho entre 12 e 15 dias após a eclosão. A espécie pode se
reproduzir mais de uma vez ao ano.
Habitat, ocorrência e
distribuição geográfica
Espécie de origem nativa, residente
e independente de ambientes florestais densos, a rolinha-fogo-apagou vive em
campo seco, cerrado, restinga, áreas abertas, bordas de mata e próximo a zonas
urbanas.
Ela ocorre da Venezuela ao
Paraguai e Argentina (Misiones), estando presente em quase todo o Brasil, ocorrendo
em grande parte do território nacional. Está presente em extensas áreas do
Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de ocupar porções significativas da
região Norte.
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie tanto na Caatinga como na Mata Atlântica, nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.
Conclusão
Pequena e discreta à primeira
vista, a rolinha-fogo-apagou revela sua presença pelo canto repetido que ecoa
pelos campos e no ruído seco das asas que lembra o chocalho de uma cascavel.
Nos ambientes abertos do Brasil, ela é uma lembrança constante de que até as
espécies mais comuns guardam detalhes surpreendentes para quem observa com
atenção.
Você já ouviu o canto
“fogo-apagou” na sua cidade? Me diz aí nos comentários...
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