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domingo, 27 de julho de 2014

Percevejo-do-mato Edessa rufomarginata (De Geer, 1773); Fauna do RN

   Percevejo conhecido popularmente como Maria-fedida, Maria-peidona ou Fede-fede,Percevejo-do-mato,Percevejo-de-plantas,Percevejo-fedorento,Frade, entretanto seu nome científico é único,Edessa rufomarginata (De Geer, 1773). Essa espécie pertence a família Pentatomidae, sendo esta representada por muitos insetos considerados pestes agrícolas, pois podem causar danos diretos e indiretos às plantações e consequentemente a economia. Todos os representantes dessa família produzirem um odor desagradável por meio de glândulas odoríferas que nos adultos se abrem na região das metacoxas e nas ninfas no dorso do abdome (PANIZZI et al., 2000). 
   Estes insetos podem ser facilmente reconhecíveis por suas antenas geralmente com cinco segmentos, escutelo comumente plano e triangular estendendo-se até a base da membrana, hemiélitros sempre mais ou menos visíveis, ângulos umerais por vezes desenvolvidos (LIMA, 1940; MOORE, 2005).
  Maria-fedida(Edessa rufomarginata) é exclusivamente terrestre,tem hábito fitófago,alimentando-se de diversas partes da planta, podendo ser uma importante praga de culturas, em particular de espécies da família das Solanáceas (batata, tabaco e berinjela, por exemplo). Atinge em média o comprimento total de 18,2 milímetros(corpo). Os adultos têm vários métodos de defesa, incluindo uma exposição bastante agitada das antenas, recuo para um local abrigado, caindo e se escondendo na serapilheira ou voando,e segregando produtos químicos tóxicos. 
  As fêmeas de E. rufomarginata não apresentam cuidado maternal(não guarda os ovos) e depositam cerca de 14 ovos em duas fileiras de 7 sobre as plantas hospedeiras. A incubação dura de 7 a 10 dias. Ninfas são gregárias até o terceiro instar,a partir do qual elas se dispersam através da planta hospedeira (Silva e Oliveira, 2010).
   Algumas pesquisas comprovaram que formigas constantemente antenavam o abdômen de ninfas de terceiro a quinto ínstar de E. rufomarginata, e por duas vezes, foram observadas consumindo seu exsudato(Silva,2010).Até o presente foram registrados como seus predadores, o percevejo reduvídeo Heniartes sp. alimentando-se tanto das ninfas como de indivíduos adultos de E. rufomarginata. Também foram observadas formigas alimentando-se dos seus ovos e vespas Scelionine parasitando os ovos de E. rufomarginata .
   E. rufomarginata  ocorre do México ao norte da Argentina. As fotos dessa postagem foram feitas em Florânia, no Rio Grande do Norte em 2011.

REVISÃO DO GÊNERO Edessa e CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO Edessa rufomarginata.

"O gênero Edessa, proposto por FABRICIUS (1803), é o maior de Pentatomidae, com cerca de 260 espécies descritas até o momento. Devido à grande quantidade de espécies já conhecidas, além daquelas ainda não descritas (cerca de 300, J. A. M. Fernandes, comun. pess.), torna-se impraticável revisar todo o gênero de uma única vez. Como forma de resolver o problema, FERNANDES & VAN DOESBURG (2000a) propuseram revisar o gênero Edessa, dividindo-o em pequenos grupos de espécies com características morfológicas semelhantes, especialmente na morfologia da genitália. Até o momento,já foram descritos quatro grupos de espécies.
O grupo Edessa rufomarginata se caracteriza por apresentar corpo ovalado; jugas, em vista lateral, inclinadas; distância entre os olhos maior que a metade da largura da cabeça; ângulos umerais obtusos, não-desenvolvidos; ápice do escutelo não alcança o sexto segmento do conexivo; área central na superfície ventral do abdome sem quilha; ângulos póstero-laterais do sétimo segmento abdominal curtos, menores que a metade do comprimento do laterotergito 8 nas fêmeas; comprimento dos laterotergitos 9 subiguais aos laterotergitos 8; coloração da face texturizada da cabeça do parâmero diferente da coloração do parâmero. O grupo E. rufomarginata possui 15 espécies de tamanho médio de 11,2 a 20,7 mm(Silva&Fernandes&Grazia)."

Referências
Eduardo J. Ely e Silva, José A. M. Fernandes & Jocélia Grazia. Caracterização do grupo Edessa rufomarginata e descrição de sete novas espécies (Heteroptera, Pentatomidae, Edessinae). Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 96(3):345-362, 30 de setembro de 2006.

Thereza de Almeida Garbelotto.  PENTATOMINAE (HETEROPTERA, PENTATOMIDAE) NO SUL DE SANTA CATARINA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense. CRICIÚMA, SC ,2008.

Edessa rufomarginata. Disponível em: http://www.americaninsects.net/ht/edessa-rufomarginata.html  Acesso em 27 de julho de 2014.
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sábado, 19 de julho de 2014

Jaritataca Conepatus semistriatus (Boddaert, 1785); Fauna do RN

Casal de Tacaca,fotografado em Malhada Grande,Equador,Rio Grande do Norte.
   Animal conhecido popularmente como tacaca, ticaca,Jaritataca, jaratataca, jatitataca,jirita, gambá, cangambá ou zorrilho, entretanto seu nome científico é único, Conepatus semistriatus. Pertence a ordem Carnivora e a família Mephitidae, que é composta pelos gêneros Conepatus, Mephitis, Mydaus e Spilogale. 
   A Tacaca(Conepatus semistriatus) é um mamífero de pequeno porte, com comprimento corporal variando de 30 a 52cm e a cauda entre 16 e 31cm. Os indivíduos pesam entre 1,4 e 4,0kg (Cavalcanti 2010). Possui cabeça arredondada, corpo compacto e patas dianteiras com garras longas e negras, focinho longo e sem pelo. A cauda é volumosa com coloração negra próxima à base e branca na porção distal. A coloração do corpo varia de preto a marrom escuro com uma lista branca saindo da cabeça, dividindo-se em duas, as quais seguem paralelas até a base da cauda. O padrão dessas listras pode variar entre indivíduos (Dragoo 2009). A fórmula dentária é I3/3,C1/1, PM2/3, M1/2, com 32 dentes no total (Emmons 1997, Cheida et al. 2011).
    Conepatus semistriatus apresenta pares de glândulas perianais que são responsáveis pela produção de uma substância volátil e fétida, utilizada para defesa,sendo esta uma característica marcante de Conepatus (Brazil 1924; Emmons e Feer 1997; Eisenberg e Redford 1999). Quando o animal encontra-se sob ameaça, eleva suas patas traseiras e a cauda, esguichando um líquido de cor amarelada sobre o predador. Esse líquido pode ser lançado a até 2 metros de distância e permanece ativo por muito tempo. O líquido causa ardor nas mucosas,tontura e enjôo. Isso pode então ser o fator principal para a baixa frequência de predação que a espécie sofre, pois animais que tiveram contato com esse líquido evitaram novo ataque (Brazil 1924). Seus predadores são outros carnívoros, como por exemplo, a onça-parda(Puma concolor) e o lobo-guará(Chrysocyon brachyurus), assim como aves de rapina.
   É uma espécie terrestre e predominantemente solitário podendo ser encontrado em pares apenas na época reprodutiva. A gestação dura aproximadamente 60 dias onde nascem de 4 a 5 filhotes (Dragoo 2009, Cheida et al. 2011). Possui padrão de atividade crepuscular ou noturno (Cavalcanti 2010, Cheida et al. 2011). Torna-se ativo logo após o pôr do sol e a fase da lua parece não influenciar o período de atividade (Dragoo 2009). Podem usar buracos cavados por outras espécies ou cavar a própria toca (Eisenberg & Redford 1999). Silveira (1999) observou o uso de buracos em cupinzeiros como abrigo diurno. Além disso, tocas de tatus e touceira de capim também foram registradas como abrigos para a espécie (Cavalcanti 2010). Ela é considerada onívora e generalista, alimentando-se principalmente de insetos e outros invertebrados, consumindo também pequenos vertebrados como roedores, e frutos. Alguns autores já registraram o consumo de carcaças e lixo(Silva 2008, Kasper et al. 2009, Cavalcanti 2010, Cheida et al. 2011).
Tacaca(Conepatus semitriatus),fotografado em Malhada Grande,Equador,Rio Grande do Norte.
    Jaritataca(Conepatus semistriatus) habita principalmente áreas de vegetações abertas como Cerrado,campos e Caatinga, evitando regiões de matas mais densas (Cheida et al. 2011). Embora possa utilizar matas mais fechadas como abrigo (Kasper et al. 2009). A espécie apresenta boa tolerância a ambientes perturbados (Cuarón et al. 2008, Dragoo 2009), além de serem registradas em áreas de agro-ecossistemas, como cana-de-açúcar e eucalipto (Dotta & Verdade 2007). 
   Conepatus semistriatus ocorre no sul do México, norte da Colômbia, Venezuela, Peru e Brasil. No território brasileiro pode ser encontrada do nordeste do país ao estado de São Paulo(Cuarón et al. 2008, Cheida et al. 2011), ocorrendo nos ambientes de Cerrado e Caatinga (Kasper et al. 2009). Atualmente a espécie tem sido registrada em ambientes alterados de Mata Atlântica, provavelmente devido ao aumento da fragmentação e desflorestamento (Kasper et al.2009). A espécie é amplamente distribuída no Brasil e relativamente abundante, porém pode ser bastante rara em alguns locais (G.N. Cavalcanti obs. pess.). Pode viver em regiões de até 4.100m de altitude (Emmons 1997). 
   A Tacaca(Conepatus semistriatus) é caçada para "subsistência", utilizada como alimento e/ou medicamento, na região da Caatinga. Além da caça existem outras ameaças as populações C. semistriatus de acordo com as diferentes regiões, como: atropelamentos em rodovias, os grandes incêndios, a fragmentação do habitat e possivelmente o uso de pesticidas na agricultura. Até o momento, a espécie C. semistriatus não consta na Lista Brasileira da Fauna Ameaçada de Extinção, mas é considerada de baixo risco ou de menor preocupação na Lista Vermelha Mundial da IUCN.
   Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte ainda não vi essa espécie em seu habitat, porém vários indícios confirmam a sua presença em nosso estado. Quando estive desbravando a Caatinga em Cerro Corá, acompanhado de guias nativos, de manhã cedo ao entrarmos em uma "casa de pedra",com blocos de rochas de variados tamanhos, sentimos um cheiro forte, bem diferente de tudo que já tinha sentido antes, segundo os guias locais, era o cheiro da "tacaca". Também conversei em outras expedições com guias nativos em Campo Redondo, Lajes, Luís Gomes, entre outros municípios potiguares e eles também relataram ainda a presença desse animal em nossas terras. Entretanto não encontrei registros recentes na literatura científica da espécie no Rio Grande do Norte. 

Referências
Gitana Nunes Cavalcanti. Biologia comportamental de Conepatus semistriatus (Carnivora, Mephitidae) em Cerrado do Brasil Central. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre da UFMG para a obtenção do título de Mestre. Belo Horizonte- MG, 2010.

Gitana Nunes Cavalcanti, Manoel Ludwig da Fontoura-Rodrigues, Flávio Henrique Guimarães Rodrigues & Lívia de Almeida Rodrigues. Avaliação do risco de extinção da Jaritataca Conepatus semistriatus (Boddaert, 1785) no Brasil. Icmbio. Avaliação do Estado de Conservação dos Carnívoros. Biodiversidade Brasileira, 3(1), 248-254, 2013.

REIS, dos R. R.; PERACCHI, A. L.; PEDRO, W. A.; LIMA, de I. P. Mamíferos do Brasil – Londrina, 2006.

Crédito das fotos do autor Jorge Dantas:
https://www.flickr.com/photos/poty2002/7636098160/in/faves-francisco_v_souza/
https://www.flickr.com/photos/poty2002/7636100248/in/faves-francisco_v_souza/
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domingo, 13 de julho de 2014

Ninféia Nymphoides indica (L.) Kuntze; Flora do RN

  Planta conhecida popularmente como Ninféia,Coração-flutuante,Estrela-branca,Golfo, Guapeua, Mureré,Soldanela-d’água,Apérana e Lagartixa, entretanto cientificamente seu nome é único,Nymphoides indica. O nome Nymphoides vem do gênero Nymphaeae + ‘eidos’, sufixo grego designando forma. Nymphaea por sua vez deriva do grego ‘nymphaia’ = relativo a ninfas, que vivem nas águas. Indica, relativo à Índia (Kissmann & Groth, 1995). Ela pertence a família Menyanthaceae, sendo a única espécie dessa família que ocorre de forma espontânea no Brasil (Kissmann & Groth, 1995). É perene(ela repete o ciclo vegetativo durante muitos anos), aquática, ocorrendo em áreas alagadas com água doce, parada ou com pouca movimentação, onde não haja congelamento no inverno (Kissmann & Groth, 1995).          
   Ocorre em solos férteis e argilosos (Pott & Pott, 2000). Lê Cointe (1947) menciona que habita regos, terrenos baixos e nos campos de várzea. A planta acompanha a subida da cheia, crescendo 30 cm por dia até 3,5 m de profundidade, daí morre (Pott & Pott, 2000).
   Em locais de água parada ou de pouca movimentação, pode se tornar uma infestante,cobrindo grandes extensões (Kissmann & Groth, 1995). Em áreas perturbadas pode aumentar o número de plantas. É tida como invasora do arroz irrigado na índia e no Rio Grande do Sul (Pott & Pott, 2000).
   Produz flor durante a maior parte do ano, em maior quantidade durante e no final da cheia. Cada flor dura um dia. O fruto submerge e amadurece na água (Pott & Pott, 2000).
   Propaga-se por semente, pedaços de rizoma com folha (Pott & Pott, 2000) ou folha. As sementes germinam no lodo. Normalmente a multiplicação é vegetativa. Quando uma lâmina foliar permanece dentro da água, em pouco tempo se formam, no ápice do pedúnculo, plantas adventícias que desenvolvem raízes e podem ser separadas quando alcançam um tamanho que permita a auto-sustentação (Kissmann & Groth, 1995). Necessita de muita luz, sob pleno sol ou sombra leve (POtt & Pott, 2000).
   Essa espécie é utilizada como ornamental, medicinal, forrageira e na alimentação humana. A forragem serve para o gado (Pott & Pott, 2000), sendo considerada de qualidade regular (Lê Cointe, 1947). Na África serve para fazer sal (Pott & Pott, 2000). É usada como amarga, digestiva, tônica, vermífuga, contra febres (Pott & Pott,2000) e dispepsia (Machado & Ribeiro, 1951). Planta atraente, que pode ser usada em aquários (Kissmann & Groth, 1995). Possui uma variedade anã (Pott & Pott, 2000). Planta apícola, ou seja, é visitada por abelhas (Pott & Pott, 2000).
   Em estudo químico isolou-se um óleo essencial e possivelmente, uma base orgânica. Por arraste a vapor extraiu-se o óleo essencial, o qual apresentou densidade maior que a da água e um aroma agradável. Da essência obtida após hidrólise ácida isolou-se o ácido salicílico. O óleo foi obtido das raízes, hastes e folhas, e nele foi identificado salicilato de metila. Um alcalóide desconhecido foi isolado e denominado linantemina (Machado &Ribeiro, 1951).
   Planta de ampla distribuição no mundo, em regiões onde as águas não sofrem congelamento no inverno (Kissmann & Groth, 1995). Ocorre na América Central e do Sul até a Argentina e Sul do Brasil; também na Austrália (Pott & Pott, 2000). Pode ser encontrada, praticamente, em todo o território brasileiro (Kissmann & Groth, 1995).
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei essa planta em todas as regiões do território norte-rio-grandense,sempre associada a ambientes aquáticos doce,sendo as últimas observações em um riacho no município de São José de Mipibu e na lagoa barrenta em Monte Alegre, suponho que ela ocorra em todos os municípios potiguares.

DESCRIÇÃO TAXONÔMICA DA ESPÉCIE:
“Um rizoma curto constitui a base da planta. Possui rizoma com catáfilos, folhas e raízes, que são fasciculadas e abundantes. Nos rizomas ocorrem folhas simples, pecioladas e alternas, de curta duração. Das axilas das folhas desenvolvem-se pedúnculos carnosos,longos, em que nas extremidades ocorrem as inflorescências e uma folha curtamente peciolada, flutuante, de limbo sub-orbicular, palmatinérveo, com 5-12 cm de diâmetro, com margem inteira, mas entrecortada na base, de coloração verde-escura e com manchas purpúreas. Nas inflorescências as flores se formam no topo dos pedúnculos, junto à base dos pecíolos foliares. Flores com pedicelos de 1-7 cm de comprimento; cálice subcarnoso com cerca de 7-8- mm de comprimento, com 5 lobos ovalado-lanceolados; corola com cerca de 2 cm de diâmetro, alva, com 5 lobos oblongo-lanceolados e obtusos, separados até a base, de margens intensamente fimbriadas, glabros no lado inferior e com pêlos glandulosos no superior; androceu com 5 estames eretos, de filetes curtos e anteras mais longas, amarelas, destacando-se no centro da corola; gineceu com ovário ovóide, rugoso, com estilo delgado e estigma bífido. Os frutos são cápsulas ovóides, rugosas, encimadas por resíduos do estilo, indeiscentes ou com deiscência irregular; guarnecidas pelo cálice persistente. Sementes esféricas, com 1 mm de diâmetro, de coloração amarela ou castanha(Kissmann & Groth, 1995)."

Referências
PROJETO: “EXTRATIVISMO NÃO-MADEIREIRO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA (ITTO – PD 31/99 Ver. 3 (I)”. BANCO DE DADOS “NON WOOD”.

CÔRREA, M.P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Colaboração de PENNA, L. de A. Rio de Janeiro: IBDF, 1984. 6v.

KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo: BASF, 1995. 683p. (Tomo III).

LÊ COINTE, P. Árvores e plantas úteis (indígenas e aclimadas): nomes vernáculos e nomes vulgares, classificação botânica, habitat, principais aplicações e propriedades. São Paulo: Companhia editora Nacional, 1947. 506p. (A Amazônia Brasileira, 3).

MACHADO, A.; RIBEIRO, O. Estudo químico da aperana, ‘Limnanthemum humboldtianum’ Griseb. Boletim do Instituto de Química Agrícola, n.22, p. 7-9, 1951.

MISSOURI BOTANICAL GARDEN – MBG. MOBOT. W3 TROPICOS. Specimen database. St. Louis, 2003. Disponível em: http://mobot.mobot.org/W3T/Search/vast.html Acesso: 18/2/2005.

ORNDUFF, R. Neotropical Nymphoides (Menyanthaceae): Meso-american and west indian species. Brittonia, v. 21, oct./dec. 1969.

POTT, V.J.; POTT, A. Plantas aquáticas do pantanal. Brasília: Centro de Pesquisas Agropecuárias do Pantanal, 2000. 404p.: il.

ROYAL BOTANIC GARDENS, KEW. World checklist of monocotyledons. Disponível em: http://www.kew.org/epic/ Acesso: 18/04/2005.

THE NEW YORK BOTANICAL GARDEN – NYBG. International Plant Science Center.
The virtual herbarium of the New York Botanical Garden. Nymphoides indica. New York, 1996-2002. Disponivel em: http://nybg.org. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Beija-flor-tesoura Eupetomena macroura (Gmelin, 1788); Fauna do RN

   Ave conhecida popularmente como Beija-flor-tesoura, beija-flor-rabo-de-tesoura ou tesourão, mas científicamente seu nome é único, Eupetomena macroura. O que significa seu nome científico? do (grego) eu = divindade, deus; e petonemos = sempre sustentado pelas asas, voando; e do (grego) makros = longo, comprido; e ouros, oura = cauda, sendo assim seu nome significa: divindade sustentada pelas asas e que tem a cauda longa ou ave divina com a cauda longa que está sempre voando). Ele pertence à família Trochilidae, essa é a família típica dos beija-flores. A sua vocalização varia de um “Tsak” forte a um chilrear fraco entremeado de “tja-tja-tja”. 

   O beija-flor-tesoura é o maior dos nossos beija-flores. Um indivíduo adulto pesa cerca de 10g e atinge de 15 cm a 19 cm de comprimento, da ponta do bico até a ponta da sua longa cauda bifurcada, que equivale a quase 2/3 do tamanho total. Aliás, essa imensa cauda bifurcada é a sua principal característica. O comprimento da asa é de 72 mm,da cauda 107 mm e do bico 22 mm. 

   Dependendo da iluminação, de longe ele parece todo negro ou de cor azul-marinho, mas em condições perfeitas de iluminação suas cores iridescentes aparecem assim distribuídas pelo corpo: Cabeça, pescoço e parte superior do tórax de um profundo azul violeta; resto da plumagem verde-escuro iridescente. Pequena mancha branca atrás dos olhos; as penas das asas, chamadas rêmiges de cor castanho-escuro; raques das primárias externas alargadas, embora sejam bem menos evidentes que as espécies do gênero Campylopterus; cauda azul-escuro; calções brancos; bico ligeiramente curvado para baixo e preto. Eventualmente apresenta as penas azuladas da fronte tingidas de branco, amarelo, ou de cores diversas, em virtude do acúmulo de pólen proveniente das flores que poliniza. A fêmea é igual ao macho, mas é um pouco menor e mais pálida. Imaturo é igual à fêmea, mas a cabeça é particularmente mais pálida e tingida de marrom.
   Alimenta-se de néctar de flores e também artrópodes (insetos e aracnídeos) que garantem aos beija-flores as proteínas necessárias, absolutamente indispensáveis ao crescimento dos jovens. Pegam insetos em teias de aranha, em frestas de buracos de paredes, em fendas de árvores. É um déspota generalista. Déspota porque ele é dominante sobre qualquer outro beija-flor e os desloca do seu território de alimentação com alto grau de agressividade. Generalista porque ele consegue coletar néctar de praticamente qualquer flor, seja uma minúscula cambará-de-cheiro ou uma enorme flor de pequi, passando por flores de eucaliptos, de goiabeiras, de mangueiras e até a sua preferida flor de malvavisco, sendo importante na polinização de muitas plantas. 

   Na época do acasalamento, o macho faz a corte pairando em pleno voo em frente da fêmea empoleirada. Depois macho e fêmea realizam voos de zigue-zague, ocorrendo voos rasantes do macho sobre a fêmea. O macho separa-se da fêmea imediatamente após a cópula. Um macho pode acasalar com várias fêmeas e com toda a probabilidade, a fêmea também vai acasalar com vários machos. A fêmea é a responsável pela escolha do local e pela construção do ninho. 

   O ninho desta espécie é construído em forma de tigela aberta sobre um ramo mais ou menos horizontal ou em uma forquilha de arbusto ou árvore, a cerca de 2 a 3 metros do solo. Ele é composto por fibras vegetais macias incluindo painas, fiapos de lâminas de xaxim, fragmentos de folhas, liquens, musgo, entre outros, utilizando de líquido (podendo ser saliva, seiva ou néctar regurgitado) que são aderidos extremamente com teias de aranha. 

   Põe de dois a três ovos brancos e alongados nos meses de janeiro e fevereiro. Somente a fêmea incuba os ovos e os filhotes nascem após 15 a 16 dias e são alimentados pela fêmea principalmente com insetos, enquanto o macho defende seu território e as flores com que e alimenta. Os filhotes deixam o ninho com 22 a 24 dias.

   O beija-flor tesoura (Eupetomena macroura) forma leks, ou grandes grupos de machos que cantam em conjunto para atrair o maior número de fêmeas possível para a área. Marco A. Pizo e Wesley R. Silva estudaram leks de beija-flores por 22 meses, observando que os leks ocorrem pouco antes do amanhecer, e o número de machos cantando por manhã variou de seis a 15.
   É freqüentemente o beija-flor mais comum do Brasil centro-oriental. Não costuma ter medo do ser humano, aproximando-se das pessoas para se alimentar nas garrafas com água e açúcar, ou nas flores de seus jardins. É territorialista e extremamente agressivo, principalmente na época da reprodução, quando é capaz de atacar outras aves muito maiores,inclusive gaviões e tucanos e pequenos mamíferos quando se aproximam do ninho. Em algumas épocas do ano quando há menos disponibilidade de néctar, adota uma única árvore, que pode ser um mulungu ou um ipê como a sede de seu território e a defende ferozmente contra qualquer outra ave, principalmente contra outros beija-flores e contra o cambacica ou sebinhos. Ocorrem lutas ritualísticas intraespecíficas em voo em defesa do território. Antes de fazer os voos de ataque, emite um dois estalos rápidos e sai em perseguição. Se o outro beija-flor pousa, fica rodeando-o até esse retomar o voo, escoltando-o para fora do território imaginário. Ágil, mete-se no meio dos arbustos nessas lutas rápidas; chega a acompanhar a fuga do opositor. Nas horas mais quentes do dia, pousa no interior de arbustos ou árvores e pode ficar chilreando longamente. 
   O metabolismo dos beija-flores é considerado o mais acelerado entre as aves. À noite, quando não pode voar, reduz o metabolismo, o coração desacelera, de uma média de 1000 batimentos por minuto para apenas 30.

   Vive em áreas semiabertas, bordas de florestas, capoeiras, cerrados, cerradões, parques e jardins, sendo comum também em ambientes urbanos, como nas grandes cidades. Essa espécie ocorre das Guiana à Bolívia e Paraguai, todo o Brasil, exceto certas regiões da Amazônia. Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), seu estado de conservação atual é pouco preocupante.

   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei essa ave em todas as regiões do território norte-rio-grandense, sendo as últimas observações nos municípios de Campo Redondo, no interior de um rio seco, e em Parnamirim, pousado na fiação da cidade.

Referências

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p.

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

FRISCH, Johan Dalgas&FRISCH, Chistian Dalgas. Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem 3ª edição; Ed. Dalgas Ecoltec - Ecologia Técnica Ltda Pág. 214.
LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

Sick, Helrnut. Ornitologia Brasileira; pranchas coloridas Paul Barruel e [ohn P.O'Neill ; coordenação e atualização José F. Pacheco. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Sigrist, Tomas, Guia de Campo Avis Brasilis, Avifauna Brasileira. Editora Avisbrasilis, Vinhedo, São Paulo, 2009.

Beija-flor-tesoura. Terra da Gente. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/sp/eptv/terra-da-gente/platb/fauna/aves/beija-flor-tesoura/ Acesso em 04 de agosto de 2014.

Tesourão. Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/137.htm Acesso em 04 de agosto de 2014.

Beija-flores despostas, paineiras e baobás. Disponível em: http://www.oeco.org.br/convidados/28231-beija-flores-despotas-paineiras-e-baobas Acesso em 04 de agosto de 2014.

Comportamento de cortejo do beija-flor. Disponível em: http://www.ehow.com.br/comportamento-cortejo-beijaflor-sobre_244035/ Acesso em 04 de agosto de 2014.


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