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sexta-feira, 28 de março de 2014

Cágado-do-Nordeste Mesoclemmys tuberculata (LUEDERWALDT, 1926) ; Fauna do RN.

     Animal conhecido popularmente como Cágado-do-nordeste e Cágado-Caramujeiro, entretanto seu nome científico é Mesoclemmys tuberculata. Pertence a família Chelidae,o grupo típico dos cágados.
Apresenta as seguintes características: Carapaça oval e abaulada que pode alcançar 25 cm de comprimento, com quilha medial irregular, possuindo dois sulcos paralelos, um de cada lado. Em animais mais velhos estes sulcos se unem na parte posterior, formando um único sulco medial. Cabeça larga com focinho proeminente. Escama cervical larga, com coloração marrom escuro ou negra. Boca com coloração mais clara. Possui dois barbelos. Pescoço pode ou não conter tubérculos. Coloração varia de cinza uniforme a cinza com manchas amarelas ou rosadas. Plastrão bem desenvolvido, com coloração que varia de totalmente amarelo a amarelo com manchas escuras ou totalmente escuras. Possui tubérculos nos membros posteriores. Machos possuem cauda longa e plastrão côncavo.
     Os dados sobre dimorfismo sexual de Mesoclemmys tuberculata mostram que as fêmeas são maiores que os machos. Fêmeas maiores devem obter maior sucesso reprodutivo (GIBBONS & LOVICH, 1990), As pesquisas sobre a reprodução dessa espécie ainda apresentam resultados preliminares, mas já se sabe que o comportamento de acasalamento observado dentro d’água parece corresponder às fases de encontro do casal e perseguição à fêmea. Supõe uma ninhada pequena, a semelhança do observado para Batrachemys dahli (1 a 6 ovos, MEDEM, 1966), com incubação durando em média 3 meses . O valor de massa relativa da ninhada observado para Mesoclemmys tuberculata foi extremamente baixo, deixando evidente a ocorrência de mais de uma desova/fêmea/período reprodutivo. É considerado exclusivamente carnívoro, alimentando-se de pequenos artrópodes, moluscos e peixes, apresentando atividade diurna e noturna em seu ambiente natural (Souza, 2004).
     Segundo Souza (2005), a distribuição de M. tuberculata estende-se de um semi-árido nordestino interior até a bacia Oriente Atlântico-Nordeste, incluindo bacias do São Francisco e Parnaíba, abrangendo os biomas Caatinga, Mata Atlântica e também áreas do Cerrado. Tendo sido registrado até o momento a sua ocorrência nos seguintes estados brasileiros: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte (fotos), Pernambuco, Alagoas, Bahia e Minas Gerais. Até o momento só vi essa espécie durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, uma vez, no território do município de Baía Formosa(vê fotos).

Classificação Científica:
Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Reptilia; Ordem: Testudines; Família: Chelidae; Gênero: Mesoclemmys Gray, 1863; Espécie: Mesoclemmys tuberculata (LUEDERWALDT, 1926)

Sinônimos:
Rhinemys tuberculata LUEDERWALDT 1926
Phrynops (Batrachemys) tuberculatus — ALDERTON 1988
Phrynops tuberculatus — KING & BURKE 1989
Batrachemys tuberculata — MCCORD, MEHDI & LAMAR 2001
Batrachemys tuberculata — MCCORD & JOSEPH-OUNI 2002
Phrynops tuberculatus — RODRIGUES 2003
Batrachemys tuberculata — SOUZA 2004
Mesoclemmys tuberculata — BOUR & ZAHER 2005
Batrachemys (Phrynops) tuberculatus — BONIN et al 2006
Mesoclemmys tuberculata — VAN DIJK et al. 2011
Phrynops (Batrachemys) tuberculata — PHILIPPEN 2012 

Referências

Adriano Lima Silveira; Raquel Valinhas e Valinhas. PRIMEIRO REGISTRO DE MESOCLEMMYS TUBERCULATA (REPTILIA,TESTUDINES, CHELIDAE) EM ÁREA DE CERRADO NO ESTADO DE MINAS GERAIS, SUDESTE DO BRASIL.  Revista Biotemas, 23 (4), dezembro de 2010.
Marques, R. S.; Guimarães, M. R.; Couto - Ferreira, D.; Souza - Neto, J. R.; Tinôco, M. SCOMPORTAMENTO EM CATIVEIRO DE MESOCLEMMYS TUBERCULATA (TESTUDINES: CHELIDAE).
Quelônios. Disponível em: http://hbjunior19.files.wordpress.com/2012/02/quelc3b4nios.pdf Acesso em 28 de março de 2014.
Mesoclemmys tuberculata . Disponível em: http://www.catalogueoflife.org/annual-checklist/2009/show_species_details.php?record_id=4485072 Acesso em 28 de março de 2014.
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Flor de seda Calotropis procera (Aiton) W. T. Aiton. ; Flora exótica do RN.

    Planta exótica conhecida popularmente como Flor de Seda,Algodão de Seda,Algodão da Praia, Leiteira, Paina-de-Seda,Paina-de-Sapo, Saco-de-Velho, Leiteiro, Queimadeira, Pé-de-Balão, Janaúba e Ciúme. Entretanto cientificamente seu nome é único: Calotropis procera. Essa espécie pertence a família Asclepiadaceae, cujo nome provem de Asclépio, ou Asclepius, deus grego da Medicina (análogo a Esculápio, dos romanos),sendo as espécies dessa família cosmopolitas, e mais abundantes em regiões quentes, rareando em direção às temperadas.
   Flor de seda (Calotropis procera) é uma planta ereta e perene com poucas ramificações, de porte arbustivo, com cerca de 2,5 m de altura, mas que pode atingir 6,0 m, ou seja, o porte arbóreo. Nas plantas jovens têm ramos, folhas, pedúnculos(estruturas responsáveis pela sustentação das flores) e frutos revestidos de cera. Suas folhas simples(folha de limbo indiviso), sésseis(desprovido de pedúnculo), geralmente opostas, subcoriáceas(de consistência quase rígida, espessa, sem suculência, como um couro) e de coloração verde-clara, estão mais presentes na parte elevada da planta, sendo que as inferiores se desprendem gradualmente. Inflorescência(disposição a que as flores se apresentam nos ramos)em pedúnculos carnosos e cilíndricos, terminais e axilares com flores roxas, actinomorfas(flor que apresenta simetria radial, ou seja, pode ser dividida em várias partes iguais) e hermafroditas(tem estruturas reprodutoras masculinas e femininas).
     Os frutos são folículos(fruto seco, deiscente, com apenas uma folha carpelar que se abre em apenas um lado) inflados, globosos ou mangiformes, com sementes ovóides que no ápice possui filamentos sedosos (painas),prateados ou brancos (Kissmann e Groth, 1999). A casca corticiforme(que tem cortiça), sulcada, de coloração cinza, apresenta abundante fluxo de seiva branca (látex), que pode ser observado sempre que o caule e as folhas são cortados (Francis, s.d). Sistema radicular bastante desenvolvido, com raiz principal pivotante profunda e com quase nenhuma raiz lateral próxima à superfície (Sharma, 1968).
    Para C. procera seu caule corticiforme parece ser uma grande adaptação morfofisiológica que reduz a perda de água excessiva para o meio, funcionando também como isolante térmico e ação direta dos ventos, apresenta fissuras ou sulcos que pode permitir a troca controlada com o meio, além de caule seroso que reduz o ataque de insetos. Sua raiz pivotante e profunda proporciona a retirada de água e nutrientes nas diversas camadas do solo. Sharma (1934) afirma que esta planta ocorre em áreas de baixa pluviosidade, com precipitação anual variando de 150 a 1.000 mm; tolera altitudes de 1.000 metros e temperaturas entre 20 a 30 ºC, permitindo desenvolver-se em montanhas ou mesmo, ao nível do mar, conferindo a esta planta alta dinâmica em sua ocorrência.  Calotropis procera possui grande afinidade a regiões desérticas e áridas (Khan & Malik, 1989), solos arenosos, ocorre em pastagens degradadas, no litoral a beira do mar, dunas, rodovias, terrenos baldios e margens de estradas. Tolera solos pobres, solos ácidos, salinos e com elevado teor de alumínio (INSTITUTO HÓRUS, 2005).
   Segundo Corrêa (1939) esta espécie também se encontra disseminada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, além da região Nordeste do Brasil, com destaque para áreas degradadas do semi-árido. Pode ser encontrada em solos drenados e precipitação superior a 2000 mm. Portanto, é perceptível que a C. procera é uma espécie pouco exigente em termos de condições edafo-climáticas, e esta característica permite grande amplitude de ambientes para o seu o desenvolvimento. A C. procera possui fácil propagação através das sementes devido à excelente germinação, sem haver a necessidade de pré-tratamentos, pois não apresenta dormência podendo ser plantadas diretamente no solo (Vogt, 1995).
    Com florescimento e frutificação durante todo ano, produz milhares de sementes por planta que são disseminadas pelo vento(anemocórica), podendo alcançar vários quilômetros (Little et al. 1974), este tipo de dispersão é um dos mais favoráveis ao estabelecimento das espécies vegetais. Ainda de acordo com Little et al. (1974), em média 85 % das sementes germinaram entre 7 e 64 dias após a semeadura em vasos. No campo, o crescimento é abundante, mas passado o período das chuvas a queda na quantidade de plântulas reduz consideravelmente (Campolucci & Paolini, 1990). Suas sementes são sensíveis a variações de temperaturas, e segundo Labouriau & Valadares (1976) a Flor de seda(Calotropis procera) suporta variações de temperatura de 18 a 37 °C para germinação, mas o intervalo de 28 °C a 32 °C é considerado ideal. Esta planta, por reunir esses atributos relacionados à propagação, é considerada invasora em diversas regiões, devido à tamanha capacidade de propagação e estabelecimento. C. procera é muito susceptível a pragas. Amritphale & Sharma (2007) relatam que existem espécies de insetos que dependem da semente desta planta para completarem seu ciclo de vida. Algumas espécies de lepidópteros como a borboleta monarca, pertencente ao gênero Danaus, utilizam a C. procera em sua alimentação (Marian & Pandian, 1980). 
    O látex de Calotropis procera apresentou atividade antiinflamatória (KUMAR; BASU, 1994) e analgésica cuja potência é comparada ao ácido acetilsalicílico (DEWAN et al., 2000). Além disso, o látex melhorou significativamente o processo de cura de feridas pelo aumento de colágeno, síntese de DNA, de proteínas e epitelização, reduzindo a área do ferimento (RASIKA et al., 1999; DEWAN et al., 2000). O extrato etanólico das folhas Calotropis procera,R. Br., apresentou significante atividade antipirética, analgésica e bloqueadora neuromuscular. Segundo Renato Braga as folhas em cozimento são utilizadas na medicina popular com ações antireumáticas e calmantes. O látex é um forte depilatório e os sertanejos também o empregam como odontálgico.A paina das sementes é utilizada na confecção de tecidos, brinquedos, bolsas e enchimento de travesseiros, colchões, etc. As sementes também servem de alimento para as galinhas (Renato Braga,1976).
  A análise fitoquímica deste extrato revelou a presença de alcalóides, glicosídeos cardíacos, taninos, flavonóides, esteróides e ou triterpenos(MOSSA et al., 1991). 
   Diferentes partes da flor de seda têm sido usadas como fitoterápicos em muitas enfermidades na tradicional medicina da Índia, como analgésicos, anti-inflamatórios,agentes purgativos, anti-helmínticos, anti-microbianos, larvicidas, nematicidas, anticancerígenos,no tratamento das úlceras gástricas, nas doenças hepáticas e como antídoto de envenenamento por serpentes (Khan e Malik, 1989; Aktar et al. 1992; Basu et al. 1992;Hussein et al. 1994; Tanira et al. 1994) e até mesmo na coagulação de queijos (Adetunji & Salawu, 2008). Porém, Sharma et al. (1934), relataram que o látex da planta é muito irritante e corrosivo, usado com fins criminais (abortivo) Hussein et al.(1994).
   Quanto a disponibilidade de fitomassa Calotropis procera se destaca por apresentar uma capacidade de oferta de fitomassa durante todo ano. Em pesquisa realizada pela EMPARN (2004), foram encontradas variações quanto à disponibilidade de Matéria Seca-MS/ha/corte, obtendo produção de 1 a 3 t MS/ha/corte,aos 70 e 120 dias de rebrota, nos espaçamentos 1,0 x 0,20m; 1,0 x 0,50 m e 1,0 x 1,0 m, com precipitação de 150mm. Os autores ainda ressaltam a perspectivas da realização de três cortes ao ano com estimativa total de 9 t MS/ha/ano. 
   Quanto à utilização da flor de seda na nutrição animal, vários trabalhos na literatura demonstram sua viabilidade, a exemplo de Fall (1991), que na busca de novas espécies forrageiras disponíveis em pastagens naturais do Senegal, desenvolveu trabalho para testara digestibilidade in vitro e a degradabilidade in situ no rúmen. As folhas de flor de seda apresentaram 72 e 68% de digestibilidade para matéria seca e matéria orgânica, respectivamente. Quanto à composição química da flor de seda, Abbas (1992) observou que a planta é um arbusto sempre verde e abundante nas regiões áridas do Sudão e possui folhas com 94,62% de matéria seca e 19,46% de proteína bruta. Entretanto C. procera por se tratar de uma planta lactífera pode reduzir o consumo pelos animas, pois a presença do látex é uma estratégia do sistema natural de defesa dessa planta contra predadores. “A utilização da C. procera na produção animal é promissora, no entanto ainda depende de estudos na área de sistema de produção para obter o máximo de produtividade que esta espécie possa disponibilizar; além de uma análise do seu aspecto bioquímico para identificação das substâncias ativas, bem como seus mecanismos e locais de atuação no animal.”
    Nativa da África, Madagascar, Península Arábica, Sudoeste da Ásia esta espécie possui ampla distribuição geográfica, atualmente naturalizada no Norte da Austrália, Tailândia, Vietnã e outros países (Csurshes & Edwards,1998; Rahman & Wilcock, 1999), já está sendo considerada como invasora em alguns deles, a exemplo do Brasil (Ferreira, 1973).
     Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei a presença dessa espécie  exótica em muitos municípios, como Parnamirim,Natal,Macaíba,São Gonçalo,São José de Mipibu,Monte Alegre,Goianinha,Galinhos,Sítio Novo,Jucurutu e Luís Gomes. Ocorrendo assim, ao que parece em todo território norte-rio-grandense, desde a região litorânea nas dunas e a beira-mar, na região agreste as margens de rodovias e ou terrenos baldios e no Sertão potiguar também as margens de rodovias, em terrenos baldios e áreas degradas do Semi-árido. 
    Como é uma planta exótica, acredito que deve-se tentar manter o controle de suas populações em nosso país, para que não torne-se uma "praga" em meio as plantações tradicionais de subsistência competindo por recursos, e ou ampliando sua ocorrência em áreas de vegetação nativas,podendo vir a causar prejuízos econômicos e acelerar o processo de extinção de espécies típicas de nossos biomas, respectivamente, devido a sua grande adaptabilidade.

Classificação Científica:

Reino: Plantae; Subreino:Tracheobionta; Superdivisão: Spermatophyta; Divisão: Magnoliophyta; Classe: Magnoliopsida (Dic.);Subclasse: Asteridae; Ordem: Gentianales; Família:Asclepiadaceae; Gênero: Calotrpis R. Br.; Espécie:Calotropis procera (Aiton) W. T. Aiton.

Referências

Flor de Seda, PDF. EMILSON COSTA MOREIRA FILHO BRUNO LEAL VIANA. Disponível em: http://www.cca.ufpb.br/lavouraxerofila/pdf/fs.pdf Acesso em 12 de março de 2014.

Francisco Erivaldo Vidal BARROS; Maria da Glória Teixeira de SOUSA; Jociene Lima COSTA;Roberto Sigfrido Gallegos OLEA; Sônia Maria de Farias FREIRE; Antonio Carlos Romão BORGES; Marilene Oliveira da Rocha BORGES. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES ANALGÉSICA E ANTINFLAMATÓRIA DO EXTRATO METANÓLICO DE CALOTROPIS PROCERA, R. BR. (CIÚME). 

Patrícia Carneiro Souto,Francisco Chagas Vieira Sales,Jacob Silva Souto, Rivaldo Vital dos Santos e Antônio Amador de Sousa. REVISTA VERDE DE AGROECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL GRUPO VERDE DE AGRICULTURA ALTERNATIVA (GVAA). Revista Verde (Mossoró – RN – Brasil) v.3, n.1, p.108 ­113 janeiro/março de 2008 http://revista.gvaa.com.br

Renato Braga. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII, 1996. Pgs:280-281.

Roberto Germano Costa, Ariosvaldo Nunes de Medeiros, Aldivan Rodrigues Alves, Geovergue Rodrigues de Medeiros. PERSPECTIVAS DE UTILIZAÇÃO DA FLOR-DE-SEDA (Calotropis procera) NA PRODUÇÃO ANIMAL. Revista Caatinga, vol. 22, núm. 1, enero-marzo, 2009, pp. 1-9,Universidade Federal Rural do Semi-Árido,Brasil.
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