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domingo, 13 de julho de 2014

Ninféia Nymphoides indica (L.) Kuntze; Flora do RN

  Planta conhecida popularmente como Ninféia,Coração-flutuante,Estrela-branca,Golfo, Guapeua, Mureré,Soldanela-d’água,Apérana e Lagartixa, entretanto cientificamente seu nome é único,Nymphoides indica. O nome Nymphoides vem do gênero Nymphaeae + ‘eidos’, sufixo grego designando forma. Nymphaea por sua vez deriva do grego ‘nymphaia’ = relativo a ninfas, que vivem nas águas. Indica, relativo à Índia (Kissmann & Groth, 1995). Ela pertence a família Menyanthaceae, sendo a única espécie dessa família que ocorre de forma espontânea no Brasil (Kissmann & Groth, 1995). É perene(ela repete o ciclo vegetativo durante muitos anos), aquática, ocorrendo em áreas alagadas com água doce, parada ou com pouca movimentação, onde não haja congelamento no inverno (Kissmann & Groth, 1995).          
   Ocorre em solos férteis e argilosos (Pott & Pott, 2000). Lê Cointe (1947) menciona que habita regos, terrenos baixos e nos campos de várzea. A planta acompanha a subida da cheia, crescendo 30 cm por dia até 3,5 m de profundidade, daí morre (Pott & Pott, 2000).
   Em locais de água parada ou de pouca movimentação, pode se tornar uma infestante,cobrindo grandes extensões (Kissmann & Groth, 1995). Em áreas perturbadas pode aumentar o número de plantas. É tida como invasora do arroz irrigado na índia e no Rio Grande do Sul (Pott & Pott, 2000).
   Produz flor durante a maior parte do ano, em maior quantidade durante e no final da cheia. Cada flor dura um dia. O fruto submerge e amadurece na água (Pott & Pott, 2000).
   Propaga-se por semente, pedaços de rizoma com folha (Pott & Pott, 2000) ou folha. As sementes germinam no lodo. Normalmente a multiplicação é vegetativa. Quando uma lâmina foliar permanece dentro da água, em pouco tempo se formam, no ápice do pedúnculo, plantas adventícias que desenvolvem raízes e podem ser separadas quando alcançam um tamanho que permita a auto-sustentação (Kissmann & Groth, 1995). Necessita de muita luz, sob pleno sol ou sombra leve (POtt & Pott, 2000).
   Essa espécie é utilizada como ornamental, medicinal, forrageira e na alimentação humana. A forragem serve para o gado (Pott & Pott, 2000), sendo considerada de qualidade regular (Lê Cointe, 1947). Na África serve para fazer sal (Pott & Pott, 2000). É usada como amarga, digestiva, tônica, vermífuga, contra febres (Pott & Pott,2000) e dispepsia (Machado & Ribeiro, 1951). Planta atraente, que pode ser usada em aquários (Kissmann & Groth, 1995). Possui uma variedade anã (Pott & Pott, 2000). Planta apícola, ou seja, é visitada por abelhas (Pott & Pott, 2000).
   Em estudo químico isolou-se um óleo essencial e possivelmente, uma base orgânica. Por arraste a vapor extraiu-se o óleo essencial, o qual apresentou densidade maior que a da água e um aroma agradável. Da essência obtida após hidrólise ácida isolou-se o ácido salicílico. O óleo foi obtido das raízes, hastes e folhas, e nele foi identificado salicilato de metila. Um alcalóide desconhecido foi isolado e denominado linantemina (Machado &Ribeiro, 1951).
   Planta de ampla distribuição no mundo, em regiões onde as águas não sofrem congelamento no inverno (Kissmann & Groth, 1995). Ocorre na América Central e do Sul até a Argentina e Sul do Brasil; também na Austrália (Pott & Pott, 2000). Pode ser encontrada, praticamente, em todo o território brasileiro (Kissmann & Groth, 1995).
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei essa planta em todas as regiões do território norte-rio-grandense,sempre associada a ambientes aquáticos doce,sendo as últimas observações em um riacho no município de São José de Mipibu e na lagoa barrenta em Monte Alegre, suponho que ela ocorra em todos os municípios potiguares.

DESCRIÇÃO TAXONÔMICA DA ESPÉCIE:
“Um rizoma curto constitui a base da planta. Possui rizoma com catáfilos, folhas e raízes, que são fasciculadas e abundantes. Nos rizomas ocorrem folhas simples, pecioladas e alternas, de curta duração. Das axilas das folhas desenvolvem-se pedúnculos carnosos,longos, em que nas extremidades ocorrem as inflorescências e uma folha curtamente peciolada, flutuante, de limbo sub-orbicular, palmatinérveo, com 5-12 cm de diâmetro, com margem inteira, mas entrecortada na base, de coloração verde-escura e com manchas purpúreas. Nas inflorescências as flores se formam no topo dos pedúnculos, junto à base dos pecíolos foliares. Flores com pedicelos de 1-7 cm de comprimento; cálice subcarnoso com cerca de 7-8- mm de comprimento, com 5 lobos ovalado-lanceolados; corola com cerca de 2 cm de diâmetro, alva, com 5 lobos oblongo-lanceolados e obtusos, separados até a base, de margens intensamente fimbriadas, glabros no lado inferior e com pêlos glandulosos no superior; androceu com 5 estames eretos, de filetes curtos e anteras mais longas, amarelas, destacando-se no centro da corola; gineceu com ovário ovóide, rugoso, com estilo delgado e estigma bífido. Os frutos são cápsulas ovóides, rugosas, encimadas por resíduos do estilo, indeiscentes ou com deiscência irregular; guarnecidas pelo cálice persistente. Sementes esféricas, com 1 mm de diâmetro, de coloração amarela ou castanha(Kissmann & Groth, 1995)."

Referências
PROJETO: “EXTRATIVISMO NÃO-MADEIREIRO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA (ITTO – PD 31/99 Ver. 3 (I)”. BANCO DE DADOS “NON WOOD”.

CÔRREA, M.P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Colaboração de PENNA, L. de A. Rio de Janeiro: IBDF, 1984. 6v.

KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo: BASF, 1995. 683p. (Tomo III).

LÊ COINTE, P. Árvores e plantas úteis (indígenas e aclimadas): nomes vernáculos e nomes vulgares, classificação botânica, habitat, principais aplicações e propriedades. São Paulo: Companhia editora Nacional, 1947. 506p. (A Amazônia Brasileira, 3).

MACHADO, A.; RIBEIRO, O. Estudo químico da aperana, ‘Limnanthemum humboldtianum’ Griseb. Boletim do Instituto de Química Agrícola, n.22, p. 7-9, 1951.

MISSOURI BOTANICAL GARDEN – MBG. MOBOT. W3 TROPICOS. Specimen database. St. Louis, 2003. Disponível em: http://mobot.mobot.org/W3T/Search/vast.html Acesso: 18/2/2005.

ORNDUFF, R. Neotropical Nymphoides (Menyanthaceae): Meso-american and west indian species. Brittonia, v. 21, oct./dec. 1969.

POTT, V.J.; POTT, A. Plantas aquáticas do pantanal. Brasília: Centro de Pesquisas Agropecuárias do Pantanal, 2000. 404p.: il.

ROYAL BOTANIC GARDENS, KEW. World checklist of monocotyledons. Disponível em: http://www.kew.org/epic/ Acesso: 18/04/2005.

THE NEW YORK BOTANICAL GARDEN – NYBG. International Plant Science Center.
The virtual herbarium of the New York Botanical Garden. Nymphoides indica. New York, 1996-2002. Disponivel em: http://nybg.org. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

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