domingo, 15 de agosto de 2021

Maria-fita(Coryphospingus pileatus), espécie frequente em nossas Caatingas

Nomenclatura e taxonomia

Nome vernacular(CBRO,2021): tico-tico-rei-cinza.
Outros nomes populares: Maria-fita, Primavera, Abre-fecha, Tico-tico-rei, Galinho-da-serra, Cravina, Galo-de-campina-dos-mirins.
Nome científico: Coryphospingus pileatus (Wied, 1821).
Família: Thraupidae.

Quais as principais características da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Essa espécie apresenta dimorfismo sexual, onde de maneira geral o macho apresenta coloração da plumagem dorsal acinzentada, enquanto que na fêmea ela é pardo-acinzentada. Além disso, o macho possui um topete vermelho(visto apenas quando excitado) de base preta, esta é uma faixa  negra no alto da cabeça, que se destaca quando o topete não está em evidência.


Qual o tamanho e peso da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Espécie relativamente pequena, podendo atingir cerca de 13,5 cm de comprimento e peso de aproximadamente 15 gramas. 

A Maria-fita(Coryphospingus pileatus) alimenta-se de que?
Ela é considerada uma espécie granívora, ou seja, alimenta-se principalmente de sementes(encontradas na planta ou no solo), porém eventualmente inclui pequenos artrópodes(ex.: insetos) em sua dieta.

Onde vive a Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Espécie residente, semi-dependente de ambientes florestais, sendo encontrada geralmente em bosques abertos e matas secas nas regiões áridas. No Brasil, vive na borda de diferentes formações vegetais como caatinga, cerrado e restinga, além de áreas abertas com vegetação arbustiva e também em ambientes alterados, sendo assim considerada como espécie de baixa sensitividade aos distúrbios humanos.

Como é o ninho e os hábitos reprodutivos da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Seu ninho é semi-esférico forrado com material vegetal macio, no qual a fêmea da espécie põe de 3 a 5 ovos que são incubados por cerca de 13 dias, em seguida nascem os filhotes.
Qual a distribuição geográfica da Maria-fita(Coryphospingus pileatus)?
Essa ave neotropical tem ocorrência confirmada no Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Venezuela. Em território brasileiro, ela ocorre principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, mas já há registro dela também no Sudeste do país.

Qual o status de conservação da Maria-fita(Coryphospingus pileatus) em nível global(IUCN) e nacional(ICMbio)?
Maria-fita(Coryphospingus pileatus) não está ameaçada de extinção em nível mundial de acordo com a lista vermelha da IUCN(2018), e também em nível nacional de acordo como o Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Em ambas as avaliações ela foi classificada na categoria “LC”-Menos Preocupante (IUCN,2018; ICMBio,2018), onde sua população apresenta certa estabilidade na área de sua distribuição. 

Quais seriam as principais ameaças a conservação da Maria-fita(Coryphospingus pileatus) em nível regional?
Maria-fita(Coryphospingus pileatus) é considerada uma espécie semi-dependente de ambientes florestais, sendo assim, de certa forma ela é afetada pelo avanço do desmatamento das áreas florestais onde vive. Além disso, ela é capturada e comercializada de maneira ilegal como animal de estimação, ou seja, suas populações principalmente na região do Nordeste Brasileiro, sofrem o impacto da cultura de criação em gaiolas.

Em quais unidades de conservação(federal e estadual) no Rio Grande do Norte a Maria-fita(Coryphospingus pileatus) já foi registrada(documentada)? Onde observei essa espécie no estado?
O Tico-tico-rei já foi confirmado no Parque Nacional da Furna Feia(localizado nos municípios de Baraúna e Mossoró, RN), na Estação Ecológica do Seridó(Serra Negra do Norte), na Floresta Nacional de Açu(Assú, RN), no Parque Ecológico Pico do Cabugi(observação pessoal), no Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves(por Mauro Pichorim), na Área de Proteção Ambiental Piquiri-Una(observação pessoal), na Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraíra(observação pessoal). Além desses registros, há confirmação dessa espécie também na RPPN Fazenda Salobro(Jucurutu, RN), na futura RPPN Refúgio Jamacaii(Equador, RN; observação pessoal). 
Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Agreste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências
Adriano Rodrigues Lagos ... [et al.] . Guia de aves: da área de influência da Usina Hidrelétrica de Batalha. Rio de Janeiro : FURNAS, 2018.

BirdLife International. 2018. Coryphospingus pileatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T22723047A132021233. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T22723047A132021233.en. Downloaded on 08 August 2021.

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas-CECAV/RN vinculado ao ICMbio. PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO FEDERAL PARQUE NACIONAL DA FURNA FEIA. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.gpme.org.br/bd/proposta-de-criacao-de-unidade-de-conservacao-federal-parque-nacional-da-furna-feia/ Acesso em 15 de ago. 2021.

GOP, F. Sagot-Martin. Preliminar FloNa de Açu, Assú, RN. Táxeus | Listas de espécies. 18/12/2008. Disponível em: https://www.taxeus.com.br/lista/147 

GOP, F. Sagot-Martin. Preliminar aves RPPN S. de Britto, Jucurutu, RN. Táxeus | Listas de espécies. 06/01/2009. Disponível em:https://www.taxeus.com.br/lista/148 

ICMBio -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

LIMA MdC, Mariano EF, Brito WJB, Souza JG, Carreiro AN. 2019. Anatomia e morfometria cranianas de Coryphospingus pileatus (Wied, 1821) (Passeriformes: Thraupidae). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Nat 14: 245–53.

LIMA, Pedro Cerqueira. Aves do litoral norte da Bahia. 1 ed. – Bahia: AO, 2006.

PACHECO, J.F.; Silveira, L.F.; Aleixo, A.; Agne, C.E.; Bencke, G.A.; Bravo, G.A; Brito, G.R.R.; Cohn-Haft, M.; Maurício, G.N.; Naka, L.N.; Olmos, F.; Posso, S.; Lees, A.C.; Figueiredo, L.F.A.; Carrano, E.; Guedes, R.C.; Cesari, E.; Franz, I.; Schunck, F. & Piacentini, V.Q. 2021. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee – second edition. Ornithology Research, 29(2). https://doi.org/10.1007/s43388-021-00058-x 

PICHORIM, Mauro et al. Guia de Aves da Estação Ecológica do Seridó. Natal: Caule de Papiro, 2016.

PICHORIM M, Oliveira DV, Oliveira-Júnior TM, Câmara TPF, Nascimento EPG (2016) Pristine semi-arid areas in northeastern Brazil remain mainly on slopes of mountain ranges: a case study based on bird community of Serra de Santana. Trop Zool 29:189–204. https://doi.org/10.1080/03946975.2016.1235426

POLICARPO, I. da S. Uso de aves silvestres no Brasil: aspectos entomológicos e conservação. 2013. 67f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2013.

SAGOT-MARTIN, F.; Lima, R.D.; Pacheco, J.F.; Irusta, J.B.; Pichorim, M. & Hassett, D.M. 2020. An updated checklist of the birds of Rio Grande do Norte, Brazil, with comments on new, rare, and unconfirmed species. Bulletin of the British Ornithologists’ Club, 140(3): 218-298.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2001. 863p.

SILVA, M. da et al. Aves de treze áreas de caatinga no Rio Grande do Norte, Brasil,. Revista Brasileira de Ornitologia. n.20, p.312-328, 2012.

SILVA, J.M.C.; SOUZA, M.A.; BIEBER, A.G.D. & CARLOS, C.J. 2003. Aves da Caatinga: status, uso do hábitat e sensitividade. In: LEAL, I.R; TABARELLI, M. & SILVA, J.M.C. (eds.). Ecologia e Conservação da Caatinga: Recife, Ed. Universitária da UFPE.

SOUZA, Francisco V. & DANTAS,J.; Aves em Equador,RN, Brasil. 11 e 12 de maio de 2019.  Disponível em: https://www.taxeus.com.br/lista/13520 Acesso em 15 de ago. de 2021.

sábado, 10 de julho de 2021

Rabo-de-calango Kallstroemia sp. tribuloides (Mart.) Steud.

  Planta que pertence a família Zygophyllaceae e ao gênero Kallstroemia, sendo possivelmente da espécie Kallstroemia tribuloides (Mart.) Steud..  Ela é conhecida popularmente como Rabo-de-calango, Abrolho-terrestre e Tribulo.

   Rabo-de-calango(Kallstroemia tribuloides) é uma planta de porte herbáceo, considerado erva anual/perene. Esta apresenta folhas compostas paripinadas com 4 a 6 pares de folíolos. Suas flores são compostas por 5 pétalas amarelas ou alaranjadas, as quais são muito visitadas por abelhas que buscam nelas o néctar e pólen, principalmente a abelha africanizada(Apis melifera).

    Ela não é endêmica(exclusiva) do Brasil, mas é considerada nativa e neste país tem registro confirmado apenas na Região Nordeste, ocorrendo no domínio fitogeográfico ou bioma Caatinga, sendo frequentemente encontrada em áreas alteradas como próximo a rodovias, áreas de pasto, de cultivo de frutas e em lavouras. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte, observei essa espécie na mesorregião Agreste Potiguar, em área de vagem, próximo ao rio trairi. 

Referências

Lucena, D.S.; Lucena, M.F.A.; Sousa, J.M.; Silva, R.F.L.; Souza, P.F. Flora vascular de um inselbergue na mesorregião do sertão paraibano, nordeste do Brasil. Scientia Plena, v. 11, n. 01, p. 02-11, 2015.

Maria Iracema Bezerra Loiola et al. (Orgs.). Diversidade de angiospermas do Ceará. Herbário Prisco Bezerra: 80 anos de história [recurso eletrônico]. E-Book: PDF- Sobral: Edições UVA, 2020. 

Moreira, Henrique José da Costa & Bragança, Horlandezan Belirdes Nippes.  Manual de identificação de plantas infestantes: hortifrúti . São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011.

Ribeiro, R.S. 2020. Zygophyllaceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB26183>. Acesso em: 27 jun. 2021.

domingo, 13 de junho de 2021

Borboleta Anthanassa cf. hermas Hewitson, 1864

  Essa borboleta faz parte da família Nymphalidae, pertencendo a mesma ao gênero Anthanassa (Scudder, 1875), que incluem diversas espécies nativas no continente americano. O exemplar da foto é da espécie Anthanassa hermas Hewitson, 1864. Ela foi fotografada no interior de mata na comunidade/Sítio Timbaúba, município de Monte Alegre, RN.

Referências
Anthanassa hermas Hewitson, 1864 in GBIF Secretariat (2021). GBIF Backbone Taxonomy. Checklist dataset https://doi.org/10.15468/39omei accessed via GBIF.org on 2021-06-13.
Nymphalidae. Disponível em: https://www.butterfliesofamerica.com/L/Nymphalidae.htm Acesso em: 13 de jun. de 2021.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Árvores da Caatinga: Lista das principais espécies e sua importância.

A importância das árvores


   As árvores são seres fascinantes que estão presentes em nosso cotidiano de maneira extremamente significativa. É impossível imaginar um casa tradicional sem a presença delas, seja através do madeiramento, das portas, das janelas, das mesas, das cadeiras, das camas e etc. Mas a relevância das árvores do ponto de vista utilitário não fica apenas restrita a estrutura das residências e de seus móveis, elas estão presentes em nossa alimentação diariamente por exemplo através dos frutos, assim como também por meio do uso  de medicamentos que apresenta moléculas de origem arbórea ou partes delas na medicina popular e também suas essências e óleos para limpar e perfumar nossas casas, entre outros benefícios. 


  Além disso, grande diversidade de animais dependem direta ou indiretamente das árvores para sobreviverem, pois muitos se abrigam e ou se reproduzem nelas, como também alimentam-se de diferentes partes delas(folhas, flores, frutos, resinas e etc). Usando o grupo das aves para exemplificar a importância das árvores através de apenas dois fatores(abrigo e alimentação), sabe-se que: de acordo com nativos-sertanejos da região da Serra de Santana(Seridó Potiguar), aves como o Pica-pau-de-topete-vermelho(Campephilus melanoleucos), o papagaio-verdadeira(Amazona aestiva) e a Maracanã-verdadeira(Primolius maracana), nidificam nas cavidades de árvores conhecidas como Mulungu(Erythrina velutina)Craibeira(Tabebuia aurea) e Cumaru(Amburana cearensis), estando esta quase ameaçada de extinção(CNCFlora). Outra ave dependente das florestas, esta inclusive ameaçada de extinção- a jacucaca(Penelope jacucaca), ela foi observada na Caatinga alimentando-se de frutos de árvores conhecidas como Imbu(Spondias tuberosa) e Juazeiro(Sarcomphalus joazeiro) (M. Pichorim et al.,2016). 
   Outros exemplos rápidos de animais vertebrados que dependem de alguma maneira das árvores são: alguns lagartos como a iguana(Iguana iguana) e a bibrinha-da-caatinga(Lygodactylus klugei), algumas serpentes como a Cobra de cipó(Leptophis ahaetulla) e a Cobra-cipó-bicuda(Oxybelis aeneus), corujas como a corujinha-do-mato(Megascops choliba) e o caburé(Glaucidium brasilianum) , guaxinim(Procyon cancrivorus),  morcegos, etc. Além disso, uma imensa diversidade de animais invertebrados também apresentam algum grau de dependência das árvores, como por exemplos, cupins, formigas, marimbondos, diversas espécies de abelhas, como a jandaíra(Melipona subnitida) que na Caatinga nidifica principalmente nas árvores imburana e catingueira... 

   Sendo assim, fica evidente a importância da preservação dessas árvores e de outras, para sobrevivência desses e dos demais animais, os quais dependem diretamente da existência das florestas, incluindo plantas de diferentes tamanhos, nesse caso de porte arbóreo. Aliás, assim como os diversos animais dependem de alguma forma da preservação das árvores para sobreviverem, elas também dependem direta ou indiretamente da preservação da fauna para continuarem a se perpetuar na Caatinga ou em qualquer outro bioma. E aquela sombra acolhedora por exemplo do juazeiro, com temperatura e umidade mais amena sob sua copa? isso é sem dúvida um benefício vivificador para homens e bichos. Outro sim, as espécies nativas contribuem para a proteção do solo e realimentação dos lençóis freáticos, em grande quantidade junto com outras plantas formam florestas, estas ajudam na regulação do clima local, através da evaporação de água e consequentemente a formação de chuvas.

Exploração não sustentável das árvores na Caatinga contribuíram para a raridade de algumas espécies  


   Apesar de inúmeros benefícios, em algumas áreas da Caatinga muitas árvores foram( e ainda são) derrubadas de maneira não sustentável(sem manejo florestal) , onde a terra desmatada é usada principalmente na agricultura e a madeira é usada para diversos fins, como: lenha em uso doméstico, para confecção de mourões, estacas, artesanatos ou outros objetos e provavelmente deve ter outros fins na indústria madeireira. Esses acontecimentos devem ter contribuído para que no início do século XXI, a aroeira-do-sertão(Myracrodruon urundeuva) e a baraúna (Schinopsis brasiliensis) fossem na época consideradas ameaçadas de extinção em nível nacional e, recentemente o Cumaru(Amburana cearensis) foi classificada como “quase ameaçada de extinção" de acordo com a CNCFlora(avaliei apenas as espécies arbóreas que ocorrem no RN). 

Nomes de árvores em lugares e corpos de água: uma relação respeitosa do sertanejo com as árvores 


   No entanto, de maneira geral a relação dos sertanejos com as árvores é relativamente respeitosa, onde estes  com muita sabedoria fazem uso das árvores até na nomenclatura de lugares e corpos de água. Isso provavelmente indica uma associação da presença significativa de uma determinada espécie de árvore em um local, e quem sabe numa maneira de enaltecer, homenagear a tal vegetal, tornando a espécie um símbolo local na região. Nas Caatingas do Rio Grande do Norte, temos alguns exemplos, tais como os nomes dos municípios de Angicos, Baraúna e Timbaúba dos Batistas, Sítio Juazeiro, Riacho das Craibeiras, Várzea do Mulungu, Poço do Cedro, entre outros.

Que características uma planta deve ter pra ser considerada uma árvore?


   Mas afinal o que pode ser considerado uma árvore(forma de vida da planta)? bem, para isso vamos considerar 3 características principais, a altura, consistência e nível de ramificação conforme Fernandes (1998), Font-Quer(1985), Mori et al.(1985) e Vidal e Vidal(1984). De acordo com esses autores, árvore é o vegetal lenhoso com "mínimo" de 5m de altura na fase adulta, com tronco bem definido e ramificado na parte superior, constituindo essa ramificação a copa. Porém na caatinga do tipo Hiperxerófila- a mais comum na região Nordeste brasileira, muitas espécies de plantas que geralmente apresentam um porte arbóreo em outro(s) bioma(s), as vezes apresentam porte arbustivo em algumas regiões de Caatinga, devido a alguns fatores, como por exemplo, a profundidade do solo e o regime climático.   
   Considerando parte dessas informações prévias e a lista de árvores de Lorenzi(1992), disponibilizo a seguir uma lista das principais árvores encontradas no bioma Caatinga que observei nos últimos 10 anos durante expedições, principalmente no domínio das Caatingas no Rio Grande do Norte. A sua elaboração levou em consideração apenas as espécies de porte arbóreo que observei e fotografei em terras potiguares, portanto não tem a pretensão de ser uma lista definitiva.

Lista de árvores da Caatinga


   A lista será atualizada conforme novas observações, e cada espécie pode ser conhecida em detalhes clicando no nome de cada árvore, onde encontram-se as diversas utilidades das mesmas.

01-Algaroba(Prosopis juliflora)-- Espécie exótica introduzida*.
02-Angico(Anandenanthera colubrina)
03-Aroeira-do-sertão(Astronium urundeuva)
04-Baraúna(Schinopsis brasiliensis)
05-Barriguda(Ceiba glaziovii)
06-**Catingueira(Cenostigma bracteosum)
07-Cajueiro(Anacardium occidentale)
08-Cássia-do-nordeste(Senna spectabilis)
09-Catanduva(Pityrocarpa moniliformis)
10-Craibeira(Tabebuia aurea)
11-Cumaru(Amburana cearensis)
12-**Embiratanha(Pseudobombax marginatum)
13-Espinheiro-bravo(Pithecellobium diversifolium)
14-Faveleira(Cnidoscolus quercifolius)
15-Fedegoso(Senna macranthera)
16-Feijão-bravo(Cynophalla hastata)
17-Imbu(Spondias tuberosa)
18-Imburana(Commiphora leptophloeos)
19-Ipê-roxo(Handroanthus impetiginosus)
20-Juazeiro(Sarcomphalus joazeiro)
21-Jucá(Libidibia ferrea)
22-Jurema-preta(Mimosa tenuiflora)
23-Limãozinho(Zanthoxylum syncarpum)
24-Louro-preto(Cordia glabrata)
25-Maniçoba(Manihot carthagenensis)
26-Mofumbo(Combretum leprosum)
27-Mulungu(Erythrina velutina)
31-Pau-branco(Cordia glazioviana)
32-Pau-de-leite(Sebastiania macrocarpa)
  
*A única espécie exótica introduzida citada na lista, devido a relevância socioeconômica e biológica na Caatinga.
**Com esse nome há mais de uma espécie conhecida para o estado do RN.

Referências
Cascudo, L. da C. Nomes da Terra: história, geografia e toponímia do Rio Grande do Norte. Natal: Fundação José Augusto, 1968.
 
CNCFlora-Centro Nacional de Conservação da Flora. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: cncflora.jbrj.gov.br

Fernandes, A. Fitogeografia Brasileira. Fortaleza: Multigraf, 1998. 339 p.

Fonte-Quer, PF. Dicionário de Botânica. Barcelona, Labor, 9ªedição, 1985, 1244 p.

Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 

Macedo, Helder Alexandre Medeiros de. Plantas do Sertão. Galante-Scriotorin Candinha Bezerra/ Fundação Hélio Galvão. Nº01, volume 03, agosto de 2003. Projeto Nação Potiguar.

Mauro Pichorim, Damião Valdenor de Oliveira, Tonny Marques de Oliveira Júnior, Thanyria Pollyneide França Câmara & Érica Patrícia Galvão do Nascimento (2016): Pristine semi-arid areas in northeastern Brazil remain mainly on slopes of mountain ranges: a case study based on bird community of Serra de Santana, Tropical Zoology, DOI: 10.1080/03946975.2016.1235426

Moris, S. A.; sILVA, L. A. M. Manual de manejo do herbário fanerogâmico. Ilhéus-Itabuna, Centro de Pesquisa do Cacau, 1985, 97p. il.

Vidal, W.N.; Vidal, M.R.R. Botânica-Organografia. 3ªedição. Imprensa da Universidade Federal de Viçosa, 1984, 114 p. il.

Citação recomendada: 
Souza, Francisco V. Árvores da Caatinga: Lista das principais espécies e sua importância. Fauna e Flora do RN, Parnamirim, 28 de abril de 2021. Disponível em: https://faunaefloradorn.blogspot.com/2021/04/arvores-da-caatinga-lista-das.html Acesso em:  .

domingo, 21 de março de 2021

Bom-nome Monteverdia erythroxyla (Reissek) Biral

   Essa planta pertence a família Celastraceae, sendo a mesma conhecida popularmente como Bom-nome, enquanto que seu nome científico atualmente válido é Monteverdia erythroxyla (Reissek) Biral.

   Bom-nome(M. erythroxyla) é uma espécie de porte geralmente arbustivo, na qual pode ser diferenciada das demais do gênero Monteverdia pela presença de "Lenticelas salientes(saliência visível na casca), pecíolo(parte da folha que prende o limbo ao caule) 0-5 cm de comprimento, lâmina foliar predominantemente ovalada, 4,3-9,3 x 2,1-6 cm, ápice obtuso (raro agudo),plana(Santos,2016). Floresce frequentemente entre fevereiro e outubro, as vezes também em dezembro, enquanto que frutifica de janeiro a maio, mas também há registros da presença de frutos de agosto a dezembro. Já observei algumas espécies de vespas e abelhas visitando suas flores.

  Bom-nome(M. erythroxyla) é   uma espécie nativa que ocorre exclusivamente no Brasil, com ocorrência confirmada apenas na região Nordeste do país nos biomas da Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado. A sua presença é mais frequente em áreas de solo arenoso como dunas, ocorrendo principalmente nas restingas no domínio da Mata Atlântica.  Inclusive, as minhas observações dessa espécie no território potiguar, foram exatamente nos "tabuleiros litorâneos" da costa norte-rio-grandense, desde Natal até Baía Formosa.

Referências

Biral, L.; Lombardi, J.A. 2020. Celastraceae in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB604554>. Acesso em: 21 mar. 2021

Coutinho, Joaquim Custódio. Conhecimento florístico atual e avaliação do uso do solo na APA Bonfim-Guaraíra, Rio Grande do Norte. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais. Macaíba, RN, 2020.

Det.: J. Jardim, set.2013. 

Santos, Leonardo Biral dos. Sistemática e filogenia de Maytenus Molina (Celastraceae) na região neotropical. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro. Rio Claro, 2016.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Serra-pau Dorcacerus barbatus (Olivier, 1790), o devorador da planta invasora Cambará(Lantana camara)


   Besouro(Coleoptera) da família Cerambycidae, conhecido popularmente como Serra-pau, Serra-pau-de-gravata ou Serrador, sendo seu nome científico Dorcacerus barbatus (Olivier, 1790).

   Essa espécie mede cerca de 3cm de comprimento(corpo), de coloração geral amarronzada ou escura na região dorsal, está apresenta uma "linha amarela" na parte central (quando as asas estão fechadas), isso é na verdade os bordos internos dos élitros(asas); os tarsos e peças bucais, assim como o tufo de pelos na inserção de cada antena também são amarelos.

   O ciclo biológico(ovo, larva, pupa e adulto) do Serra-pau(Dorcacerus barbatus) é de aproximadamente 1 ano e essa espécie alimenta-se de partes vegetais de algumas plantas como das espécies Prosopis flexuosa e Lantana camara, mas também inclui espécies de valor econômico, como goiabeira, cajueiro e jabuticabeira. Em princípio D. barbatus é considerado como um potencial agente para o controle biológico de L. camara, uma espécie invasora.

   O Serra-pau(D. barbatus) tem ampla distribuição geográfica no continente americano com ocorrência confirmada no México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Guiana Francesa e Brasil. Em território brasileiro já foi encontrado nos estados do Amazonas, Pará, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie nas Mesorregiões Agreste Potiguar e Central Potiguar.

Referências
Antonio Lindemberg Martins Mesquita; Gabriel Teles Portela Policarpo; José Emilson Cardoso; Maria do Socorro Cavalcante de Souza Mota (2017). Novas Ocorrências de Cerambycidae (Insecta: Coleoptera) em Cajueiro no Brasil e Recomendações de Manejo(PDF). Embrapa, Comunicado Técnico 231, Fortaleza,CE.

BARRETO, M.R., MACHINER, R. & SMIDERLE, E.C. Cerambycinae (Coleoptera, Cerambycidae) in Mato Grosso, Brazil. Biota Neotrop. 13(1): http://www.biotaneotropica.org.br/v13n1/en/abstract?inventory+ bn04213012013.

Fernandes,G. W. & Santos, J. C. Feeding and mating behavior of Dorcacerus barbatus (Olivier, 1790) (Coleoptera: Cerambycidae) on Lantana camara L. (Verbenaceae). Lundiana 9(2):155-158, 2008.

Machado ,V. S.; Botero ,J. P.; Carelli, A.; Cupello, M.; Quintino ,H. Y.; Simões, M.V. P.. Host plants of Cerambycidae and Vesperidae (Coleoptera, Chrysomeloidea) from South America. Rev. Bras. entomol. vol.56 no.2 São Paulo Apr./June 2012 Epub June 19, 2012.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Cipó Lundia longa (Vell.) DC. uma planta de grande valor ornamental


   Essa planta é conhecida popularmente como Cipó-d´alho, enquanto que seu nome científico válido atualmente é Lundia longa (Vell.) DC.. Ela pertence a família Bignoniaceae, da qual também fazem parte por exemplo, a Craibeira, o Ipê-roxo e o Cipó-bugi.

  A espécie é terrestre e trepadeira(cipó), suas folhas opostas se apresentam em 2 ou 3 folíolos, no qual o folíolo terminal é uma gavinha e não forma copa definida. Suas flores avermelhadas formam inflorescências terminais ou axilares, as quais atraem diversos animais polinizadores(aves) e ou pilhadores. Devido a beleza destas flores, a mesma é indicada como espécie ornamental. Seus frutos são cápsulas de cor verde quando imaturos e amarronzado quando amadurecidos. 

  A relevância de ser indicada como ornamental em projetos florísticos, deve-se a beleza das flores de cores fortes e também por ser capaz de florescer e frutificar durante todo o ano, além de possuir potencial de uso como cerca-viva devido as suas grandes folhas e por ser trepadeira.

   Lundia longa é espécie nativa e endêmica do Brasil, ou seja, ocorre apenas nesse país. Sua distribuição estende-se pelos biomas ou domínios da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga nas seguintes regiões e respectivos estados brasileiros: Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo). Durante as minhas expedições pelo Rio Grande do Norte tenho observado essa espécie apenas na Mesorregião Leste Potiguar, principalmente de São Gonçalo do Amarante até Baía Formosa.

Referências
Antunes, Tainá J. , Cristiana B. N. Costa , Vinícius C. Santos & Jorge Antonio S. Costa. Plantas ornamentais no Jardim Botânico FLORAS. Paubrasilia, Vol. 3 Nº. 2 Ano 2020.

Kaehler, M. Lundia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB113463>. Acesso em: 23 dez. 2020.

Mattos, Juliana Ribeiro de & Lúcia G. Lohmann, Marcus A. Nadruz Coelho. Bignoniaceae, cultivada no arboreto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro : a família do ipê[livro eletrônico]. 1. ed. – Rio de Janeiro : Vertente edições, 2019. pdf. 

Sousa, Valdeci Fontes de. Levantamento florístico e potencial ornamental de plantas da restinga do Rio Grande do Norte, Brasil: subsídios para um paisagismo sustentável. 2016. 101f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016. 

domingo, 22 de novembro de 2020

Calango-liso Brasiliscincus heathi (Schmidt & Inger, 1951), o predador de cupins

   Lagarto conhecido popularmente como Calango-liso, Lagarto-brilhante, Lagarto-do-Folhiço e Briba-brilhante, entretanto seu nome científico é único, Brasiliscincus heathi (Schmidt & Inger, 1951). Pertence a família Mabuyidae. 

   O Calango-liso(Brasiliscincus heathi) alimenta-se de pequenos animais artrópodes incluindo em sua dieta principalmente insetos e apesar de ser generalista nesse aspecto, os cupins são suas principais presas, sendo aquele lagarto um predador oportunista. Há dimorfismo sexual em B. heathi, onde em termos de comprimento(rostro-cloacal) as fêmeas são maiores do que os machos, enquanto que é notável a diferença de tamanho da cabeça em ambos, sendo as cabeças dos machos maiores. Curiosamente essa espécie é vivípara, ou seja, os filhotes desenvolvem-se no interior da mãe até o momento de nascer, depois desse período já nascem completamente formados.

   De maneira geral essa espécie vive sobre o solo(Caatinga e Cerrado) e associada a gramíneas no ecossistema de restinga(Mata Atlântica). Brasiliscincus heathi é espécie endêmica(exclusiva) do Brasil, sua distribuição geográfica estende-se pelo domínio da Caatinga incluindo Brejos de altitude e no domínio da Mata Atlântica nordestina, mas também foi confirmado em áreas de cerrado, especialmente em transição com a caatinga. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar, Agreste Potiguar e Central Potiguar. Ela atualmente não está ameaçada de extinção em nível global(IUCN) e também em nível nacional(ICMBio,2018).

Referências

Colli, G.R., Fenker, J., Tedeschi, L., Bataus, Y.S.L., Uhlig, V.M., Silveira, A.L., da Rocha, C., Nogueira, C. de C., Werneck, F., de Moura, G.J.B., Winck, G., Kiefer, M., de Freitas, M.A., Ribeiro Junior, M.A., Hoogmoed, M.S., Tinôco, M.S.T., Valadão, R., Cardoso Vieira, R., Perez Maciel, R., Gomes Faria, R., Recoder, R., Ávila, R., Torquato da Silva, S., de Barcelos Ribeiro, S. & Avila-Pires, T.C.S. 2019. Brasiliscincus heathi. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T47102646A47102653. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-1.RLTS.T47102646A47102653.pt. Downloaded on 23 November 2020.  

FERREIRA ,A. S. ; Silva, A. de O., Conceição, B. M. da & Faria, R.G. The diet of six species of lizards in an area of Caatinga, Brazil. Herpetological Journal Volume 27 (April 2017), 151–160.

FREIRE, E. SUGLIANO, G. KOLODIUK M. et al. 2009. Répteis squamata das caatingas do Seridó do Rio Grande do Norte e do Cariri da Paraíba: síntese do conhecimento atual e perspectivas. In: Recursos Naturais das Caatingas: Uma Visão Multidisciplinar, E. M. X. Freire, Ed., pp. 51–84, Editora da UFRN-EDUFRN, Natal, Brazil, 1st edition.

GONALEZ, R. C. ; Abegg,A. D. ; Mendes, D. M. de M.; Silva, M. B. da ; Machado-Filho, P.R.; Mario-da-Rosa ,C.;  Passos, D. C.; Ribeiro, M.V.; Benício, R. A. ; Oliveira, J. C. F.. LISTA DOS NOMES POPULARES DOS RÉPTEIS NO BRASIL – PRIMEIRA VERSÃO. Herpetologia Brasileira vol. 9 no . 2 - Listas de Anfibios e Répteis.

ICMBio -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.  

SILVA, M. C. da. Autoecologia do lagarto neotropical brasiliscincus Heathi Schmidt & Inger, 1951 (SQUAMATA: MABUYIDAE) em um fragmento de Floresta Atlântica no Nordeste do Brasil. 2018. 90f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2018.

domingo, 1 de novembro de 2020

Aechmea muricata (Arruda) L.B.Sm. , uma bromélia nordestina ameaçada de extinção

   Aechmea muricata (Arruda) L.B.Sm. é o nome científico desta planta(foto), ela pertence a família Bromeliaceae, da qual também fazem parte por exemplo, a macambira-de-flecha e o cravo-do-mato.

   Aechmea muricata possui inflorescência subcilíndrica verde do tipo espiciforme("forma de espiga"), pedúnculo coberto por brácteas, onde destacam-se as flores tubulosas de cor lilás ou azul. De porte herbáceo ela é principalmente terrícola, mas também se apresenta como epífita em áreas de várzea, tanto em área aberta como sombreada. 

   A. muricata é endêmica do Nordeste do Brasil, ou seja, é encontrada apenas nessa região, ocorrendo geralmente em áreas arenosas da costa nordestina, fazendo parte da vegetação de restinga, inclusa no bioma ou domínio da Mata Atlântica. Atualmente essa espécie foi confirmada apenas para os estados de Alagas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Ela está ameaçada de extinção e aqui no Rio Grande do Norte a única população documentada encontra-se na RPPN Mata Estrela(Baía Formosa, RN), destacando a grande importância da manutenção dessa Reserva, na qual são encontradas outras espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.


Agradeço a Edweslley de Moura pela ajuda na identificação em nível de espécie.

Referências

Maciel, Jefferson Rodrigues Estudos taxonômicos, filogenéticos e biogeográficos em Aechmea (Bromeliaceae). Tese (doutorado) – Universidade Federal de Pernambuco. Centro de Biociências. Biologia Vegetal, Recife, 2017.

Magalhães, R., Versieux, L.M., & Calvente, A.M. 2014. Aechmea muricata (Arruda) L.B. Sm. (Bromeliaceae: Bromelioideae): a new record of a threatened species for Rio Grande do Norte, Northeastern Brazil. Checklist 10: 434-435.

Tomaz, Eduardo Calisto. Taxonomia e biogeografia de Bromeliaceae na distribuição norte da Caatinga e Mata Atlântica do Brasil. 2019. 222f. Dissertação (Mestrado em Sistemática e Evolução) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Sapo-d’água(Pipa carvalhoi), uma espécie adaptada a viver no meio aquático

Nomenclatura e classificação científica de Pipa carvalhoi

   Anfíbio anuro da família  Pipidae, na qual ocorrem 4 espécies no Brasil, onde uma delas ocorre no Rio Grande do Norte,  Pipa carvalhoi (Miranda-Ribeiro, 1937). Conhecido por Sapo-d’água ou Rã-d’água, tendo recebido esses nomes vulgares justamente por ser uma espécie de hábito subaquática. 

Aspectos bio-ecológicos de Pipa carvalhoi

   Espécies da família Pipidae vivem em corpos de água permanentes ou temporários, conservados ou  antropizados, riachos e remanso de córregos, em meio a matéria orgânica no substrato. Pipa carvalhoi possui adaptações  que lhe permite viver nesses ambientes aquáticos, como por exemplos, não possui língua, alimentando-se por sucção e reteve a linha lateral(Silva et al. 2010; Santana et al. 2014). Durante sua reprodução na água, a fertilização e incubação dos ovos ocorre na pele do dorso(nas costas) das fêmeas, onde os embriões se desenvolvem até emergirem(Fernandes,2011). Dessa forma, raramente a espécie usa o ambiente terrestre. 

Distribuição geográfica de Pipa carvalhoi 

   Sapo-d’água(Pipa carvalhoi) é endêmica(exclusiva) do leste do Brasil, sendo confirmada sua presença nos biomas da Mata Atlântica e Caatinga, com dois agrupamentos de populações ocorrendo um do Ceará à Sergipe e o outro no Sul da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais (Silva et al. 2010; Santana et al. 2014). No Rio Grande do Norte a espécie foi documentada pela primeira vez no município de Santa Maria, mesorregião Agreste Potiguar(Jorge, Freire e Kokubum,2015). 

   Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado a espécie na mesorregião Central Potiguar, especificamente no Seridó e acredito que a espécie deve ocorrer também no Alto Oeste Potiguar.  P. carvalhoi não está ameaçado de extinção em nível global(IUCN,2010) e nacional atualmente, de acordo com a última lista disponível no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção(2018). No entanto, em muitos locais, percebe-se que sofre ameaça devido a poluição da água onde vive, por exemplo pelos efluentes agrícolas.

Referências

Cristina Arzabe, Gabriel Skuk, Manfred Beier. 2010. Pipa carvalhoi . A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN 2010: e.T58160A11728418. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2010-2.RLTS.T58160A11728418.en . Transferido em 12 de outubro de 2020 .

ICMBIO -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

Jorge, J. da S., E. M. X. Freire, and M. N. de C. Kokubum. 2015. Geographic distribution: Pipa carvalhoi. Herpetological Review 46: 57.

Segalla, M.V., Caramaschi, U., Cruz, C.A.G., Garcia, P.C.A., Grant, T., Haddad, C.F.B., Santana, D.J., Toledo, L.F., Langone, J.A. (2019): Lista de espécies brasileiras-Brazilian Amphibians: List of Species. Herpetologia Brasileira 8(1): 65–96.

Santana, D.O., Franco, S.C., Rocha, S.M., Freitas, E.B., De-Carvalho, C.B., Faria, R.G. First record of Pipa carvalhoi (Miranda-Ribeiro, 1937) (Anura: Pipidae) in the state of Sergipe, northeastern Brazil. Check List 10(2): 407-408, 2014

Silva, E.T., Fernandes, V.D., Santana, D.J., Feio, R.N. Amphibia, Anura, Pipidae, Pipa carvalhoi (MirandaRibeiro, 1937): Distribution extension and geographic distribution map in the southeast of Brazil. Check List (UNESP) 6(3): 451-453, 2010.

Tatiana L. Fernandes, Marta Maria Antoniazzi, Estela Sasso-Cerri, Mizue Imoto Egami, Carla Lima, Miguel T. Rodrigues, and Carlos Jared "Carrying Progeny on the Back: Reproduction in the Brazilian Aquatic Frog Pipa carvalhoi," South American Journal of Herpetology 6(3), 161-176, (1 December 2011). https://doi.org/10.2994/057.006.0302 .

domingo, 20 de setembro de 2020

Coronha Vachellia farnesiana (L.) Wight & Arn., a planta das flores perfumadas

Nomenclatura e classificação científica


   Planta conhecida popularmente como coronha, corona, clorona, esponja, esponjeira, esponjinha, espinheiro, espinilho, acácia doce, aromas, aromita, arapiraca, vinhático-de-espinho, coroa-de-cristo  e corona-cristi. Porém seu nome científico válido é único, Vachellia farnesiana (L.) Wight & Arn.. Essa espécie pertence a família Fabaceae, da qual também fazem parte por exemplo, o Angico, a Sucupira e o Pau-brasil.

Aspectos biológicos da espécie Vachellia farnesiana


   Coronha(Vachellia farnesiana) é de porte geralmente arbustivo atingindo cerca de 3m de altura, com copa fechada, ramos cilíndricos e tortuosos revestidos por uma casca quase lisa e com lenticelas. Suas folhas são compostas bipinadas, com 12 a 23 pares de folíolos e tem estípulas que se transformam em espinhos. Tem flores pequenas amarelas ou alaranjadas que juntas formam inflorescência do tipo capítulo, estas são  muito aromáticas e tem cheiro forte adocicado. Floresce frequentemente de junho a setembro. O fruto dessa planta é do tipo legume indeiscente que possui bastante polpa carnosa-esponjosa entre as sementes.

Aspectos ecológicos da espécie Vachellia farnesiana


   Planta decídua( suas folhas caem em determinado período) e heliófita( adaptada a viver em ambiente exposto a luz), a  Coronha(V. farnesiana) é considerada espécie pioneira e típica de formações vegetais secundárias em ambientes secos e ou pedregosos. Ocorre mais frequentemente em pastagens, as margens de estradas e também é cultivada próxima a construções humanas devido ao cheiro forte de suas flores. Produz elevada quantidade de sementes anualmente.

Importância e usos da espécie Vachellia farnesiana


    A Coronha(V. farnesiana) apresenta valor ornamental devido a beleza das flores com cheiro adocicado que é útil para produção de perfume e também são melíferas, sendo visitadas por abelhas. A sua madeira é pesada, resistente e possui boa durabilidade o que torna ela muito indicada para "confecção de dormentes, moirões, esteios, eixos, rodas, rolos para moendas, construção civil, peças de resistência, cabos de instrumentos, bem como para lenha e carvão (LORENZI, 1998)". As folhas são forrageiras, mas também são indicadas na medicina popular para aplicação em ferimentos, enquanto que os frutos são indicados tradicionalmente para combater inflamações na pele e disenterias. Além disso, na medicina tradicional as raízes dessa planta são indicadas em tratamento alternativo da tuberculose.

Distribuição geográfica e ocorrência da espécie Vachellia farnesiana


   Coronha(V. farnesiana) é nativa com ampla distribuição neotropical, ocorrendo desde o México até o  Brasil, onde é encontrada em todas as regiões, principalmente no Nordeste, sendo confirmada nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e na Amazônia. Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Leste Potiguar, Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências

BRAGA, Renato. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII,1976. 

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1998. 2.ed. v.2.

PARROTTA, J. A. 1992. Acacia farnesiana (L.) Willd.–Aroma, huisache. Research Note SO-ITF-SM-49.U.S. Department of Agriculture, Forest Service,.Southern Forest Experiment Station, New Orleans. 6.

QUEIROZ, L. P. Leguminosas da caatinga. Universidade estadual de Feria de Santana: UEFS, 2009. 467p.

SILVA, Kelina B. ; Pinto, M. do S. de C. e Souza,N. A. de. Morfometria de frutos e diásporos de Acacia farnesiana (L.) Willd.. Revista Verde (Mossoró – RN - Brasil), v 9. , n. 2 , p. 76 - 82, abr-jun 2014.

VACHELLIA in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB114576>. Acesso em: 19 set. 2020.

domingo, 30 de agosto de 2020

Punaré Thrichomys laurentius (THOMAS, 1904) um roedor exclusivamente brasileiro

Nomenclatura e classificação científica do Punaré

   Mamífero roedor conhecido popularmente como Punaré ou Rabudo, porém seu nome científico é Thrichomys laurentius (THOMAS, 1904). Essa espécie pertence a família Echimyidae(ex.: ratos-de-espinho,ratos-do-bambu) e até recentemente era considerada uma subespécie do gênero Thrichomys(Thrichomys apereoides laurentius).  


Aspectos biológicos do Punaré (Thrichomys laurentius)

    O comprimento do corpo de um indivíduo adulto dessa espécie, tem uma média de 197,7mm(cerca de 20cm), enquanto que seu peso médio registrado foi de 187,4 gramas. De maneira geral em T. laurentius a coloração no dorso é acinzentada, enquanto que no ventre é branca. Assim como os demais representantes do gênero, possui um “anel” de pelos brancos ao redor de cada olho e uma cauda coberta de pelos, mas esta pode  não ser observada em alguns exemplares, pois é facilmente fraturada. A cauda tem como função principal ajudar no equilíbrio do animal durante os saltos. As espécies do gênero Thrichomys constroem seus ninhos com material vegetal em cavidades das rochas, ocos de árvores e até em galerias no solo, onde dão a luz em média 3 filhotes por gestação. O número de ninhadas por ano varia de duas a três, e os novos indivíduos atingem a maturidade sexual entre 7 e 9 meses de vida. No geral, eles se reproduzem com maior frequência entre fevereiro e julho. 


Aspectos ecológicos do Punaré (Thrichomys laurentius)

   T. laurentius é terrestre e semi-arborícola, ou seja, vive tanto no chão como no estrato arbóreo e pode ser observada ativamente durante parte do dia e da  noite, todavia é considerada de hábito mais  crepuscular. Ela alimenta-se principalmente de raízes e frutos, sendo considerada quanto a dieta uma espécie herbívora-frugívora. Vive principalmente em áreas abertas da Caatinga, do Cerrado, nos brejos de altitude e em  áreas de Floresta Estacional Decidual que está associada ao bioma Mata Atlântica. Na caatinga tenho observado com maior frequência em cavidades de formações rochosas, onde ficam abrigados durante maior parte do dia. Seus principais predadores que contribuem para o controle populacional da espécie, incluem por exemplo, os felinos( gato-mourisco, jaguatirica,etc), as serpentes( cascavel e jiboia, etc) e aves de rapina como a Águia-Serrana.

Punaré (Thrichomys laurentius), um hospedeiro de Leishmania e Trypanosoma cruzi


   Estudos tem demonstrado que o punaré(T. laurentius)  tem condições de reter o parasita causador da leishmaniose tegumentar(L. braziliensis) e leishmaniose visceral-calazar(L. infantum), apresentando infecções de longa duração. Portanto, atua como hospedeiro e é um dos principais agentes etiológicos da leishmaniose humana no Brasil (ROQUE et al., 2010). Além disso, outras pesquisas tem revelado que T. laurentius atua como reservatório de Trypanosoma cruzi, causador da doença de chagas , participando nos ciclos de transmissão desse parasita.


Ameaça e distribuição geográfica do Punaré (Thrichomys laurentius)


   O rabudo(T. laurentius)  não está ameaçado de extinção em nível nacional atualmente, de acordo com a última lista disponível no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção(2018). Contudo, sofre ameaça humana, pois é perseguido e caçado(proibido por lei) em grande parte da região onde ocorre, sendo usado na alimentação em algumas comunidades no sertão nordestino. Este roedor é nativo e endêmico para o Brasil, ou seja, só é encontrado nesse país, sendo sua distribuição geográfica  desde o Ceará até a Bahia, além disso foi confirmado recentemente também no norte de Minas Gerais.  Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste Potiguar.

Referências
BASILE, Patrícia Adriana; VIVO, Mário de. Taxonomia de Trichomys Trouessart, 1880 (Rodentia, Echimyidae). 2003.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2003.

BONVICINO, C.R., OLIVEIRA, J.A. & D'ANDREA, P.S. 2008. Guia de Roedores do Brasil, com chaves para gêneros baseadas em caracteres externos. PANAFTOSA-OPAS/ OMS, Rio de Janeiro.

FINOTTI ,R.; D’Andrea,P. S.; Santos ,M. M. dos; Carvalhaes ,J. G.; Novaes ,R. L. M.; Souza, D.D. N. de & Cerqueira,R. Diferenciação dos hábitos alimentares de três espécies do gênero Thrichomys (Rodentia, Echimyidae) através de experimento de preferência alimentar em laboratório. Bol. Soc. Bras. Mastozool., 74: 95-102, 2015.

ICMBIO -Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p. 

LUCENA, Mycarla Míria Araújo de. Additional criteria proposed for definition priority area for conservation in brazilian semiarid. 2014. 161 f. Tese (Doutorado em Meio Ambiente, Cultura e Desenvolvimento) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.

MORLANES, Viviane. Ecologia de pequenos mamíferos (Didelphimorphia e Rodentia) em uma área de caatinga do Rio Grande do Norte. 2016. 106 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Ciência Animal, Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, 2016.

PAGLIA, A.P., Fonseca, G.A.B. da, Rylands, A. B., Herrmann, G., Aguiar, L. M. S., Chiarello, A. G., Leite, Y. L. R., Costa, L. P., Siciliano, S., Kierulff, M. C. M., Mendes, S. L., Tavares, V. da C., Mittermeier, R. A. & Patton J. L. 2012. Lista Anotada dos Mamíferos do Brasil / Annotated Checklist of Brazilian Mammals. 2ª Edição / 2nd Edition. Occasional Papers in Conservation Biology, No. 6. Conservation International, Arlington, VA. 76pp.

PILAR e SILVA, Aparecida. Análise genética da população de Thrichomys apereoides (RODENTIA, Echimyidae) no norte de Minas Gerais. Instituto de Ciências Biológicas,UFMG, 2011.

REIS, dos R. R.; PERACCHI, A. L.; PEDRO, W. A.; LIMA, de I. P. Mamíferos do Brasil – Londrina, 2006.

ROQUE, André Luiz Rodrigues; et al. Thrichomys laurentius (Rodentia; Echimyidae) as a Putative Reservoir of Leishmania infantum and L. braziliensis: Patterns of Experimental Infection. PLoS Negl Trop Dis., v.4, n.2, e589., 8p, Feb. 2010.

ROQUE, ALR. Avaliação do potencial de pequenos mamíferos e importância de animais domésticos na manutenção dos ciclos de transmissão de tripanosomatídeos: Trypanosoma cruzi, Leishmania infantum e Leishmania Braziliensis. Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ 2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Pajeú Triplaris gardneriana Wedd., árvore ornamental das matas ciliares


Nomenclatura e classificação

   Planta conhecida popularmente como Pajeú, Pajaú, Pau-jaú, Coaçu, Cuaçu, Novateiro-preto, Pau-formiga ou Formigueiro, entretanto seu nome científico é único, Triplaris gardneriana Wedd.. Pertence a família Polygonaceae, da qual também fazem parte por exemplo os cauaçus(Coccoloba sps).

Aspectos biológicos de Pajeú (Triplaris gardneriana)

   Pajeú(Triplaris gardneriana) pode atingir de 4 a 15m de altura, apresenta copa rala e baixa, sendo uma árvore bem ramificada com caule tortuoso de casca fina, lisa e descamante. Os seus ramos geralmente são ocos onde frequentemente vivem formigas. Suas folhas simples pilosas na face inferior são relativamente duras e ásperas. Nessa espécie temos inflorescência do tipo panícula terminal, onde a feminina  é que se destaca como ornamental, na qual são produzidos os frutos. Estes são do tipo aquênio e lembram rapidamente uma "peteca", sendo dispersos através do vento. Geralmente floresce com maior intensidade de junho a agosto e neste mês começa a frutificação. Após queimada ou cortada pode rebrotar, o que proporciona na referida planta o surgimento de novos caules. 

Importância e usos de Pajeú (Triplaris gardneriana)

   T. gardneriana é uma planta pioneira de crescimento rápido sendo recomendada para reflorestamento de matas ciliares. Ela também apresenta valor ornamental devido principalmente a beleza da sua floração(indicada para arborização urbana), importância ecológica, como exemplos através da interação com formigas(10 espécies) que nidificam  em seus troncos ocos, da interação com abelhas que são atraídas pelas suas flores(apícola) e na restauração florestal. Além disso, tem valor na medicina popular, sendo diferentes partes da planta usadas em algumas comunidades, por exemplo para tratar hemorróidas, blenorragia, leucorréia, gastrite e úlcera.

Ocorrência e distribuição geográfica de Pajeú (Triplaris gardneriana)

  Triplaris gardneriana ocorre as margens de riachos, várzeas inundáveis e encostas úmidas principalmente sobre solos calcários nos biomas Pantanal, Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica. Pajeú(T. gardneriana) é nativa mas não é endêmica do Brasil. Ela tem ocorrência confirmada para as seguintes regiões e seus respectivos estados: Norte (Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais). Durante as minhas excursões pelo estado do Rio Grande do Norte, tenho observado essa espécie apenas nas mesorregiões Central Potiguar e Oeste Potiguar, sempre associada a vegetação das margens de cursos de água como riachos ou rios.

Referências
BRAGA, Renato. Plantas do nordeste,especialmente do Ceará. Fortaleza:coleção mossoroense-volume XLII,1976.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil, v. 2. 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 1998.

MELO, E. Polygonaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB20606>. Acesso em: 11 jul. 2020.

OLIVEIRA, R. C.de; Silva, A.S. da; Ribeiro, A. R. de O.; Araújo,J. E. de; Oliveira, O. F. de e Camacho,R. G. V.. List of angiosperm species of the riparian vegetation of the Apodi-Mossoró River, Rio Grande do Norte, Brazil. Check List 9(4): 740–751, 2013.

PEREIRA, Magnum de Sousa. Manual técnico Conhecendo e produzindo sementes e mudas da caatinga Fortaleza: Associação Caatinga, 2011.

QUEIROZ, Jéssica Chapeleiro Peixoto. Respostas ecofisiológicas e bioquímicas do Pajeú (Triplaris gardneriana Wedd.) submetido ao déficit hídrico. 2018. 99 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Conservação)–Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2018. 

ROQUE, Alan de Araújo. Potencial de uso dos recursos vegetais em uma comunidade rural do semiárido do Rio Grande do Norte. 2009. 79 f. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente, Cultura e Desenvolvimento) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009. 

SOUZA, Paulo Robson de. Padrões de distribuição e diversidade de espécies da mirmecofauna (hymenoptera, formicidae) de uma savana estépica (chaco) no município de Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul,Brasil. Tese apresentada ao programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação da UFMS. Campo Grande,MS,abril de 2014.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Observando aves na cidade durante a quarentena: uma lista de aves para contemplar e ser mais feliz.

   O hábito de contemplar a natureza sempre foi importante para o bem-estar dos nossos antepassados. Atualmente durante esse período de isolamento social, tornou-se mais urgente a sua relevância para manutenção da nossa saúde, seja através da observação do crepúsculo, do céu estrelado, das flores dos jardins, do canto dos pássaros ou atividades afins. Acredito que a contemplação de aves de maneira espontânea, seja um hábito tão antigo quanto a própria existência da nossa espécie. Esta atividade nos proporciona bem-estar e admiração seja pela beleza dos cantos e cores das aves, pela variedade de formas e hábitos, pela riqueza de espécies ou especialmente pelo fato de poderem voar.
  Sendo assim, se você anda agitado dentro de casa como consequência desse isolamento social ou quer fazer uma atividade diferente, lhe convido a fazer uma pausa se desconectando do mundo virtual, indo até a janela ou quintal, principalmente ao amanhecer ou entardecer e apenas contemple o que a natureza reservou para você. Tenho certeza que ao menos uma ave tu verás ou ouvirás. 
   Como sugestão, se você é curioso assim como eu, aí vai uma breve lista de algumas espécies de aves que poderá observar na área urbana de nossas cidades. Se observares alguma espécie nativa diferente daquelas da lista, se possível comenta aí para a gente conhecê-la. 

Contemple, conecte-se a natureza para ser mais feliz!

Uma breve lista das aves nativas comuns na área urbana de nossas cidades:

1- Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)