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sábado, 27 de dezembro de 2014

Libélula verde Erythemis cf. vesiculosa (Fabricius, 1775); Fauna do RN

   Inseto conhecido popularmente como libélula, lava-bunda, lavadeira,cavalo-de-judeu, zig-zag e jacinta,donzelinha,cambito entre outros nomes regionais, entretanto seu nome científico é único, Erythemis cf. vesiculosa (Fabricius, 1775). Essa espécie pertence a família Libellulidae,sendo esta a maior família de Anisoptera com mais de mil espécies,tendo seus indivíduos comprimento total médio entre os 30 e os 48 mm e os machos adultos apresentam comportamento vigilante persistente.
   O gênero Erythemis Hagen, de 1861, é composto por dez espécies distribuídas nas regiões Neotropical e Neártica, sendo estas encontradas a partir do nível do mar até 2300 m de altitude. Algumas espécies dentro desse gênero apresentam comportamento territorialista  e suportam temperaturas elevadas (McVey, 1981), Durante o acasalamento e caça, indivíduos  machos exibem sinais contínuos de agressão interespecífica (Baird & May, 2003).
   Erythemis vesiculosa (Fabricius, 1775) é uma espécie comum em todo continente Americano, sendo considerada abundante, com população estável. Ocorre em muitos locais em toda a América do Sul, na Grande e Pequenas Antilhas, América Central e Estados Unidos da América. No Brasil é relatada para o Mato Grosso,Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, e São Paulo e recentemente para a Bahia(HECKMAN,2006b). As larvas, em geral são de hábitos lênticos(água parada). Ela habita áreas com lagoas pantanosas, incluindo porções de água temporária; também sobrevoa piscinas e córregos, embora possa não reproduzir lá.
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte visualizei essa "espécie" pelo menos duas vezes, no município de Monte Alegre em área rural nas proximidades de poças de água temporária e em Natal no interior de uma pequena mata no Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

INFORMAÇÕES TAXONÔMICAS:
Reino:Animalia
Filo:Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Odonata
Família:Libellulidae
Gênero:Erythemis
Espécie:Erythemis vesiculosa (Fabricius, 1775)
Observação: A tentativa de identificação a nível de espécie foi baseada unicamente através da análise das minhas fotografias em comparação com outras disponíveis em banco de dados na internet.

Referências

Dalzochio, Marina Schmidt. Diversidade de Odonata (Insecta) em sistemas lóticos da Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul, Brasil. – Dourados, MS : UFGD, 2009. 70f.

Paulson, DR 2009. Erythemis vesiculosa. A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Versão 2.014,3. < www.iucnredlist.org >. Transferido em 23 de Dezembro de 2014.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Mitracarpus baturitensis Sucre; Flora do RN

Folhas e flores da espécie Mitracarpus baturitensis Sucre. 
   Planta ramificada com cerca de 40 cm de altura, com folhas opostas, sésseis (sem pecíolo), suas flores alvas são andróginas, ou seja, cada flor apresenta os dois sexos (as estruturas reprodutoras masculinas e femininas) e o seu fruto é simples, do tipo cápsula globoso (0,8–1 mm comprimento).
   Esse registro fotográfico foi feito durante uma trilha na Serra do Cuó, em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte, em 29 de junho de 2013. Nessa área a vegetação típica é a Caatinga, o espécime da foto foi registrada em afloramento rochoso no alto da Serra.

Taxonomia: Descrição científica da espécie Mitracarpus baturitensis Sucre.

"Mitracarpus baturitensis Sucre, Rodriguésia 26(38): 255. 1971.

   Erva ereta, 8–40 cm alt., ramificada; caule tetrangular a subtetrangular, verde ou verde-amarelado, glabrescente ou pubérulo. Bainha estipular 0,5–5 mm compr., fimbriada, glabra ou pilosa, lacínios 5–8, ca. 1 mm compr., não glandulosos. Folhas opostas, sésseis; lâmina 1–6,5 × 0,1–0,7 cm, estreito-elípticas a elípticas, ápice agudo, base atenuada, margem revoluta, membranácea ou cartácea, face superior escabra ou pubescente apenas nas nervuras, face inferior glabra, pubescente ao longo das nervuras; nervura principal proeminente, nervuras secundárias 2–3 pares. Glomérulos axilares e terminais, sésseis, multifloros; 2–4 brácteas foliáceas. Flores andróginas, 4-meras, sésseis a subsésseis; botões florais com ápice obtuso. Cálice subulado, 4-laciniado, lacínios desiguais dois a dois, os maiores 1,6–2 mm compr., maculados na porção central, os menores 1,3–1,5 mm compr., glabro, hialinos, paleáceos, margem ciliada; hipanto 0,6–2 mm compr., obovado, glabro. Corola hipocrateriforme, prefloração valvar, alva, externamente pubérulo-papilosa, internamente glabrescente com um anel de tricomas no terço inferior; tubo 1–2 mm compr., lobos 0,7–1,3 mm compr., ovados. Estames sub-inclusos a exsertos, inseridos junto à fauce, sésseis a subsésseis; filetes 0,2–0,3 mm compr., anteras 0,8–1 mm compr. Ovário bilocular, lóculo uniovulado; estilete 1–3 mm compr., inteiro, incluso ou exserto, glabro; estigma bífido; disco inteiro, glabro. Cápsula circuncisa, 0,8–1 mm compr., globosa, glabra a pubescente na porção opercular, glabra na porção basal; lobos do cálice persistentes. Sementes 0,5–0,8 mm compr., oblongas ou globosas, plano-convexas, exotesta fovéolo-reticulada, face dorsal com depressão cruciforme impressa, face ventral com depressão em forma de "X", prolongando-se lateralmente, coberta por estrofíolo.

Material selecionado: PARAÍBA: Cabaceiras, 22.IX.2007, fl., M.C. Pessoa et al. 209 (JPB). Caturité, 16.V.2008, fl., M.C. Pessoa & J.R. Lima 344 (JPB).Monteiro, 12.VI.2008, fl., M.C. Pessoa et al. 438 (JPB).Serra Branca, 29.VII.2007, fl., M.C. Pessoa et al. 180 (JPB). São João do Cariri, 12.VII.2008, fl. e fr., M.C. Pessoa & J.R. Lima 515 (JPB). São João do Tigre, 17.V.2008, fl., M.C. Pessoa & J. R. Lima 354 (JPB). São José dos Cordeiros, 16.VIII.2007, fl. e fr., M.C. Pessoa et al. 185 (JPB)."

Referências

Det.: J. Jardim, set.2013

Maria do Céo Rodrigues PessoaI& Maria Regina de V. BarbosaII. A família Rubiaceae Juss. no Cariri Paraibano. The family Rubiaceae Juss. in the Cariri region of Paraíba. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S217578602012000400017&script=sci_arttext Acesso em 19 de dezembro de 2014.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sabiá-da-praia Mimus gilvus (Vieillot, 1807); Fauna do RN

   
     Ave conhecida popularmente como Sabiá-da-praia,Sabiá-branco ou Tejo-da-praia. Entretanto seu nome científico é único Mimus gilvus (Vieillot, 1807). O que significa esse nome? O primeiro nome que se refere ao gênero Mimus é de origem latina e significa mimica ou imitar, e o segundo nome, o termo específico gilvus também de origem latina significa amarelo pálido, sendo assim, seu nome significa "Imitador amarelo pálido". Ela pertence a família Mimidae, da qual também fazem parte a Sabiá-do-campo(Mimus saturninus) e Calhandra-de-três-rabos(Mimus triurus). 
   Um indivíduo adulto alcança em média 26 centímetros de comprimento e pode pesar 75 gramas. Diferentemente da Sabiá-do-campo,a Sabiá-da-praia apresenta o lado superior cinza-claro, fronte, sobrancelhas e lado inferior claro, esbranquiçadas, flancos rajados de negro; em plumagem velha o dorso torna-se pardacento e as pontas brancas das retrizes estão raspadas. Os olhos dos indivíduos adultos são alaranjados, enquanto que nos imaturos são cinzentas. Externamente machos e fêmeas são idênticos, ou seja não há dimorfismo sexual.
    A sua vocalização é bastante diversa, como por exemplo a voz de chamada comum é  "príü", mas na fêmea é "chick","ga", "quã-quâ" bufando (advertência,zanga); o seu canto é manifesto em estrofes curtas ou mais prolongadas,melodiosas e suaves, absolutamente límpidas e bem variadas,como por exemplo "drídro-drídro dridü-dridü-dridü", "drü-dídüdü-dí drü-dídüdü-dí", sendo típicas as repetições. Alguns espécimes são execelentes imitadores, imitanto cantos de outras aves e até mesmo conseguem "cantar' músicas.
   Alimenta-se de insetos e de pequenos frutos e costuma regurgitar as sementes, atuando assim como dispersora de determinadas plantas da restinga.
   Com um ano de vida estão prontos para se reproduzirem. O ninho é em forma de tigela, confeccionado de gravetos, forrado com gramíneas e fixado debaixo das folhagens dos arbustos. A postura pode ser de 2 a 3 ovos geralmente azulados, com pintas na cor castanha concentradas no pólo rombo. O filhote nasce coberto por uma plumagem negra. O período de incubação é de 15 dias e os filhotes abandonam o ninho com cerca de 18 dias. Tem de 3 a 4 ninhadas por temporada.
   Ocorre exclusivamente no litoral arenoso, salino, sendo uma ave extremamente comum na restinga do Brasil Oriental. Sua distribuição geográfica estende-se do México às Guianas e ao litoral brasileiro até o Rio de Janeiro; também ocorre nos campos do alto Rio Branco.
   Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) seu estado de conservação é pouco preocupante. 
   Como sua sua área de ocorrência está restrita ao litoral tenho observado ela com muita frequência no Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e na Via Costeira em Natal.
   Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.

Referências:

Federação Ornitológica de Minas Gerais, Sabiá-da-praia - Disponível em: http://www.feomg.com.br/sab_prai.htm Acesso em 10 de dezembro de 2014.

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p. 

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Aranha vibradora Physocyclus globosus (Taczanowski, 1874); Fauna do RN

   Aranha conhecida popularmente como Vibradora ou Treme-treme, entretanto seu nome científico é único, Physocyclus globosus (Taczanowski, 1874). É considerada "inofensiva" para a espécie humana. 
   Pertence a família Pholcidae,que incluem aranhas de pequeno e médio porte(de 1 a 15mm), com pernas de tamanho variável, geralmente com comprimento muitas vezes maior do que o corpo(podendo ser até 25 vezes maior),tecem pequenas teias de cordões emaranhados e possuem quelíceras pequenas(nessa espécie são fundidas na base). Esta família integra, juntamente com Dysderidae, Filistatidae, Scytodidae, Segestridae e Sicariidae, um grupo denominado Haplogina, no qual estão agrupadas fêmeas que não apresentam placa epiginal na genitália.
   Physocyclus globosus se distingue de outras espécies do gênero Physocyclus pela forma do seu abdômen, que é quase globular(por isso o epíteto específico- globosus), mas com uma ampla protuberância saliente na parte de trás e com as suas fieiras localizadas no meio da região ventral que apontam ligeiramente para a frente. O macho adulto da espécie Physocyclus globosus apresenta como característica distintiva a forma do fémur PalPal(estrutura genital) que é cilíndrico. As fêmeas adultas são maiores do que os machos, elas alcançam de 5 a 6mm de comprimento de corpo, enquanto que os machos atingem cerca de 4 a 5mm. Sua alimentação é constituída basicamente de pequenos insetos.
   Physocyclus globosus possui distribuição restrita aos trópicos e geralmente é observada em locais mais quentes, tais como no interior das cavernas,grutas,fendas de rochas,sob pontes e das construções urbanas.
   As fotos aqui presentes foram registradas no município de Parnamirim,Rio Grande do Norte, no interior da minha residência, mais especificamente no teto e no canto superior da parede da dispensa, onde é possível as vezes observar várias dessa aranha com suas teias bem emaranhadas. Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte observei aranhas do mesmo gênero(Physocyclus) em outros municípios, como por exemplo no interior de cavernas em Felipe Guerra.
Referências

Brescovit&Sakamoto&Zacaro. Análise ultra-estrutural de núcleos paquitênicos de Physocyclus globosus (Taczanowsky, 1874) (Araneae, Haplogynae, Pholcidae). Disponível em:> http://web2.sbg.org.br/congress/sbg2008/pdfs2008/24691.pdf <:acesso div="" em:16="">

Disponível em:> http://rockbugdesign./invert_ref/es/species/show/5/ <:acesso div="" em:16="">

Disponível em:>http://www.findaspider.org.au/find/spiders/520.htm <:acesso div="" em:16="">

Preston-Mafham, Ken (1998).Spiders: Compact Study Guide and Identifier. Angus Books. ISBN 978-1-904594-93-2.

Platnick, Norman I. (2008): The world spider catalog, version 8.5.American Museum of Natural History.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Palma do Campo Chamaecrista duckeana; Flora do RN

   Planta conhecida popularmente como Palma-do-campo, entretanto seu nome científico é Chamaecrista duckeana (P.Bezerra & Afr.Fern.) H.S.Irwin &Barneby.
   Espécie subarbustiva que pode atingir até 1 m de altura. Seu caule é uma haste pilosa,com casca estriada, verde e lisa; sua folha é composta, alterna e membranácea e a inflorescência é do tipo racemo axilar, com 4 flores apresentando 3 estames. Floresce durante a estação chuvosa,sendo suas flores de tamanho médio, amarelas com manchas avermelhadas e possuem anteras poricidas. O pólen é único recurso disponível para os visitantes florais. Somente algumas espécies de abelhas adaptadas à realização de vibração coletam pólen de anteras poricidas. Seus principais visitantes florais são as abelhas sem ferrão do gênero Melipona, as abelhas do gênero Xylocopa (mamangavas-de-toco) e as abelhas do gênero Bombus (mamangavas-de-chão). Sendo assim, essa planta é muito importante para a manutenção e conservação das abelhas nativas e pode ser utilizada em jardins de flora melífera. Essa espécie possui fruto do tipo legume com 5–6 cm de comprimento que tem de 18 a 22 sementes, subquadrangulares; plúmula diferenciada em eófilos. Sua ocorrência está restrita ao Bioma Caatinga,sendo uma espécie endêmica da região nordeste (Souza; Bortoluzzi, 2013).
   Esse registro fotográfico foi feito durante uma trilha na Serra do Cuó, em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte, em 29 de junho de 2013. Nessa área a vegetação típica é a Caatinga, o espécime da foto foi registrada em afloramento rochoso no alto da Serra.

Referências

Camila Maia-Silva...[et al.].  Guia de plantas: visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.

Chamaecrista duckeana. Disponível em: http://biogeo.inct.florabrasil.net/oc/176937 Acesso em 26 de novembro de 2014.

Det.: J. Jardim, set.2013.

Elisabeth CórdulaI& Marli Pires MorimI& Marccus Alves. Morfologia de frutos e sementes de Fabaceae ocorrentes em uma área prioritária para a conservação da Caatinga em Pernambuco, Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S217578602014000200012&script=sci_arttext Acesso em 26 de novembro de 2014.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Casaca-de-couro-da-lama Furnarius figulus (Lichtenstein, 1823); Fauna do RN

Photo by Celi Aurora (Flickr)
   Ave conhecida popularmente como Casaca-de-couro-da-lama, João-nordestino e Amassa-barro-do-nordeste. Entretanto seu nome científico é Furnarius figulus (Lichtenstein, 1823).  Pertence a família 
Furnariidae, a mesma família do João-de-barro(Furnarius rufus) e do Casaca-de-couro-amarelo((Furnarius leucopus).
   É muito parecido com o Casaca-de-couro-amarelo, mas é diferente daquele principalmente por apresentar as pernas acinzentadas, enquanto que a espécie Furnarius leucopus apresenta as pernas rosadas. 
   "Aparentemente não constrói ninho de barro em forma de fornos, mas sim uma taça de capim e fibras vegetais na base das folhas das palmeiras nos babaçuais ou entre outros gravatás. No entanto a observação em campo tende a mostrar o contrário, pois sempre são vistos chocando em casas muito parecidas com as do joão-de-barro."
   Alimenta-se principalmente de pequenos insetos e suas larvas, geralmente coletados na vegetação rasteira, em áreas alagadas, onde chega a capturar também pequenos peixes.
   Habita as matas ribeirinhas,brejos,áreas úmidas e babaçuais. Sua distribuição geográfica é principalmente na região Nordeste, mas encontra-se em grande expansão para o Sudeste e no leste da Amazônia.

Referência

SIGRIST, T. Avifauna Brasileira: The avis brasilis field guide to the birds of Brazil, 1ª edição, São Paulo: Editora Avis Brasilis, 2009.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Jarrinha Aristolochia setulosa ; Flora do RN

   Planta recentemente descoberta e descrita pelos pesquisadores Ariclenes Araújo e Marccus Alves, que recebeu o nome científico Aristolochia setulosa, sendo o "exemplar tipo" coletada por eles em área de restinga no resquício da Mata Atlântica do município de Baía Formosa, estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Sendo assim, é considerada uma espécie nativa da região Nordeste Brasileira e por enquanto é endêmica do Rio Grande do Norte.
   Aristolochia setulosa pertence a família Aristolochiaceae que é constituída por sete gêneros (Apama, Aristolochia, Asarum, Euglypha,Holostylis, Thottea e Saruma) e cerca de 600 espécies, representadas ao longo de todo o globo terrestre, exceto no Ártico e Antártica (Hoene, 1942, Joly 1998). O gênero Aristolochia é o mais diversificado dessa família,sendo formado por aproximadamente 500 espécies, a maioria das quais são encontradas na região tropical, subtropical e do Mediterrâneo (Neinhuis et al., 2005). No Brasil esse gênero  está representado por 89 espécies, sendo a maioria encontrada nas áreas fitogeográficas da Floresta Amazônica e Mata Atlântica(Barros & Araújo,2012). As plantas que pertencem a esse gênero são conhecidas popularmente como “mil homens”, "milhomem", "milome" “papo-de-peru”, “mata-porcos”,“patinho”, “jarrinha”,"cassaú", "melombe","pratudo", "urubu-caá", "urubu-caá". (Hoene, 1942).
   O gênero Aristolochia é facilmente reconhecido quando em floração, pela forma de suas flores,pelo cheiro que exalam e as sementes das espécies desse gênero são horizontais, comumente achatadas,com endosperma e embrião pequeno (Noronha, 1949). Flores de Aristolochia spp. são altamente especializadas, funcionando como uma armadilha que atrai e aprisiona artrópodes, a fim de assegurar a polinização (Knoll, 1929). Principalmente dípteros(moscas) têm sido relatados como polinizadoras do gênero (Hall and Brown, 1993; Wolda and Sabrowsky, 1986). A atratividade das flores aos polinizadores não se baseia em um sistema de recompensa, mas sim num engodo, os visitantes são enganados pela cor e cheiro das flores que imitam seus substratos naturais de acasalamento e oviposição. As moscas entram nas flores recém abertas por um pequeno tubo e não podem sair por causa dos pelos rígidos voltados para o interior. Neste estágio apenas o estigma está fértil. Somente após o amadurecimento das anteras, as moscas carregadas de grão de pólen conseguiram abandonar a flor devido a murchamento dos pelos (Joly 1998).
   Esses registros fotográficos foram feitos durante uma trilha na Serra do Cuó em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte em 29 de junho de 2013. Nessa área á vegetação típica é a Caatinga, o espécime das fotos foi registrada em afloramento rochoso no alto da Serra, o que é muito interessante pois o registro inicial dessa espécie foi na Mata Atlântica potiguar.

Referências

Ariclenes Araújo and Marccus Alves. Aristolochia setulosa (Aristolochiaceae), a new species from northeastern Brazil. Disponível em: http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12228-012-9292-7#page-1 Acesso em 13 de novembro de 2014.

Det.: J. Jardim, set.2013.

Alvarenga, Thiago Marinho& Pire, Epifânio Porfíro & Silva, Marconi Souza. ENTOMOFAUNA EM FLORES DE Aristolochia galeata mart. (ARISTOLOCHIACEAE), NA RESERVA BIOLÓGICA UNILAVRAS BOQUEIRÃO, INGAÍ, MINAS GERAIS. PDF

PROJETO: “EXTRATIVISMO NÃO-MADEIREIRO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA (ITTO – PD 31/99 Ver. 3 (I)”. BANCO DE DADOS “NON WOOD”. PDF

Agradecimentos: Agradeço ao Professor Jomar e aos leitores desse blog Roberto Guerra e Ed Pessoa, que ajudaram na identificação dessa espécie através das fotos.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sabiá-barranco Turdus leucomelas Vieillot, 1818; Fauna do RN

   Ave conhecida popularmente como Sabiá-barranco,Sabiá-branco,Sabiá-barranqueira, Sabiá-de-cabeça-cinza, Sabiá-fogueteiro, Sabiá-pardo,Capoeirão ou Caraxué. Entretanto seu nome científico é único, ele se foi denominado pelos cientistas como Turdus leucomelas Vieillot, 1818. Qual o significado do seu nome? A primeira palavra de seu nome científico, o gênero Turdus é de origem latina e significa Tordo, enquanto que o segundo nome, o termo específico leucomelas é formado por duas palavras de origem grega, leukos que significa branco e melas que significa preto, sugerindo uma mistura não literal de branco com preto, ou seja, cinza. Sendo assim seu nome significa "Tordo cinzento". Esse pássaro pertence a família Turdidae, na qual se encontram as aves conhecidas vulgarmente como Sabiás.
   Adulto pesa aproximadamente 60g, mede cerca de 22 a 23 centímetros, sendo de asa 108 mm,de cauda 90 mm, de bico 15 mm e tarso 30 mm (fêmea). Apresenta cabeça de cor cinzento-oliváceo, sem a mácula negra à frente dos olhos. Seu bico é acinzentado escuro. A plumagem nas costas apresenta-se acinzentada variando para amarronzada nas asas, peito acinzentado, com a garganta esbranquiçada om estrias pardas pouco contrastantes. A parte inferior da cauda é clara. "O juvenil com o dorso pintalgado de bolas amarronzadas, sem a garganta branca bem delimitada. Pontos marrons no peito e barriga. Não apresenta dimorfismo sexual, sendo sua diferenciação feita apenas pelo canto, que é característica dos machos."
 Alimenta-se de uma grande variedade de frutos,minhocas,artrópodes(principalmente insetos) como gafanhotos,grilos,larvas de moscas, lagartixa(vertebrado). Quando os filhotes ainda são pequenos, alimentam-se basicamente de insetos e minhocas; quando estão com cerca de uma semana de vida, os pais começam a oferecer-lhes frutas. Os insetos, larvas e minhocas são apanhados no solo, em locais sombreados. O sabiá procura o alimento com o bico, escavando o solo até encontrá-lo. Quando encontra uma minhoca, o sabiá usa o bico para matá-la às bicadas. O sabiá pode capturar várias minhocas, armazená-las no bico e depois voar para o ninho para alimentar os filhotes (LIMA,2006). Costuma capturar também cupins alados em revoadas.
   Com cerca de um ano de vida atinge a maturidade sexual, se reproduzindo entre os meses de agosto a dezembro. A fêmea é quem constrói o ninho na forma de tigela confeccionado com barro(em alguns locais esse material não é usado), raízes e folhas na parte externa. Geralmente é feito em galhos ou forquilhas, em construções(como alpendres e varandas de casas), barrancos ou cercas-vivas, com 1,5 a 2,5 metros do chão. A fêmea incuba de 2 a 4 ovos verde-azulados com salpicos pardos, que medem 28 por 20 milímetros durante 12 a 13 dias, com os filhotes saindo do ninho entre 14 a 17 dias. A fêmea retira ou engole os sacos fecais dos filhotes nidícolas [T. Sigrist - Avifauna Brasileira, pg 253]. Ela geralmente reutiliza o ninho por muitas vezes, reformando o ninho do ano anterior e pode ter até quatro ninhadas por temporada. Diante de todas essas funções exercidas pela fêmea cabe ao macho a responsabilidade de alimentar a mãe e os filhotes.
   É considerada a Sabiá mais comum do Brasil, sendo encontrada nos Biomas de Mata Atlântica e Cerrado em ambientes naturais como: matas ciliares,matas de galeria,matas secas,coqueirais,cerradões e tabuleiros. Mas também vive em áreas urbanas bem arborizadas, pomares,jardins e cafezais. Seu canto pode ser ouvido na época de acasalamento que ocorre na primavera, é contínuo, maravilhoso e múltiplo, composto de motivos relativamente simples, uma a duas vezes repetidos, p. ex., "tchrüíd, tchrüíd glüo tjülõ, tjülõ, tjülõ tírüd, tírüd", etc. Durante o resto do ano sua "voz" se limita a vocalizações de alerta, principalmente no final da tarde quando disputam os melhores poleiros para dormirem.(Sick, Helmut.,2001).
   Sua Distribuição estende-se das Guianas e Venezuela à Bolívia, Argentina,Paraguai e Brasil. Ocorre em todo território brasileiro, desde as regiões meridionais e central, e ao norte do Baixo Amazonas. Também é encontrado no Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro (mais comum nas serras).
   Aqui no estado do Rio Grande do Norte tenho observado constantemente essa espécie na cidade do Natal durante várias visitas ao Parque das Dunas e no Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
   Atualmente segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) seu estado de conservação é pouco preocupante.
   Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.


Referências

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p.

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

SANTIAGO, R. G. Sabia-pardo ( Turdus leucomelas ) Guia Interativo de Aves Urbanas, 20 feb. 2007. Disponível em: http://www.ib.unicamp.br/lte/giau/visualizarMaterial.php?idMaterial=425 Acesso em 11 de outubro de 2014.

SESC - Guia de Aves do Pantanal - Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/265.htm Acesso em 11 de outubro de 2014.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Urtiga-branca Aosa rupestris (Gardner) Weigend ; Flora do RN

    Conhecida popularmente como Urtiga branca,entretanto para a ciência o seu nome válido é Aosa rupestris (Gardner) Weigend.  Ela pertence a família Loasaceae Juss. que esta representada por 15 gêneros e cerca de 300  espécies no mundo, com distribuição predominantemente neotropical. No Brasil está representada por apenas seis gêneros e cerca de 17 espécies. Aosa rupestris  é utilizada na medicina popular através do uso em decocto,infuso ou macerado de suas raízes é usado no tratamento de inflamações ovarianas, uterinas, prostáticas e leucorréias, e também é indicada contra problemas do sistema respiratório.
   "Caracteriza-se pelo hábito herbáceo, 0,50-1,0 m de altura, indumento com tricomas aciculares, urticantes, folhas pecioladas, lâmina membranácea, oval-elíptica, lobada, inflorescência monocasial, corola dialipétala, pétalas alvas com glândulas vináceas na base, anteras esverdeadas, ovário súpero com placentação pariental, fruto capsular subgloboso."
   Esses registros fotográficos foram feitos durante uma trilha na Serra do Cuó em Campo Grande no estado do Rio Grande do Norte em 29 de junho de 2013. Nessa área a vegetação típica é a Caatinga, os espécimes das fotos foram registradas em afloramentos rochosos no alto da Serra,sendo frequentemente encontrada em ambientes rochosos. 

Referências

Det.: J. Jardim, set.2013.

Barbosa,Danila de A. & Araujo,Nathalia D. & Agra, Maria de F. Resumo- A FAMÍLIA LOASACEAE NO CARIRI PARAIBANO: TAXONOMIA E ETNOMEDICINA. Disponível em http://www.botanica.org.br/trabalhos-cientificos/58CNBot/818.pdf Acesso em 29 de outubro de 2014.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Rolinha-roxa Columbina talpacoti (Temminck, 1811); Fauna do RN

  Ave conhecida popularmente como Rolinha-roxa, Rolinha-vermelha,Rolinha-caldo-de-feijão, Caldo-de-feijão,Rolinha-barreirinha, Picuí-peão, Rola, Pomba-rola,Pomba-café, Rola-cabocla, Rola-grande, Rola-roxa, Rola-sangue-de-boi, Rolinha, Rolinha-comum e Rolinha-juruti. Entretanto seu nome cientifico é único, ela foi denominada cientificamente como Columbina talpacoti (Temminck, 1811). O que significa esse nome científico? O primeiro nome, o gênero "Columbina" é palavra de origem latina e se refere à família Columbidae,da qual fazem parte as aves conhecidas como pombas,pombos,rolas e rolinhas; já o segundo nome, o termo específico " talpacoti" é palavra indígena da língua tupi para essa ave.
   Cada indivíduos adulto pesa cerca de 45g e atinge cerca de 17 centímetros de comprimento, sendo a asa 85 mm,a cauda 58 mm,a bico 10 mm,o tarso 18 mm (fêmea). Existe dimorfismo sexual, tendo o macho adulto a cabeça com penas de cor cinza-clara contrastante com as penas marrom avermelhadas do corpo, enquanto que a fêmea é inteiramente marrom-clara. Em ambos os sexos, as penas das asas possuem uma série de pontos negros. Os filhotes nascem com com traços da plumagem tanto do pai como da mãe, tendo os indivíduos imaturos manchas amareladas na asa. Alimenta-se de grãos e sementes no chão.
   Na época de reprodução que pode ser durante o ano inteiro desde que tenha alimento, o casal defende a área do seu ninho de outras rolinhas. O seu ninho é em forma de tigela,feito de ramos,gravetos entre cipós ou galhos onde põe dois ovos de cor branca pura que pesam em média 3.6g e medem 24 mm x 17 mm. esses são incubados pelo casal entre 11 e 13 dias. Após cerca de 14 dias de vida os filhotes saem do ninho. Os ninhos são confeccionados em árvores,arbustos e ou construções,em calhas das casas,debaixo das telhas,em coberturas de edifícios e em galpões. O casal pode construi-lo em menos de uma semana, mas também podem reutilizar o mesmo ninho.
   Pode formar pequenos grupos, apesar de competir diretamente entre si por alimentos e lutar defendendo seus território usando uma asa em ataques a oponentes ou invasores. Sua vocalização é um canto monótono seguido "u", "u-ut", séries de 6 a 16 pios, quase durante o ano inteiro. Espécie considerada extremamente adaptada a áreas urbanas, sendo uma das espécies mais comuns das cidades brasileiras.
   Habita as áreas abertas,campos e bordas de matas na restinga e cerrado, ocorrendo em todo o Brasil, porém raramente vista em áreas densamente florestadas da Amazônia. Ocorre também no México, Bolívia, Paraguai e Argentina. 
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte observei essa ave em todas as regiões do RN, sendo muito comum nos centros das cidades arborizadas. Em Parnamirim, vejo-a diariamente sempre catando alimentos no chão,na fiação da rede elétrica ou voando em busca de poleiros mais seguros nos galhos da copa das plantas, onde se abrigam.
   Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) seu estado de conservação é pouco preocupante. 
   Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.

Referências

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p.

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

SANTIAGO, R. G. Rolinha-caldo-de-feijão ( Columbina talpacoti ) Guia Interativo de Aves Urbanas, 06 dec. 2006. Disponível em http://www.ib.unicamp.br/lte/giau/visualizarMaterial.php?idMaterial=363 Acesso em 18 de outubro de 2014.

SESC. Guia de aves do Pantanal. Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/85.htm Acesso em 18 de outubro de 2014.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sanhaço-de-coqueiro Tangara palmarum (Wied, 1823); Fauna do RN

Foto feita em aula de campo na UFRN.
 Ave conhecida popularmente como Sanhaço-de-coqueiro(comumente associada a palmeiras) ou Saí-açu-pardo, entretanto seu nome científico é Tangara palmarum (Wied, 1823). Esse bonito pássaro pertence a família Thraupidae, da qual também fazem parte por exemplo o sanhaço-cinzento(Tangara sayaca), a saíra amarela(Tangara cayana),saí-azul(Dacnis cayana) e o galo-de-campina(Paroaria dominicana).
   Em boas condições de iluminação é fácil a sua identificação a partir da observação de sua cor esverdeada predominante, com o dorso cambiando para o cinzento-sépia e quando voa demonstra uma faixa amarelada entre as penas longas da asa. Um indivíduo adulto pesa em média 38g e atinge aproximadamente 18cm de comprimento, tendo a asa cerca de 100 mm,a cauda 83 mm,o bico 15 mm, e o tarso 25 mm (fêmea). Ela não apresenta dimorfismo sexual, ou seja, aparentemente machos e fêmeas são idênticos.
   Alimenta-se principalmente de insetos e complementa a dieta com néctar e frutos como por exemplo da embaúba.

   Durante o período reprodutivo sua vocalização de notas agudas e assobiadas torna-se mais intensa do que no resto do ano. Formado o casal,ambos trabalham na construção do ninho que é em forma de taça, eles usam folhas secas em sua confecção, revestindo externamente com fibras vegetais,sendo feito na folhagem densa de arbustos e árvores ou nas bainhas das folhas das palmeiras. Nele a fêmea põe em média, 2 ovos,cremes ou brancos com manchas cinzas, pardas ou negras que são incubados por 14 dias. Após o nascimento, os filhotes permanecem no ninho entre 17 e 21 dias,sendo alimentados pelos pais.
   O Sanhaço-de-coqueiro é considerado agressivo até mesmo com indivíduos da sua espécie. Geralmente vivem aos casais e formam pequenos grupos. Ocorre nos Biomas Mata Atlântica e Cerrado, Vivendo em bordas de florestas, clareiras arbustivas,capões de cerrado, bosques e regiões onde palmeiras sejam numerosas, tanto em áreas úmidas como secas; nesses locais vivem em grupos de até seis indivíduos(ROMA,2000). Também são frequentes nas cidades bem arborizadas,visitando parques,pomares e jardins em busca de frutos.

   Sua distribuição estende-se desde a Costa Rica,pelo norte da América do Sul à Bolívia, Paraguai e Rio Grande do Sul, sendo encontrado em todas as regiões brasileiras.
   Aqui no estado do Rio Grande do Norte tenho observado sua presença com frequência, suponho que esteja pelo menos entre as 30 espécies de aves nativas mais comuns do RN. Várias vezes durante a semana vejo-o em visita a um mamoeiro que tem num terreno baldio por trás da minha casa em Parnamirim, inclusive em um desses momentos consegui fotografar dois indivíduos se alimentando do mamão. Durante as minhas excursões pelo território potiguar,visualizei-o na maioria das regiões, sendo os seguintes os últimos municípios norte-rio-grandenses onde observei em seu habitat livremente: em Luís Gomes na região do Alto Oeste, em Campo Redondo na região do Trairi, em Monte Alegre e São José de Mipibu,ambos localizados na região Agreste e em Natal no Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e no Parque das dunas. Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) seu estado de conservação é pouco preocupante.
   Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.

Referências

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p. 

FRISCH, Johan Dalgas; FRISCH, Christian Dalgas. Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem. São Paulo: Dalgas Ecoltec - Ecologia Técnica Ltda, 3ª Edição, 2005.

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

Rocha,Michelle da S. Pimentel& Cavalcanti, Priscila C. de Miranda& Souza,Romero de Lima&Alves,Rômulo R. da Nóbrega. Aspectos da comercialização ilegal de aves nas feiras livres de Campina Grande,Paraíba, Brasil. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA.Volume 6- Número 2 - 2º Semestre 2006.

Sanhaço-de-coqueiro. Ambiente Brasil Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/fauna/aves/sanhaco-do-coqueiro_(thraupis_palmarum).html  Acesso em 14 de outubro de 2014.

Sanhaço-de-coqueiro Tangara palmarum . Disponível em: http://redeglobo.globo.com/sp/eptv/terra-da-gente/platb/fauna/aves/sanhaco-do-coqueirotangara-palmarum/ Acesso em 14 de outubro de 2014.

SESC - Guia das Aves do Pantanal - Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/291.htm Acesso em 14 de outubro de 2014.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Poaia-rasteira Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. ; Flora do RN

   Planta conhecida popularmente como Poaia-rasteira,Poaia-da-praia, Poaia-rósea,Asa-de-pato, Ipeca-mirim ou simplesmente Poaia. Entretanto para a ciência seu nome científico é único, ela foi denominada Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. Pertence a família Rubiaceae,da qual também fazem parte por exemplo o Café Coffea arabica L. e o genipapo Genipa americana L.
   Erva de pequeno porte,rasteira,anual,que se desenvolve em áreas abertas com solos arenosos, formando tapetes sobre o solo,o que constitui grandes populações. Ocorre em todo Brasil, podendo ser encontrada inclusive em áreas com lavouras e pastagens e em áreas ocupadas com fruticultura, a exemplo dos cultivos de goiaba. Sendo registrada nos seguintes Biomas brasileiros:Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Floresce na estação chuvosa e sua propagação ocorre por meio de sementes.
   Suas flores tubulares, com pétalas de cor lilás produzem néctar que atraem uma imensa variedade de insetos como vespas, moscas,besouros, borboletas e abelhas. Essa planta desempenha um papel fundamental na manutenção e na conservação das espécies de abelhas nativas,mas também fornece alimento para as abelhas introduzidas como as abelhas europeias. É utilizada na medicina popular e tem seu valor ornamental, sendo excepcionalmente cultivada. Hospedeira da mosca-branca Bemisia tabaci raça B, que transmite begomoviroses para as culturas do tomate e repolho. 
    Apresenta caule prostrado com ramos ascendentes, recoberto por pilosidade branca e densa, coloração verde e contorno quadrangular com os ângulos em linha acentuada, em tom avermelhado. Folhas simples,opostas cruzadas, pubescentes, curtamente pecioladas ou sésseis e providas de estípulas interpeciolares ramificadas em pelos avermelhados. Limbo carnoso em formato lanceolado, com as margens inteiras. Inflorescência terminal do tipo glomérulo, assentado sobre 4 brácteas foliáceas e anisofilas, ou seja,diferentes entre si no tamanho. Flores sésseis com cálice de 6 sépalas soldadas, corola com 6 pétalas brancas ou róseas também soldadas, formando um tubo que se alarga em direção ao ápice. Androceu com estames de filetes e anteras brancas e gineceu com um estilete contendo no ápice 3 estigmas globosos, também de coloração branca. Fruto do tipo esquizocarpo com 3 cocas. Diferencia-se das demais espécies do gênero pelo tamanho da flor, como revela o próprio epíteto específico.

Referências
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas : visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. -- Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.
Moreira, Henrique José da Costa&Bragança,Horlandezan Belirdes Nippes. Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
Det.: J. Jardim, set.2013
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lagarto-da-mata Kentropyx calcarata SPIX, 1825 ; Fauna do RN

  Lagarto conhecido popularmente como Lagarto-da-mata ou Calango, entretanto seu nome científico é Kentropyx calcarata SPIX, 1825. Essa espécie é a mais comum do gênero Kentropyx ,ela pertence a família Teiidae, sendo parente próximo do Téiu(Tupinambis merianae) e do Bico-doce(Ameiva ameiva). 
   Réptil terrestre,diurno,heliófilo, que habita o folhiço de florestas, forrageando no solo e sobre ramos ou galhos da vegetação ou sobre troncos caídos, a alturas entre 10-300 cm, sendo encontrado no interior da mata, em clareiras, riachos e picadas, exposto ao sol nas horas quentes do dia. Este lagarto está sempre associado a florestas e bordas das mesmas, podendo subir em árvores a alturas de aproximadamente três ou quatro metros (Vitt, 1991; Freire, 2001). Os ninhos dessa espécie são comunais e aparentemente são reutilizados por longos períodos onde ela desova de 4 a 10 ovos.
   Apresenta ampla distribuição que vai desde a Amazônia oriental, ao norte do rio Amazonas estendendo-se a oeste até a rio Orinoco, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, ao sul do Amazonas até o rio Madeira. Também ocorre em partes da Mata Atlântica, incluindo os Brejos de Altitude,áreas de mangues, alguns ambientes de florestas no Cerrado e regiões da Caatinga.

   "Descrição: CRC até 119 mm (111 mm nas fêmeas). Escamas dorsais e laterais no corpo granulares, ventrais distintamente maiores, imbricadas e quilhadas. Jovens e sub-adultos têm três listras dorsais verdes a amarelo-esverdeadas, que se estende ao longo do corpo. Adultos com padrão de coloração variável – as listras dorsais podem desaparecer total ou parcialmente; tipicamente apresentam manchas irregulares negras contra um fundo verde, marrom ou cinza no dorso; listra clara dorsolateral marginada ventralmente por manchas irregulares negras; flancos com ou sem séries verticais de manchas circulares, verde ou azul claras. Região ventral verde sob a cabeça, com ou sem mancha central rósea; cinza-chumbo a rósea (machos adultos) no corpo." 
   Jovens de Ameiva ameiva podem ter a cabeça verde sendo um pouco semelhantes com K. calcarata, mas não tem as três listas longitudinais verdes, partindo da cabeça até o meio do corpo que geralmente apresentam os juvenis e subadultos da espécie Kentropyx calcarata.
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte observei recentemente essa espécie várias vezes na RPPN Mata Estrela no município de Baía Formosa e também em resquícios de Mata Atlântica no território de Nísia Floresta e Tibau do Sul. 

Referências

Igor Joventino Roberto, Lucas Brito & Thieres Pinto.  Ecological aspects of Kentropyx calcarata (Squamata: Teiidae) in a mangrove area in northeastern Brazil. Bol. Asoc. Herpetol. Esp. (2012) 23

Silva, ubiratan gonçalves da. Diversidade de espécies e ecologia da comunidade de lagartos de um fragmento de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil. NATAL / RN. 2008.

Souza, Pablo Augusto Gurgel de. Estrutura da Comunidade de Lagartos de um remanescente de Mata Atlântica do Estado Rio Grande do Norte,Brasil. Natal,RN,2010.

Vitt et al. Guia de Lagartos da Reserva Adolpho Ducke, Amazônia Central =Guide to the Lizards of Reserva Adolpho Ducke, Central Amazonia. – Manaus : Áttema Design Editorial, 2008.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Golinha Sporophila albogularis (Spix, 1825); Fauna do RN

  Ave conhecida popularmente como Golinha,Golinho,Gola,Golado, Patativa,Coleira,Coleira-garganta-branca,Papa-capim e Brejal. Entretanto para a ciência seu nome é único, seu nome científico é Sporophila albogularis (Spix, 1825). Esse pássaro atualmente pertence a família Thraupidae, a família típica de de aves como saíras, saís, tiês, sanhaçus e afins. Qual o significado do seu nome científico? Bem, o gênero Sporophila é formado por duas palavras de origem grega, sporos que significa "semente" e philos que significa "que gosta, amigo", enquanto que o termo específico albogularis é constituído por outras duas palavras de origem latina, albus que significa "branco,alvo" e gularis que significa "com garganta,garganta. Sendo assim, o nome científico Sporophila albogularis significa "com garganta branca que gosta de sementes".
  Indivíduos adultos pesam cerca de 10g cada e atingem um comprimento total de aproximadamente 112 mm, sendo a asa 54 mm,a cauda 45 mm,o bico 10 mm,o tarso 13 mm (macho). o macho tem o bico amarelo, seu corpo é cinza nas partes superiores, com a cabeça enegrecida e a garganta branca, cuja tonalidade estende-se para cima, formando um colar incompleto na nuca; a fêmea e os filhotes são marrom-acinzentados nas partes superiores e amarelo-esbranquiçados nas inferiores. O bico dela é escuro. Filhotes machos adquirem a plumagem de adulto com cerca de 18 meses de idade. Seu canto é um gorjear fino, persistente, bem variado e rápido. Além da aparência, o golinha tem um canto valorizado, podendo aprender o canto de outras aves (SICK, 1997).

  Espécie granívora,pois alimenta-se de pequenas sementes de vários tipos. Seu ninho tem o formato de uma pequena taça aberta,forrada com capins e garranchos, onde a fêmea faz a postura de 2 a 3 ovos de cor esverdeada com pintas cor de chocolate. Os filhotes nascem após cerca de 13 dias.
  Forma pequeno grupos quando não estar no período reprodutivo, e se reúne na vegetação próxima a fontes de água, que serve tanto como bebedouro e ambiente para "banho", formando nesses locais grupos maiores que cantam empoleirados em arbustos e árvores da Caatinga. 
  Ave "endêmica do Nordeste" que ocorre em veredas úmidas da caatinga,em ambientes mais abertos, áreas arborizadas e campos. É considerada uma ave bem adaptada aos ambientes antropizados.
Sua distribuição é exclusiva do Brasil,tipicamente nordestina sendo encontrada nos estados do Maranhão, no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Excepcionalmente são encontrados alguns indivíduos no norte do Espírito Santo e Minas Gerais, provavelmente em migração.
  Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, nos últimos anos tenho observado essa espécie com menor frequência,acredito que isto ocorra principalmente devido ao fato dessa ave ser uma das preferidas dos passarinheiros que as compram em feiras livres ou as capturam na natureza por causa do seu belo canto. Meus últimos registros foram nos seguintes municípios potiguares: em Monte Alegre,em Lajes,em Jucurutu e Caicó.  Por enquanto seu estado de conservação segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN 3.1) é pouco preocupante.
  Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.

Referências

Araujo,Helder F. Pereira de&Vieira-Filho,Arnaldo H.&Cavalcanti,Tarsila A.&Barbosa,Maria R. de Vasconcelos. As aves e os ambientes em que elas ocorrem em uma reserva particular no Cariri paraibano, nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia, 20(3), 365-377 Outubro de 2012.

Coleria-de-garganta-branca. Brasil 500 pássaros. Disponível em: http://www.eln.gov.br/opencms/opencms/publicacoes/Pass500/BIRDS/1birds/p472.htm Acesso em 26 de setembro de 2014.

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p. 

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. – 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sibite Coereba flaveola (Linnaeus, 1758); Fauna do RN

Foto da autoria de Paulo Dias
   Ave conhecida popularmente como Sibite, Sibiti, Sebito, Cambacica, Sebinho, Sebito, Caga-sebo,Chiquita, Papa-banana, Tem-tem-coroado, Saí, Guriatá-de-coqueiro, Sibito-de-manga, Mariquita e Chupa-mel. Entretanto para a ciência seu nome é único, seu nome científico é Coereba flaveola Linnaeus, 1758. O gênero, o primeiro nome "Coereba é de origem indígena,da língua tupy e significa "pequeno pássaro azul,preto e amarelo", enquanto o segundo nome, o termo específico flaveola vem de flaveolus palavra de origem latim sendo o seu diminutivo flavus que significa "dourado,amarelo', em síntese seu nome científico significa "pássaro amarelo". Pertence a família Thraupidae, da qual também fazem parte por exemplo, o golinho(Sporophila albogularis),sanhaço-cinzento(Tangara sayaca) e o sanhaço-de-coqueiro(Tangara palmarum).   Indivíduos adultos chegam a medir aproximadamente 10,8 centímetros de comprimento e pesar cerca de 10 gramas. Apresenta o bico relativamente longo e curvo, com a listra superciliar branca destacada contra o cinza escuro,quase negro, da cabeça. Seu dorso é marrom, o peito e abdome amarelos, o pescoço cinza e a cabeça listrada preta e branca, não apresentando diferenças na plumagem em relação aos machos e fêmeas. A sua cauda é curta em relação ao corpo. Em condições excepcionais de luz, é possível ver a pele avermelhada da base do bico.
   Alimenta-se principalmente de néctar, mas inclui também em sua dieta frutos silvestres e cultivados e artrópodes. Mais de duas terças partes do alimento de Coereba flaveola são constituídas de néctar. Possui bico curvo,extremamente agudo como uma sovela, com o qual perfura o cálice de flores cujos nectários não pode atingir diretamente, furtando-se à polinização, o que faz, p. ex., com as malváceas cultivadas, de grandes flores vermelhas. Os buracos assim feitos, com o murchar da flor, tornam-se maiores e servem também para os beija-flores e os insetos alcançarem comodamente o respectivo nectário. Ele é capaz de explorar flores de tipos muito variados, inclusive corolas bem pequenas reunidas em panículas.
Realiza voos até as garrafas com água açucarada destinadas a atrair beija-flores em busca do líquido precioso,como não consegue parar no ar, pendura-se para coletar alimento agarrando-se mais freqüentemente, no canudo da garrafa, competindo com os beija-flores pelos bebedouros. Entre os frutos cultivados, gosta de banana,mamão,melancia,laranja e jabuticaba. 
   Por causa do contato freqüente com o líquido pegajoso do néctar, este pássaro toma banho muitas vezes, o que ocasionalmente faz na água pluvial acumulada em gravatás onde, ao mesmo tempo, aproveita-se de pequenos animais encontrados por acaso, como larvas de mosquitos; bebe nas imbricações de folhas, limpa o bico passando-o de lado num galho, como fazem muitas aves.
   O ninho dele é pouco escondido e é encontrado em diversas alturas, é esférico e pode ser de dois tipos: 1) relativamente alto e bem acabado, de paredes espessas e acesso pequeno, superior e dirigido para baixo, coberto por longo alpendre que se aproxima da base do ninho e veda a entrada, de parede grossa e compacta, feito de palhas, folhas, capins e teias de aranhas. A câmara incubatória localiza-se no centro, com a entrada às vezes protegida por palha.; é construído pelo casal e serve para criar; 2) ninho menor, menos alto que largo, de construção frouxa, com entrada larga e baixa; serve apenas para lugar de descanso e pernoite. Encontram-se muitos ninhos do último tipo, edificados em duas a quatro horas por um indivíduo, em qualquer época do ano; é comum não serem habitados. Nunca encontramos os dois indivíduos (o casal) no mesmo ninho. Os ninhos destinados à criação da prole exigem trabalho de 6 a 8 dias, alguns examinados em Tobago eram compostos de 404 a 650 peças. Põe de 2 a 3 ovos branco-amarelados, com pintas marrom-avermelhadas. A incubação cabe exclusivamente à fêmea e leva 12 a 13·dias. Reproduz durante todo o ano, fazendo novos ninhos a cada postura. O.interior da boca dos ninhegos é vermelho. Ele regurgita a ração, na qual insetos têm papel importante. A higiene do seu ninho é cuidadosa: a mãe ingere os sacos fecais dos filhotes ou carrega-os para longe. A saída dos filhotes se dá com 17 a 19 dias.
   Espécie que vive solitária ou aos pares e é bastante ativa. Seu canto é relativamente forte, simples e monótono, e emitido incansavelmente. Voz: fino "tzri (chamada), o canto é um sibilado forte de caráter ondulatório apressado: "tzi, tzi-ziá, ziá, ziá-tzi, tzi"; o canto pode ser, localmente, mais melodioso, lembrando a vocalização de um parulíneo: canta incansavelmente: é um dos cantores mais assíduos.fazendo ouvir seu canto a qualquer hora do dia e em qualquer época do ano. A fêmea também canta, mas pouco e por menos tempo. Para amedrontar um rival, põe-se de pé, estica o corpo e vibra as asas. Muito briguenta, essa espécie chega a cair engalfinhada no solo, onde continua a luta. Na busca por alimento, muitas vezes fica de cabeça para baixo em um galho, visando atingir a flor. Geralmente está no meio das folhas e movimenta-se pelo interior da copa. Entretanto, voa bem e atravessa áreas abertas entre matas ou para visitar uma árvore isolada e florida em um campo. Também visita arbustos isolados e próximos à mata. É comum em uma grande variedade de hábitats abertos e semi-abertos onde existam flores, inclusive em quintais. Adapta-se facilmente a ambientes urbanos, sendo comum até em cidades do porte de São Paulo e Rio de Janeiro.
   O Sibite(Coereba flaveola), é um passeriforme encontrado nas Américas do Sul e Central (RIDGELY & TUDOR, 1989) estendendo-se para o sul do México e norte da Argentina, com exceção do Chile, e habita algumas ilhas do Caribe. Raramente é encontrado nos Estados Unidos (Florida) e Cuba. No Brasil, é considerada uma ave bastante abundante sendo registrada em toda parte (SICK, 2001), podendo estar ausente em regiões extensivamente florestadas,como no oeste e centro da Amazônia. (RIDGELY & TUDOR, 1989). Habita beiras de florestas, matagais e jardins (BELTON, 2003).
   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, nos últimos anos tenho observado cada vez menos essa ave, acredito que isso ocorra devido a pressão de captura dessa ave para alimentar a cultura retrógrada de passarinheiros. e o tráfico delas através principalmente da venda em feiras livres pelo interior do estado. Meus últimos registros foram nos seguintes municípios potiguares: em Nísia Floresta, Tibau do Sul, Baía Formosa, Monte Alegre e Natal.
Lembre-se: As aves e todos os outros animais devem viver livremente em seu habitat. Não compre aves silvestres sem autorização do IBAMA, pois quando você compra um animal silvestre sem autorização de um órgão responsável, você estar incentivando ao tráfico de animais silvestres.

Referências

Cambacica Coereba flaveola. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/sp/eptv/terra-da-gente/platb/fauna/aves/cambacica-coereba-flaveola/ Acesso em 19 de setembro de 2014.

Sebinho, Cambacica Coereba flaveola . Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/287.htm Acesso em 19 de setembro de 2014.

Freire, A. A. 1999. Lista Atualizada de Aves do Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte-IDEMA. 20 p. 

F. Sagot-Martin, GOP. Lista I aves RN-arquipélagos extr. NE Brasil. Táxeus | Listas de espécies. 10/01/2003.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1997. 863p. 

Simone Inês CRISTOFOLI; Cesar Rodrigo dos SANTOS; Suélen Almeida GARCIA;& Martin 
SANDER. COMPOSIÇÃO DO NINHO DE CAMBACICA: Coereba flaveola LINNAEUS,1758 (AVES: EMBEREZIDAE). BIODIVERSIDADE PAMPEANA PUCRS, Uruguaiana, 6(1): 30-33, jun. 2008
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Teiú Salvator merianae (Duméril & Bibron, 1839)

    Lagarto conhecido popularmente como Teiú, Tiú, Teju, Tivuaçu, entretanto seu nome científico é único,Salvator merianae (Duméril & Bibron, 1839). Essa espécie pertence a família Teiidae, a mesma do lagarto conhecido como Bico-doce(Ameiva ameiva). 
   A espécie possui corpo cilíndrico e robusto,podendo atingir em média 1,4 metros de comprimento(cerca de 400 mm de Comprimento rostro-cloacal-CRC ) e pesar cerca de 5 Kg. É considerado o maior lagarto do Sul do Brasil e um dos maiores do Continente Americano. A cabeça é comprida e pontiaguda, com mandíbula forte providas de pequenos dentes pontiagudos. Apresenta uma longa língua bifurcada de cor rosa. Sua cauda é longa e musculosa. Possui coloração negra com faixas amareladas na região dorsal do corpo, na cabeça e membros. Já o ventre é branco com pequenas manchas negras mais claras. Apresentam dimorfismo sexual, sendo os indivíduos machos maiores que as fêmeas e também apresentam papada e pescoço mais desenvolvido. 
   O Teiú(Salvator merianae) é um lagarto onívoro, ou seja, come praticamente de tudo. Alimenta-se de frutos,carniça, ovos, larvas, vermes, insetos,moluscos,anfíbios,répteis e roedores. A dieta apresenta variação ontogenética. Os indivíduos adultos se alimentam principalmente da matéria vegetal, enquanto para os juvenis a principal fonte de alimento são os artrópodes, como por exemplo besouros e aranhas. A dieta diversificada e a adaptabilidade a ambientes perturbados indicam que ele é uma espécie oportunista, o que contribui para justificar sua ampla distribuição. Ele também exerce um papel importante na conservação da flora nativa,pois atua como dispersor de sementes de várias espécies nativas como Eugenia uniflora,Solanum lycocarpum,Annona cacans, já que se desloca por grandes áreas à procura de alimento durante o forrageamento, possibilitando a distribuição das sementes em locais propícios para germinação e estabelecimento. Em ambiente natural tem como seus principais predadores os felinos, as serpentes e aves de rapina. Em cativeiro, esta espécie pode viver mais de 15 anos.
   "Salvator merianae vive principalmente em áreas abertas e bordas de mata. No interior de florestas, sua presença parece estar relacionada às áreas de clareiras. É terrestre e raramente sobe em árvores após atingir a fase adulta. também são bons nadadores, capazes de permanecer submersos por até 22 minutos. O teiú também costuma frequentar áreas antrópicas, podendo invadir galinheiros para comer ovos e pintinhos. Tem atividade diurna e é heliotérmico (expõe-se ao sol para elevar a temperatura corporal). Procura seu alimento ativamente no chão, com o auxílio da língua bífida, que capta partículas de cheiro do ar. Quando se sente ameaçado, pode ficar imóvel e tentar se camuflar no ambiente ou fugir rapidamente. Mas quando se sente encurralado,desfere fortes mordidas e chicotadas com a cauda. Se agarrado pela cauda, o teiú, assim como outros lagartos (mas nem todos), pode se desfazer dela (escapar com vida), num processo conhecido como autotomia. Dentro de algumas semanas, uma nova cauda substitui a antiga."
    Essa espécie é ovípara, ocorrendo a reprodução aparentemente no final da estação seca, com a fêmea fazendo a postura de uma média de 30 a 36 ovos, que eclodem após 60 a 90 dias de incubação. Ao contrário dos adultos, os filhotes nascem com uma coloração esverdeada, às vezes até lembrando outra espécie que é da mesma família, o lagarto Bico-doce(Ameiva ameiva). 
    Infelizmente esse grande lagarto continua sendo caçado para a subsistência de algumas populações indígenas. Entretanto o grande problema é a sua exploração comercial pelo mercado de peles para a confecção de acessórios em couro exótico como botas e bolsas. Durante a década de 1980 uma média de 1.900.000 peles foram negociadas por ano, principalmente para os Estados Unidos, Canadá, México, Japão e alguns países europeus. Por isso, todas as espécies de Tupinambis estão incluídas no Apêndice II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre), indicando que, embora ainda não se encontrem em risco de extinção, podem vir a ser ameaçadas caso o comércio de peles desse lagarto de outros do gênero não seja efetivamente controlado.
    Salvator merianae apresenta ampla distribuição geográfica, sendo encontrada do sul da Amazônia ao norte da Patagônia, a leste dos Andes. No Brasil, está presente nos biomas Mata Atlântica,Amazônia Caatinga e Cerrado, sendo encontrada em algumas ilhas, onde foi introduzida, como por exemplo em Fernando de Noronha, onde tem causado grande impacto sobre as populações de tartarugas e aves marinhas, pois se alimenta facilmente de seus ovos e filhotes já que não tem seus predadores naturais.                
   Durante minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, observei várias vezes a presença dessa espécie em todas as regiões do estado, tanto em áreas naturais como em áreas com grande interferência humana, tendo inclusive presenciado a alguns anos atrás pessoas na zona rural criando esse lagarto. 
   É importante lembrar que é proibido "Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécies da fauna silvestre nativa ou em rota migratória sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente"(Art. 29 da Lei Nº 9.605/98).

Referências

Guilherme Pamplona Bueno de Andrade. Foto Identificação de Tupinambis merianae(SQUAMATA,TEIIDAE). UFRS. Junho de 2011.

Jussara Santos Dayrell.  PDF Teiú(Tupinambis merianae). Universidade Federal de Viçosa. Museu de Zoologia João Moojen

Silva, ubiratan gonçalves da. Diversidade de espécies e ecologia da comunidade de lagartos de um fragmento de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil. NATAL / RN. 2008.

Souza, Pablo Augusto Gurgel de. Estrutura da Comunidade de Lagartos de um remanescente de Mata Atlântica do Estado Rio Grande do Norte,Brasil. Natal,RN,2010.
Crédito da foto: http://openi.nlm.nih.gov/imgs/512/240/3480920/3480920_1746-4269-8-27-3.png da autoria de: Washington Vieira.
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domingo, 7 de setembro de 2014

Malva-rasteira Pavonia cancellata (L.) Cav. ; Flora do RN

   Planta conhecida popularmente como malva-rasteira, guanxuma-rasteira, guaxuma-rasteira,corda-de-viola e Baba-de-boi, entretanto seu nome científico é único, Pavonia cancellata. Pode ser diferenciada das demais espécies do gênero pelas folhas sagitadas.
   Devido a beleza de suas grandes flores que apresentam pétalas amarelas e a área central purpúrea e a sua capacidade de adaptação a diversos ambientes, ela apresenta imenso potencial ornamental, no paisagismo e na apicultura. Floresce na estação chuvosa. Considerada espécie melífera, ela é visitada por abelhas solitárias, tendo-se já registrado a presença de zangões solitários dormindo dentro de suas flores.       Geralmente os machos de abelhas entram  nas flores, antes de seu fechamento, e permanecem até o dia seguinte.  Sendo assim, é interessante cultivar essa espécie junto com outras espécies de plantas melíferas com o objetivo de fornecer  néctar e pólen para as abelhas nativas. Propaga-se por meio de sementes.  Ela é hospedeira da mosca-branca Bemisia tabaci raça B, que transmite begomoviroses para as culturas do tomate e repolho.
   É uma espécie de porte herbáceo anual que ocorre em solos arenosos e em áreas abertas, ocupando áreas cultivadas, pastagens, terras abandonadas, margens de rodovias e terrenos baldios. Ocorre com muita freqüência em áreas do pólo de fruticultura irrigada do Nordeste do Brasil. Ocorre em quase todo território brasileiro, com exceção da região Sul do país, sendo encontrada nos grandes biomas brasileiros, na Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia.

DESCRIÇÃO TAXONÔMICA DA ESPÉCIE: Pavonia cancellata (L.) Cav.

“Apresenta caule prostrado, cilíndrico, verde ou avermelhado, revestido por indumento de pelos brancos muito visíveis e contrastantes. Folhas alternadas com pecíolos também pilosos e providas de um par de estípulas lineares. Limbo tipicamente sagitado, recoberto por pelos em ambas as faces e com margens irregularmente onduladas a serreadas. Flores isoladas nas axilas das folhas, com longo pedúnculo que copia os pelos do caule, calículo ou cálice suplementar constituído por até 14 peças livres, cálice com 5 sépalas soldadas, corola amarela com 5 pétalas soldadas, formando um pequeno tubo, internamente avermelhado. Androceu com estames soldados por meio dos filetes, formando uma coluna, e gineceu com estigma mais alto que a coluna de estames. Fruto seco do tipo esquizocarpo, que se desfaz ao esfregaço em 5 mericarpos.”  

Referências
Camila Maia-Silva...[et al.]. Guia de plantas : visitadas por abelhas na Caatinga. 1. ed. -- Fortaleza, CE : Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.
Moreira, Henrique José da Costa&Bragança,Horlandezan Belirdes Nippes.  Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.
Det.: J. Jardim, set.2013
Renato Braga. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII, 1996. Pg: 337
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